Quarta-feira, Agosto 08, 2007

 

[P#91] ANOS ACADÊMICOS (Parte XII)

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Exercício de Quadraturas do meu caderno de Música

Fazem alguns dias que eu não posto aqui, então fica difícil lembrar o que foi exatamente que eu falei no último post, para dar continuidade a saga cronológica dos anos acadêmicos que vivi entre os idos de 2002 , 2003 e até mesmo até meados de 2004.
Bom, vou tentar continuar a partir do que eu me lembro, nessa ordem cronológica.

Estavam começando a aparecer dificuldades em duas disciplinas: na Tecnologia da Música lecionada pelo Dottori, não tanto pela matéria, mas pela primeira prova que ele aplicou, nos passou uma partitura super complicada e cheia de (d)efeitos, ligaduras, inversões, notas à cinco oitavas além da pauta entre outras bizarrices das quais não me lembro pois não possuo mais a prova aqui pra scannear. Mas lembro de haver mudanças constante de dinâmica e de andamento na música, appogiaturas, e outras figuras simbólicas que não lembro. Muita gente se deu mal nessa prova, inclusive no dia seguinte à prova a Kamile comentou comigo:
"É, eu vi que vocês estavam fazendo prova ontem, como foram ?"
"Muito mal, o cara avacalhou na prova, encheu de fírula, e a galera se fudeu pra terminar"
"Eu sei como é cara. Ano passado com a nossa turma foi a mesma coisa."
"E aí, vocês conseguiram ser todos aprovados nessa disciplina ?"
"Alguns..."
"Alguns, e os outros ?"
"Ah cara, os que não conseguiram se reuniram e fizeram um abaixo assinado pra ele refazer a prova."

Eu não lembro se ela tinha me dito se , com isso, eles conseguiram que o professor fizesse outra prova pra eles, mas aquilo que ela tinha dito havia me acendido a esperança de mobilizar a turma e fazermos um abaixo-assinado obrigando o Dottori a nos aplicar outra prova.
Então, como vi que muitos estavam insatisfeitos, e também o César Crepalddi (vulgo Tio Ted), falei com ele pra gente mobilizar um abaixo-assinado.
Então um dia, ele , com meu apoio, foi conversar com o pessoal de nossa turma e dizer que aquilo não era direito. Acho que apenas alguns poucos que haviam se dado bem na prova não toparam assinar, mas no entanto, se eu não me engano, contando tb com a assinatura dos alunos de produção sonora, conseguiram totalizar um número bom de assinaturas para essa mobilização pela causa acadêmica estudantil.


Não lembro os desdobramentos do fato, mas lembro de termos mostrado o abaixo-assinado a ele, e que, o abaixo-assinado não deu em nada. Ele não refez a prova, apenas na segunda, ele dividiu a turma em dois dias diferentes pra realização da mesma, se não me engano, quanto que na primeira fizemos apenas as provas em horários diferentes, sendo que os que preferiram fazer a prova depois pra ter mais tempo (como eu), saíram da faculdade perto das oito e meia da noite, pra mais tarde.

Eu estava tendo sérios problemas também com a disciplina de Treinamento Auditivo, ministrada na época pelo professor Indioney Rodrigues. Não pelo professor, até porque o Indioney era ótimo e tinha uma didática boa de dar aulas, além de ser uma personalidade inacreditável, e que, em sala dizia coisas incríveis e tinha alguns momentos de grandeza filosófica realmente tocantes. Era engraçado tb. Eram várias vertentes que se abriam. Vários personagens num só homem. Bom enfim, chega de ficar viajando na maionese, e, vamos voltar ao que eu dizia. Eu tava tendo problemas por causa da minha própria incompetência. Eu tinha (e tenho ainda hoje) um teclado da Cássio pra realizar tais estudos de Treinamento. No entanto, eu não estudava o suficiente, e uma coisa que o Indioney sempre deixou muito claro é que Treinamento Auditivo você só aprimora , aprende e evolui se realmente estudar a sério. E ele está certo. Por ex, na época eu era viciado em "Knocking on Heaven's Door", uma música que eu tocava e escutava sempre, esse é um exemplo: então hoje em dia quando ouço um acorde de G Maior, sei que é G Maior por causa dessa música. No entanto, o treinamento que ele propunha era pra que profissionalizássemos o nosso ouvido relativo, reconhecer intervalos, escalas, acordes em toda a sua tipologia. Eu estudei bastante no começo, e lembro que na época era um esquema do tipo : "II-V", por ex, cantando os intervalos. Ou "I-IIm", sim eram ditos as qualidades dos intervalos pra diferenciá-los por ex de uma "I-II", o mesmo ocorria com o trítono e o intervalo de quinta justa. As sétimas, etc, etc. Era uma disciplina muito séria, e eu percebo que amigos meus, que levaram mais a sério esse estudo do que eu, realmente conseguiram criar um ouvido habilidoso. Um bom ex disso é o Rodrigo Anacleto, meu amigo japonês, de quem já havia falado antes a respeito. Ás vezes, em minha casa, tocando guitarra , ele de costas pra mim , ou sem olhar no braço do instrumento faz comentários do tipo : "ficou legal essa sétima". Outra coisa que me impressionou, mas isso se deve aos estudos de guitarra dele terem sido mais avançados que os meus, é que, um dia tirando uma música, não vou dizer qual aqui pra não me expor a um ridículo, ele percebeu que havia um problema em um D que eu tava fazendo que não soava perfeitamente encaixado na cadência, então ele percebeu, só de ouvir a música que havia um baixo invertido na tríade do acorde D.

