Terça-feira, Abril 24, 2007

 

[P#75] 2001 - UMA ODISSÉIA NO TERCEIRÃO

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A Priscila , atualmente - quando eu fiquei com ela , ela não era tão raquítica

2001.
Um péssimo ano... óbvio que apesar de não ter nada a ver com o ano anterior, teve sim um momento sequencial, no sentido de eu continuar ainda , trabalhando no pet-shop no primeiro trimestre daquele ano. No entanto se desfazer do negócio foi muito doloroso, principalmente pra mim que já estava acostumado com aquele tipo de trabalho e gostava muito dos animais.
Eu só não digo que foi o pior ano da minha vida porque 2006 também foi um ano péssimo, viu ? Páreo duro.

Bom enfim... o começo de ano já foi marcado por mudanças porque eu terminaria meus estudos de segundo grau no Sigma, e não no Decisivo onde eu havia cursado o primeiro e o segundo ano. Inclusive, no dia da matrícula, eu havia ido com meu pai até lá e os professores estavam dizendo que aquele era um projeto novo, uma fusão, ou uma evolução segundo eles do C.E.C - Colégio Estadual de Curitiba, e que pensaram em fazer a fusão "CEC-SIGMA" , mas não fizeram porque acharam feio a sonoridade "CEC-SI" porque soaria como "SEXY". Isso é pra ninguém dizer que eu não presto atenção no que me dizem.

Isso já era um rompimento no sentido de que , as coisas começavam a mudar pelo colégio que eu estaria estudando. Começaram também a ligar para o aviários os primeiros interessados em comprá-lo. Isso me deixava triste por mais que eu soubesse no fundo que era melhor assim. Mas já falei do meu apego ao lugar e das minhas razões para não querer abandoná-lo. Justamente , porque , quando eu havia aprendido e profissionalizado minhas funções aquele tipo de coisa vinha a acontecer .

Ficaram mais evidentes as intenções da Priscila quanto a mim no começo daquele ano, e no dia do meu aniversário (por coincidência) quando ela passou com a mãe dela por lá eu aproveitei a ocasião para pedir o telefone dela. Ela pegou o meu também. Cheguei a ligar uma vez , eu acho, ou duas, não estou bem certo antes que algo entre a gente tivesse ocorrido, e numa das ligações, pedi a ela que caso eu esquecesse ela me lembrasse que eu tinha uma coisa importante a dizer a ela.

Nas vezes que foi lá entre o período em que eu disse isso até ficarmos, ela não disse nenhuma vez, nem fez citação ao meu comentário no telefone. E eu pedira justamente por causa da minha timidez , e, na nossa sociedade hipócrita , mulher que tem atitude com o cara que está a fim é galinha, puta, etc, etc, sério, como eu tenho raiva disso. Então devido a isso, principalmente, estava nas minhas mãos ter a atitude necessária pra ver se tudo não passava de uma ilusão minha (e da minha avó), ou se rolava mesmo.

Antes no entanto que algo pudesse acontecer, ela me disse, que aproveitando a ocasião que eu estava no terceiro ano e ela em casa sem o que fazer a gente podia estudar juntos para o vestibular. Talvez aquilo tenha servido de estímulo para aprofundar meu raciocínio de segundas intenções, embora aquilo, ao mesmo tempo podia não ter nada a ver.

Nesses dias , antes que relmente a gente ficasse ou rolasse alguma coisa entre a gente nós vendemos a ela uma porquinha da Índia fêmea, cujo nome que ela batizou o bichinho eu esqueci. Mas esqueci porque isso tem já seis anos. Se fizesse menos tempo com certeza eu lembraria. No entanto só me restou na memória o nome da Pinsher dela.

Ela tinha também , antes que eu me esqueça, uma irmã , que era uns 3 anos mais nova que a gente se eu não estiver muito enganado. Eu nunca conheci a irmã dela, a via andando pelo bairro , mas a gente nunca trocou uma palavra. Conhecia bem a mãe e a filha. O pai e a irmã , não.

