Segunda-feira, Julho 09, 2007

 

[P#90]ANOS ACADÊMICOS (Parte 11)

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<==Professor Maurício Dottori.


Depois da primeira festa, os veteranos em conjunto com os calouros de música resolveram organizar uma segunda festa e começaram a anotar os nomes daqueles que já haviam pago pra participar de uma segunda vinhada na casa do Seu Pedro. Por incrível que pareça, eu participei da segunda festa. No dia do recolhimento do dinheiro, a Kamile me perguntou:
"Você já pagou ?"
"Sim, já"
"Não vá tomar demais hein?" -e passou a mão na minha cabeça.
O Yuri brincou:
"Pro Natal só vamos dar um copo de leite, pra ele ficar bem tranqüilo".
Realmente esqueci de contar como fui apelidado de Natal na faculdade. É que hoje em dia me falha a memória.

Se eu não me engano foi numa despedida que eu dei pro Júlio e pro Gaúcho, enquanto eles permaneciam na faculdade. Ao dar tchau, se eu não me engano, eles ouviram: "Um feliz Natal" (surdo é foda ¬¬) ,no dia seguinte o Luís (Gaúcho) começou a tirar sarro junto com o Júlio dizendo que iam me chamar assim a partir daquele dia, e assim como o Da Lua, lá de 1994/1995, o "Natal" pegou. Só porque eu odeio apelidos. Eu mereço. Mesmo tendo largado a faculdade, algumas pessoas ainda me chamam por esse apelido.

Isso ocorreu bem no ínicio do curso. Não lembro se foi pela segunda ou terceira semana. E em breve entraríamos no ritmo do curso. As aulas eram sempre à tarde e às vezes se extendiam até o período da Noite quando tinha alguma atividade pra preencher a carga horária do curso e uma lista de chamada era passada para conferir se os alunos estavam ali mesmo. Se não me engano os alunos tinham que escrever seu número de matrícula na lista, mas como já faz um certo tempo, não lembro direito como isso funcionava.

Enfim, chegou o dia da Segunda Festa. Na Segunda Festa, eu tomei, mas não aconteceu nada comigo, até porque eu não havia misturado VODKA MER(D)CADORAMA com os vinhos que o pessoal comprou. E se não me engano compraram pão francês tb, pro pessoal comer pra previnir esse tipo de acidente. Fiquei sabendo que a Kamile e o Luís não estavam mais juntos, e segundo a Islene o namorado dela só tinha idade (na época devia ter uns 23 anos, e isso era acima da média da idade do curso (entre 18-20 anos), mas que apesar disso era muito imaturo e traía ela com outras.E internamente eu pensava: "Mas que trouxa.". O Daniel, calouro tb na época, do curso de Produção Sonora foi tentar xavecar a Kamile. Sim eu lembro, não ouvi o que eles disseram, só lembro que ele não foi bem sucedido na empreitada dele.Veio falar com ela ali na "casinha do seu Pedro", como o pessoal chamava aquela construção na época,e, antes da sua reforma, é claro.

A sala tava escura, mas deu pra perceber que ele tentava algo e dizia coisas do tipo "gosto muito de você" e todo o clichê de repertório babaca de cantadas baratas que os homens que "tomam a iniciativa" costumam ter.Não sei como tem mulher que cai nessas merdas, mas foda-se isso tb ,senão vou acabar me desviando de relatar o que se passou a seguir. Provavelmente ela disse que não rolava, ou algo relacionado,e ela continuou olhando pela janela a quadra do DeArtes. Nisso me deu vontade de urinar, mas não tinha nenhum banheiro aberto, e o campus do DeArtes tava fechado. Talvez por precaução de ninguém mais ir vomitar lá. Eu passei pela janela que a Kamile estava, decidi por urinar atrás da casa. A Kamile se preocupou, e disse:
"Ei, ei... tu vai vomitar ??"
Eu disse:
"Não, não, estou bem hoje, só vou ver uma coisa aqui..."
E "realizei a ação". Depois na volta a Kamile, ainda na janela, me disse:
"E cara, se vc se sentir mal, ou precisar de ajuda, pode me chamar" - e sorriu.
Eu respondi: "Ahh, pode deixar..."
Mas não consegui ter a rapidez de pensamento de puxar um assunto, ou de aproveitar o momento - já que ela não estava mais namorando o Luís. Embora, como eu não tinha certeza das intenções dela para comigo, eu resolvi ficar mais na minha. No entanto não fui mais simpático com ela aquela noite por tartaruguismo cerebral mesmo. Azar.

O tempo passou, e eu vi, que, não aproveitava as chances nem pra conversar normalmente com ela, como amigo. Eu tinha medo não sei do quê.As únicas palavras que trocávamos era "oi" e "tchau". Pra tentar quebrar esse gelo, e também por gratidão ao modo como havia cuidado de mim na primeira festa e de como havia me tratado na segunda, eu resolvi pesquisar na Internet, no computador do meu pai, a história do Reggae e das mulheres no Reggae. Reuni uma compilação com mais ou menos 30 páginas com fontes de diversas páginas. É que, não falei antes, e nem a descrevi: a Kamile era(é) guitarrista, na época a princípio, e antes de entrar no Manacá da banda Namastê.Depois de reunidos os textos fotos e artigos fui na fotocopiadora e pedi pra me fazerem uma encadernação e guardei numa pasta pra não estragar o material.

Daí, um dia, entreguei. Foi meio difícil, porque eu queria conseguir falar com ela a sós, mas, ela tava conversando com o Henry, outro calouro de produção sonora, e que embora ele não dissesse, eu sabia que tinha uma queda pela Kamile, pelo jeito que ele conversava com ela e porque sempre estava junto dela, pelo menos no período em que ela e o Luís estavam afastados. Mas percebi que uma hora eles tinham parado de conversar e aproveitei a deixa e cumprimentei ela dizendo:
"Tenho uma coisa pra você".
Ela ficou curiosa.
Abri a pasta e entreguei a ela.
Na hora eu não lembro que explicação que eu dei para aquilo, mas ela gostou e me agradeceu, o Henry voltou a se aproximar e disse:
"Caraca, estragou o fim de semana do cara".
Ela retrucou:
"Mas eu nem sabia..."
Daí, como não sabia o que dizer, e antes que ficasse muito envergonhado, disse que tinha que ir, porque estavam me chamando. E fui sentar lá no banco que ficava embaixo de uma árvore no estacionamento do campus- vide foto que eu pus no post nº 88.

