Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

 

[P#65] O ANO DA MUDANÇA (Parte 2)

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Almoço de alguma festa comemorativa da família , ou aniversário, não sei , não to lembrado

É , 1998 , além de ser o ano da mudança, foi também ano de eleição e de copa do mundo. Derrota em ambos, pois elegemos o tucano FHC e o Brasil afundou na lama em 4 anos de atraso, onde entre outras coisas o real foi desvalorizado. Desde o começo eu desconfiei que essa moeda era uma merda. Eu não estava errado.

Na copa foi aquele fiasco que todos sabem. Brasil com uma seleção horrível, chegou sabe-se lá como á final da copa do mundo e passou aquele vexame perdendo pra França. 3 a 0. Ronaldo se ausentou da partida. Depois disseram que foi comprada a derrota do Brasil, no entanto isso nunca foi provado. Mas eu também não duvido que tenha sido isso mesmo. Afinal era meio conveniente fazer uma troca. A seleção da Alemanha de 2002 era muito forte, e se não me engano a defesa menos vazada e o Brasil mandou 2 neles na final. Não sei não. Da pra desconfiar, porque desde 2001 , com uma fraca campanha quase que o Brasil não entra na Copa. Só entrou em cima da hora. A seleção brasileira era uma merda e ainda ganhou a copa. Então fica aí a dúvida eterna pairando em nossas mentes, o que realmente teria rolado naquele dia fatídico da final de 1998 ? Só Deus sabe. Mesmo.

Essa época aí da Copa do Mundo os alunos do Martinus estavam fazendo apostas, pra saber qual seria o resultado da final. Óbvio que todos botavam fé no Brasil. Mas o Brasil, com perdão da rima ,foi pra puta que pariu. Eu assisti a final na casa de um amigo do meu avô. Após a feijoada veio a indigestão daquela final asquerosa.Nunca vou esquecer, a namorada do Alexandre (o amigo do meu avô) estava com tanta fé no Penta, que tinha pintado as unhas das mãos com a bandeira do Brasil.Eu chorei vendo aquela final lazarenta, e o Galvão Bueno ainda disse no final "é a força do futebol brasileiro que ..." , porra , que mané força do futebol brasileiro? Toma três gols no meio do rabo... só se for a força pra fazer merda. Ai somos campeões. Eu entendo aqueles que veneram a seleção dos anos 70. Porque das seleções atuais ta difícil, viu?

Mas esse não foi o único acontecimento marcante do ano.
Teve o fator que dá título ao post. A mudança.
No domingo à tarde, dia de eleição, mas nessa época eu não votava, minha mãe passou em casa e me levou ao bosque alemão , (uma atração turística aqui da nossa cidade), e se eu não me engano havia uma prima junto. Não lembro agora se era a Dayse ou a Jennifer. Tinhamos saído aquela tarde enquanto a galera votava. Voltei, anoiteceu, e eu fui dormir. Na madrugada porém havia algo estranho. Passava das 4 da manhã e eu não conseguia pegar no sono. De repente eu ouvi um estrondo horrível. Pensei até que tinha caído um raio no quintal porque tava ventando muito. Mas não era isso. Pra minha infelicidade era algo pior. Ouvi meu avô levantando da cama e dizendo que "fudeu" ou algo assim. Fiquei preocupado. Meu pai foi abrir a porta, e não conseguia, ela tava emperrada. Precisou dar uma martelada na maçaneta pra conseguir abrir, ainda assim arrastando a porta no chão. Eu fiquei assustado com aquilo. Fui ver o que tinha acontecido ... o teto do banheiro tava afundado. Então eu percebi. Uma árvore tinha caído em cima da nossa casa. Sorte que ela não fez estragos maiores. Podia ter matado alguém. Mas dos males esse foi o pior. Daí , como meu avô tinha recebido a herança da mãe dele , depois dela morrer, viu que a saída era mudarmos para um dos apartamentos que a gente têm na Kennedy, pois este estava vago. O outro estava ocupado, pois desde a morte da minha bisavó, meu avô quem cobrava o aluguel desse outro apê. Ainda bem que este estava vago. Senão provavelmente teríamos que morar de favor ou arranjar alguma solução drástica.

Mas foi horrível. Eu não sabia o que fazer. Minha avó disse para que eu guardasse as minhas coisas em caixas. E eu coloquei tudo nessas caixas, cds, fitas vhs, fitas k7, meu videogame, videocassete, jogos, aparelhos eletrônicos, pertences, roupas, etc, etc. Ela ainda perguntou se eu queria ir pra aula ou se eu queria faltar aquele dia. Eu resolvi optar por faltar, porque, eu não ia conseguir ir pra aula tranquilo sabendo que a minha casa já não existia mais. Além do mais , a gente não poderia levar um pastor alemão para esse apartamento aqui. Além de fazer muito barulho e ser proibido, ele era um cachorro acostumado com a natureza e a liberdade, nunca iria se acostumar aqui. A solução imediata , foi, deixa-lo na chácara do Olacir, até que meu pai arranjasse outro dono para ele. Mas foi muito triste. Lembro até hoje que antes de me despedir, como eu sabia que era pra sempre, eu dei um abração apertado nele. Ele chorava (o cachorro) desesperado, sem saber o que acontecia, e depois latiu desesperado, vendo eu e minha vó sairmos de lá com lágrimas nos olhos.

Mas sabe, apesar dessas coisas, do péssimo resultado nas urnas, do péssimo resultado na copa e do desastre com a minha casa eu não considero esse um ano ruim. Porque tiveram outras coisas, que fizeram dele um ano como os outros , ou até , bom. O Dinarte aprendeu a tocar também nesse ano, só que ele aprendeu a tocar violão pouco depois de mim. No começo ele era que nem eu, só queria saber dos solos e tablaturas, mas um dia apareceu feliz , fazendo uma visita em casa pra dizer que tinha aprendido a fazer acordes. Nunca vou esquecer esse dia. Foi interessante. Depois nós fomos na cancha do Olacir jogar bola se eu não me engano.

