Sábado, Outubro 21, 2006

 

[P#58] O FIM DE ANO (Parte Final)

|

Ano novo (minhas legendas estão cada vez mais imbecis)

Tinha que escrever mais um post sobre 1996 , porque sinto , que se eu não fizesse isso, não ia estar completo e eu tampouco estaria sendo sincero com as memórias que eu tenho dessa fase feliz.

Eu não lembro se comentei no post anterior que o irmão do Andrey, conseguiu, consertar os problemas do Drive do MSX , e, graças a isso, a gente manteve a troca. E essa troca iria mudar minha vida. De programador eu me tornaria um guitarrista. Eu ia penar pra conseguir tocar guitarra direito, mas no final, eu conseguiria.

O irmão do Andrey também jogou , alguns dos programas que eu havia criado naquele disquete. Um deles eu tinha criado para dois jogadores, era sobre como administrar uma empresa, no final um dos dois jogadores, que tivesse o melhor desempenho , ganhava . Era simplório , mas de certa forma interessante. Depois, como nunca mais usei o msx pra nada pois não o tinha mais, acabei esquecendo tudo . Não sei programar uma linha hoje em dia através dos emuladores que eu tenho. Se eu crio um disquete virtual e salvo o programa lá ele com certeza não tem o nível de desenvolvimento que teria se eu tivesse continuado. Porém o MSX já era um computador fora de moda. Ser um profissional de Basic nos anos 90 não ia me adiantar de nada. Nos 80, até poderia ser útil. Mas nos 90 , aos poucos os PC´s foram dominando os lares e residência e se tornando um padrão oficial. O que não quer dizer que isso seja bom e nem tampouco maravilhoso. Eu lembro, até, que o primeiro emulador que eu vi rodando de msx , foi num 486 em 1995 na casa de um amigo. E eu ficava impressionado como ele conseguia fazer aquilo. Aquela época eu desconhecia o conceito de emulação.

Antes, contudo, do fim do ano,o Fábio, e sua família se mudaram pra longe , eu nunca mais os vi. Foi uma pena pois ele tinha se tornado um bom amigo , e , seria o substituto perfeito, para vir em casa e brincar comigo uma vez que entre Diego e eu a relação havia estremecido.A mãe dele brigava demais com o pai dele. Não que eu esteja argumentando aqui que algum deles tinha razão porque eu desconhecia o teor das discussões deles. Mas era de um nível que nós, vizinhos, conseguíamos escutar os palavrões e os objetos quebrando de onde nós estivéssemos. No entanto, para minha sorte, o Andrey surgiu novamente em minha vida e nossa amizade a partir daí daria um salto qualitativo , que, mostra hoje talvez, o porque de sermos tão bons amigos. Aliás a maioria das pessoas que eu conheço do Bracatinga são muito boa gente, como o Dinarte por ex, a própria namorada do Andrey, a Silvana, o Caio, a Ana, e mais pessoas que agora não vou conseguir lembrar. Todos sempre me trataram muito bem . Ahh lembrei. Tem o pessoal da banda Exerese tb. O "Galo", cujo nome me fugiu, só lembrei do apelido , o Emmerson, enfim a galera do bem.

Bom. Foi assim se não me engano : o Andrey me passou a guitarra dele 2 dias antes do fim do ano, e eu passei meu computador a ele com os componentes no dia primeiro de Janeiro de 1997. Aff, eu não tocava nada , e ficava enchendo o saco da galera tentando tocar, perguntava pro Andrey, se eram sete notas musicais porque a guitarra tinham seis cordas apenas, eu era muito leigo e , nossa, fazia um barulhão. Depois comprei os cabos pra guitarra e minha vó ficava com dor de cabeça porque era muito alto. Haihaihaiaha. Eu era um desastre na guitarra. Ninguém merecia. Mas com o tempo (muito tempo depois) eu fui me tornando um guitarrista mais decente. Mas até hoje encaro a afinação do instrumento como uma encheção de saco . Hoje em dia eu sei afinar, aquela época achava tosco porque eu não sabia como fazê-lo.

Pro meu pai, eu tava em dúvida se pedia uma guitarra ou um videogame. Isso antes de eu ter feito a troca com o Andrey. Mas, meu pai disse que com o videogame eu tinha maiores chances de me divertir. Mas , eu não sabia ainda se ia ganhar o Saturn, por causa da situação financeira do meu pai, ou, se ia ganhar o Ultimate Mortal Kombat 3, para Mega Drive. No final ganhei o Saturn. Mas logo no primeiro diga jogando tive uns maus presságios. Estava jogando e não sentia muita graça. A Sega havia errado. Não tinha lançado um jogo do Sonic para o Saturn. E quando lançou, foi um que frustrou as expectativas de nós, fãs da Sega. Depois eu teria outros jogos. Mas nenhum deles me viciava como o Mega Drive fazia antes. A excessão foi Street Fighter Alpha 2 , e Sega Rally, mas o resto... não cheguei a jogar muito. Meus avós reclamavam que eu tinha pedido um presente caro e depois não estava usando. Foi feia a situação.

Continuo no próximo post.

Sexta-feira, Outubro 20, 2006

 

[P#57] O FIM DE ANO

|

Árvore de Natal

Bom, acho que agora , finalmente , vou poder falar sobre o fim desse ano que teve um acontecimento importante. Como estou digitando na pressa e tenho menos de 40 minutos pra escrever esse post quando em geral eu tenho pelo menos uma hora e uns 10 minutos, talvez eu tenha que repartir esse post em duas partes. Não sei. Vai depender da minha narrativa.