Durante quase dois anos eu viveria aquele chove-não-molha.
Continuo no próximo post.

Domingo, Julho 08, 2007

 

[P#89] ANOS ACADÊMICOS (Parte X)

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DeArtes ==>

Eu não tenho como prosseguir nos posts relativos à minha vida acadêmica se não conseguir falar a respeito de música eletroacústica, até porque causou estranheza em mim e em meus amigos em nossa trajetória universitária.Em outros causou aceitação. Talvez não uma aceitação imediata, mas muitos gostaram daquele estilo de música e conseguiam sentir essa música sem nenhum tipo de preconceito.Comigo nunca funcionou.

Basicamente, da pra se dizer que a música eletroacústica surgiu da influência de duas vertentes predecessoras : a "Música Concreta" e a "Música Eletrônica Pura". A música concreta por sua vez é um tipo de música eletrônica produzida a partir da edição de áudio unida a fragmentos de sons naturais e/ou industriais. Pra quem não entende, música eletrônica, pra se ter uma base, é toda aquela que é criada através de instrumentos e equipamentos eletrônicos.Tais como sintetizadores, gravadores digitais, computadores ou softwares de composição.

Essa é a denominação básica pra se entender do que se trata a música eletroacústica. Na verdade é uma música manipulada através de meios eletrônicos, tais ele como a computação, para se editar, acrescentar, alterar ou mesmo gravar sons pré-existentes, como vozes, ruídos e os mais diversos sons na construção de uma música. Muitas vezes também a música eletroacústica é composta de textos, fragmentos discursivos entre outros aqui, que no momento não lembro. Tanto o professor Rodolfo quando o professor Dottori (doutores e phds em universidades do exterior), são compositores de música eletroacústica. Sempre tinham brilho nos olhos pra falar desse tipo de composição, mas para os alunos a primeira audição era algo chocante, justamente por romper com aquilo que estamos acostumados a chamar e a apreciar como música.

Sem querer faltar com o respeito aos compositores e admiradores dessas obras, mas na época, era para nós uma música completamente "non sense", pois rompia com tudo e parecia não haver uma técnica específica, como nos demais gêneros de música, tanto na música popular, quando na música erudita. Tivemos no começo daquele ano uma palestra no auditório da faculdade , com um compositor de uma dessas músicas, cujo nome eu não lembro, mas era já um senhor de idade e tinha algo de "Beba Coca-Cola" no texto.

Então, no começo do curso universitário eu lembro que andava bastante com o Gonzàlez, a Cendy e a Sara apesar de também ter amizade com o Júlio, estabelecida desde o começo daquele ano.Às vezes marcavamos reuniões (o pessoal do Gonzàlez) para estudarmos elementos da Teoria Musical que estavam nos dificultando a vida, como figuras ritmícas. O González, como sacava melhor dessa matéria, nos passava alguns exercícios, e batia as palmas no tempos ritmícos, nas partituras que copiavamos, ou tínhamos ali para treinar : "E 1,2,3 taaa, ta, ta, taaa (pausa) ta...", entre outras coisas relacionadas à teoria musical.

Teoria Musical eu também tinha algumas vezes por semana, de manhã, com o professor Marco, e dela participavam também o Fernando e o Márcio.Lembro de ter visto a Sara em uma das aulas, mas não lembro quanto tempo ela continuou fazendo Teoria pela manhã. Até porque também tínhamos Teoria com o Norton, à tarde, apesar de ser uma teoria mais avançada, enquanto que a teoria do professor Marco era uma teoria mais básica, partindo do princípio, com noções intervalares,durações de nota, leitura da partitura, leitura de claves e todo o conteúdo que a Teoria Musical em si abrange.

Foi numa das aulas de Teoria Musical do professor Norton que fui conhecer melhor o Rodrigo, pois só o conhecia de vista, e lembrava dele conversando com a Ruth no começo do ano, como eu já citei aqui em posts atrás.A gente foi treinar juntos um exercício ritmíco do Norton, e acho que a partir daí que nossa amizade começou a crescer e ganhar importância. Mas lembro que em 2003 que a gente tinha laços de amizades mais fortes, com ele vindo na minha casa e pousando e eu indo na casa dele de vez em quando também. No final se tornaria um dos melhores amigos que eu teria por lá. Depois quando ele trancou o curso no começo de 2004, as coisas ficaram mais difíceis.

Tinha também o Wellington, que eu já citei, raramente aparecia na faculdade, e quando aparecia levava aquela esculachada dos professores pelo seu desempenho pífio na faculdade. Na verdade, o Wellington não morava em Curitiba, era de outra cidade. Só não entendo, porquê ele prestou vestibular se não teria condições de participar do curso universitário. Às vezes, ele atrapalhava geral, tu tava no meio de um assunto com os amigos e ele vinha pedir pra ajudar numa parada, dizia : "quero ter um particular contigo ae meu amigo" e vinha fazer umas perguntas xaropes ao extremo.Putz, eu me fazia de educado com ele, mas achava um porre esse tipo de coisa.

Aos poucos a galera tecia comentários maldosos a respeito dele, me incluo nessa turma, mas era também a turma dos que tiravam sarro dele por suas perguntas ridículas e chatas ao extremo. O Auro era um ícone dessa arte de tirar sarro do Wellington, fazendo imitações do modo como ele (o Wellington) perguntava as coisas: "Natal, onde é o DÓ ?". Eu também imitava, o Júlio também, até o Ricardo Farias, porque o cara não se tocava mesmo. Altos papos sobre drogas e outras coisas cabeludas o guri tinha a falar. Eu desconfiava que com aquele jeito vileiro ele devia ter um canivete dentro da mochila, mas eu nunca soube de verdade se ele tinha ou não.

É muito difícil escrever sobre esse período porque as lembranças ainda estão muito frescas, até mesmo sobre as pessoas, tem muitas pessoas cuja minha lembrança está ativa, e isso atrapalha um pouco na hora de eu me concentrar pra falar de uma forma sintetizada sobre a ordem cronológica dos fatos. Mas já que estou falando a respeito do Wellington, teve mais um episódio podre que ocorreu quando o primeiro semestre do curso havia terminado. Saímos da faculdade, era noite, acompanhamos (o Wellington e eu) o Rodrigo a pegar o ônibus dele perto do Largo da Ordem, depois segui com o Wellington em direção à minha casa.No entanto, antes ele parou no Mercadorama e pegou uma lata de cerveja.Daí quando estava na fila pra pagar saiu correndo. E putz, como eu tava junto, tive que sair correndo também. Fiquei pensando se a polícia pegasse a gente, o que eu iria dizer aos meus pais.