Esse foi o ano que eu tive coragem e fui até a locadora da minha rua alugar um filme pornô de verdade. Porque todos os filmes que eu via até então eram aqueles eróticos da band. Essa época eu já tinha uma caixa lotada de Playboys e revistas internacionais, mas eu queria levar minha masturbação para o mundo do vídeo. E levei. Um dia eu fui na locadora e peguei um filme qualquer, que achei interessante e disse que queria levar. O cara perguntou se eu já tinha 18 anos e eu afirmei positivamente que sim. Daquele dia em diante eu sempre ia naquela locadora pegar filmes. Só pegava filme pornô óbvio. Daí fazia uma conexão com cabos de um videocassete no outro e os melhores eu gravava pra mim. Meu primeiro filme pornô eu aluguei com 15 anos de idade. Bonito né ? *_*

Eu adorava (e adoro) filmes com lésbicas. São os melhores. Tu não tem que aturar um bundão se dando bem enquanto tu ta lá na punheta. Odeio também aqueles filmes que o camera man entra com a câmera dentro do cu do ator e tudo que tu consegue ver é o saco dele gotejando e um close da genital da mulher. Que coisa mais nojenta. Outra coisa que me tira do sério é ver uma mulher transando com dois caras ao mesmo tempo . Vai pro inferno. Se eu quisesse ver piroca pegava filme gay.

Ainda sobre a mudança. Parentes foram avisados , enquanto eu colocava meus pertences nas caixas de papelão. Um amigo do meu avô pagou o frete e a mudança. As primeiras coisas que pegamos foram levadas ao prédio de carro, as outras foram levadas pelo caminhão de mudanças. A esposa da mulher do meu tio-avô tava com um bafo que Deus me livre, lembro até hoje. Acho que na pressa de ir ver como podia ajudar acabou não escovando os dentes.

Beleza , chegamos aqui, mais trabalho, tinha que organizar onde ficar as coisas, daí colocar os móveis e monta-los de novo no quarto, na sala, na cozinha. Um monte de coisa espalhada pelo apartamento inteiro. Quando tava meio vazio ainda fazia eco quando a gente falava. Suamos e ralamos muito aquele dia. Foi um dia extremamente cansativo. No almoço comemos pão com mortadela , comprados da padaria. Até a noite ainda não havia terminado a arrumação do ap. Acho que depois de 2 dias conseguimos remobiliar tudo da forma que era na casa. Só que agora cada um de nós teria um quarto. Quero dizer, meu avô e minha avó dormem em cama de casal. Mas eu e meu pai ganhamos um quarto separado, coisa que não rolava na outra casa.

No dia seguinte o Folha estranhou minha ausência, por que se eu não me engano esse dia da mudança foi o único que eu faltei à aula. Ele perguntou o que havia acontecido e quando contei à classe , eles ficaram todos abismados. Eu também dmeorei pra me acostumar com a idéia. Sentia muita falta do Lord. Aliás todo dia. Minha vó diz até que não tem um dia na vida que ela não pense na casa que a gente morava e tal.

Tinha sobrado um dos cadernos que era pra eu usar pra escola. Um deles acabou sendo comprado a mais e eu usei pra escrever outro "livro". Escrevi então a minha quarta história de suspense, chamada "Crime no Colégio Martinus", depois tentei reescrever essa história várias vezes usando o Word mas nunca deu certo. Eu tinha o sonho de publicar essa história . No próximo post eu conto a respeito do que se trata essa história.

Continuo no próximo post.

 

[P#64] O ANO DA MUDANÇA

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Guitarra que eu ganhei no natal do ano anterior

É , esse foi o ano da mudança.
Não de uma mudança profunda de idéias, concepções ou planos. Mas mudança, porque , na madrugada do dia seguinte à eleição do 04 de Outubro , uma árvore caiu em cima da casa que morávamos. Nós mal sabíamos ,mas aquele era o último ano nosso vivendo lá.

E essa é a única mudança a que o título do post se refere. 1998 foi um ano sequencial em relação a 1997. Poucas mudanças ocorridas. Continuei estudando no período da manhã. A maior surpresa, foi na verdade, o fato do Luís Eduardo (Dudu), não estar mais estudando lá . E de um quarteto, nós passamos a ser um trio. Ficamos, eu, Folha e Bruno.

A sala em que estudavamos agora tinha o quadro negro em direção oposta a sala do ano anterior. Esse ano, a Sabine não estava mais lá tb. Tinha sido aprovada no Cefet. E se não me engano me contou isso por telefone. Já que era o telefone nossa única forma de contato depois que ela saiu do Martinus. No entanto, eu começei a gostar inconscientemente, da Lídia, uma amiga da Sabine que estudava na oitava série A. Enquanto minha turma era da oitava B.

A Lídia, na época, era morena, cabelos ondulados até a altura do pescoço e era bem feita de corpo. Era magra , mas bem feita de corpo. Era estranho porque todos os garotos, na maioria pelo menos, a achavam feia. E eu a achava linda. Troquei poucas palavras com ela , no entanto. Porque minha timidez sempre atrapalhou que eu tivesse um relacionamento pleno com as mulheres. Com mulher, que eu quero alguma coisa eu sou extremamente tímido. Eu não sou tímido sempre, mas na área amorosa sempre fui, e talvez por isso , também sempre tenha sido infeliz nessa área.

Eu continuava com aqueles planos de bilhetinhos de amor, como no ano anterior em relação à Sabine. Certa vez, quando todos já tinham ido pra casa,e eu aproveitei pra entrar na sala da 8ªA que não estava encontrada. Encontrei o livro dos alunos empilhados numa prateleira. (Geralmente eu levava os meus livros pra casa, mas aquela classe pelo jeito, deixava os livros na sala). Daí encontrei finalmente o livro que tinha o nome dela e coloquei um bilhetinho que devia dizer algo do tipo "gosto muito de vc; do seu admirador secreto". Po eu não aprendia que esses bilhetes não davam em nada. Devia me espelhar na experiência ruim com as gêmeas, de dois anos antes. Mas insisti no bilhete. Mas nada aconteceu. Pelo menos não fui descoberto dessa vez. Mas também não consegui namorar nem ter nada com ela.

Aquele foi o ano também que eu quebrei o Saturno. Fiquei muito irritado jogando Street Fighter Alpha 2 , de ser derrotado pela Chun Li. Perder pra uma mulher, ainda mais quando eu apelava bastante e estava jogando no "easy", eu não consegui suportar. Dei uns 5 socos no aparelho. Até que travou o jogo na tela e eu percebi que um dos meus socos havia danificado o canhão de laser do cd. A partir daí fiz de tudo para que meu pai não descobrisse aquilo. Mas ele descobriu, um dia que foi na locadora buscar um jogo para o Saturn e o jogo não rodou. Daí veio me perguntar o que havia acontecido com o aparelho, óbvio que eu menti, e disse que havia sido uma visita que havia vindo aqui e feito aquele estrago no meu videogame. Óbvio que ele achou irresponsabilidade minha e não acreditou.