Então, agora que já deu pra presumir a importância de ter um ouvido bem treinado, posso dizer os problemas que eu começei a ter nesse primeiro ano como estudante universitário.Eu estudava os intervalos mas não o suficiente. Por alguma razão. E a razão não era por causa do Big Brother, antes que pensem que sou fútil a esse nível. Talvez eu achasse aquele estudo cansativo, mas ainda não soubesse, ou percebesse isso, mas estudava menos que o suficiente, isto é certo. Chegava então a data de fazer a primeira prova de Treinamento Auditivo I.

Na prova eu reconheci alguns intervalos, mas acabei optando pelo que achei mais fácil. Colar do Gaúcho que estava sentado a minha esquerda. Colei a prova inteira dele e tirei 10,0. Na segunda prova eu não precisaria caprichar tanto, embora a média da faculdade fosse 7,0. Mesma média da maioria dos colégios particulares curitibano. Uma vez , andando pela XV com o Rodrigo e o resto da turma, o Rodrigo falou uma coisa interessante: "Na faculdade de medicina a média devia ser 9,0, porque o que tem de médico aí fazendo cagada, não ta no gibi." E era verdade. Mais ou menos naquela época a mídia havia noticiado (de forma sensacionalista, como sempre) que um médico havia colocado um pino no pé de uma menina. Detalhe: o pino havia sido colocado no pé saudável, e não no pé que realmente precisava.

Passei em Treinamento Auditivo sem ficar em final (é como chamam a recuperação na faculdade), em Treinamento Auditivo, mas não escapei de ficar em recuperação em Tecnologia da Música, do Dottori, e em Teoria Musical, do Norton. Me deu uma certa raiva. Justo Teoria Musical, que eu havia estudado tanto durante o período antes das aulas começarem, e, também do livro do Bohumil Med, o qual eu já havia resolvido a maioria dos exercícios. Pra acabar comigo, acabei reprovando em Teoria Musical 1. O que me deixou com muita raiva e me sentindo um incapaz. Eu ainda tentei recorrer com o professor Norton. Consegui o telefone dele na lista telefônica, e perguntei se não havia como dar um jeito, e ele então pediu que eu fosse falar pessoalmente com ele na faculdade. Eu falei, mas não adiantou de nada, e ele disse que nunca na história da vida dele ele havia passado algum aluno que por uma média um pouco inferior houvesse reprovado em sua disciplina. Me deu tanta raiva que eu acabei subindo no piso superior e me fechei no banheiro. Lá dentro tirei a pasta de música e começei a chutá-la com raiva. Não lembro se chorei de desespero, no entanto eu era um tanto grande pra essa atitude. Mas não lembro o que aconteceu ao certo, fora os chutes violentos na mala do curso.

Depois eu desci, fiquei com a cara emburrada por um tempo.
O que me deixava puto, na verdade, era reprovar logo no primeiro período. Na faculdade se contam por períodos , ou anos. Eu prefiro dizer : "To no segundo ano", por ex, do que : "To no terceiro período", mas no geral nos referimos a períodos assim como as recuperações não são recuperações e sim finais. É toda uma terminologia do vocabulário universitário que vamos aprendendo o significado aos poucos e com as circunstâncias do dia-a-dia.

A Kamile estava saindo, porque, com certeza devia estar terminando alguma aula dela. Me encarou - eu estava sentado no banco do lado de fora- e perguntou:
"O que você tem ?"
Como me envergonhava ter que responder que havia reprovado numa disciplina logo de cara, sendo que o curso mal havia começado.
"Reprovei em Teoria Musical, conversei com o Norton, mas ele não quis voltar atrás."
"As vezes é melhor reprovar" - respondeu ela. No entanto, o telefone tocou e ela foi atender. Nâo lembro se ela respondeu isso depois de atender ao telefone ou antes.