Depois ele falou:
"Putz, que foda hein Natal ?"
eu respondi algo do tipo : "Dá nada"
Mas óbvio que dava tudo.
Porra, que bosta, tipo, como realmente não "deu em nada" eu não ligo pra essa história hoje, mas porra, quase que por causa do guri, eu ganho uma ficha criminal na polícia.Depois como eu tava sem dinheiro pra voltar pra casa, acabamos voltando a pé pra minha casa. E parecia que o Wellington iria pousar lá. Eu me perguntava como um tipo daqueles iria pousar em casa. Nem tanto por mim, mas mais pelo meu pai, que iria achar que eu só andava com vagabundos na faculdade. Tava numa situação difícil, e resolvi ligar pra casa pra avisar que o Wellington pousaria lá.Liguei pra casa avisando que traria um amigo. Meu pai disse que tudo bem. Depois disso, paramos no Extra, o Wellington deu uma olhada nas garrafas de vinho,whisky,cachaça que havia por lá.Depois saímos, e o Wellington perguntou como fazia pra ir pra tal lugar com ônibus que eu não me lembro hoje em dia qual era.Daí quando pensei que íamos pra casa ele acabou optando por ficar no ponto e eu me safei.

Agora, voltando um pouco no calendário dessas lembranças, eu acabei adquirindo simpatia pela Kamile porque das calouras, era a única que conversou comigo diretamente duas ou três vezes , fora que tinha ganhado moral por ter me ajudado quando eu precisei, no episódio triste da minha bebedeira na festa da casinha do seu Pedro.E aos poucos eu fui gostando dela. E nem podia, porque na época ela namorava com o Luís, que fazia Produção Sonora na turma dos veteranos.
Eu to adiando um pouco pra falar a respeito da Kamile porque exige uma análise mais detalhada de todo o contexto da época, das coisas que ocorriam simultaneamente em todas as esferas enquanto eu gostei dela.

Como eu disse então há dois posts atrás, teve aquela confraternização na casa do Júlio da qual eu participei junto do Gaúcho, Ruth e Débora.Isso foi no Sábado,passou Domingo, na Segunda, a Kamile me viu, me abraçou e perguntou:
"Dae cara, como tu tá ?"
"To bem. Agora eu to bem."
"A gente se preocupou cara, tu sumiu da festa."
Foi bastante simpática comigo, e, sei lá, talvez até por motivo de carência interna eu tenha gostado dela, ou não sei o que rolou, mas sim, sou obrigado a confessar, se quiser ser sincero com essa biografia que passei a gostar dela.É foda, porque, às vezes nem era recíproco, a menina só estava sendo legal e confundi as coisas. Mas acontece. E acho que isso não veio a acontecer só comigo. Vários caras devem passar por esses momentos equivocados achando que são amados, etc,etc.

Continuo no próximo post.

Sábado, Julho 07, 2007

 

[P#88] ANOS ACADÊMICOS (Parte 9)

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<== Da esquerda pra direita: Eu, Gaúcho e Maycon, em foto extraída do próprio site do Departamento de Artes e Música da UFPR (DeArtes)
Agora me perco um pouco na hora de falar a respeito desse ano, porque serão bastantes posts para se falar de coisas que aconteceram no meio acadêmico, até porque, não foram apenas fatos, mas várias pessoas, professores e coordenadores, ou mesmo pessoas interessadas no curso de música fizeram a história desse período e também dessa época da minha vida.

Acho que convém agora, para ser coerente, falar um pouco do curso em si, e , talvez, de forma subetendida dê pra entender o que me fez largá-lo.O curso era à tarde, acho que já disse isso em outro post mas não tenho certeza, mas dependendo das atividades extra-curriculares que tínhamos ou mesmo da grade horária do dia saíamos do Campus à noite.Pelo que tenho de informações por meio de contatos e amigos, a sede do Deartes continua sendo no Batel, na Coronel Dulcídio, 638, quase em frente ao Shopping Novo Batel.

O campus de música fôra outrora o de Enfermagem. Na época que eu estudava lá se tu subisse ao segundo andar encontrava vestígios desse passado acadêmico, pois haviam coisas relacionadas a esse curso em algumas salas, como por ex. tubos de ensaio e algumas carteiras marcadas. O prédio era grande e havia a ala voltada para os alunos de Artes e as salas que eram reservadas ao estudo de música. Algumas salas tinham pianos e até teclados (cuja marca eu não lembro, mas eram teclados profissionais), pois eram essas as salas de estudo de Piano.Piano era disciplina obrigatória nos dois primeiros anos, se não estou enganado.

Tenho saudades do professor Indioney Rodrigues, que hoje em dia ocupa o cargo na coordenação do curso, que outrora fora ocupado pelo antológico professor Rodolfo Coelho de Souza, que apesar de bom instrutor e doutor em música, levantou algumas questões polêmicas certa vez perante os alunos que assistiam sua aula de História da Música. Ele , e o professor Maurício Dottori têm, entre outros méritos profissionais a composição de música eletroacústica. Eu não sei definir música eletroacústica, e na Wikipédia as definições deixam a desejar, porque não há um artigo para esse assunto em questão de forma que ele aparece apenas como citação de um estilo chamado "Noise Music" (Música do/de/com Ruídos). No entanto, creio que 'Noise Music' seja um subgênero dentro do próprio gênero da música eletroacústica. Realmente não sei, porque essa não é a minha especialidade.

o Professor Indioney, na época lecionava, para o primeiro ano de Educação Musical - ou seja, pra nossa turma, uma vez que os veteranos estavam no segundo ano- a disciplina de Treinamento Auditivo, cuja finalidade é adquirir a habilidade de se reconhecer notas. Na época o professor Indioney nos falou a respeito de uma teoria sobre o conceito de ouvido absoluto - aquele que reconhece qualquer nota/acorde em qualquer tom, por ex: (La5, Lá Sustenido com sétima), e o conceito de ouvido relativo - aquele que reconhece qualquer qualidade de nota/acorde e qualquer sequência de intervalos, mesmo não se sabendo exatamente o tom em que está sendo tocado (por ex. Quinta Justa, Acorde Diminuto), e pregava que o mais útil para um músico era ter o ouvido relativo. Realmente eu concordo com essa teoria, apesar de meu desempenho na faculdade ter sido péssimo, e principalmente por ter enroscado em Treinamento Auditivo II.