No dia 24 de Março de 2001, (um Sábado) elas vieram lá no Pet Shop e meu pai achava uma novela a gente ficar naquele "não fode e não saí de cima" como disse pra mim uma amiga esses dias no msn, fazendo referências de como começou a dar uns pegas no namorado dela. E falou pra eu cagar ou desocupar a moita (cada termo light), e , era difícil pra mim tomar coragem e fazer o que devia ser feito.

Elas vieram, a minha avó ficou conversando com a mãe dela, e ela veio comigo bater um papo e eu perguntei a ela se ela não queria ir comigo dar uma volta. Porque caso eu levasse um fora, pelo menos ninguém lá ia ver, nem minha família, nem os clientes, enfim , ninguém. Foi difícil. Eu sempre achei que a hora que eu tivesse de dizer a uma menina "Vc quer namorar comigo" , seria a hora mais difícil da minha vida. No entanto , não foi nem mais difícil e nem mais fácil do que eu pensava, foi díficil mesmo, mas na medida que eu havia imaginado. A gente desceu até a quadra, mostrei a ela a casa de onde nós comprávamos os coelhos do pet-shop. Porque eu sabia que ela achava fofo esses bichos peludos .

Depois na volta subindo a rua eu tomei coragem de perguntar se ela queria namorar comigo . A resposta não me agradou em nada. Ela disse que não porquê namorar era uma coisa muito séria. Desiludido da minha cara eu perguntei, tomando forças sei lá de onde "e ficar ?". Daí ela disse que sim. Que a gente podia ficar, mas que não aquela hora, pois estava escurecendo e o pai dela não gostava que ficasse até tarde na rua, fora que a mãe dela estava ali e iria ver. Daí eu meio aturdido ainda ,achando que tava tomando um pseudo-fora perguntei quando nós poderíamos ficar. Ela disse que no dia seguinte, que seria no Domingo. Disse pra gente marcar um encontro no Shopping Total, ás 14:00 da tarde.

Então voltamos ao pet-shop como se nada tivesse acontecido, e depois ela e a mãe voltaram pra casa delas. Meu pai perguntou a razão de eu estar com aquela cara de cu. Daí eu contei a ele. E disse a ele que daquela forma não estava satisfeito. Ao chegarmos em casa meu pai me deu uns conselhos caso eu me negasse a ficar com ela , dizendo a razão de eu não querer. E era isso que eu estava prestes a fazer no dia seguinte : dizer que se não era pra namorar eu não tinha interesse tb, em contrapartida, ficar com ela.

Continuo no próximo post.

Domingo, Abril 22, 2007

 

[P#74] O FIM DE ANO

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Farol do Saber , no bairro do Portão - algumas visitas a ele, pra usar a net, pois nessa época eu não tinha ainda computador

Bom, talvez esse post seja longo... ou nem tanto,
pelo fato de ser o último sobre o ano 2000.
Um ano muito bom em que realizei muitas coisas, mas não sei se lembrarei de citar todas as minhas boas realizações aqui.
Não que não houvesse coisas ruins. Sim aconteceram coisas ruins, porém, essa foi uma época muito feliz da minha vida, só que diferentemente de 1991, na minha infância, dessa vez eu sabia. Eu era feliz e sabia. É diferente. Por isso quando, no final do ano meu avô começou a dizer que era melhor a gente vender o negócio pois não estávamos obtendo lucro com ele, fiquei muito triste. Até porque, havia existido uma evolução. Eu já sabia , como pedir aos fornecedores o estoque que faltava, os remédios a serem recomendados para os animais que estivessem pesteados ou doentes. Sabia o que dar aos animais famintos, como trocar e limpar as gaiolas , conhecia todo o procedimento de pagar as contas nos bancos, ir às casas dos clientes e fazer as entregas que tinham que ser feitas.

O dono da mercearia certa vez (a gente acabou descobrindo isso depois) ligou para o Conselho Regional de Medicina e Veterinária ; delatando-nos pelo fato de nós vendermos remédios para animais sem uma licença do conselho. Certo dia o conselho passou lá no pet-shop e disse que nós deveríamos regularizar a nossa situação , pagando uma anuidade ao tal conselho e contratando uma veterinária, que receberia r$ 100,00 e no entanto só apareceria lá uma vez no mês, ou seja, para receber. Não trabalhava lá e no entanto recebia r$ 100,00 a troco de nada. Uma vez nós tivemos problemas com um de nossos coelhos , e, com muita má vontade ela veio até lá cuidar do problema . E foi a única vez que trabalhou como veterinária do nosso pet-shop.