Paralelo a esses assuntos acadêmicos outras coisas foram acontecendo na minha vida nesse ano, e são coisas relevantes que eu não devo esquecer de contar; entre elas:
Meu pai comprou o primeiro DVD aqui pra casa. Ele havia começado a trabalhar na Falcon - comércio de munições e artigos esportivos, e ganhando mais, criou as condições necessárias pra fazer aquisições de aparelhos eletrodomésticos que na época, eram caros, como DVD.
Se não me engano foi nesse ano que minha mãe começou a trabalhar na limpeza da URBS, porque havia passado no concurso público que ela havia prestado. Eu também passei num concurso público em Setembro do ano passado, no entanto, até hoje, nunca me chamaram. Minha mãe casou nesse ano também com o João Santana. Não tenho certeza se esse é o sobrenome completo dele, mas, sei que tinha Sant'anna ou Santana no sobrenome, porque minha mãe ainda hoje assina "Lindaura Pereira Santana", mesmo sendo casada atualmente com outro homem. João era mais velho que ela, e passou parte da vida trabalhando nas empresas Votorantin. Isso é importante de saber, pois tem um detalhe que preciso citar a esse respeito quando começarem os posts do ano de 2003.

No dia do casamento eu fui até o cartório e servi de testemunha.
Detalhe, o João, não era, Testemunha de Jeová, como minha mãe. Mas eles tinham uma união e conceberam matrimônio mesmo assim. Porque minha mãe , muito antes disso pregava uma postura radical de não se relacionar com quem não fosse da mesma religião que ela. Teve a festa. Me lembro pouco da festa de casamento, só lembro que foi à noite. Eu compareci. Fazia frio. Ficou longe e não havia mais ônibus para retornar à casa, então pousei na casa de uma irmã mais nova da minha mãe. Fui dormir ao som de Zé Ramalho.

No final daquele ano, mais ou menos por Outubro, eu tive que, depois de mais de 10 anos sem consultar uns dentistas ver meus problemas de cáries. O dentista foi ótimo. Fez um dente por vez. Eu prefiro assim, porque eles tratam o problema com mais calma e não fazem qualquer remendo tosco na nossa boca.Eu lembro que na sala de espera tinha umas revistas Veja sobre a mesa e falavam muito sobre a disputa presidencial que estava acirrada entre José Serra (PSDBosta) e Lula (do PT). Não sei por que, mas sempre que lembro desse período do dentista, eu lembro dessas revistas na sala de espera. Eu era muito cagão, porque não gost(o)ava de ver sangue, e sempre ficava de olhos fechados até que ele terminasse. Numa dessas vezes, desesperado, acabei cuspindo no chão, quando tinha que cuspir na bacia. Eu pedi desculpas, o dentista achou engraçada aquela circunstância e dizia que não tinha problema, que depois ele limparia. Ele acabou tratando uma panela que eu tinha no dente de trás, e fez um canal. Disse que podia arrancar meu dente, (era um dos dentes do fundo), mas que eu poderia sentir dores de cabeça, mas que como não era um dente tão importante na mastigação, ele podia fazer um canal. Fez o canal e eu fiquei satisfeito com esse serviço (por 4 anos).

Quase nessa mesma época, o Guilherme, do Sigma, me ligou um dia em casa me propondo tocar numa banda que ele tinha e cuja formação já estava pronta, mas que precisariam de um guitarrista solo. Eu logo fiquei animado, até porque na época, o termo HARDCORE, eu só havia ouvido falar a respeito, mas, não sabia do que se tratava. Eu ensaiei uns tempos com eles. Devo ter ensaiado umas quatro ou cinco vezes, mas depois fui expulso e nunca mais me chamaram porque eu faltei mais de uma vez a um ensaio que estava marcado com eles. A banda se chamava "Maquinatrapo". Foi minha primeira experiência com banda FIXA. Eu já havia tocado em formações de bandas, mas nunca como membro fixo, por exemplo já havia tocado com o Dinarte e com o Andrey em bandas com baixo, bateria, vocal, etc, etc, no entanto eu fazia mais uma "participação especial" do que outra coisa. Não era uma banda que me pertencesse embora eu tivesse entrosamento com os outros membros dessas bandas. Não durou muito. Aquele mesmo ano eu havia sido expulso da Maquinatrapo.
Há mais coisas a serem lembradas fora do mundo acadêmico e que, quando eu não estou postando aqui, vivo me recordando a respeito, no entanto agora deu um branco horrível.
Acho que vou ficando por aqui, por hoje.

Continuo no próximo post.

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