O professor Norton lecionava Teoria Musical, e depois passou a lecionar Harmonia, muitos julgavam que era esse o motivo das aulas de Piano serem obrigatórias, porque, no piano é mais fácil "enxegar" os intervalos que você está executando num acorde, ou mesmo numa progressão melódica, é como se fosse um "mapa" onde facilmente se localiza um dó e um lá à primeira vista, diferentemente do que ocorre em outros instrumentos. Mas isso se deve também ao sistema como os cromatismos estão distríbuidos espacialmente no teclado, todos sabem que as teclas pretas são notas bemolizadas ou sustenizadas, dependendo do caso. Tivémos que comprar um livro chamado Teoria da Música da autoria de Bohumil Med. Só encontrei esse livro na Plander - loja de instrumentos musicais que , dois anos antes tinha me feito passar dores de cabeça com a encomenda de um SongBook do Dire Straits. É, o mundo dá voltas.
Suas aulas eram muito paradas, a forma como lecionava dava sono, e a voz dele era igual a do dublador brasileiro do Homer Simpson.

Tínhamos também aulas de História da Arte com Bini, que dava aulas também para o Departamento de Artes, mas suas aulas eram terrívelmente chatas e se arrastavam durante aquelas duas horas por dia que pássavamos cada aula. Algumas aulas duravam uma hora ou duas, dependendo da disciplina, na aula de piano por exemplo eram dedicados 20 minutos a cada aluno. Depois mais tarde surgiram as piadas com o aspecto físico do Bini, e que a Ruth devia ter inveja dele porque ele tinha peitos e ela não. E as piadas foram evoluindo a ponto de se dizer nos bares que de amigo-secreto o professor Bini merecia ganhar um sutiã. O que acontecia na verdade, é que, o professor estava bem acima do peso e com isso suas saliências mamárias ficavam bem evidentes por baixo das camisas que ele usava.

Já falei do Professor Dottori. Ele lecionou Tecnologia da Música conosco e quando estavámos no segundo ano (em 2003) lecionava Contraponto, mas depois foi substituído pelo professor Rogério Budasz nessa disciplina. Tinha também o professor Rodolfo Coelho de Souza, que até hoje leva o seu nome na contração do nome do curso - CAMURCS - Centro Acadêmico de Música Rodolfo Coelho de Souza, embora na minha época houvesse uma divergência com relação a quem seria o merecedor de figurar no nome do Centro Acadêmico. Muitos achavam que a professora Bernadete Zagonel é que devia estar inserida na nomenclatura, tornando algo do tipo CAMUBZ. Acho CAMURCS muito mais sonoro e creio que quem discorda deveria "sonorizar a tua bunda, calouro de merda" parodiando o que uma amiga me contou outro dia no msn. Haaa piada interna, ninguém entendeu essa e devem estar todos com aquelas caras de "???", mas não importa, o que importa que o professor Rodolfo foi muito importante em sua atuação acadêmica independentemente das polêmicas que tenha levantado durante sua gestão.

Havia também uma aula que nos deslocava duas vezes por semana até os prédios da Reitoria. A aula de didática. Essa aula tinha a ver com a vocação educacional do Curso. Todas as aulas que tinham a ver com o caráter menos musical do curso e mais voltado ao ensino eram lecionadas lá. Foi lá que tivemos também Psicologia da Educação (não estou certo se era esse o nome da disciplina) e depois Gestão e Organização da Escola com um professor deficiente visual e cujo nome eu não lembro. E também não lembro agora qual o nome da professora de Didática, o que me faz pensar que por hoje, é melhor ir ficando por aqui.

Continuo no próximo post

Quinta-feira, Julho 05, 2007

 

[P#87] ANOS ACADÊMICOS (Parte VIII)

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A Ruth é a do "meio"

Eu tinha ficado tão mal por causa das aventuras da festa da noite anterior que não pude comparecer à aula de piano que eu teria naquela sexta com o professor Rodolfo Coelho de Souza.Tomei um mingau no almoço, meu estômago continuava reclamando da queimação. Durantes uns dias eu fiquei sentindo ainda uma sensações estranhas, apesar de já estar bem melhor do que na madrugada anterior, quando eu sequer podia engolir alguma coisa.

Fiquei mal.No dia seguinte, sábado, eu não lembro o que fiz, mas lembro do período da noite, tinha acabado de jantar (pizza Sadia) com a minha família, em casa, quando o telefone tocou. Era da casa do Júlio, ele me ligou intimando a participar de algum evento na casa dele. Acho que era pra jogar. Geralmente quando ele me chamava era pra ir jogar. Ele tinha construído um controle de arcade, e usava no Dreamcast nas partidas de Capcom VS SNK2.Históricos os dias que jogávamos lá.

Eu fui lá, e não lembro o que aconteceu , ou em que ordem aconteceu, mas dois dias após o incidente, ainda iria me envolver com bebidas alcóolicas de novo, embora, agora, sem nenhuma consequência trágica.Acho que comi um pão com mortadela ou dois ants de encarar o vinho, e eu no fundo nem queria, pois sabia que não estava ainda recuperado da bebedeira de dois dias antes.

Estava o Luís, (Gaúcho) e a Ruth lá. Todos tomaram, inclusive eu. Mas eu lembro de ter tomado moderadamente (como eles gostam de por nos avisos das garrafas das bebidas) e tinha comido antes. O Júlio ficou um tempo no quarto dele. Não lembro o que fazia. Tinha um violão lá, e eu nem lembro de quem era.Começei a entoar umas canções, e o Júlio pedia pra que eu tocasse mais baixo porque tinha o problema com os outros condominos, de multa e essas encheções de saco que há quando não se vive totalmente isolado de vizinhos e demais pentelhos em geral.

Desde as primeiras semanas do curso universitário vinha se desenrolando um certo "affair" entre o Gaúcho e a Ruth, e, percebi claramente que ela estava mais no grau do que os demais. O vinho havia surtido seus efeitos antes nela do que nos demais, ela e o Gaúcho começaram a "se pegar" no sofá-cama do Júlio, muito embora o Gaúcho estivesse sendo super cauteloso enquanto eu "segurava a vela" tocando November Rain próximo a eles. (Bêbado é foda). Ele, o Gaúcho procurava ficar na paz, mas a Ruth cochichava no seu ouvido que podia fazer aquela "cama pegar fogo, se você quiser". O Gaúcho foi muito cauteloso, podiam ter transado aquela noite, ali no apartamento do Júlio, quando ele e o Júlio me solicitaram que fosse até o apartamento da Débora, chamá-la para aquela confraternização. Provavelmente o Júlio já havia ligado pra ela, eu boto fé, sei lá, 5 anos não lembro de tudo tb.

