Segunda-feira, Setembro 24, 2007

 

[P#93] ANOS ACADÊMICOS (Parte XIV)

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Yuri e Kamile (não sei de quando data essa foto)

A minha amizade com a Kamile estava se "deteriorando", isso porque eu tinha uma grande admiração por ela, sobretudo, depois que ela me ajudou com o episódio da minha bebedeira naquela festa e tudo mais, pela preocupação, etc, etc.

Mas apesar dessa admiração, minha timidez inexplicável, fazia com que eu nunca me aproximasse pra conversar com ela, me restringindo a cumprimentos de "oi" e "tchau". Ou só falava com ela quando tinha algum motivo, como quando, ela ia tocar e eu ia comprar ingressos pra ver o Manacá tocando.

Mas eu sempre olhava pra ela. Tentava disfarçar, mas acho que não conseguia, ou sei lá o que acontecia. Provavelmente ela percebeu, e era ruim , porque ficava uma situação incômoda. Parecia que eu era uma pessoa estranha que não sabia se relacionar direito com as pessoas. Enfim, aos poucos fomos nos "distanciando", óbvio que não no sentido físico, porque estudávamos no mesmo campus, mas nunca consegui fazer uma amizade com ela. Nem isso. E isso eu lamento muito, porque sei que teria sido uma grande amizade. Mas a burrice às vezes nos faz optar por caminhos estranhos. E chorar pelo leite derramado não adianta.

Bom era preciso essa explicação, para que se entenda, coisas que provavelmente irei comentar mais além.
Ela na época namorava com o Luiz, guitarrista tb de uma banda que ele tinha formado com o Caê e mais um outro rapaz, ruivo, que era da turma dos veteranos.

O namorado dela uma vez acabou me pedindo umas dicas de como tocar uma música - (Money For Nothing). No dia seguinte passei o songbook a ele, inclusive a Kamile estava junto a ele, nesse dia, e perguntou o que era. Ele xerocou o book e me devolveu dias depois, ou no dia seguinte, sei lá, já não lembro direito.

Mas passado alguns meses, devido ao meu comportamento "inadequado" ele falou pra mim que queria ter uma conversa em particular comigo, daí ele me disse:

- É o seguinte cara: tu tem que parar de ficar encarando a Kamile toda hora. Essa situação está chata e ela não gosta.

Eu tentei contra argumentar, ainda pego de surpresa:

- Não, cara, mas eu não olho pra ela... - mas ele interrompeu:

- Olha sim. É só um aviso, ok? Pára com isso. E que história é essa de tu ficar ligando pra ela ? Eu tava lá cara.

É que, no dia anterior, ou alguns dias antes, eu tinha ligado à casa dela para parabenizá-la pela apresentação com o Manacá. E, pelo que entendi, ele estava na casa dela quando eu liguei, e pensou que eu tinha ligado com segundas intenções.

Daí, depois ele se foi, eu fiquei pensando muito sobre aquilo e com uma puta raiva porque se tem um preceito bíblico que eu sempre respeitei sem mesmo ser muito religiioso é aquele que diz: "Não cobiçarás a mulehr do próximo". E eu, que nada tinha com a Kamile tive que ouvir aquilo. Fiquei puto com aquela situação por um tempo e pensei em parar de cumprimentar a Kamile e nem falar mais com ele. Essa situação durou um tempo, mas depois eu já falava com ele normalmente, embora a gente nunca tenha parado mesmo pra ter uma conversa como amigos etc e tal.

Mas achei insegurança da parte dele vir me dizer aquilo, até porque a gente sabia que ele traía ela com outras meninas, e que, eles já haviam terminado uma vez por essa razão.Então po, se ele não confia na própria namorada, se ele não se garante, ou no caso se ele não se garantia ou não confiava era um problema dele. Ele não tinha que vir a mim dizer aquilo até porque ele era muito irresponsável em relação a manter um relacionamento sério pelos boatos que corriam na faculdade.Então se ele tava tendo algum problema com ela naquela época, não era culpa minha. Foi pra mim uma atitude de insegurança extrema da parte dele. E é isso o que penso até hoje e não mudo minha postura em relação a esse assunto.