Durante todo aquele ano, eu havia aperfeiçoado as minhas técnicas de programar em Basic, sempre auxiliado por livros , e pelo manual do MSX. Eu estava virando um verdadeiro expert naquilo. Aprendia , até certo ponto de forma auto-didata a programar no computador. Eu estava num nível alto. Salvava meus programas em disquetes de 5/4 que na época ainda se encontrava nas lojas de informática do país. Mas por não ser um computador moderno como o 486 da época, o drive não tinha entrada para disquetes de 3/1/2 por exemplo. Uma vez, eu me irritei com aquele computador por causa de um erro do leitor do drive, e, acabei colocando papel higiênico dentro do Drive. Daí parou de funcionar o leitor de disquetes. Pra que fui fazer aquilo ?

O Andrey sabia que eu tinha aquele computador em casa e vivia dizendo que ele gostaria de ter um computador. E , eu , indo na casa dele descobri que , não lembro se quando fui lá no ano anterior (esqueci de contar essa) de carona com o Marcelo e caí de bicicleta, se foi esse dia que eu vi a guitarra na casa dele , ou se foi em alguma visita , que fiz em 1996. O Andrey era empolgado com o assunto de guitarra. Vivia me falando em pedaleiras, multi-efeitos, guitarristas , ele tocava bem. Aquilo de certa forma foi me influenciando. Só não sabia que o tamanho da influência seria tal que , 6 anos depois estaria eu fazendo Música na UFPR.

Daí surgiu um interesse mútuo de fazer uma troca. Ele iria comprar uma guitarra nova porque a dele era muito velha. Ele compraria uma Fender Squier no final daquele ano. Então sugeriu que a gente fizesse uma troca, eu , trocaria com ele, o computador antigo e ele me trocaria a guitarra antiga. Foi uma troca mais ou menos justa se não fosse o detalhe do Drive que acabei não contando pro Andrey. Só que na hora da troca, isso , foi num dos últimos dias do ano, o Andrey ficou chateado pois ele esperava a capa da guitarra de volta. Porém, meu pai, ficou desgraçado da cara com aquilo porque eu tava dando o computador com os livros as fitas k7 (que também continham jogos, como os disquetes), o drive de 5/4, mais o manual e uma capa de por em cima do computador pra ele não pegar pó. Ele achou que o Andrey estava se "beneficiando", se ficasse com a capa e não deixou eu devolver a capa da guitarra pra ele. Aquilo , criou uma insatisfação com o Andrey e a gente ficou meio estremecido. Não lembro como foi que a situação voltou ao normal. Mas tipo, lembro-me de um dia que , estando lá, o Andrey tinha cortado o cabelo e ao notar esse detalhe ele foi seco comigo porque eu não tinha devolvido a capa da guitarra. O Dinarte, amigo nosso, que acho que ainda não citei, mas que estudava no Bento, e que , depois se tornaria também um grande amigo meu, estava entre a gente e cochichou comigo :

- Devolve a capa pra ele ...

Enfim, daí depois, no começo de 1997, porque eu havia com meu pai deixado o computador na casa dele no dia primeiro de Janeiro , ele ligou para casa reclamando que o Drive não tava funcionando e sugeriu a possibilidade da gente desfazer a troca. Confesso que quando ele disse aquilo no telefone eu fiquei um tanto triste porque tinha me apegado a guitarra , mesmo sem, saber tocar nada. Aliás , a primeira música que o Andrey me ensinou a tocar foi "Eye of the tiger", que , eu me embananei tanto com tantas dúvidas de como devia pressionar a corda que não cheguei a aprender direito , ele disse :

"Não sei o que há de errado com vc. Todo mundo aprende ..."

É que eu não tava entendendo o quanto eu devia pressionar as cordas. E como eu não tocava guitarra antes, eu achava que pressionar muito as cordas machucava os dedos. Depois, no futuro, eu perceberia que é normal até , guitarristas ter bolhas nos dedos, ainda mais quando estão começando no instrumento. Pior , que, antes de eu trocar a guitarra com ele eu cometi uma gafe horrível. Como ele sempre falava de pedais e pedaleiras, distorções e coisas ligadas ao mundo da guitarra, eu ao ver uma palheta em cima de um banco perguntei :

"Andrey. Isso aqui é um pedal ?"

Óbvio que ele percebeu que eu só tinha perguntado aquilo porque era leigo no assunto. Depois ele me explicou , que não. Que aquilo era uma palheta. Isso aconteceu nos últimos dias do ano. Eu já havia sido aprovado [e com louvor no Martinus] em todas as disciplinas sem ficar em recuperação em nenhuma. Aquilo me deixou muito satisfeito. Eu tinha provado que eu não era o bagunceiro que todos pensavam e nem o burro que ficaria ano após ano repetindo. É como eu li numa comunidade do orkut sobre o Martinus : "A gente comemorava as aprovações no Martinus como se tivesse passado no vestibular". Era verdade. Até porque vinha com as congratulações no boletim e tal. Realmente foi um evento ótimo pra mim e reergueu minha auto estima perdida no ano anterior.

Lembro-me que , nas primeiras aulas de fim de ano , em que ´já havia chegado o horário de Verão , Everton comemorou , comigo , quase saímos dançando pela sala porque o Horário de Verão para nós era maravilhoso. Aquele solzão batendo na janela e nós saindo de casa felizes , empolgados em voltar pra casa e ver Salsa e Merengue. Hiahiahiah. Óbvio que nem todos iriam voltar pra casa fazer isso, mas é um ex.