No entanto eu não sabia como ir, apesar deles terem me explicado que o prédio ficava na praça Santos Andrade.Daí me perguntavam como eu não sabia ir, mas eu não sabia. Daí depois, o Gaúcho falou que era bom mesmo eu não saber, pra salvar ele das tentações da carne, e sei lá o que, nisso saímos do ap do Júlio, descemos as escadarias e alcançamos a rua.Chegamos ao hall de entrada do apartamento da Débora.Nós chegamos lá e a Débora estava dormindo.Se não me engano demoramos umas duas horas, pra chegar lá, não que fosse longe, mas por toda a enrolação que houve, desde que o Júlio ligou dizendo que eu a iria buscar, até de fato o Gaúcho ir comigo até lá.

Voltamos até o ap do Júlio e a Débora foi conversando conosco pelo caminho.Me senti ridículo de não conseguir sair de onde o Júlio estava para ir até a Santos Andrade sozinho. Era ridiculamente perto, mas eu não tinha sacado.Chegando lá, a Débora cuidou da Ruth se eu não me engano, pois essa não estava passando muito bem, e, segundo o Júlio me contou recentemente, depois que eu saí de lá aquela madrugada ela vomitou em toda a parede do ap que ele morava.Eu mesmo não estando bêbado, uma hora que todos estavam afastados, ou distraídos com alguma coisa acabei, ao entornar o vinho numa taça, derrubando um pouco em cima da pedaleira dele. Depois tentei enxugar com um pano de chão morrendo de medo que tivesse que pagar outra pedaleira, por medo de ter estragado ela, ou alguma coisa assim.

Após a Débora chegar, lembro da Ruth pedindo pra usar o banheiro do Júlio. Acho que ela deu umas "gorfadas" por lá, porque o Júlio reclamou do cheiro e disse que ela havia "transformado" o banheiro dele numa outra coisa, que não lembrava banheiro, uma coisa bem bizarra por sinal.Pressenti que talvez eu fosse virar uma vela, porque aquela época a Débora e o Gaúcho ainda não namoravam e nem ficavam.Então resolvi me retirar. Disse que tinha que voltar pra casa. Mas a verdade é que às 3:30 da manhã não tinha nenhum madrugueiro na Rui Barbosa e voltei pra casa a pé.Chegando aqui, pra tirar o ranço de vinho que tinha ficado resolvi comer um miojo. Depois de algum tempo consegui enfim, pegar no sono.

Continuo no próximo post.

Terça-feira, Julho 03, 2007

 

[P#86] ANOS ACADÊMICOS (Parte 7)

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Brasil, 2 a 0 na final contra Alemanha, na copa de 2002

Depois de 5 anos que se passaram alguns fatos, é difícil dizer, com precisão se foi numa festa junina ou julina que eu dei um vexame pavoroso, sobre o qual irei falar abaixo:

Após as aulas daquela Quinta Feira, já havia sido marcada uma festa na "casa do Seu Pedro", ou "casinha" que ficava ao fundo do campus de Música.Sempre era lá que rolavam as festas do pessoal de música/artes.

As aulas terminaram, eu fui com o Júlio e o Ricardo Farias para o "ROLÊ", acho que era esse o nome do bar, nem lembro mais, só sei que a galera ia lá pra comer Esfiha. Às vezes eu ia até lá pra pedir um x-alguma coisa (salada ou bacon, geralmente). E naquele dia não foi diferente. Devia ser umas cinco e pouco da tarde, quase seis quando o pessoal se reuniu pra comer no ROLÊ, e os demais, principalmente os veteranos tinham ido comprar a bebida da festa. Geralmente, era vinho.

Depois, ou antes de ir no rolê, não lembro e agora a ordem desses fatos pouco me importa, fomos junto com o Júlio comprar a VODKA MERCADORAMA (primeira e última experiência minha com aquela bomba).E levamos a VODKA também para a festa, mas não lembro se a VODKA foi comprada à parte ou pra competir com as bebidas alcóolicas na festa. Sei lá. Sei que dei um vexame feio aquele dia.

Nisso, acho qeu eu tinha trazido meu violão pra festa, ou se eu não tinha lembro de ter vários, inclusive de, os calouros terem trazido alguns. O vexame estava só no começo, numa sala da casa do seu Pedro estávamos eu, o Júlio e o Ricardo. Daí estavam tocando um tema , eu pedi pra tocarem uma coisa do Barão Vermelho, e o Ricardo, cujo repertório não tem nada a ver com Barão Vermelho, mostrou ali que sabia o baixo de "Bete Balanço". daí disse:
"Pronto Natal, atendi o seu pedido" - eu não lembro direito de como eu peguei esse apelido, só lembro que foi coisa do Júlio e do Gaúcho. Conto melhor mais além.

Eu começei a tomar o vinho da festa, e aliás tinha mais de uma marca , se não me engano ou tinha mais algum tipo de bebida além da Vodka e o vinho, não tenham dúvidas que eu tomei os 3 tipos, ou seja misturei álcool, coisa que não se faz, porque a reação depois é violenta. Me dei muito mal. Mas em 2005, na apresentação da Wizard eu aprontaria vexame semelhante, embora o desse dia da festa,tivesse sido muito pior. Não lembro quantos copos tomei de vinho, mas foram muitos. Me empolguei e acho que tomei meia garrafa de Vodka no gargalo. Daí começaram os primeiros vexames.

Fui tentar me sentar no chão, mas sem reflexo, e no grau que estava caí de bunda no chão - depois ainda dizem que bêbados não se lembram do que aconteceu. Uma ova que não lembram.Esse foi o mico mais light que eu pagaria naquela noite. Tava escurecendo quando isso aconteceu, eu ainda estava dentro da casa, depois, não lembro o que houve, sei que estava numa roda junto de amigos , e, acabei tocando "Knocking on Heaven's Door" duas vezes. Tocamos também "Heavy Metal do Senhor", estavam misturados ali, alunos de Educação Musical e Produção Sonora, calouros e veteranos.