Fora isso, havia começado o segundo semestre e o curso continuava com o calendário atrasado, ainda graças à greve do ano anterior. As disciplinas continuavam difíceis no entanto eu viria a reprovar em uma matéria que eu subestimei por excesso de faltas. E isso começou a me fazer desanimar com a faculdade. Na verdade eu havia desanimado desde que eu havia reprovado em Teoria Musical com o Norton e fôra informado que só poderia continuar essa disciplina no outro ano. Então eu só poderia assistir as aulas de Harmonia quando fosse aprovado em Teoria, porque Teoria era pré-requisito pra Harmonia.

Daí veio Treinamento Auditivo II, disciplina que eu não estudava e ao mesmo tempo não procurei colar de ninguém e viria a reprovar nessa disciplina tb, mais tarde. Uma vez, andando do nosso campus até o prédio da Reitoria o Rodrigo fez o seguinte comentário:
"Por que continuar esse curso? Às vezes eu sinto um desânimo(...)"- e argumentou que achava que não valia a pena continuar no curso por algumas razões que agora eu não lembro. Eu contra-argumentei dizendo que ele estava louco, que devia continuar no curso e que milhares de pessoas gostariam de estar no lugar dele, mas , mais tarde eu mesmo pensaria em trancar a faculdade e fazer uma reopção de curso através de uma prova interna, o "Provar". A verdade é que quando eu larguei a faculdade, acabei nem trancando o curso porque fiquei de saco cheio de ter que dar explicação ao seu Pedro, à Elides, aos professores e aos meus próprios colegas de classe a razão de eu estar trancando. Mas sobre isso falarei mais além, quando for a hora.

No segundo semestre nossa disciplina na reitoria era "Psicologia da Educação" se não me engano. Outra disciplina que em nada tinha a ver com música mas que tinha a ver com o ofício de dar aulas. A professora era cinquentona. Mas continuava inteira, e eu achava ela bonita, e que se, usasse uma tintura no cabelo pra esconder os fios brancos dava pra dar uns pegas nela. Achava ela gostosa também. Mas não era só eu, o Júlio compartilhava do mesmo gosto que o meu. Uma vez falou pro Ricardo Farias:

"Dae cara, pergunta pra ela se ela é casada."
"ÊÊÊ Cara... por que não pergunta você ?"
"Porque eu já sou 'casado' pega mal pra mim" - na verdade o Júlio àquela época namorava com uma menina da cidade natal dele.

Mas a gente sempre comentava que aquela professora dava pra dar uns pegas. Mas a disciplina que ela lecionava era um pé no saco, e isso, não tem como negar. Mas no semestre seguinte a gente seria contemplado com uma disciplina pior : "Gestão e Organização da Escola" ministrada por um professor cego.

A disciplina dela era tão chata que muitas vezes eu saía uns quinze minutos antes, só que, esquecia de responder a chamada porque ficava conversando com os outros e isso me rendeu a reprovação nessa disciplinha mesmo eu tendo passado por média (7,0).Todas essas coisas faziam eu ter vontade de trancar o curso logo no primeiro ano. Só que como estávamos com o calendário atrasado o primeiro ano só terminaria no começo de 2003, e não no fim de 2002 como seria de se esperar.

Fora que esse episódio de ter reprovado nessa disciplina me deixou arrasado porque, houve um episódio ridículo em que foram sorteados vários grupos para se apresentarem e cada grupo teria de falar sobre métodos educacionais propostos por diversos psicólogos que fizeram história e sobre como esses métodos funcionavam voltados às crianças. Se eu não me engano o meu grupo foi sorteado pra falar a respeito da metodologia de Piaget. Só que eu peguei uma bomba nas mãos; como os grupos haviam sido formados e eu não fiquei esperto o suficiente pra fazer com outras pessoas tive que me juntar ao Wellington que nunca ia às aulas e ao Roger, que sequer disse uma palavra no dia da apresentação oral, e eu, tive que me matar pra falar a respeito de tudo que tinha lido, fora que eu tremia muito porque tenho vergonha de falar para platéias. Uma coisa é tocar para platéias e outra é falar. Passei um grande sufoco mas consegui apresentar o trabalho. O Roger se negou desde o príncipio a se apresentar e a professora percebeu a má vontade dele. Na verdade, nós, enquanto grupo, não havíamos nos reunido nem uma vez pra conversar a respeito do trabalho.E o pior de tudo, que ele, na maior vadiagem passou na disciplina e eu reprovei por falta. Vai tomar no cu. Ta certo, faz tempo e eu nem to mais na faculdade. Mas eu não me conformo com isso.