Nós não tínhamos serviços de banho e tosa, no entanto tínhamos uma veterinária que vinha lá só pra receber. E mais essa taxa da anuidade. Quando meu avô ficou sabendo dessa taxa, chorou. Foi a única vez que vi meu avô chorar na vida. Mas era muito triste ver que entre outras coisas o negócio não prosperava por anuidades bestas desse tipo e com uma veterinária igualmente idiota que só vinha lá pra receber.

No entanto algumas coisas mudariam nas nossas vidas aquele ano. Finalmente, em meados de Outubro, numa ida ao Extra, meu pai comprou o primeiro computador dele, que eu acabaria herdando em 2003, e com os constantes upgrades em sua máquina, minha máquina também evoluiu em 2003 de um computador de 19 gb para uma supermáquina com 250 gb. Os anos foram passando e essas atualizações foram ocorrendo.

Havia também uma menina que aos poucos, e por intermédio da minha avó que como sempre percebia as coisas de forma mais ágil do que eu, acabei me interessando. Ela sempre vinha com a mãe ao Pet Shop comprar cepilho para os porquinhos da Índia que ela tinha em casa e ração para a pinscher dela, chamada Natasha que na época contava já com uns 8 anos de vida ou pouco mais se não me engano. Mas eu não tenho certeza agora se ela tinha já os hamsters ou se comprou alguns no pet-shop. Mas lembro que no ano seguinte vendi a ela uma hamster fêmea, que o nome, eu nem lembro qual ela batizou. Mas que hoje em dia já morreu , porque esses bichos vivem em média de 2-4 anos, e as fêmeas se não me engano vivem um pouco menos.

O nome da menina era Priscila [sem sobrenomes pra eu não ter problemas mais tarde]. Morava (ou ainda mora não sei, meio que perdi o contato com ela) numa rua que cruzava com a rua que eu trabalhava. Esqueci o nome da rua, mas as placas de lá indicavam o bairro como sendo Novo Mundo e não mais Portão.Ela sempre que aparecia vinha com a mãe. Elas escondiam os animais de pequeno porte, como os hamsters por ex, por de trás de um pano ou algo parecido, segundo contavam pois o pai dela não gostava de animais, ou não queria ter animais assim, e era por isso também, se eu não estiver muito errado que elas não tinham gatos na casa, o pai tinha alergia ou coisa parecida.

Ela tem a mesma idade que eu. Mas perdi o contato no final de 2005 quando dei um convite a ela pessoalmente (na clínica veterinária em que estava trabalhando) para ver a minha apresentação com o Dinarte e o Edérson (vulgo Galo) para a apresentação do jingle "We're Wizard" , mas ela , eu creio que não foi. Pelo menos não a vi entre as pessoas que estavam ali presentes (no dia eu procurei-a mesa por mesa). Bom voltando, eu percebi, depois do alarde da minha avó que um clima podia estar rolando e tal...

Então, conforme fomos nos aproximando nesse sentido as visitas dela e a mãe se tornaram mais freqüentes, e como não havia muito movimento alguns dias minha avó, ou meu pai, conversavam com a mãe dela e deixavam nos mais à vontade para conversar a dois. Um dia, no entanto, eu vi ela voltando pra casa dela pois havia prestado vestibular na UFPR e havia parado ali para comentar isso. Acho que foi nesse dia que minha avó me disse pra abrir o olho que podia ser que rolasse algo com aquela menina.

Continuo no próximo post.

Sábado, Abril 21, 2007

 

[P#73] FAMÍLIA, AMIGOS, TRABALHO, ESTUDOS...