Continuo no próximo post.

 

[P#56] PROFESSORES

|

Alunas do Martinus, participando de atividades artísticas em festa promovida pelo colégio

Extendi o relato e as minhas memórias a respeito desse ano , escrevendo sobre esse tema porque através dele , ainda há coisas importantes que eu não havia contado antes. E não posso pular daqui para os relatos de fim desse ano sem antes fazer umas considerações importantes a respeito dos professores que lecionaram para nossa turma aquele ano.

Em primeiro lugar, vou citar a professora Dude de História. Era já uma senhora, quando deu aulas para nós , aquele ano. E se não me engano , depois daquele ano ela se aposentou. Ótima professora. Tinha uma seriedade incrível , porém, tinha também, uma didática excelente. Por causa dela , começei a considerar a disciplina de História importante para o meu desenvolvimento e não somente uma simples decoreba como eu havia encarado nos anos anteriores. Porém isso não impediu que algumas atitudes minhas a irritassem a ponto de quase me mandar pra fora de sala num episódio ocorrido em uma de suas aulas sobre o Império Romano.

Estavamos, eu e Juliano, conversando a aula toda enquanto a turma assistia em grande parte , a aula , quieta. No entanto , enquanto a professora explicava o conteúdo abordado naquela aula, nós pornografavamos e maliciávamos todos os pontos ... por ex, houve um momento na aula em que a professora disse "ao penetrar o território inimigo", e nossos comentários foram algo do tipo "hmm penetrar é ?", estavamos levando a aula toda para esse lado. O que a gente não sabia é que a professora estava escutando tudo o que a gente dizia. A gente sentava no fundão. Era o lugar que eu sentava no começo do ano.

Na aula seguinte, antes de começar a professora Dude deu uma esculachada na gente, pra gente acordar que tava ali na escola pra estudar e não pra ficar de bagunça, falando merda, e fazendo nossos colegas talvez ouvir o que nem quisessem ouvir. Ela primeiro repreendeu Juliano, dizendo que durante os anos que ele havia tido aula com ela , ele nunca , havia se comportado tão mal. Depois a bronca que eu levei foi pior porque ela disse, na frente de toda turma que não sabia que tipo de educação que eu estava acostumado ou que tipo de educação que eu havia recebido de casa, mas que no Martinus aquele tipo de comportamento não era permitido , e que a próxima vez que eu levasse a aula como uma brincadeira maliciosa, eu podia me retirar da sala e ela chamaria meus pais, além de óbvio, como o colégio tinha suas próprias leis de punição a alunos que se comportavam de forma indevida, levar uma anotação na carteira para o meu pai assinar. E aquilo era o terror dos alunos, pois os pais não pagavam uma mensalidade cara pra receberem da direção do colégio o aviso que o filho havia se comportado mal, ou que, não havia feito a tarefa. Eu , acho que nesse ano , levei umas duas anotações na agenda. Uma delas eu já citei, se deveu ao fato de assediar a Camille.

Outra professora , que com certeza, os alunos da minha geração se lembram : professora Cantorina. Também já era uma senhora naqueles idos, e essa sim era mais rígida, e, portanto causava mais medo nos alunos , porque ela dava mesmo bronca e não tinha papas na língua. Aluno que se comportava mal ia pra direção sem poder reclamar. Muitos consideravam ela chata. Mas na verdade, como professora de um colégio particular de caráter luterano , não podia amolecer com os alunos. Mas realmente nós tinhamos medo. Era muito fácil receber uma bronca dela . Uma vez, eu estava com medo da nota que ela ia dar para um mapa que eu havia feito. Eu tinha que ficar com a nota na média [a média do Martinus era 7,0]e achava que perigava tirar um 6,0 ou 5,0. Tinha que pintar o mapa e eu sempre achei que aquela atividade de pintar mapas era um verdadeiro chute no cu. Ela me disse :
- E olha que vc não merece , mocinho!

Ganhei 8,0
Fiquei tão aliviado que dei um beijo [no rosto da] na professora. Não sei porque fiz isso. Ela não me repreendeu por aquilo, mas foi um gesto totalmente inpensado e inesperado. Acho que foi felicidade extrema. Eu não sei.

Minha professora de Matemática [que era a mais moça, dentre as que citei até agora] era excelente. Com ela só tirava 8,0 e 9,0. E a Matemática que parecia assustadora no ano anterior no Bento com ela parecia fácil e muito compreensível. Foi um passeio. Adorava aquela professora. Lamentei quando ela deixou o Martinus e veio um professor pior para substituí-la. As meninas achavam aquele professor muito "gostoso" e "gato", mesmo que não falassem isso na minha frente eu sei que elas achavam que ele arrebentava a boca do balão. Mas eu , sinceramente, aprendi muito, mas muito mais com a professora que lecionava antes dele.

Tinha aula de Ed. Cristã tb. Mas não lembro muito . Já era uma senhora em idade avançada . Não lembro muito das aulas dela, mas também não tive nenhum trauma em assistir suas aulas.

A professora de Português era mais jovem que as professoras de História e de Geografia. Tingia o cabelo de laranja. Tinha os cabelos compridos mas era um tanto obesa. Não lembro , mas deve ter sido uma boa professora no geral. Sem traumas com ela também.