Eram aulas muito chatas... o pessoal sempre arrumava algo pra fazer. Faziam jogo da velha, forca, qq coisa pra passar o tempo mais rápido. Ou me passavam bilhetinhos pra perguntar que horas eram. Daí não tinha como aguentar, tinha vezes que eu chegava atrasado depois da chamada (quando ela fazia a chamada no começo) e tinha vezes que eu sentava próximo à porta com o Júlio e o Ricardo só pra pegar e poder sair antes daquela aula. E foi nessas que eu reprovei; porque com certeza ela percebia que eu ficava muito pouco tempo na aula dela e porque muitas vezes eu estava presente mas esquecia de responder à chamada.

Continuo no próximo post.

Sábado, Setembro 22, 2007

 

[P#92] ANOS ACADÊMICOS (Parte 13)

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Antologia de Partituras organizadas pelo professor Rogério Budasz

É, hoje eu estou inspirado pra escrever.
E é bom que faço logo uma postagem nesse mês de Setembro, porque há tempos, venho enrolando pra falar desse período que compreende os anos de 2002, 2003 e 2004 até o momento em que eu resolvi dar um "basta!" e cair fora abandonando o curso.

A verdade é que minha preguiça aumenta porque esse é um assunto que está longe de esgotar. Não sei de quantos mais posts precisarei para falar dessa época. No entanto, por outro lado, falar sobre esses anos, tanto tempo depois, me dá o distanciamento exato para não enxergar com "miopia" certos fatos que se sucederam e entender melhor como se cadenciarem e por que algumas coisas foram do jeito que foram.

Eu não lembro o nome da professora de Didática que lecionava para nós no prédio da Reitoria. Acho que era Ana Maria, mas não tenho certeza.
Enfim, um dia, fomos a um bar ali perto após essa aula. Fomos lá acompanhados de algumas alunas de enfermagem. Porque não só a turma de música acompanhava essa aula, mas também as alunas de enfermagem como as amigas inseparáveis Larissa e Marina (peituda à beça, e ambas morenas). Tava um monte de gente de música na mesma mesa e essas garotas de enfermagem estavam com a gente. Eu trazia comigo meu violão se não me engano e me pus a tocar algumas músicas lá enquanto outras pessoas ao meu redor cantavam. Tentei, com a Larissa, Malandragem, mas lembro que não foi uma boa performance. O Wellington tb estava lá no bar.

Numa outra mesa, num momento em que eu já tava afogado no álcool, uma garota, aquela época mais velha que eu, pelo menos uns 2 anos, veio conversar comigo. Ela estava em outra mesa. Mas como estávamos em mesas vizinhas nem precisávamos levantar. Começamos a trocar uma idéia e percebi, apesar do álcool que ela estava a fim de mim, e mais gente deve ter percebido, porque o Júlio, olhou pra mim e fez o sinal com os braços e mãos de "tu vai foder!".

Estávamos já há horas no bar e começou a entardecer a menina tava dando frango na minha boca. A gente nem tinha pedido frango, então, era coisa da mesa dela. Tava o maior clima, quando eu lembrei que meu pai queria que eu voltasse cedo pra casa e com isso acabei não ficando com a menina. Foi a forma mais trouxa de perder uma ficada (ou talvez até trepada, depois) garantida. Mas aconteceu. Liguei pro meu pai de um orelhão e disse que estava indo. Mas eu voltaria a pé, porque tinha gasto o dinheiro da passagem com bebida. Voltei a pé. Como não queria perder a viagem, acabei pegando o número de cel. dela. Mas ela me disse, que no dia seguinte àquele ela viajaria.

No dia seguinte, a Larissa me contou que ela acabou ficando com o Wellington. Aquilo me deixou meio de cara e acabei não ligando nunca pra guria. Depois com certeza, devo ter perdido o papel em algum lugar. Eu sempre perco esse tipo de coisa e organização não combina com a minha pessoa.

O Júlio me contou que, o Wellington, não tendo onde dormir quis dormir no ap dele. Não lembro no que deu essa história, uma vez que eu não estava lá, mas lembro que, deu alguma confusão e o Júlio acho que quase meteu o pé na bunda dele, no sentido de expulsá-lo do lugar. Não sei. Não presenciei esse momento.

Era foda.
No dia seguinte, teve uma "balada", lá num bar próximo à República Argentina. Não era o famoso "ERA SÓ O QUE FALTAVA", era um outro que ficava próximo à avenida mas não esse. Eu odeio baladas em geral, no entanto, aceitei ir nessa porque a Kamile iria tocar e seria uma chance de falar com ela. Mas óbvio, que, como sempre não falei porra nenhuma com ela e só alimentei a minha paixão platônica. Coisa que eu melhor sei fazer na vida, até hoje.