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Shopping Total; no Portão... eu trabalhava duas quadras abaixo dele

Continuando o que eu dizia no post anterior,
vinham muitas meninas me passar indiretas, ou mesmo paquerar, mas na maioria das vezes eu não percebia. Não era me fazer de bobo não, eu não conseguia perceber mesmo, porque sou meio distraído, aliás ,sempre fui, e sempre to pensando em outras coisas, minha mente ta sempre ocupada com algo de forma que dificilmente eu percebia esse tipo de coisa. Por um lado era bom porque vinham também meninas muito novas lá, e com minha falta de atenção elas pensavam que eu as estava esnobando e desistiam.

Sério, meninas de 12 anos , vinham lá, aliás raquíticas, pareciam ter menos, ter uns 9 , enquanto na época eu contava com 17 e só gostava de meninas que tivessem a minha idade. Depois , anos mais tarde eu mudaria de opinião quanto a isso, mas nessa época eu era mais sério com essas coisas. E tinha uma dessas meninas, que tinha uns 13, 14 anos que era muito mentirosa, e me dizia que o cachorro que não queria comer, mas eu sabia que era lorota, ás vezes chamavam pra dar uma volta, minha avó , certa vez até se disponibilizou a cuidar do negócio enquanto eu desse uma volta mas eu não queria e também não era interessado na menina (que era uma chata, apesar de bonitinha) e dizia que não, que tinha que cuidar do pet-shop.

Eu tento lembrar ,fora o trabalho, o que aconteceu de relevante nesse ano, no colégio. Mas tipo citar os amigos ... eu não acho que seja tão relevante os amigos que eu tive nessa época para serem citados aqui, até porque como já disse há 2 posts atrás eu perdi o contato com todos eles. O melhor , com certeza era um aluno que entrara aquele ano no Decisivo, tinha cara de bagunceiro, mas era CDF. A gente sentava juntos quase sempre e atrás da Karina, amiga minha desde o ano anterior. Eu ia bem na maioria das matérias, só apanhava em Matemática e Física, no entanto, mesmo indo mal nessas disciplinas eu fui aprovado direto no fim do ano , sem recuperação.

Meu professor de Matemática era um chato de óculos, que um dia nas suas lições e filosofias sobre a vida disse que não poderíamos escolher a profissão pelo que gostamos de fazer e sim pelo que dá dinheiro. No caso da música essa é uma triste realidade, mas óbvio , que a maioria dos alunos foi contra isso, e achou ridículo um professor que está ali, também entre outras coisas como formador de opinião dizer algo tão desanimador a nós , jovens que temos (ou tinhamos) todo um futuro pela frente. Mas ele era ruim também como professor, não só como filósofo.

A nível cultural, deixa eu ver do que eu me lembro ...
Ahhh ... sim. O Jô Soares começou a apresentar o seu talk-show na Globo a partir desse ano. Começou também o Caldeirão do Huck, (programa de péssimo gosto) também a ser exibido esse ano. Musicalmente tivemos o acústico do Lulu Santos, a música El Arbi do Khaled, que se tornou hit devido a incessante execução da mesma nas rádios de todo o país. Santana tb estava se destacando com a música Smooth, na qual Rob Thomas era o intérprete da canção e Santana o solista (na guitarra). A novela da Globo era o Cravo e a Rosa e a Temporada da Malhação era aquela cuja protagonista era a Ludmilla Dayer e, nesse ano , foi inserido o personagem "Cabeção" no seriado. O personagem ficou firme no elenco até meados de 2005 se eu não me engano. Era a época também do programa Show do Milhão, que fazia sucesso , também, pelo fator novidade. Mas foi mais um daqueles milhares de programas do Sílvio Santos que fôra uma moda passageira. Por isso me intriga que porcarias do nível Big Brother sobrevivam até hoje na tv brasileira. Mas fazer o que , brasileiro é um povo burro e inculto , não se pode esperar muita coisa de quem não tem instrução e nem foi nunca educado decentemente.

Na quadra que eu trabalhava havia vários tipos de comércios, tinha a padaria, a farmácia, a banca de verduras e legumes, uma locadora e um bar onde serviam comidas também, além de lances, e onde eu raras vezes almoçava. Atrás de nós, na mesma esquina havia uma lanchonete pequena, mas a comida era tão intragável (e no almoço não adiantava pedir lanches porque eles só serviam a marmita principalmente para os homens que trabalhavam na empresa do outro lado da quadra) que não nos arriscávamos muito a comer ali, porém os donos eram nossos amigos , e, trocávamos sempre dinheiro com eles , ou com o pessoal da farmácia quando eles podiam nos fazer esse favor e também faziámos o favor de trocar o dinheiro quando podíamos. Em cima havia um escritório de contabilidade.