Depois cheguei a tocar ainda violão, vi o pessoal veterano, voltado mais para o reggae, tocando umas músicas , e sem-noção como eu estava fui pedir pra tocarem uma música, e se não me engano, eu usei o trocadilho "toca uma pra mim" pra pedir uma música. Daí pedi que eles tocassem "I shot the Sheriff". Eles tocaram, mas a versão que eu lembrava era a do Eric Clapton e não a do Bob Marley (original).

Aconteceram outras coisas, cuja sequência correta não lembro, só lembro de ver o pessoal dançando forró dentro da casa, e estavam trocando a vez, vi o Gaúcho dançando com a Ruth e ele me disse:
"Dae Natal, pega a próxima dança com a Ruth, ela dança muito bem.". Eu só respondi que não sabia dançar, e por isso não queria. Eu senti que estava um pouco estranho... fisicamente acho que começei a sentir que algo tava diferente comigo. Me deram uma vassoura, e, eu, entendi errado. Começei a varrer o lugar. Daí larguei a vassoura de lado, e, fiquei parado no meu canto, perto da janela.

Os veteranos vieram até mim perguntar se estava tudo bem comigo. Eu estava crente que sim, que estava tudo bem, mas nem estava. Daí eles se foram e eu fui andando, me encostei no corredor da casa, sentindo algumas revoluções no meu estômago. A Kamile se aproximou, junto de mais alguém que não lembro agora quem era. Eu resolvi me recolher, ela chegou e perguntou :
"Cara você ta bem ?"
no que eu fui responder:
"Sim eu es...BLLLEEEEAAARGGGHHHHH..."
quase vomitei em cima dela , eu lembro da cor do meu vômito: vermelho. Porque eu tinha tomado vinho, daí estava vomitando convulsivamente e vi uns pedaços da Esfilha que eu havia comido saindo junto da "maré vermelha". Ela pediu pra eu me apoiar nela, e disse que ia me ajudar. Me levou pra andar, e, não lembro, mas do lado de fora e perto da fogueira eu deitei no chão, pra ver se melhorava. Não deu certo. Vomitei de novo, e dessa vez tinha mais gente olhando, a Kamile se aproximou de novo e veio perguntar qual era o meu nome. Como eu tava com vergonha de tudo aquilo e pra não soltar um bafo nojento coloquei o lenço na frente da minha boca e disse meu nome.

Vomitei mais umas duas vezes ali no chão da quadra do campus. Não lembro como eu levantei. Se foi por decisão minha ou se recomendaram que eu andasse, mas lembro do Júlio tentando me ajudar também, ele deu umas voltas comigo ali dentro ,e ficava mostrando as construções do lugar dizendo coisas do tipo : "Ta vendo ? Ali é onde você tem aulas e blabla..." , o "blabla" é que eu não lembro o resto do que ele dizia, mas era algo relacionado. Depois disso eu deitei no banco ao ar livre que tinha ali. Novamente, vômito. Achei melhor dar uma andada, mas sentia aquelas contrações e resolvi deitar nas cadeiras que tinham dentro da construção, perto de onde o seu Pedro ficava ali pra monitorar os alunos ,dar informações , e etc,etc. Passei mal de novo e não resisti. Vomitei dentro do Campus de música. Meu vômito estava espalhado por todo lugar. Depois fiquei sabendo que uns colegas tiveram o maior trabalho pra limpar toda aquela nojeira.

Me deixava de cara o fato de eu não ter mais controle físico sobre mim, além do mal estar, eu não parava mais de vomitar, e não sabia o que fazer pra controlar isso. Era só o começo, durante a madrugada eu vomitaria muito mais.Não lembro a sequência exata dos fatos, mas o que eu lembro, é que depois, passado um tempo eu estava dentro da casa de novo, e uma menina vendo que eu tava me sentindo mal resolveu me dar água. Eu tomei. E tomei no cu também, com o perdão do jogo de palavras aqui,
mas, vomitei de novo, e a água que eu tinha tomado foi junto.

Eu tava deitado depois, já sei lá onde, e precisava voltar pra casa , porque em breve não haveria mais ônibus na rua. Deviam ser umas 11 da Noite, quando eu decidi voltar pra casa. Saí de fininho sem que ninguém me visse... mas fui vomitando terrivelmente durante o caminho, inclusive, vomitei na parede do Colégio São José, próximo à praça Rui Barbosa onde eu pego ônibus até hoje, quando estou no centro, pra voltar pra casa.

No ônibus eu acho que não vomitei, senão eu com certeza lembraria, e o cobrador provavelmente me daria um esporro. Não vomitei, mas tava com medo de chegar em casa e ouvir um sermão daqueles. Pensei num plano rápido e seguro, dizer "oi" e ir direto pra cama. Foi o que tentei fazer. Só a minha vó estava acordada na sala vendo um filme na tv. Eu disse: "oi, vou dormir, boa noite". Mas, ela logo me chamou,dizendo:
"Ricardo vem cá!", ela percebeu que algo tava errado, porque ela sempre pergunta, "como foi a festa, foi legal ?", esse tipo de coisa e eu nunca ia direto ao meu quarto dormir.Daí ela perguntou : "O que aconteceu lá, hein?" daí eu disse: "Nem aconteceu nada", mas quando abri a boca, como tava sentado no sofá ela deve ter sentido o cheiro de vinho e começou a bronquear: "Você bebeu demais, não foi?" daí , eu disse que não e sei lá o quê, mas a desculpa que eu dei não colou.Ela falou um monte que tinha me alertado antes de eu sair, pra eu não tomar demais. E era verdade, ela tinha realmente dito pra eu não encher a cara, quando soube que eu iria pra essa festa. Daí, em meio a outras broncas, eu troquei a roupa e fui dormir. Minha avó também foi.

Mas quem disse que eu consegui dormir?
Meu pesadelo não tinha terminado quando eu deixei a faculdade não. Um festival de vômitos estaria por vir. Naquela madrugada eu vomitaria pelo menos mais umas quinze vezes.Eu tentei de tudo, lembro de ter preparado um suco, e ter tomado ele pra purificar meu organismo. Não adiantava. Eu tinha ferrado ele. Pelo menos por alguns dias, acho que tinha queimado meu fígado. Não sei, mas a sensação de queimação começou a aparecer, e eu não podia engolir nada, nada, que não parava no estômago.Vomitei todo o suco que eu tomei. E não era suco natural, era de pacote.Só não queiram que eu lembre o sabor. Vomitei. Agora eu vomitava no banheiro e me identificava mais com o Cazuza quando ele diz que: "o banheiro é a igreja de todos os bêbados". Era só eu deitar na cama de volta pra ter vontade de vomitar. Tinha ânsia, enjôo e mal estar. Ia fechar os olhos pra tentar dormir e tudo começava a rodar. Começei a ficar em pânico com aquela situação, e prometi que se eu saísse daquela situação que eu tava, eu nunca mais encheria a cara. Hahahaha. Promessa de bêbado não tem valor nenhum. 2 Dias depois, lá estava eu tomando de novo (mas essa vou contar no próximo post).