Passado um tempo, meu pai chegou com uma novidade em casa. Ele havia comprado um Playstation. E desde 1995, quando eu tinha visto aquele aparelho cinza numa Ação Games, eu nunca fui com a cara dele, porque sabia que ele era rival da SEGA, empresa que eu amo.Mas meu pai adorou o videogame e virou um fã. O videogame que ele comprou estava destravado, e rodava jogos piratas, então meu pai comprou vários jogos para o videogame nesse período. Eu também comprei alguns. Mas nunca me arrependi tanto, como me arrependo até hoje , de ter sido o descobridor do Tomb Raider. Vi o jogo pra vender no centro e acreditei ser um jogo em primeira pessoa no estilo Myst. Nunca me decepcionei tanto. O jogo chato do caralho. Meu pai adora. Acha o máximo até hoje. E eu me arrpendo, porque nunca gostei do jogo e podia ter comprado um de luta no lugar.

Um dia o Dinarte ligou lá em casa pra gente ensaiar, daí eu inventei uma desculpa que tava tão febril que estava de cama. E por isso não ia. Na verdade eu queria pressionar meu pai pra parar de jogar Tomb Raider, e me deixar jogar os jogos de luta que eu havia comprado antes, assim como o Fifa 98, que fui eu quem comprou. Daí meu pai falando "po, você não ia sair ? Vai dar um passeio vai..." pra que ele pudesse jogar em paz. Mas eu não fui . Hoje em dia me arrependo de não ter ido. Com certeza teria sido melhor ensaiar com o Dinarte do que ficar refém de um vício.

Meus amigos do colégio continuavam o mesmo, com excessão do Luís Eduardo e de uns alunos novos que haviam entrado aquele ano. Eu continuava amigo do Diego e Guilherme, mas eles tinham problemas em aceitar o Folha e o Bruno Kasper. Aliás houveram alguns desentendimentos mesmo entre nós. Uma vez fui obrigado a dar umas porradas no Folha no pátio do colégio e isso aglomerou um monte de gente ávida por violência a nossa volta. Todos gritavam "porrada!", outra vez tive o mesmo problema com o Bruno . Eu tava indo muito mal na escola. Fiquei com vergonha de mostrar o boletim do primeiro bimestre pro meu pai. Quatro disciplinas com nota vermelha. Eu mesmo me sentia mal com aquilo.

Em casa meu pai falou que estava decepcionado. Meu avô também ficou inconformado com meu desempenho escolar, pois era ele afinal quem pagava um colégio particular, pra eu ter aquele comportamento vergonhoso. E não era vergonhoso só nas notas, entre as salas de aula havia um trecho da parede que não era muito sólido, parecia papelão, isopor, ou outro material. Daí alguns alunos da minha turma, principalmente aqueles mais bagunceiros, vieram a chutar e dar voadoras nessa "parede". O outro lado respondia sempre também, com chutes e voadoras. Eu não resisti e entrei naquela onda. Me empolguei um monte . Nunca dei tantos chutes num objeto inanimado na minha vida. Daí todos ficaram quietos de repente e só eu continuava lá metendo o pé na "parede". Daí eu vi que tinha uma inspetora observando tudo. Daí ela me chamou pra eu ir falar com o diretor do colégio. Eu fiquei com medo de ser expulso do Martinus. Mas, porém, não sei o que houve no meio do caminho ela mudou de opinião e disse que eu podia voltar à sala de aula, e eu dei graças a Deus porque ia ser mais um desgosto pros meus pais aquele ano.

E tipo muita gente dançou esse ano.
Quando vinham com o violão pro colégio, o pessoal esperava que eu tocasse Paralamas, Eric Clapton. Óbvio que o violão era do Diego e não meu, mas quando era minha vez de tocar, esperavam que eu tocasse esse repertório. Não era o meu repertório. Nessa época, eu havia aprendido a tocar "Money For Nothing" graças aos 50 reais que ganhei do meu avô e com ele comprei um songbook do Mark Knopfler. E até hoje eu sei essa música graças ao songbook. No meu aniversário ganhei do meu pai a pedaleira zoom 505. Eu tinha pedido uma 510. Pois nessa época eu já comprava revista de guitarra, e, tinham os comerciais de pedaleiras realmente profissionais como a zoom 8080. E eu sonhava com uma 4040, mas sabia que as possibilidades do meu pai na época estavam mais para uma pedaleira da série 500. Graças a Deus a loja não tinha a 510. Porque a 505 foi bem melhor pra minha carreira de guitarrista. Veio com um manual em espanhol, e eu fui aprendendo como trocar de efeitos e criar os meus próprios sons. Foi interessante. O Andrey veio na minha casa, tocou com ela, daí eu já tinha uma fonte, e não usava mais bateria, era melhor.

A Gosma Metálica continuou com tudo esse ano, eu gravei novas fitas , e depois passei pra copiar a fita no som do meu pai porque o aparelho dele havia um efeito de por eco nos instrumentos, e depois disse que era o show da minha banda ao vivo. Eu tenho até hoje essa fita K7 chamada "Gosma Metálica - Palco Remix". E continuava mostrando as músicas pra mesmas pessoas. Dessa vez o Allan Prost , finalmente gostou de uma música. Era aquela que eu tinha colocado a letra e o título de uma música do Barão chamada "Torre de Babel". Foi muito maneiro. A galera caía que nem pato nessas lorotas e não tinha mais o Luís Eduardo pra desmintir a veracidade da minha "banda".

Pra ir pra casa, eu sempre ia com o Allan Prost, porque ele ia com a Mirian, e o irmão dela que pegavam ônibus na praça Tiradentes, e era caminho também pra mim ir pra minha casa. O Allan ficava com eles. Eu ia até a Rui Barbosa, depois, a pé. Isso na época depois que a árvore já havia caído em cima da minha casa. E eu ia com eles também com segundas intenções porque sabia que a Lídia , ás vezes acompanhava eles também, mas quando ela ia com eles eu não me atrevia a dizer uma palavra. Minha timidez, sempre cortou qualquer iniciativa da minha parte. Mesmo quando eu sei que essa iniciativa é boa. É duro ser tímido.