Eu trabalhava com meu pai , e, nós dois juntos vendíamos rações, bebedouros, coleiras pra cães , remédios, casinhas , gaiolas, coelhos, hamsters, porquinhos-da-índia, canários, periquitos, argapones e outros pássaros para a clientela local. No entanto o negócio nunca prosperou e não teve um mês que a loja pagou suas despesas e nem era tanto por causa do lucro ou do movimento porque o movimento variava muito, era maior no começo do mês e menor no fim dele. E tinhámos já clientes fixos que sempre nos pediam para fazer entregas de saco de rações de 15 kg pra cima, e algumas pessoas sempre voltavam a comprar lá esnobando a concorrência, o problema era que pagávamos impostos absurdos a troco de nada . E esses impostos aos poucos foram desgastando os nossos esforços em manter o negócio.

Do nosso lado havia a mercearia onde trabalhavam o dono , a mulher e as filhas, de vez em quando. Eles tinham duas filhas , uma um pouco mais nova que eu, e outra, de uns 10 anos de idade. Ninguém via com bons olhos o dono da mercearia pois ele tinha um histórico feio perante os comerciantes da região e até alguns clientes. Um dia se envolvera numa confusão e um homem lhe deu um soco no olho ,e, como consequência ele precisou usar óculos o resto da vida para corrigir o distúrbio na visão. Era um homem muito mesquinho.

Antes da calçada se delimitar com a rua havia uma mureta e um canto gramado onde jogávamos os restos de comida e os pássaros das árvores em seguida desciam e comiam. Óbvio que jogávamos os restos de comida de passarinho para trocar as rações de periquito e canário, por ex; ou seja não era um desperdício. Um dia, o dono da mercearia, (cujo nome eu já esqueci) veio ralhar comigo que aquilo era errado e que não era pra eu jogar nada lá . Contei a história ao meu pai, meu pai disse que a próxima vez que ele viesse se meter a besta que falasse diretamente com ele. Em seguida ele (meu pai) ligou para o Ibama pra saber se havia algo de errado naquilo . A resposta do Ibama fôra que sim pois estaríamos "condicionando" aqueles animais a encontrarem comida sempre ali, e, não no habitat natural deles e blablablabla...

Um dia nós chegamos e encontramos o toldo do aviário todo curvado pra baixo e com os suportes de ferro entortados. Com certeza alguém chapado devia ter ido lá de madrugada e ter feito aquele vandalismo. Mas depois surgiram desconfianças de que aquilo havia sido trabalho mandado do dono da mercearia. Um dia, enquanto saía com a minha mãe até o shopping Total, eu fiquei sabendo que meu pai e o dono da mercearia quebraram o pau. Não se agrediram fisicamente , mas o relacionamento que nunca fôra bom entre eles havia piorado mais.

No fim do ano , os professores do Decisivo já alertavam que não havia vagas de terceiro ano naquele prédio , mas que havia no Decisivo da rua Comendador Araújo. O Decisivo da rua Comendador Araújo, era muito mais chique, tinha uma cantina mais especializada , auditórios maiores e, toda uma estrutura mais moderna , os professores falavam com microfones, e a mensalidade também era muito mais salgada que a do Decisivo Senador, que era onde eu tivera minhas aulas naqueles dois anos (1999-2000). A maioria esmagadora dos amigos que estudavam comigo haviam mudado para o Decisivo Comendador. Mas eu sabia que a minha família não teria condições, e quando fui informar o pessoal lá em casa eles tornaram reais minhas suspeitas. Eu mudaria de colégio.