A professora de inglês... bem essa, não sei o que dizer. Era uma boa professora. No começo do ano ela foi de carteira em carteira falar com cada aluno para que depois nos apresentassemos uns aos outros . Ela me perguntou se eu gostava (por coincidência) de Mortal Kombat. Eu disse que jogava , sim. Daí, ao me apresentar pros outros alunos , ela disse que eu era como todos ali: "ele me disse que ADORA Mortal Kombat e esses jogos aí". Era uma boa professora. Usava óculos. Devia ter uns 40 anos. Mas o que eu notei, nem tanto naquele ano, mas nos anos seguintes, 97, 98, que ela tinha uma bunda bem avantajada.

Da professora de Ciências eu não lembro. Me deu um branco agora . Mas é um branco eterno. Acho que não teve nenhum momento tão marcante que ela deu aula que ficou na minha memória a ponto de eu lembrar numa narrativa 10 anos depois .

Havia a professora de Artes . Era legal também .
Só me dei mal uma vez, quando , tive que interpretar uma peça em grupo, e eu ficava com vergonha daquilo e fiz uma atuação fria. Desde os 13 anos eu percebi que não servia pro Teatro. Mas pra Música sim. Ela conversava. Eu não sabia. Mas lembrando hoje em dia , acho que, ela era bem gostosa. Hiahiahaihai, que merda pra se postar aqui, mas era ué ? Vou fazer o que , fingir que não ? Mas óbvio que eu ainda era muito novo, e como ela não usava nenhuma roupa que demonstrasse sua gostosura , digamos assim, isso não me despertou na época. Só a Camille por que era uma coisa muito evidente. Meu, com 12 anos nunca vi ninguém com peitos (mesmo cobertos) mais lindos e grandes do que aqueles.

A professora de Educação Física era uma loira.
No início do ano me dava bem com ela. Eu era um bom aluno. Depois rolou aquele estresse da bunda da Camille, e, mais um outro quando ela tava projetando um filme numa sala e eu tava conversando com um amigo ai ela afirmou que eu "não era mais o aluno que era no começo do ano. O que está acontecendo com vc ?" - constrangimento pra mim. Bom acho que falei de todos os professores , só não lembrei quem é que lecionava Ciências pra mim , porque Ciências, naquela época , só era desmembrada em Física, Química e Biologia a partir do segundo grau.

Ahh sim. Havia o Laboratório de Informática. Mas não era uma aula específica de Informática. Ele podia ser usado por nós alunos em qualquer aula que precisasse ser usado. Tanto de Ciências, como de Português , ou Matemáticas pra criar tabelas e gráficos no Excel, etc, etc. Uma coisa que eu nunca vou esquecer, que foi graças a isso que eu tive o primeiro acesso a Internet da minha vida. Po! Isso é muito importante. Faz dez anos que eu conheço a Internet . Na época eu não tinha nem e-mail e os buscadores mais importantes eram o "Cadê", o "Yahoo" e o "Alta Vista". Ainda não havia surgido o fenomêno "Google", o qual, a maioria das pessoas recorre hoje em dia ao pesquisar algo. Nem havia Orkut, pra estragar relacionamentos. Enfim, reclamarei do Orkut mais pra frente, quando for a hora de fazê-lo.

Acho que pra finalizar esse post , eu posso dizer, que não lembro, como foi a situação, mas acho que, empolgado com o que Doug falava da Larissa, e estando nós num trio formado por Hilmar, Douglas e eu, eu acabei contando o fatídico episódio das gêmeas e a vergonha que aquilo era pra mim. Porque eu era um garoto mais velho gostando de meninas que mal tinham largado as fraldas. Mais tarde esse relato me complicaria a vida.

Continuo no próximo post.

Quinta-feira, Outubro 19, 2006

 

[P#55] AMOR, AMIGOS, FAMÍLIA, MÚSICA E CULTURA (Parte IV)

|

Parque Tanguá, inaugurado em Novembro de 1996

A partir daí, nossa amizade ficou configurada do seguinte modo : eu sempre ligava pra ela uma vez por mês , ou com uma frequência maior até, pra saber as novidades, como ela estava. Eu ficava ansioso pra ligar e conversar com ela. Nem sempre foram conversas boas ou produtivas. Assim como houve ligações que foram maravilhosas. Enfim. 1996 foi um ano ótimo. Eu não descobriria nada , ainda , de tão ruim que me deixasse triste com relação a esse assunto. Só uma vez, talvez naquele ano, que, eu liguei pra casa dela , e não deixaram eu falar com ela, que eu achei que ela não quis me atender. Daí fui pra cozinha, meu pai perguntou porque eu chorava, e eu contei. Daí meu pai falou que eu era muito novo pra ficar me preocupando com mulher. Que ele só foi se preocupar com isso quando tinha uns 16 anos. Mas eu era diferente. Toda minha vida foi marcada, desde a infância por essas nuances com as mulheres. Embora , de concreto mesmo, pouca coisa tenha acontecido de lá até hoje . :(

Às vezes eu via ela na biblioteca do colégio fazendo um trabalho no período da tarde (que era o período qual eu estudava), mas não tinha coragem de ir falar com ela pra deixar o papo em dia. Houve porém dessas vezes, uma, em que eu praticava Educação Física e chutava uma bola de handeball contra a parede pois, estava esperando minha vez na fila, de praticar o exercício proposto.