Antes que me esqueça, vou contar umas coisas horríveis que aconteceram nesse ano de 1998. A primeira : O Miguel e o Alexandre brigaram e irritado, o Miguel tentou acertar uma cadeira no Alexandre. Mas o Alexandre teve o reflexo de se abaixar
a cadeira voou contra o quadro negro e aí "perfurou" com um dos pés da cadeira estragando o quadro. Ou seja o colégio tinha sofrido um prejuízo horrível. E foi feia a situação quando o diretor e o pastor (o colégio era luterano), descobriram. Porque eles queriam punir o culpado exemplarmente, mas nenhum dos meninos se entregou e ninguém também foi dedo-duro de os entregar. Até porque pouca gente testemunhou o fato. Eu fui uma delas. Mas não ia me meter. O problema nesse caso era dos envolvidos e do colégio. Não meu. Eu não ia me sujar com aquilo. Fiquei quieto como os outros. Na verdade isso ocorreu do intervalo pra quarta aula que era Educação Artística, então muita gente não estava na sala nessa hora pois estava ou subindo as escadarias, ou esperando o começo da aula no piso superior, onde ficava o laboratório de informática (um dos), e a sala de artes. Então, a direção tomou uma resolução. Os garotos não teriam recreio , (tava meio óbvio que não havia sido uma menina a responsável por aquilo) enquanto o culpado não se confessasse. No final o Miguel assumiu a culpa e o colégio lhe aplicou uma pena que não lembro qual. Se foi suspensão, anotação na agenda, notificação dos pais ou o que.

Agora houve um caso mais grave ;
Um amigo nosso , Vinícius , (apelido: Chiliquita - aliás era esse que era o fã do Eric Clapton), ele contou pra alguma autoridade do colégio alguma das travessuras do Allan Renzi (já falei dele em posts anteriores). O Allan ficou sabendo e não gostou nada de ter sido dedurado. Prometeu que iria o arrebentar na saída do colégio. Dito e feito. Ele saiu do colégio, mas eu não fiquei pra ver a cena. Eles brigaram , o Vinícius apanhou muito (segundo contaram). E ficou com tanto medo e traumatizado com aquilo que acabou mijando nas próprias roupas . Todo mundo ficou sabendo do ocorrido e foi uma grande vergonha pra ele. Como pena, Allan Renzi foi expulso do colégio.

No próximo post continuo.

 

[P#63] 1997 (Parte Final)

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Contrasenso do Moska - 1997 - corri muito atrás desse cd na época

Hmm.
Bom, agora vou dar continuidade ao que faltava contar sobre esse ano.
No final do ano, o Andrey descobriu a farsa , que eu não namorava a Sabine, porque ele tinha dito que tinha ido no meu colégio na hora da saída falar com uma menina que tinha uma pinta no rosto. Por coincidência a Sabine tinha essa pinta. Daí ele disse que eu devia chegar nela e chama-la de "meu amor" e partir pro ataque. Algo do gênero. Ele descobriu também que a Gosma Metálica não era uma banda . Era eu sozinho . O ano tava chegando no fim. A Sabine não estaria mais lá no ano seguinte, pois conseguira ingressar no CEFET (atual UTFPR). Eu liguei pra Sabine aquela noite e ela me disse que não, que ninguém havia ido abordar ela na porta do colégio.

No dia seguinte, que seria o último de aula, eu não consegui me declarar pra ela o máximo que consegui foi pedir pra que assinasse minha camisa, e depois eu assinei a dela. Eu tinha conseguido ficar de recuperação em Desenho. Daí fui lá , alguns dias a mais, em relação àqueles que haviam sido aprovados diretamente.

Nessa época eu já era fã do Moska e já tinha comprado alguns cds. Dois do Dire Straits e um do Barão Vermelho, aquele intitulado Álbum, se eu não me engano. Mas eu fiquei louco quando soube que o Moska estava pra lançar um novo cd, até porque a música a "Seta e o Alvo" tava na trilha da novela "Zazá". Eu assistia a novela muitas vezes só pra ouvir essa música. Mas a novela em si até que era boazinha tb. O Moska já havia ido no Bem Brasil, programa apresentado até hoje pelo Wandi Doratiotto, e apresentado muitas das canções do novo disco no programa. Eu gravei esse programa, depois gravei o Guns no Rock n Rio em cima ¬¬. Eu tava muito ansioso pelo lançamento do cd aqui em Curitiba, e ele demorou demais pra chegar. Tanto que numa saída com o Andrey pra comprar o disco, acabei comprando o "On Every Street" do Dire Straits.

Muitos professores esse ano, diferente daqueles que eu havia tido aula no ano anterior, entre eles o professor de matemática Osmir. Eu tinha pavor, ele era do tipo engraçadinho , mas um desastre ambulante para dar aulas. Mas não foi dessa vez que ele conseguiu encalçar meu pé ,e eu fui aprovado direto em matemática.

O ano tava no final. Eu acho que foi num dos dias de recuperação , ou não, que o Filipe Guedes, me sacaneou . Tipo, uma vez, eu pedi pra ele mandar pra Sabine, um bilhetinho dizendo que eu gostava muito dela. Mas o bilhete não citava o nome da mesma. Tinha duas meninas. A Sabine tava na cantina e uma menina tava próxima dela. O Filipe entregou o bilhete pra menina errada. Mas diga-se de passagem que a menina errada era muito linda. Nossa tinha um rosto lindinho e um cabelo longo, bela arma de sedução . Era bem construída de corpo e , bom , quem estudou já em colégio sabe que alguns uniformes são tão transparentes que vc quase enxerga a alma da pessoa. Era linda sim. Mas não era a garota por quem eu era gamado. Burro, talvez isso tivesse mudado minha vida. Falta de atitude é foda. E minha falta de atitude, como irei descrever abaixo foi pior ainda.

Daí , eu nunca entendi que o Folha tinha dado o bilhete pra menina errada. Mas tudo bem , não lembro como depois eu descobri. Depois do dia, óbvio. Então eu estava um belo dia, comendo pipoca com tempero de miojo, e de repente , vejo subindo as escadas aquela bela menina que apesar de não ser a menina de quem eu gostava , era tão bela que facilmente ela se fazia notar. Eu tava com a pipoca na minha mão, o Folha tava do lado e ela se dirigiu a mim e perguntou:

- Posso pegar um pouco ?

antes que eu tivesse chance de responder qualquer coisa o Folha se adiantou e disse, quase gritando na cara da menina :

- NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO !!!

E com uma cara de fudido com a vida , que eu até me borrei, como ela havia dirigido a pergunta a mim eu respondi muito covardemente:

- É que a pipoca é dele, não é minha.