Meu pai tinha um caderno onde anotava os produtos que haviam sido vendidos aquele dia e quanto a loja havia faturado aquele dia. Tinham dias horríveis onde o caderno chegava a ficar quase vazio , e faturavamos pouco mais que r$ 10,00 e tinha outros dias que faturavamos bastante preenchendo duas páginas do caderno. O dia em que mais vendemos com certeza foi na véspera da véspera do Natal se eu não me engano, quando passamos os r$ 300,00 num único dia.

Meu pai ao perceber que a loja não daria lucro nunca , começou a ficar desanimado com o negócio pois tinha dias que esperávamos horas por algum cliente e não aparecia ninguém. Ele tinha o Playsation aquela época . Então levou ele até a loja e jogávamos, já que havia uma tv instalada no pet shop enquanto os clientes não apareciam. Quando apareciam é lógico que nós parávamos o jogo e atendíamos os clientes ,e, quando eles iam embora , voltávamos a jogar. Os dias de chuva eram muito ruins pois espantavam a clientela e , nessas horas, ter um videogame lá pra passar o tempo fazia a diferença.

E óbvio que como sempre a Lei de Murphy prevalecia. Nem sempre , meu pai e eu estávamos cuidando da loja ao mesmo tempo . Vou dar um ex; enquanto eu ia pagar uma conta em algum banco da República Argentina meu pai atendia os clientes e fornecedores sozinhos, assim da mesma forma quando meu pai tinha que fazer uma entrega num lugar distante que precisava usar o carro, eu ficava lá cuidando do pet-shop sozinho . E era justo nessas horas que o aviário lotava de clientes. Quando só havia um de nós no balcão pra atender.

Continuo no próximo post

Sexta-feira, Abril 20, 2007

 

[P#72] O PRIMEIRO EMPREGO

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Essa é a Biblioteca do Portão, também conhecido como Centro Cultural Portão ou mais famosamente como MUMA

Estive uns dias sem postar, e, pensando no que é relevante a ser falado sobre essa época em que eu contava com 17 anos. Estava com preguiça acima de tudo de procurar fotos minhas dessa época para escanear até porque só existe uma na beira do Rio Nunes, mas ela ta num porta-retrato e não me empolguei em pegá-la para ilustrar esse post, então encontrei a imagem acima da Biblioteca do Portão, que vem também a calhar, uma vez que era nesse bairro que eu trabalhava, próximo ao Shopping Total.

Lendo o post anterior vi que eu falei bem superficialmente sobre o meu primeiro emprego, sendo que foi nele, na verdade, onde aconteceram as coisas mais importantes esse ano. Eu começei a trabalhar no Aviário/Pet-Shop da minha família em Julho. Aliás começei a trabalhar no mesmo dia que meu pai, se eu não me engano isso foi num Sábado. Trabalhei lá até o dia 26 de Março de 2001 , embora voltasse , mais tarde, a trabalhar lá tb em Janeiro de 2002 antes que começassem minhas aulas na UFPR.

Vou esclarecer: após a árvore cair em cima da casa em que morávamos meu avô vendeu o terreno (que também era nosso, óbvio). Na época vendeu o terreno por r$ 40.000,00. Ficamos um tempo sem saber como aplicar , ou o que fazer com esse dinheiro. Acabamos investindo num Pet Shop no Portão, (que existe até hoje) após muito pensar em que tipo de pequena empresa investir para auferir algum lucro. Óbvio que , na época, e com a idade que eu tinha eu não tomei muito partido (pra não dizer que não tomei NENHUM partido) no negócio que investiriamos.

O importante é que esse foi meu primeiro emprego, e foi super tranqüilo conciliá-lo com os estudos. Nessa época , eu cursava o segundo ano do segundo grau no Decisivo. Lá, (no pet-shop)muitas coisas interessantes e inesperadas aconteceram. No primeiro dia meu de trabalho, óbvio, eu não sabia direito como agir, meu pai, que já tivera muitas ocupações na vida, inclusive a de vendedor de tintas, já estava acostumado a tratar com clientes pessoalmente, com vendas e com todo o ambiente de trabalho onde há pelo menos um balcão de vendas de algum tipo de produto.