Minha avó acordou com a barulheira continua do abre-fecha-porta, e do vômito constante no banheiro. Daí me deu mais uma bronca, disse que era isso que acontecia com quem bebia demais. Foi me preparar um chá. Tomei o chá, mas como disse acima a queimação no meu estômago estava muito forte e eu não consegui "digerir" o chá. Foi tudo pra privada de novo. Eu sentei no chão do banheiro. E parecia que quando eu sentava o mal estar passava. Mas no entanto, quando eu deitava na cama de novo tinha que vomitar outra vez. E eu nem tinha mais nada pra vomitar, mas vomitava mesmo assim. Minha vó continuou comigo no meu quarto, ali acordada e me dando forças. Ligou a tv, pra que eu me distraísse e pegasse no sono. Mas eu não pegaria no sono aquela madrugada. Estava todo revirado por dentro.

Quando ela viu que meu vômito era constante e não cessava,resolveu ligar para o nosso Plano de Saúde na época, o Ecco-Salva.Ligou para eles e eram 4 da manhã, eu continuava no quarto vendo tv, mas depois passei para a sala, a ambulância com os médicos só chegou 6h da manhã. E quando eles chegaram me deram uma injeção de glicose na veia. Sério, eu acho que foi a única injeção que eu tomei na minha vida que não doeu. Depois eles foram embora, e começei a sentir que aos poucos o meu mal-estar e queimação estavam indo embora. Foi aí que peguei no sono. Só acordei meio dia quando minha vó fez um mingau. E eu fui engolindo aos poucos pois ainda sentia algumas sequelas (elas seriam passageiras) da queimação no estômago.

Continuo no próximo post.

Domingo, Julho 01, 2007

 

[P#85] ANOS ACADÊMICOS (PARTE VI)

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Romário chora ao ser cortado da Copa do Mundo de 2002 pelo técnico Luiz Felipe Scolari (vulgo Felipão)

Em breve começaria a Copa do Mundo, uma vez que as nossas aulas só começaram no final de Maio, devido a greve que paralisou o setor em 2001. Estava no ar também a segunda edição do programa Big Brother Brasil 2, em que eu torci enlouquecidamente pelo participante Thyrso, porque me identificava com ele na sua dificuldade em ser feliz com a mulher de quem ele gostava , na época a Manoela. Eu me identificava enquanto mártir do mesmo sofrimento, cuja minha carrasca era a dona Priscila. Mas tudo bem , águas passadas. No entanto foi bom eu falar isso pois acabei me lembrando de outro fato ocorrido: ela veio a minha casa me dar um periquito que havia nascido na casa dela, mas que ela não podia ficar por alguma razão que agora eu não lembro. Eu tava com a bandeira do Brasil na janela do quarto e nesse ano aprendi, tirando de ouvido , a tocar o jingle da Seleção Brasileira na guitarra, mas isso não vem ao caso, lembrei disso de forma totalmente aleatória.

E se falava na faculdade muito a respeito da Copa do Mundo até que ela enfim começou.
Um dia conversando com o González sobre uma partida com a Argentina, ele me disse, que a Argentina havia sido derrotada em um jogo. Eu comemorei , quase dei um pulo no meio da rua, mas aí me lembrei que não sabia, se com aquele sotaque que ele falava se era argentino ou chileno, até porque aquela época ainda não chamavam ele de "Chileno", daí me contive, depois que tirei a dúvida mesmo, nem teve nenhum problema óbvio, porque ele não era Argentino. O que acontece é que alguns jogos foram de Madrugada, era a Copa do Japão, então eu não tinha assistido a esse jogo da Argentina e tinha que perguntar a alguém.

Alguns dias da semana eu ia pra faculdade de manhã pra fazer as aulas extras de Teoria Musical do professor Marcos. Talvez se tivesse também aulas de Piano de manhã como os outros da minha turma, eu não tivesse que ir pra faculdade às Sextas Feiras.No entanto , como eu não gosto de acordar cedo (odeio pra falar a verdade) eu preferia ir na faculdade na Sexta Feira só pra ter uma aula à tarde e depois voltar pra casa.

Naquela época quem me dava aulas de piano era o professor Rodolfo Coelho de Souza, que também dava aula de História da Música , porque , aquela época faltava contratar professores especializados em ministrar essas disciplinas, no entanto o professor Rodolfo foi bastante competente em nos lecionar esses conteúdos no período que esteve a frente do cargo , nessas funções. Gostava do professor Rodolfo apesar das posições dele sobre alguns assuntos relacionados à música e que gerava certa controvérsia e polêmica entre os alunos. Não vou citar aqui ainda , porque acho que hoje em dia é irrelevante o meu ponto de vista sobre isso, uma vez que já estou a três anos afastado do meio acadêmico musical.

Tìnhamos aulas também com o professor Indioney Rodrigues. Adorava esse professor. Ele tinha um modo de dar aula diferente. Ele era muito sério com o conteúdo que exigia, no entanto, por outro lado, acabava tornando engraçadas algumas coisas que dizia, o seu visual, no começo daquele ano de 2002 lembrava bastante o do rapper Gabriel, O Pensador, só que num porte um pouco acima do peso.

Tínhamos aulas com o professor Maurício Dottori de Tecnologia da Música I e II, depois no segundo ano e durante algum tempo ele nos lecionou Contraponto, sendo depois substítuido por Rogério Budasz, que também nos lecionava História da Música. Também tivémos história no ano seguinte com o professor Álvaro Carlini, que, tem até mesmo orkut e posta com certa frequência na comunidade Artes e Música - UFPR.

Boa parte da turma apanhou pra aprender a usar o Finale com as didáticas de ensino desse professor. Ele sempre parecia estar mal humorado pra lecionar, como se gostaria de estar fazendo outra coisa da vida que não dar aulas. Era irônico e ácido e não gostava de explicar o mesmo conteúdo mais de uma vez, como não havia computador no laboratório para todos usarem, era comum assistirmos a aula em duplas.