A bola voltava pra mim . Daí percebi que o pé de alguém parou em cima da bola, quando esta devia se encontrar com a parede. E a bola voltou depois pra mim. Eu olhava pro chão pois acompanhava o movimento da bola. Ao olhar pra frente , vejo ela. Ela me cumprimentou . E eu fiquei o dia inteiro lembrando daquilo ... É ... sem comentários.

Era foda , eu procurava, quando percebia que ela estava por perto , não ser visto com nenhum colega, pois queria passar aquela imagem de seriedade pra ela. Ela também não sabia que eu havia reprovado a sexta série. Então eu fazia de tudo, pra que ela não descobrisse isso e me achasse um burro, e também fazia de tudo para que ela não percebesse que o pessoal da minha turma me achava maluco. Ela não podia saber que eu ficava cantarolando letras retardadas . Eu procurava passar a imagem do cara maduro pra ela. Mas, quando ela passava eu voltava a ser normal. Fazia as palhaçadas de sempre , mas perante ela minha imagem tinha que ser a melhor possível.

Como havia dito nos posts a respeito de 1995, em 1996 a literatura de Marcos Rey continuava a me influenciar e eu peguei emprestado mais alguns livros dele na Biblioteca do Martinus. Eu gostava de ler. Peguei o Mistério do Cinco Estrelas, e outras histórias que me inspiraram a escrever outras naquele ano , na mesma linha de "NÃO OUTRA VEZ". Uma delas , "Assassinatos na Praça" eu , numa briga que tive com meu pai por um outro motivo que não tinha nada a ver, acabei rasgando. Isso rasguei a história depois de ter terminado de escreve-la. Isso um ano depois de eu ter concluído ela. A outra eu dei pra Michelle, que tinha gostado da história. O nome da outra história era "O motoqueiro assassino".

Nos quadrinhos eu continuei influenciado pela literatura de A ESPADA SELVAGEM DE CONAN . Me influenciou de tal modo , que eu não queria mais escrever HQs completas como eu escrevia antes. Quis escrever ela em capítulos. Então diminuiu consideravelmente o número de folhas sulfite que eu usava e tinha que grampear para umas 10, 15. Pois assim a história só continuaria no episódio seguinte , e manteria , nos leitores que eu tinha, aquela curiosidade de saber como a história terminaria.

Na escola , meu leitor era o José Roberto. Que depois me mandou inúmeros bilhetinhos
querendo que eu vendesse meu Mega Drive pra ele. Mas eu não queria. O Mega Drive era minha alegria, embora , aquele fosse o último ano que eu ficaria com o aparelho. Porque eu queria, se meu pai tivesse condições, ganhar o Saturn. Que era, junto com o Playstation a geração seguinte dos videogames . A geração 32 bits. E como a SEGA era tudo na minha vida, eu acabei optando pelo Saturn ao invés de escolher o Playstation. Embora, naquele mesmo ano houvesse uma locadora de videogames na quadra do Martinus e havia para jogar Playstation e Saturn. O cara que cuidava da locadora , havia recomendado que eu comprasse o Playstation pois segundo ele havia mais título. Mas naquela época era DEUS no céu e a SEGA também ;)

Não lembro quem mais leu as minhas HQ´s fora José Roberto.
Mas ele gostava e achava minhas histórias boas e criativas. Foi o ano que eu criei o personagem Marcondes. Marcondes era, o meu irmão, nas HQ´s . Foi uma invenção fantasiosa , já que eu não tenho irmão. Mas os nomes dos personagens das minhas HQ´s , levavam os nomes do meu pai, o meu e o do Marcondes. Ele apreciava aquelas histórias e lia até mesmo na sala de aula.

Aquele ano , além das eleições para prefeito de Curitiba, foi o ano , que houve as Olímpiadas de Atlanta. Nunca vou esquecer a semi-final que o Brasil ganhava da seleção da Nigéria, e o Roberto Carlos teve o dom de , numa bicicleta, marcar gol contra, pois quis , tirar a bola pra escanteio. O gol foi bem bonito. Pena que foi contra. Depois, se não me engano a Nigéria enfrentou a Argentina e se consagrou vencedora no futebol das Olímpiadas.

Falando em futebol , houve ainda um episódio horroroso, em que a professora de Educação Física , organizou um campeonato de futebol entre os times que ela formava com os alunos de diferentes séries do colégio , da quinta a oitava. Eu entrei num time , com Hilmar e Douglas, cuja confecção das camisas , se eu não me engano, havia sido feita pela mãe do primeiro. E eu vestiria uma delas . Seria Sábado a primeira partida. Sábado de manhã. Eu havia avisado que , me acordassem mais cedo no Sábado porque eu tinha uma partida a jogar . A primeira do campeonato. E acho que foi a última também. O nome do meu time era Lobos Azuis. [Por causa da cor do uniforme]. Quando estava no intervalo para o segundo tempo, meu avô chegou lá bufando , porque eu tinha que voltar pra casa. Que minha avó não era besta e sei lá o que . Fiquei sabendo que com meu desfalque o time perdeu por 6 a 2. Mas eu sei , que do jeito que eu jogava, mesmo se eu tivesse presente o time acabaria perdendo. A mágoa ficou por conta de ter sido castrado assim do nada. Eram 11 da manhã, quando tive que deixar o campo de futsal. Como minhas atitudes não tinham muito a ver, eu chorei, de raiva e discuti com a minha avó. Terminei rasgando uma revista Carícia que tinha comprado uns dias antes, pq eu tinha curiosidade de saber algumas coisas sobre o pensamento feminino.