Eu fui aprendendo com ele, aliás trabalhava sempre com ele, e, saía mais cedo do expediente somente para não chegar atrasado nas aulas. Lá eu aprendi também a atender os clientes pessoalmente, fazer entregas (ás vezes eu carregava sacos de 15/20 kg nas costas, pra fazer entregas nas casas de alguns clientes) e até mesmo como office boy eu trabalhei, indo sacar/depositar cheques em bancos da República Argentina, etc, etc. Até hoje foi minha única experiência profissional.

Mas o dia-a-dia era mais ou menos assim: nós chegavamos (de carro), e meu pai abria a porta do aviário, ele cuidava da limpeza e eu tratava de trocar o cepilho (uma espécie de palha onde os hamsters fazem suas necessidades) das gaiolas dos hamsters, dava/trocava a comida dos coelhos, enchia de água os bebedouros dos viveiros dos pássaros e canários que tinhamos ali.

Eu gostava muito de trabalhar lá , principalmente porque era um trabalho simples e não atrapalhava os meus estudos de segundo grau. Em dias de pouco movimento na loja era muito tranqüilo estudar lá. Nossa, muita coisa aconteceu nesse período de nove meses em que me profissionalizei naquele tipo de trabalho. Criamos amizades , principalmente com os comerciantes locais, e algumas inimizades , (muito poucas) como por exemplo com o dono do outro Pet-Shop que não viu com bons olhos aquela concorrência repentina naquele local, embora não fosse uma concorrência direta pois nem na mesma rua trabalhávamos.

Enfim, ás vezes , os proprietários do outro pet-shop (que também existe até hoje, com os mesmos donos) passavam em frente ao nosso de carro, para bisbilhotar os produtos e animais que tinhamos para vender, outras vezes ligavam para nós, como se não soubéssemos que eram eles, para saber a que preço estava cada mercadoria. Pra sacanear, uma vez, liguei de um orelhão na rua de trás para o comércio deles e perguntei, me fazendo passar por cliente, se eles tinham para vender brincos pra coelhos. Nunca ri tanto como depois de desligar e ouvir uma resposta seca : "Não". Sempre fui muito bacana com àqueles que da mesma forma eram assim bacanas comigo.

Mas tinha tb o dono da Farmácia que vez ou outra vinha conversar com meu pai e contava algumas histórias que haviam ocorrido em sua vida. Ele e a mulher eram donos do negócio e tinham uma funcionária contratada, subordinada a eles. Naquela região conheciamos quase todo mundo, e , sempre via aquela senhora que trabalhava pra eles descendo do Interbairros (tem um ponto de ônibus na frente do pet shop).

Para fazer a divulgação do pet-shop no começo, meu avô imprimiu uns panfletos pra que a gente distribuísse naquela região. E assim foi , passamos por várias casas, e jogamos panfletos e amostras-grátis de ração para cachorro e gato a fim de conquistar a clientela local. Mal sabíamos que aquele negócio , naquela região, nunca iria pra frente.

O tempo foi passando e eu era requisitado para fazer todo o tipo de coisa que fosse necessária: pagar contas no banco, fazer pedidos aos fornecedores de ração/remédio que nos visitavam, comprar novos animais, principalmente coelhos, porquinhos-da-índia e hamsters. Era eu quem saía em busca de comida para os coelhos quando a comida deles acabava. Embora eles se alimentassem de couve, também apreciavam capim e essa vegetação da grama que crescia em volta das casas, e quando não vinha ninguém (muitas vezes era assim), para aparar a grama ou coisa parecida, conseguíamos encher de uma a duas sacolas . Raras vezes dei cenouras aos coelhos, porque eles apreciavam do mesmo modo o que colhíamos . Os porquinhos-da-índia eram pacíficos e conviviam numa boa na mesma gaiola que os coelhos. Os Hamsters tinham a gaiola só deles.

Ás vezes , eu aproveitava ,e descia a rua de manhã, pois ao lado do colégio local, havia um Farol do Saber (uma biblioteca que tem aqui em Curitiba, cujo formato externo é de um farol) e tinha conexão com internet, e a última vez que eu havia usado internet na vida fôra dois anos antes no Martinus, pois até então , não tinhamos computador em casa.