E a menina seguiu seu caminho um tanto quanto decepcionada. Acho que ela percebeu que eu amarelei em dar a pipoca pra ela. Mas não conseguia esquecer da grosseria do meu amigo, então, pedi que ele fosse até ela e oferecesse a pipoca.
Óbvio, que depois ela não quis mais.
Tem coisas que a gente se arrepende o resto da vida .
No dia seguinte , quando eu cheguei e sentei num dos bancos do colégio (do lado de fora, próximo ao portão de entrada) eu pensei em pedir desculpas à mocinha. Esperei que ela chegasse. Ela chegou se sentou no mesmo banco que eu , mas eu não tive coragem de lhe dirigir a palvra, quando pensei em dizer algo, chegou uma menina pra conversar com ela . E eu nunca falei nada com ela. Burro!

Bom , isso aqui devia servir de aprendizado. Mas nunca serviu, minha burrice nessa área parece ser eterna e não deve ser sanada nunca pelo jeito. E é por isso que eu recorro à praticas que descobri nesse mesmo ano.

Nas minhas férias , o Bruno me convidou pra assistir no cinema o filme do Beavis and Butt-Head no cinema do Shopping Curitiba. Assistimos a sessão numa boa. O filme foi legal. Depois à noite, eu me debati com algo que estava há muito sem descobrir como fazer. Sim , foi esse ano que eu descobri a masturbação, todos meus amigos falavam de punheta, e o Bruno falava inclusvie que quando não tinha nada pra fazer batia 5 vezes por dia. Eu era meio cabaçudo nessa área, e achava aquilo ridículo. Mas o Bruno se gabava das suas cinco punhetas diárias. Eu pensava : "mas que troço mais imbecil". E acho que as punhetas dele nunca adiantaram muito no quesito "exercício físico", porque naquela época ele andava acima do peso. Mas até hoje eu fico pensando : "O que leva um cara a bater punheta 5 vezes no dia ?". Meu , sério. É não ter o que fazer na vida. Sério mesmo. Tipo sei lá , por mais "tarado" ou "atacado" que vc esteja no dia , depois da terceira bronha teu pênis já começa a doer , ficar meio "desgastado" , não jorra tanto quanto nas outras investidas. Imagina cinco ? O pau deve pegar fogo. Sei lá. Mas voltando ao que eu dizia: há tempos eu tentava descobrir o que era na prática essa tal de "punheta" e não conseguia. Até porque eu nunca desconfiei que pra chegar ao orgasmo, vc tivesse que pensar em alguém. A primeira bronha eu melei minha calça ... fiquei imaginando-me como um padre celebrando uma missa, mas que tinha que testar a "fidelidade" da esposa do cara. Daí levava ela pro meio da igreja e "fazia a festa". Foi com um pensamento mongo assim que eu gozei pela primeira vez. Mas eu não tinha muita certeza que tinha gozado. Pensi : "putz, mas se eu tiver só mijado mais grosso ??", daí fui no banheiro conferir a meleca. Daí percebi que tinha conseguido. Fui dormir muito feliz aquela noite.E daí eu não parei mais , todo dia batia uma. No começo eu contava até , quantas punhetas eu tinha já registradas. Consegui contar até a de número 31 se não me engano e depois a conta desandou.

Daí era uma vez . Sábado a noite só dava eu lá na sala , altas horas da madrugada assistindo cine privé na band. Depois gravava as fitas pra me masturbar de novo. E assim foi a vida feliz no mundo da masturbação. E eu começei tarde até, tinha muitos amigos meu que desde os 9, 10, 12 já mandavam ver. Mas eu que era mais "inocente" começei aos 14.

No final de ano, eu ganhei alguns jogos pro Saturn, e finalmente uma guitarra nova. E nessa época da guitarra nova por pior que eu tocasse, eu já tocava um pouquinho, algumas músicas. Minha mãe me deu um pedal de distorção, mas eu não sabia , o que era fonte pra pedal e a bateria acabava muito, muito rápido. Felicidade para os vizinhos que não tinham que ouvir-me tocar desafinado, fora do ritmo e do tom. Daí começei a gravar umas fitas horríveis com umas transcrições que eu tocava da partitura da revista pra teclado.
Nada mais a declarar a respeito desse ano.

Continuo no próximo post.

Domingo, Janeiro 28, 2007

 

[P#62] 1997 (Parte IV)

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Acústico dos Titãs , pela MTV, gravado em 1997

Esse post aqui eu acho que vai ficar gigante.
Mas não faz mal , eu tenho que falar das coisas que lembro senão não estarei falando da minha vida na sua plenitude.
Culturalmente, acho que o que mais me marcou, e não só a mim, mas a todos, foi o disco acústico do Titãs que teve uma enorme repercussão. Enorme mesmo. Tanto que no ano seguinte eles tentaram repetir o estrondoso sucesso que foi o acústico, fazendo um volume 2 em estúdio.

A música que foi uma das mais executadas foi a balada "Pra dizer adeus".
O Andrey sabia tocar essa música. Nessa época eu ia na casa dele, e ele tinha um violão azul, e eu continuava sem saber tocar nada , como já disse em posts anteriores. Só iria aprender , pouca coisa, no final daquele ano.

Mas tinha também, e não tenho como esquecer a chácara que a Jandira e o Olacir cuidavam . Eles não eram os donos da chacára, mas eram quem cuidavam da mesma. Eles tinham filhos pequenos na época, entre eles o Chico, o Nenê, e uma menina tb pequena. Eu ia lá de vez em quando e inclusive nos fins de semana, pra jogar futebol ou simplesmente brincar no ar puro, tanto com os filhos dos caseiros (eu acho que eles eram caseiros, embora eu não saiba bem o que um caseiro faz, mas aparece muito nos anúncios de empregos a procura por esse tipo de profissional). A princípio, não tinha quadra de futebol, depois, o dono mandou fazer uma cancha de areia, com direito a cerca de arame pra bola não escapar pra rua ou pra outras direções. Aí construiram também um galpão onde de vez em quando davam festas e promoviam churrascos.

Tinha o garoto mais velho da minha rua que morava algumas casas abaixo da minha no mesmo quarteirão, chamado Daniel. Não sei se eu já citei, mas foi a irmã do Daniel, qu era professora de matemática (se eu não estiver muito enganado), quem me ajudou na recuperação da sexta série. Apesar do esforço válido, eu acabei reprovando do mesmo jeito.

Eu estava entediado com os jogos eletrônicos. Sério mesmo, não teve período de maior tédio gamemaníaco do que a época do Saturn. Mas não pelo videogame não ser bom. Não era isso. Era que eu só tinha jogo que não gostava. Entre eles alguns de corrida. Não eram os jogos bons da época do Mega Drive, por exemplo.