Tinha amizade também com alguns dos veteranos , e acabei, entrando numa onda errada e gostando da Kamile durante um período de um ano e alguma coisa, alimentando uma ilusão e vivendo um sonho por ter me equivocado com uma atitude dela que eu falarei mais adiante. Tb conhecia bem a Angelita, que, vendia sanduíches naturais e se eu não me engano também tinha algo profissionalmente relacionado ao teatro, agora não lembro o que era. Todas essas pessoas têm orkut mas não to com saco de usar esse post pra ficar colocando link de tudo, saca ??

Tinha o Yuri tb, que mais tarde montaria a banda Manacá e chamaria a Kamile, a Débora e o Gaúcho pra integrar o seu time de músicos. Era o Gaúcho mostrando que desde sempre já se virava como músico profissonal nas noites curitibanas. Mesmo sendo um meio underground, embora sempre o público do Manacá, fosse de certa forma numeroso. Não sei que fim levou essa banda. Mas era uma boa banda, eles eram bem profissionais e tinham entrosamento.

Tinha a Islene, tb, sempre simpática e conversando , aconselhando os calouros de alguma forma, explicando algumas regras do curso, etc, etc. Tinha o Cauê também que era guitarrista na épcoa de uma banda do Luiz, (namorado da Kamile na época), mas cujo nome da banda eu não lembro. E outras pessoas que se for falar aqui vou perder muito tempo e não vou na essência do assunto em si a ser tratado.

O campus de música fica ainda hoje no Batel, cuja rua não lembro nome e isso aqui não é a lista telefônica pra eu ficar dizendo também . Haaa gostaram do meu humor ? Se não gostaram podem ir se foder. É isso aí. Continuando, tinha o Seu Pedro que cuidava ali da Portaria e de outros afazeres em geral, e a Elides que ficava na secretária, com seus afazeres relacionados à mátriculas dos alunos, e etc,etc.

Continuo no próximo post.

 

[P#84] ANOS ACADÊMICOS (Parte 5)

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Eu, e é a única foto minha que tenho, do ano de 2002, pegando autógrafo na 24 horas com a Syang

Agora que já descrevi como eram os alunos da minha classe, posso seguir em frente sem ficar preocupado se os leitores desse blog não vão se sentir "deslocados" em relação a tudo que eu vou dizer a seguir.

Bom, logo na primeira semana de aulas, como eu ia dizendo, já conheci o Júlio e o seu apartamento no Centro, que ficava próximo à reitoria. E descobri que era guitarrista de nível profissional. Enfim, mas ainda estava conhecendo toda a turma, e confesso que fui eclético. Com certeza eu conversei em alguma fase do meu período universitário com todos eles sem exceção.

No Domingo, como eu disse houve o churrasco no prédio de uma das veteranas, que eu disse em outro post , ter sido o prédio da Islene, mas acho que me enganei, e deve ter sido no prédio da Lígia, (japonesa). Bom enfim. Não importa, o que importa é que o churrasco foi no Salão de Festas do prédio. Eu nem lembro de ter comido carne, mas lembro que havia algo pra comer, principalmente doces. E lembro de ter exagerado na dose da cerveja e ter me sentido um pouco mal.

Tomei umas 10 latas aquele dia eu acho. Não tenho certeza, não contei. Aquele dia foi o dia que o Júlio viu que eu sou péssimo na sinuca. Ele sentiu na pele, como eu jogava mal pra caralho. E ainda jogo.Minha coordenação motora pra essas coisas e para os esportes em geral, sempre foi uma bosta. E ainda se surpreendeu com o meu vocabulário, ele me disse:
"Véio, eu pensava que eu falava palavrão. Mas tu bateu o recorde. Fala bem mais."

Eu fiquei pouco ou nada constrangido com isso, porque eu não tenho problemas com palavrões e nem tão pouco com xingamentos em geral. E to cagando pra quem acha que por isso minha educação foi deturpada. Não foi, inclusive, quando eu era pequeno, meus avós e meu pai procuravam não falar palavrão na minha frente pra eu não aprender e ficar com a boca suja. Mas nesse caso a lei de Murphy agiu contra eles.

E sinceramente não há nada melhor para desestressar do que um bom palavrão. Eu não vou dizer "que lástima" quando me sinto frustrado, quando um "vai à merda, porra!" é bem mais energético e sincero. Tinha violões na festa e naquele começo, veteranos e calouros numa confraternização bela, como se fossemos todos pertencentes à uma comunidade musical. Passados alguns meses aquela sensação passaria e as coisas começariam a mudar. O que era uma união aos poucos foi se tornando em individualismo, não tanto das pessoas , mas mais pelas turmas.

Tocamos violão, e era engraçado que bêbado eu conseguia imitar a voz do Axl Rose quase que perfeitamente.Tinha uns violões e eu imitava a voz do Axl em "Sweet Child O' Mine", lembro de termos tocado a mais de um violão a música "Layla" e a Angelita - uma das veteranas da festa, cantou com a gente também.

Depois de encher a cara , resolvi jogar futebol, óbvio que passei mal pra caramba, e a Kamile, que até então eu não conhecia direito porque na primeira semana acabei conhecendo melhor minha turma do que os veteranos, veio me perguntar se estava tudo bem comigo. Eu disse que estava. Porque quando ela veio perguntar, o mal estar inicial já tinha passado, mas eu fiquei meio ruim por ter bebido sim. Depois ela me viu montando um castelinho com as latas de cerveja vazias e fez um comentário:
"É agora ou nunca, hein ?"
eu só olhei, porque, rápido de pensamento como sou, não soube o que responder.

O que me fez passar mal, eu creio, foi o fato de eu ter tomado demais e em seguida ido jogar futebol. A medida que eu começei a suar a coisa começou a ficar preta. Senão ,com certeza, eu teria ficado de boa. A festa foi até de noite, mas eu fui embora antes dela terminar, lá por umas nove da noite, se eu não estou enganado, e fui com o Júlio e mais alguém, se marcar o Ricardo Farias, só que eu nem lembro se nessa festa eu já conhecia o Ricardo direito.

Nessa festa estavam tb a Débora, na época caloura de Produção Sonora, e a Karila, amiga que dividia um apartamento na Santos Andrade com ela. Cumprimentei a Karila, mas ela não fazia música na UFPR, só dividia o apartamento com a Débora. Bom enfim, acho que de relevante sobre esse dia do churrasco eu já contei tudo, ou quase tudo.
Depois quando eu cheguei em casa , e depois fui dormir me arrependi um pouco de ter tomado.

Continuo no próximo post.

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