No almoço, nós comíamos os lanches da padaria, ou dependendo do dia , mas era muito mais raro de acontecer, eu ia no shopping Total e buscava uma pizza. Sempre era assim; eu trabalhava com meu pai e recebia na época r$ 150,00 de salário. Meu pai recebia r$ 300,00 e quem nos pagava era o meu avô que era de verdade o dono do negócio. Meu avô trabalhava no Pet-Shop aos Sábados e minha avó o acompanhava nessa empreitada, enquanto , meu pai e eu tirávamos a tarde de Sábado para descanso. Meu pai trabalhava de Domingo a Domingo, porque, os animais ali precisavam da gente , nem que fosse apenas pra trocar sua comida. Nos Domingos ele ficava aberto até o meio-dia. No Sábado tb, eu , ficava com ele atendendo até o meio-dia e quem assumia em seguida eram os meus avós.

Essa foi a época que mais indiretas eu ouvi de meninas, principalmente aquelas,mais novas que eu,alunas que voltavam do colégio, mas como era muito distraído e burro, não percebia e deixei escapar a maioria das chances que eu tinha. Era sério. Eu podia ter agarrado muitas mulheres aquele ano se não fosse tão desligado com as coisas. Ás vezes era minha avó quem percebia que havia uma menina me dando mole porque eu mesmo só me preocupava em alimentar e tratar os animais (eu tinha um carinho especial pelos coelhos) e não observava as outras coisas importantes à minha volta.

Teve um período no qual, entretanto uma das garotas foi mais direta comigo e eu não soube bem como agir. Era a cozinheira do bar que tinha na mesma quadra em que eu trabalhava. Era uma moça negra, bonita até e com o corpo bem definido, ás vezes vinha lá me visitar para bater papo, e um dia ,ela ligou pra lá dizendo que estava morrendo de vontade de me beijar... daí eu sem saber como agir, disse a ela que a gente devia se encontrar em algum lugar. Na verdade, eu era muito inexperiente nessa época e minha única experiência com mulher havia sido na oportunidade que eu havia perdido a minha virgindade. E naquele ano cheguei a ter relações de novo com uma garota de programa. Mas só havia beijado na primeira relação. Eu não sei se fiquei com medo de a menina me achar muito tapado ou se eu não estava realmente interessado, mas começei a evitá-la após esse telefonema.

Me escondia no banheiro do Pet Shop sempre que percebia alguma aproximação dela. Um dia ela me viu na rua trocando a bandeja (cheia de urina e fezes) dos coelhos , e disse:

- Não precisa ter vergonha de mim.

Ela devia ter sacado as minhas desculpas esfarrapadas, de não atender o telefone e pedir para que dissessem que eu não estava lá. Era Ariane o nome dela. Meu pai até perguntou , antes do episódio , se ia rolar algo entre a gente. Na época eu nem sabia se ia ou não. Mas na verdade , eu não gostei do que ela havia me dito uma vez que quando ia no zoológico ficava aprontando feio com os animais, e , para mim os animais eram muito importantes; tanto que para não ser hipócrita deixei de apreciar coelho assado (que antes de trabalhar no Pet Shop eu comia com certa regularidade), pois achava contraditório trabalhar com coelhos e depois ir pra mesa comer coelho. Parei com essa prática.

Eu acho que ela ter me contado as maldades que fazia com os animais do zoológico aliado ao meu medo sei lá do quê me fizeram não ficar com ela. Mas depois , um dia prestei uma homenagem a ela no banheiro de casa. Mas no fundo eu acho que não me arrependo, ela não era o meu tipo. Não digo na parte estética, digo nos raciocínios, na forma de agir, etc,etc. E outra coisa que era horrível e me fazia sentir muito mal era que ela namorava, àquela época, um primo dela. Eu não sou santo e nem religioso mas tem um dos mandamentos que eu respeito muito que é aquele que diz "não desejarás a mulher do próximo". Ficar com aquela menina, me traria dor de cabeças mais cedo ou mais tarde. E meses depois eu vi ela passar na rua grávida... sabe lá o que podia acontecer se eu tivesse ficado com ela. Mas a verdade era também que eu estava começando a gostar de uma outra garota de quem irei falar no próximo post somente.

Continuo no próximo post.

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