Eu não lembro se foi nesse ano, ou se foi no ano seguinte que minha mãe, quis que eu fizesse aulas de teclado no Sesc. Fiz aulas de teclado por um mês e não aguentei. Foi bom pra aprender a tocar Bethooven, mas eu não levei adiante o curso depois do primeiro mês. Minha mãe também não quis mais pagar. Mas eu não senti falta. Acho que tava "escrito" no meu destino que eu devia me tornar guitarrista no futuro. Hehehe.

Sim, como eu disse no final do post anterior, pra falar das coisas que me aconteceram nesse ano na plenitude, tenho que citar as gêmeas. Na biografia original eu as citei no ano de 1997 , mas aqui eu havia esquecido de fazê-lo. E é relevante cita-las até pra o melhor entendimento da história da minha vida, formação do meu caráter, como a rejeição que eu sofri da Valéria me afetou no plano das idéias, e o que eu deixei de fazer ou não com relação a minha vida amorosa.

Pra meu desgosto - na época - eu logo no primeiro dia vi que as gêmeas, assim como eu haviam mudado para o turno da manhã. Fiquei meio assim com aquilo, teria de "atura-las" todos os dias ali de manhã. Parecia o fantasma do passado voltando .De algo ruim que tinha me acontecido e eu queria esquecer. Tudo bem, o tempo foi passando e eu soube tirar proveito da situação.

Eu já não ligava mais pra elas porque pensava quase que 24 horas por dia na Sabine. Então dificilmente olhava pra elas na hora do recreio pra saber o que estavam fazendo, o que aprontavam , etc,etc. Agora eu estava iludido por outra pessoa. A vida é cheia de ilusões (e decepções tb).

Mas , um dia, não sei o que me deu na cabeça (de cima), e eu resolvi contar para o Bruno, de forma torta, o que havia acontecido, eu inverti a história dizendo que havia dado um fora na Valéria, e que ela quem havia me mandado uma carta, etc,etc. Daí ele comentou uma coisa que eu nunca havia percebido porque até hoje eu não sei o que é "paquerar", porque se saio na rua, eu sempre to com a cabeça na lua. Não presto atenção nas pessoas, só presto atenção na hora de atravessar a rua.
Ele disse:
"Ah então é por isso que elas olham tanto pra vc ?"
eu fiquei meio que pensando ...
"ah é ?"
mas respondi :
"é meeu... mas ah imagina se eu vou dar bola pra pirralha"

Daí eu fiquei parecendo um cara cheio de atitudes e resoluções. Só que um dia a farsa caiu. O Hilmar e Douglas tinham ido fazer um trabalho escolar no período da manhã aquele dia. Daí quando estavamos, Bruno e eu , indo embora do colégio, encontramos eles. E as gêmeas já estavam também na nossa frente (umas cabeças à frente) já virando a esquina da rua , quando o Hilmar exclamou :
"ih olha lá não era a gêmea que vc era apaixonado ???"
putz, o cara me desmontou nessa hora. Que raiva.
Vontade de mandar tomar no cu , e não podia.
Daí eu disfarçando com um sorriso amarelo : "hã, quem ?"
daí o Bruno
"ué , não era ela que era apaixonada por vc ?"
daí o Hilmar fez o favor de me entregar de vez
"hahahahaah, pelo jeito o Ricardo contou a história ao contrário pra vc"
e aí putz, virei motivo de gozação. Imagine só. O pessoal sabendo que eu tinha gostado de garotas mais nova. Naquela época eu achava isso horrível. Hoje em dia já acho normal, até porque no meu caso as mulheres mais novas me dão um tratamento 1000 vezes melhor do que as meninas da minha faixa de idade entre 20-25 anos.

Vou falar um pouco sobre o Bruno.
O Bruno tinha uma vida confortável. Se não era rico pelo menos era muito bem de vida.Morava num apartamento no Cabral. Um dia houve uma festa de aniversário na casa dele . Eu fui. Tinha pouca gente, ele chamou umas meninas pra lá também. Mas não rolou interação entre nós e as meninas. Acabamos jogando videogame. Mas as meninas queriam jogar um jogo meigo que ele tinha no Saturn dele (é o Bruno tb tinha um Saturn), enquando eu queria jogar um jogo mais do tipo Street Fighter, que ele tinha lá. Óbvio que como bom anfitrião ele atendeu o pedido das meninas. É engraçado eu lembrar desse dia porque foi o dia que eu comprei a minha primeira Playboy. Valha-me Deus, faz 10 anos já que eu comprei minha primeira Playboy! Nossa.

E foi assim:
foi por causa do Luís Eduardo - aquele amigo evangélico , que eu citei antes, que era tinha escrito umas letras pra Gosma Metálica e descoberto a farsa da banda. Ele chegou a ir na minha casa uma vez e eu cheguei a ir na casa dele também. Talvez por ter me visto tocando teclado ele tenha flagrado que a banda não existia. Mas eu tava pra falar do que me motivou a comprar a minha primeira playboy.

Ele queria comprar a playboy da Marisa Orth, mas não tinha coragem, pois tinha medo que levasse um "não" , porque o vendedor da banca podia perceber que ele era de menor. Daí ele falou : "Vc compra pra mim ?"
daí eu respondi :
"Ta eu compro, me dá o dinheiro!"
Naquela época uma playboy custava 5 reais. Hoje em dia é quase 11.
Daí ele me deu 5 reais.


Eu fui na banca. Olhei a Playboy, e voltei pra trás, não tive a moral de comprar. No entanto, eu pensei 2 vezes , e vi que eu parecia mais velho que os garotos da minha turma porque eu já tinha costeleta e usava gilete pra fazer a pouca barba que eu tinha na época. Então acabei pegando a revista e perguntei "Quanto é ?".
Daí o cara respondeu que era cinco eu paguei.
Ele perguntou se eu queria uma sacola, eu respondi que sim.
Daí dei a revista pra ele, e ele foi embora feliz e serelépe pra casa.

E eu fiquei feliz de ver que eu conseguia comprar Playboy.
Daí nesse mesmo dia, á tarde, antes de ir pra festa de aniversário do Bruno eu pedi 5 reais pra minha vó e comprei a mesma Playboy pra mim. Depois desse dia, eu ganhei auto confiança e comprei mais umas 10 ou 15 revistas só naquele ano, nem todas Playboy. Comprei umas importadas que eu gostava mais . E assim começou minha carreira de ... bom deixa pra lá .