Tocaram algumas bandas dos nossos veteranos - alunos da faculdade que estavam no segundo ano, enquanto nós, estávamos no primeiro - e tocou a banda da Kamile. Eu estava num degrau do lugar, tomando uma cerveja [lata], quando chegou uma menina meio obesa, mas ainda assim que tinha um rosto "decente", que pegou e perguntou se podia tomar comigo. Achei que ia pegar essa menina mas não peguei. Ela tava acompanhada por uma amiga que era muito mais gostosa e gata que ela. Mas naquela com certeza eu não ia chegar. Aliás não tenho o costume de chegar em nenhuma, mas foda-se, o que importa é a sequência dos fatos.

Daí, ficou lá trocando uma idéia comigo um tempo e tal, e ficou insistindo pra eu pagar um energético pra ela. Não paguei. Não tinha dinheiro se não me engano, ou simplesmente achei que não valia a pena, não lembro. Daí ela falou : "Me espera aí que eu já volto". Nisso, eu comentei com um cara que tava ali próximo que ia pedir pra ficar com a menina. Daí o cara disse que era melhor eu não fazer isso que eu podia tomar um fora. Daí achei que o cara tava querendo que eu me desse mal e saí fora de onde estava.

Encontrei a menina do outro lado da pista conversando com um cara. As luzes piscavam, estavam tocando música eletrônica (mecânica) de fundo, enquanto a outra banda não entrava no palco. Daí ela me deu oi, e começou a pedir insistentemente pro cara, até então anônimo, doses de energéticos. Ele relutou o quanto pode, mas acabou pagando. Ainda, antes, teve um período enquanto as luzes faziam parecer que estávamos todos dançando em câmera lenta que a amiga dela me chamou pra pista pra dançar e logo depois, falou pra eu sair de lá. Saí fora daquele ambiente e fui pra outra sala, tb acompanhado pelas mesmas pessoas, o cara e as meninas.

Puxei uma cadeira pra outra menina (aquela que havia pedido pra eu sair da pista) se sentar e nos sentamos enquanto a "gorda sexy" tomava sua dose de energético. E sei lá eu devia estar pirando mas achei que ia dar uns pegas ainda na gorda. Não sei se eu tinha bebido tanto assim que tava crendo nisso ou o que tava me fazendo botar fé nesse tipo de coisa. Sei que daí rolou uma despedida, e eu disse: "É pelo jeito acho que ninguém vai ficar com ninguém aqui." meio que num tom de reclamação. Nisso ela pegou e deu um bjo no cara. Até porque ele tinha pago o energético. Acabei comentando: "Nem digo mais nada". Daí a gorda se voltou pra mim e falou:
- É tu, quer alguém pra ficar contigo ? Eu já chamo - e chamou a amiga dela, aquela, mais esbelta e bem feita de corpo, que tinha dito pra eu sair da pista.

Mas se eu não ia ficar com a piorzinha que era mais interesseira e piranha, com certeza não ia ficar com a outra bossal, que embora fosse esteticamente melhor, havia sido muito escrota comigo. Daí, acabei nem tentando beijar a outra, mandei tudo a merda [mentalmente] e só quis voltar pra casa.

Realmente parecia que as coisas não eram pra dar certo aquele dia.
Resolvi tomar o ônibus no tubo da Rep.Argentina juntamente com os amigos de classe que haviam me acompanhado àquela maldita balada. Esperamos algumas horas lá, até que fosse 6 da manhã e tivesse ônibus. Aqui, diferentemente de outras cidades não tem ônibus circulando pela madrugada. Então, como não queria ficar sozinho, tomei o ônibus na mesma direção que eles. Fomos juntos,mas eles desceram antes. Eu fui até o ponto final, na Rui Barbosa, na esperança de voltar até o terminal do Portão onde eu pegaria um ônibus que me deixaria em casa. Mas ao chegar à Rui Barbosa, o cobrador falou pra eu descer, porque ali era obrigatório. Desci, e tive que voltar bêbado e cambaleante a pé pra casa às 7:00 da manhã, morrendo de sono, parecendo um cadáver ambulante.

Aconteceram outras coisas tb, mas agora não consigo organizar o pensamento.
São quase cinco da manhã. Continuo no próximo post.

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