Continuo no próximo post.

Quarta-feira, Outubro 18, 2006

 

[P#54] AMOR, AMIGOS, FAMÍLIA, MÚSICA E CULTURA (Parte III)

|

Foi em laboratórios do Martinus , como esse acima, que eu descobri o que significava , de verdade a Internet - 1996

Aproveitei e saí na rua tão otimista e empolgado que quase saí correndo pela rua gritando minha felicidade. Mas consegui me conter. Comprei uma Supergamepower [revista de videogame da época, acho que até hoje é vendida nas bancas], passei no shopping Müeller que fica na mesma rua do prédio que morei , e, vendo aquele bilhete, como não tinha mais nada o que fazer, peguei o ônibus de volta pra casa, mas parei na altura da Cruz do Pilarzinho . De lá eu fui a pé até o lugar onde estava no endereço. E descobri onde ela morava . A casa era bem grande ... eu fiquei realmente radiante com aquela notícia. Minha vida parecia que ganhava mais sentido , e eu me sentia de certa forma, não sei porque, vingado daquelas gêmeas, na verdade vingado da Valéria, provavelmente pelo fato de outra pessoa dominar os meus pensamentos quase que 24 horas por dia. E a partir daí eu consideraria todas , o resto, "lixo". Porque ninguém se comparava a "minha Sabine". Óbvio que nunca declarei isso publicamente, fazia parte apenas da minha fantasia e ideário romântico.
Quando alguma menina me desagradava, após aquele dia eu não me incomodava, pois tinha uma, essa sim, que valia a pena ser lembrada todos os dias. Eu caí de um cavalo tão alto que vcs não imaginam. Não ainda nessa época que eu estava embrigado pelas minhas fantasias amorosas em relação à minha antiga amiga. Mas foi feio o tombo. Como contarei nos posts que se seguirão.

Não lembro se foi no mesmo dia , mas teve um dia , naquelas férias que eu liguei para o número fornecido por Tassiana no papel. O número conferia. Então , eu subentendi a partir daí que ela havia me dado o endereço certo também. Eu tremia de emoção [ser retardado não é pra qualquer um] esperando alguém dizer "alô" do outro lado. Atenderam. Mas para minha frustração não era Sabine. Era alguém da família dela, que havia dito que ela estava numa colônia de férias só voltaria no mês seguinte (quando as férias terminassem). Eu não me importava. Agora tava garantido. Eu tinha o número dela e sabia onde ela morava.

Agora as histórias com Andrey e Sabine começam a se cruzar porque foi quase na mesma época do ano , que o Andrey havia ligado pra casa e a gente retomou nossa amizade , que começou na verdade nos pátios do Bento. Então , como havia dito antes , no primeiro encontro aqui em casa , Andrey ficou sabendo que eu havia reprovado no Bento. Não tive como esconder isso dele. Mas no final foi melhor assim. Daí era uma pessoa a menos que eu ficava com a consciência pesada de estar mentindo. No entanto depois daquela vez que ele veio em casa, eu fui na dele também. Eu nem sabia onde era, mas ele me deu o endereço de tal forma que me explicou que eu devia parar com o Bracatinga no ponto final. E havia sido marcado no outro fim de semana pra ele vir em casa novamente. E foi no meio da semana que eu tava descobrindo essas coisas sobre o paradeiro da Sabine.

Chegado o dia , que era pra ele vir em casa, logo de manhã , meu avô me acordou parar eu ir com ele não lembro onde fazer não sei o quê. Só lembro que a gente tinha ido de carro. E , eu tinha deixado um recado pra minha avó. E começou ai um repertório de mentiras sobre Sabine , que, o Andrey só descobriria no final de 1997. Pedi pra minha vó dizer pro Andrey que eu tinha ido na casa da minha namorada e que lá ia passar a tarde. Na verdade tinha mudado um pouco o plano. É que eu iria a tarde na frente da casa da Sabine na esperança de ver se aparecia alguém lá . Eu fiquei uma duas horas sentado na frente da casa dela , e, ninguém apareceu. Tinha só um pastor alemão que latia. Quando ia voltando pra casa (a pé) já estava a anoitecer e o sol se punha , era um dia de calor , apesar de ser Julho.

Pelo que eu sofreria no futuro , perder aquela tarde fazendo aquilo era um desperdício. Mas eu ainda não sabia. Num domingo, finalmente, criei coragem para ligar para a casa dela. Ela atendeu e a primeira coisa que eu estranhei foi o timbre de voz dela . Tava diferente. A gente conversou sobre algumas coisas, e ela me contou que a Tassiana havia contado a ela que eu havia estado lá, e que havia me visto na festa Junina, porém eu passei por ela correndo. A gente conversou sobre alguns professores que a gente não gostava, e, chegamos a unanimidade que achavamos a Cantorina mais chata. Conversamos sobre música e mais um monte de assunto que não tenho capacidade pra lembrar agora. Ahh no futuro eu iria me sentir um babaca. Mas tudo bem. A vida é assim.