Continuo no próximo post.

Sábado, Janeiro 27, 2007

 

[P#61] 1997 (Parte 3)

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"Marcondes: O Homem Assassino" - 1997


Bom, to me sentindo meio perdido pra continuar o post, porque eu não sei direito o que eu tenho que falar sem o auxílio da biografia antiga, que me servia de base, e em cima dessa base eu fazia os improvisos, ou escrevia coisas adicionais que não couberam na bio original.

Dei uma lida no post anterior, e vi que estava falando de como eu era mau guitarrista naquela época, que foi logo após eu trocar o msx pela guitarra. Falei também de como meu relacionamento com a Sabine era estranho pois parecia que os anos de ausência nos tinham feito perder a intimidade. E na verdade tinham mesmo, e pra prejudicar mais ainda, fui reencontrar ela na minha vida na adolescência, que é uma fase meio complicada ,e, que , confesso, acho que era a época que eu estava moldando o meu caráter pra me tornar o homem que eu sou hoje. Pff, quem lê isso pensa que me tornei grande coisa, mas se eu realmente tivesse me tornado não cometeria os erros que cometo hoje e depois me arrependo gravemente.

Bom , todo o ano o Martinus promovia uma festa Junina , ou Julina, não lembro, o que importa é que todo ano essa festa acontecia. Engraçado porque a primeira vez que eu liguei para a Sabine nas férias do ano anterior, ela tinha me confessado que tinha me visto correndo na Festa Junina e tinha me reconhecido. E agora nessa festa de 1997 eu faria algo muito feio , movido pela raiva.

Vamos antes falar dos motivos que vieram a me fazer perder a educação e a ética com a minha amiga de infância:
Eu vi ela na festa, e achei linda , pq ela estava de Maria Chiquinha. Vestia tb um macacão azul por cima de uma roupa listrada se eu não estou enganado. Eu a observava de longe. Era fogo ver ela cumprimentando outras pessoas, sorrindo , feliz, cheia de boa vontade, enquanto que eu, ficava ali sem ter nenhum contato com ela.
Era a contradição de falar com ela no telefone e não falar com ela no colégio. Acho que essa é a razão. Era a frustração pelo tempo separados ter feito aquilo com a gente . Nós éramos dois estranhos agora, que apenas se falavam pelo telefone, mas no colégio nem se olhavam na cara. Eu não consegui suportar isso e resolvi avacalhar de vez.

Eu chamei uma menina daquelas que entregavam o tal do correio elegante , e entre as escolhas , havia o coração (que como contei usei ano anterior pra enviar pra Camille, gastando uma grana em um monte de correio elegante inútil), eu peguei, e como ia fazer uma parada ofensiva, resolvi pelo menos ser sincero. Pedi pra que ela escrevesse algo do tipo : "Sua bobona, paspalha", mas não foi isso, foi algo mais ofensivo que eu não lembro o que . Óbvio que , apesar da idiotice da coisa , eu não ia enviar palavrões pesados pra ela como "sua filha da puta" por ex, e também o colégio era luterano, não permitiria nunca que um recado desse teor fosse entregue a um de seus alunos . Além do mais, eu não odiava ela. Nunca iria a ofender tanto. Eu tava era com uma mágoa, com uma frustração e sem entender os desígnios da vida. Me sentia como o protagonista daquela música do Titãs, que questiona : "Por que vc não vem , pra mim ?" e também me identificava com: "Eu já fiquei tão mal, sozinho, eu já tentei, eu quis ..."

Mas foi algo de um extremo mau gosto. Mas eu pensava que já que não podia tê-la inteira (como namorada no caso), seria melhor não tê-la de jeito nenhum. Era o radicalismo falando mais alto. Não me importava que ela virasse minha inimiga. Se marcar se fosse minha inimiga, da forma que eu tava pensando na época, era melhor pq quem sabe assim ela lembraria de mim de uma forma mais "caliente", mesmo que fosse queimando de raiva. Mas o pensamento foi passageiro. Daí depois que ela copiou a mensagem que eu pedi, eu disse : "Entrega praquela menina de macacão azul" , e apontei pra onde estava a Sabine.

Depois fui conversar com uns amigos . Eu não lembro quem eram . Provavelmente o Douglas e o Hilmar, companheiros do ano anterior. Como não tenho certeza , basta saber que eram dois amigos que conversavam comigo. Eu até tinha esquecido a história do correio (des)elegante que eu havia mandado. Mas pra minha surpresa, eu vi a Sabine se aproximando de mim com uma amiga. Ela provavelmente havia perguntado a moça do correio elegante quem havia enviado aquela mensagem, pq eu não assinei ela. Daí a Sabine estava bem triste, e quando meus amigos viram que era um abacaxi espinhudo que eu ia ter que descascar começaram me zoar, e falar um monte de coisas , atrapalhando minha concentração, embora eu houvesse entendido bem o recado.

Vieram em duas. A Sabine e uma amiga. Eu fu pego de surpresa. Meu coração começou a bater mais depressa. Fiquei nervoso. A amiga dela veio me perguntar :
"Por que vc fez isso ?"
eu acho que da primeira vez fiquei tão nervoso que nem respondi nada.
Ela repetiu a pergunta
e eu respondi:
"Não teve motivo ..."
e a Sabine completou :
"Tudo bem ... quem vai ficar com a consciência pesada não sou eu ..."

Eu só queria me livrar daquela situação, que de tão vexatória, parecia um pouco a situação que me envolvi com as gêmeas no ano anterior. Elas se foram . E aí minha mente começou a me torturar com aquilo. Meus amigos falavam e falavam , mas eu abstraí tanto que fui parar na lua de tão ausente que tava mentalmente. Dei tchau pra eles e voltei pra casa. Lembrando do que havia se passado minutos antes. Achei muito nada a ver a Sabine ter dito que eu ficaria com a consciência pesada. Pensei que ela só havia me rogado uma praga (óbvio que esse pensamento era retardado total e não foi isso que aconteceu, de nenhuma forma), e fiquei mais puto da minha cara de não falar nunca com ela pessoalmente, e quando acontecia era pra ela vir saber o porque eu a havia destratado. Parecia que só vinha falar comigo quando era pra tirar satisfaçoes. Isso foi o que aconteceu comigo num primeiro momento, enquanto consequência do ato.

Depois cheguei em casa, contei a minha vó.
Porque ela viu que eu cheguei em casa perturbado e com a cara feia, acabou descobrindo o que eu tinha feito e ela ficou muito zangada com minha atitude, e me deu uns conselhos, disse que eu devia pedir desculpas a ela. Mas eu tava tão "senhor de mim" que não acatei os seus conselhos num primeiro momento. Eu tava muito chateado com tudo aquilo e os dias das férias foram passando , e todo dia eu lembrava daquilo, e não podia ouvir som que lembrava dela dizendo que eu ia ficar com a consciência pesada, e também o quanto ela ficou triste com aquilo . Ia tomar banho e lembrava da amiga dela perguntando porque eu tinha tido aquela atitude para com a amiga dela. Aí eu entendi, o que a Sabine tinha querido dizer com "Quem vai ficar com a consciência pesada não sou eu". Eu não conseguia esquecer o assunto , e passado alguns dias veio também o arrependimento e também eu tomei a noção da gravidade do que eu havia feito. Mas eu não teria coragem nunca mais de dirigir a palvra à Sabine. Como poderia me retratar ?

Um dia , tremendo de tão nervoso, eu resolvi ligar pra casa dela (ainda continuava em férias)quando a Sabine atendeu, eu disse , tremendo :
"Oi , a-aqui é o Ricardo..."
do outro lado eu escutei um
"Ihh ... meu Deus..."
Daí pra que ela não desligasse , eu resolvi falar o motivo pelo qual estava ligando pra que ela , ofendida como devia estar , ou chateada, sei lá, com toda aquela situação, não desligasse na minha cara.
Meu , sem brincadeira, nunca foi tão estranho ouvir o som da minha própria voz, ela soava estranha demais, eu gaguejava as vezes, e continuava tremendo. E eu acho que levei entre 3 a 5 minutos pra falar tudo o que eu tinha pra falar e no final eu disse : "bom , então é isso, e olha, é com você, eu peço os meus sinceros perdões, estou arrependido e você tinha toda razão, fiquei mesmo com a consciência pesada. Por outro lado, se não quiser me desculpar também , tudo bem eu entendo, mas a nossa amizade tem um grande peso pra mim, de verdade."
E então ela disse que tudo bem, que me perdoava e que até entendia o motivo pelo qual eu tinha feito aquilo. Só que eu nem perguntei o motivo que ela achava que tinha sido por medo do que eu ia ouvir do outro lado.

Bom , ela tinha tido bom coração comigo e relevado aquela pisada na bola.
Daí nossa amizade voltou a ser como era, eu ligava , uma vez por mês na casa dela, todo mês ou quase todo mês. E tiveram umas semanas, que eu ligava toda semana. Mas daí parei e voltei pro intervalo normal que eu ligava antes.

Antes de acabar esse post eu vou falar do aniversário dela.
Ela tinha me dito no começo daquele ano que fazia aniversário dia 26 de Agosto. Eu nem sabia que ela era virginiana. Até aquele dia. Mas isso foi bem no começo de ano, se eu não me engano na mesma ligação que eu embaraçado confessei a ela que havia reprovado a sexta série, antes que as filas do Martinus me delatassem*.

Depois que ela falou do aniversário dela eu não esqueci mais a data. Tanto que lembro até hoje. Beleza. Então quando a data se aproximava , eu resolvi fazer uma surpresa. O aniversário , óbvio , foi depois dela ter me perdoado e a gente voltar a ter nossa "amizade telefônica". Eu um dia, fui nas lojas americanas e procurei um cartão de aniversário e comprei um par de brincos. Porque brinco não é que nem roupa, que se não servir, tem que trocar. Brinco sempre serve. No máximo o que pode acontecer é a menina não gostar. Sempre que tenho que dar presente pra amigas dou brinco. Viu, ler isso aqui é cultura, agora vc já sabe como presentear as suas amigas . Ta, deixando o besteirol de lado, e voltando ao que dizia : comprei um par de brincos e o duro foi na hora de escrever a mensagem do cartão. Eu escrevi a mensagem tentando fazer a melhor letra possível (minha letra é um horror) daí perguntei pro meu pai se tava bom. Meu pai não deixou eu colocar o cartão dentro do envelope sem antes acrescentar "do seu amigo que muito te admira, Ricardo"

Eu disse :
"mas pai... assim eu vou me expôr muito..."
daí ele disse :
"Ta na hora de sair de cima do muro"
e eu acrescentei a frase a assinatura

O dia seguinte era o aniversário dela e eu tava muito nervoso. Vi a hora que ela chegou no colégio, mas ela não olhou no meu rosto então não tive a coragem necessária de entregar o cartão. Na sala de aula eu tava sentando em dupla com o Gustavo, um menino que apesar de 14 anos , aparentava 10 , e era baixinho e não tinha voz de "mocinho" como a maioria dos garotos da minha sala. Mas porém , ele foi o único que teve a moral de me acompanhar até o pátio do colégio na hora do recreio pra me dar um apoio moral enquanto que presenteava a Sabine .

Nossa, eu acho que tremi bastante aquela hora , porque sempre que tem assunto que envolve alguma mulher que eu gosto acabo ficando muito nervoso, eu chamei ela , daí ela atendeu prontamente, e acho que até ficou surpresa de ver que era eu, quem nunca falava com ela no colégio que a estava chamando, daí eu disse pra ela que tinha um presente , e dei os parabéns, apertando a mão dela (nem me passou na cabeça dar um abraço pq eu tava muito nervoso) daí ela ficou vermelha, agradeceu e disse que não precisava. Eu também estava muito constrangido não sabia o que fazer e saí andando rápido pra uma outra direção . Daí quando tive coragem de voltar ao pátio do colégio , o Gustavo veio perguntar porque eu sai batido do lugar e que ela havia ido mostrar o presente pras amigas dela. Realmente eu voltei pro pátio e vi ela sentada com umas amigas , e lendo o cartão perto de uma coluna, mas fiquei com muita vergonha. Meus amigos diziam pra eu olhar pra trás porque ela e as amigas estavam olhando na direção em que eu estava. Nossa, eu fiquei ainda mais envergonhado e não tive coragem de as encarar.

Depois contei pra minha avó o que tinha acontecido, ela me deu os parabéns, por eu não ter amedrontado e voltado atrás, mas disse que eu perdi a chance de ter conversado com ela pessoalmente de uma vez por todas e quebrado aquele gelo.
Mas eu não aprendo né ? Fazer o que ...

Continuo no próxmo post.
E devo falar sobre as gêmeas nele.
até mais!

*eu já falei sobre as filas do Martinus em outro post.

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