Houve um dia porém, que eu cruzei pela primeira vez com ela depois daquele hiato de 4 anos sem vê-la [92,93,94,95], meeu eu não lembro o que foi , mas eu percebi que era ela. Havia tocado o sinal para subir para o recreio, eu estava caminhando em direção ao banheiro masculino, próximo havia o banheiro feminino e tinha uns murais no meio do caminho. Era lá também naquela área coberta onde o pipoqueiro faturava. Do outro lado daqueles grandes panéis de madeira havia a cantina mas , havia também uma brexa entre eles , suficiente para enxergar as pessoas que estavam passando do outro lado. Eu tomei um susto, pois foi entre a brexa que eu vi uma garota que a princípio os cabelos me pareceram num tom meio alaranjado, andando com uma amiga. Eu voltei o rosto pra frente e segui alguns passos com aquela imagem pulsando na memória. Graças a minha deficiência cronológica eu me toquei e me veio um pensamento de "Eu conheço esse rosto!", olhei pra trás a amiga dela e ela tinham atravessado a brexa e estavam no mesmo lado que eu. Boquiaberto, eu tinha que ter certeza do que havia visto ela e que aquilo tava acontecendo mesmo.

Eu encarei ela e perguntei, num tom , que deve ter assustado a amiga dela pois eu estava um tanto atônito:

- Quem é você ???
Ela disse aquilo que eu esperava ouvir:
- Eu sou a S-A-B-I-N-E.

Meu , eu fiquei bobo. Perdi a ação. Não sabia o que fazer , foi, mais ou menos o que aconteceu quando eu vi a Pitty pela primeira vez em carne e osso, e ela espantada com a forma que eu a estava encarando (no caso to falando da Pitty agora) parecia perguntar com o olhar : "porque está me olhando com essa cara de quem nunca me viu? Eu sou real!". Foi quase assim. Eu tava confuso e atordoado, não sabia se cumprimentava, se falava alguma coisa, acabei cumprimentando e dizendo o seguinte:

- Eu sou o Ricardo... lembra de mim ????
- Ah sim ... eu vim aqui hoje fazer um trabalho , com a minha amiga, deixa eu te apresentar ela ...

No momento que ela foi me apresentar a amiga dela ,
aconteceu algo que eu não entendi. A amiga dela saiu correndo, deu uma volta em círculo e entrou no banheiro feminino. Deu um desespero qualquer na menina que eu não me flagrei o que foi. Ainda fiquei conversando com ela, a essa altura ela encostada na porta do banheiro, esperando a amiga voltar provavelmente, ela me disse:

- Bom te rever aqui...
- Eu também gostei de te ver... - disse eu um tanto sem graça pela surpresa das circunstâncias que haviam nos deixado frente a frente. Sem ter mais o que dizer , me despedi e subi ...
Ela sorriu pra mim e disse :
- Tchau...

Eu achei que aquele era um momento importantíssimo na minha vida. Eu cheguei na sala de aula, meio atordoado, uma sensação parecida com a sensação que eu tive quando levei um fora das gêmeas... eu sentei na cadeira... minhas pernas tremiam... eu não consegui me concentrar em nada que a Cantorina [professora de Geografia] tava passando no quadro. Ficava relembrando aquele momento, e o eternizando na minha mente.

Eu não parava de tremer. Era a primeira vez que eu revia a minha saudosa amiga, desde 1991. Era muita emoção junta, medo, surpresa , nervosismo e sei lá mais o quê.

Continuo no próximo post, ainda sobre esse assunto

 

[P#53] AMOR , AMIGOS, FAMÍLIA, MÚSICA E CULTURA (Parte II)

|

Memorial de Curitiba ; inaugurado dia 15 de agosto de 1996 ; espaço voltado para o folclore , a informação, o passado e futuro, além de expor algumas peças artísticas , um patrimônio de Curitiba, um painel grandioso sobre a Cultura Paranaense

Ainda sobre os primórdios da "Gosma Metálica", que com certeza ,eu só tomaria consciência de batizar dessa forma no ano seguinte, havia uma canção, que de todos era a menos tola, e a letra dizia coisas relevantes. Com melodia influenciada pela música do filme-animado Toy Story, a letra dessa música dizia o seguinte:

DIFÍCIL BARRA

Sabe, quando tudo vai contra a sua vontade ?
Quando tudo começa a cair sobre sua cabeça ?

Você olha para frente , e bate contra a árvore
Você anda e pisa na lama ,
Você cai de boca no asfalto,

Sabe, sabe ?
Compreende como é difícil essa barra ?
Sabe, sabe ?
Você não tem nada a declarar ,
como os seus pais te pressionam,

Compreender é difícil,
compreende, compreende ?

São coisas assim ...
que vc tem que evitar ... mas a culpa não é sua
se acontecer...


A música fala de um cara que é oprimido pelas dores da vida . Mesmo eu , ainda nessa época não sofrer nenhum tipo de opressão, mas ficar amargurado com algumas coisas que me aconteciam. Algumas coisas tolas como por ex. o fracasso com as gêmeas. Mas em nenhum momento elas foram inspiração pra essa música. A inspiração foi mesmo da música do Toy Story. Até a melodia tinha algo que lembrava a música do filme.

Aquele ano , importantes mudanças econômicas estavam acontecendo.
Meu pai comprou uma nova televisão , e , me deu a antiga, de 14 polegadas (que eu não lembro se cheguei a comentar , mas havia queimado uns 2 anos antes jogando Street Fighter , e depois , pra não levar bronca eu fingi estar dormindo. Porque meu pai chegou mais tarde do trabalho naquele dia . Nem contei nada pra ninguém pra não ouvir nenhum tipo de sermão. Meu pai me "acordou" e perguntou se eu sabia porque a tv tinha queimado, eu respondi que não sabia não), e eu fiquei com a tv dele antiga. Isso foi bom, porque liberou o quarto do meu pai. Agora eu jogaria quando quisesse na sala. E como eu era viciado em videogame, eu jogava todo o dia. Também tinha a questão de que eu estava num nível alto de programação no msx , e ganhei mais liberdade [e ele também para ver os filmes , ou o que lhe conviesse] para programar , mexer e aprender novas técnicas de programação em Basic, de criação de sprites e de outras coisas interessantes. A tv do quarto dele passou a abrigar um televisor de 20 polegadas. Mais tarde , ele trocou o videocassete dele por um mais novo. E eu herdei o videocassete antigo . Assim , muitas mudanças importantes estavam ocorrendo aquele ano, além da minha mudança de colégio. 1996 foi também um ano bissexto, é válido lembrar. Fiquei muito feliz com tudo aquilo que estava ocorrendo, e acima de tudo, aprendi como mexer no videocassete que era do meu pai, lendo manuais, etc,etc. Foram mudanças de cunho importante.

Um dia de manhã , e naquela época eu não me irritava de ser acordado pra atender telefone, ligou um amigo meu do Bento. Era o Andrey. E sou obrigado a confessar, que foi graças a ele que a nossa amizade foi recuperada. Ele me ligou e perguntou o que eu estava fazendo da vida, e como eu estava . Eu contei que havia mudado de colégio e ele me contou que tinha agora um Mega Drive também. Óbvio que ter reprovado no Bento me envergonhava muito, mas como o Gilberto [eu soube depois] havia dito a eles que eu havia sido aprovado no Bento, eu mantive a mentira enquanto pude. Até porque aquela era uma época que eu mentia muito, tb.

Esse foi o primeiro reencontro importante na minha vida . Na verdade aquele ano parecia um ano de renascimento na minha vida. Tudo estava dando certo ; óbvio que , coisas ridículas como aquela tentativa de abordar as gêmeas não teriam como ter dado certo nunca. Mas no geral foi um ano maravilhoso, e nunca mais , creio eu , vou encontrar pessoas tão interessantes de diferentes lugares, fazendo contato comigo de forma direta.

Num Sábado, marcamos então, Andrey e eu, um encontro aqui na minha casa. Ele pedia para que , eu encontrasse com ele na Cruz do Pilarzinho, e só anos mais tarde ele me contaria a razão disso. E eu não vou contar qual é a razão aqui... aeeeee quis ser curioso e se deu mal!!!! Só vou expor a minha pessoa aqui. Não vou exceder falando nada além do que interessa sobre os outros. Mas no ano anterior ele tinha vindo aqui e batido no Portão. Sabia onde morava eu. No entanto, sem problemas fui lá encontrar com ele na Cruz do Pilarzinho , que afinal, não era tão longe assim de onde eu morava. Aliás era muito perto. Mas tinha que andar um pouco pra chegar lá .

Nossa, ele percebeu que eu tinha mudado. Que minha voz tinha mudado , e que eu estava diferente fisicamente. Eu também notei diferenças nele. Nós nos empolgamos conversando , sobre várias coisas, mas entre outras, ele tinha me dito que também tinha gostado do tema de novela. E eu , numa empolgação gigantesca , contei pra ele que tinha a música comigo numa fita e que havia uns momentos no final da música que ele quase gritava a pergunta filosófica : "Meu amor, o que você faria, se só te restasse um dia ?", mas... como eu era um mentiroso de plantão inventei que nessa hora dava para ouvir garrafas quebrando no fundo da gravação. Óbvio que era um exagero ridículo da minha parte. Mas a minha empolgação com a música era tanta que adicionei esses efeitos sonoros que nunca existiram na música.

Chegando aqui em casa , ele viu ,meus cadernos do Martinus. E foi aí que ele descobriu que eu havia mentido pra ele, e aí, não teve jeito eu tive que contar a verdade a ele. Contei que havia reprovado. Mas a tarde foi muito,muito produtiva, entre outras coisas , a gente jogou e matou as saudades dos velhos tempos. A partir daí nossa amizade havia sido retomada pra valer e ela iria seguindo numa evoloção constante até os dias de hoje . Muito embora, os dias de hoje tenha nos "afastado" por causa das circunstâncias, ele trabalha e faz faculdade, eu hoje em dia faço cursinho. Mas sempre que podemos marcamos um encontro. Essa amizade realmente rendeu. Eu posso dizer que o Andrey é o amigo que eu tenho há mais tempo. [Há 12 anos]. E talvez eu não soubesse na época , mas ele fez uma grande diferença, e ainda faz na minha vida. É um pilar importante. Com certeza , ele ajudou, muitas vezes na construção e formação do meu caráter. Até porque ele me conheceu nessa época que eu tava crescendo e eu também. Era a época que as experiências de nossa vida nos dariam lições , que talvez , não de forma direta, nos tornariam as pessoas que nós somos hoje. Cada lágrima , cada alegria, cada reflexão, cada dúvida, cada frustração, mesmo que fossem em momentos que não estavamos juntos, tinhamos a nós mesmos para nos socorrer , e isso é muito importante. Realmente a amizade do Andrey é uma das coisas, que me faz ter muitas lembranças boas de um período difícil. Eu não acho que a adolescência seja uma fase fácil não. Mas ter o Andrey como amigo, fez com que essa fase se tornasse menos pesada. E espero , de alguma forma, ter também dado alguma contribuição válida para ele.

Agora , o segundo reencontro do qual eu falava era daquele que havia sido frustrado no ano anterior quando eu descobri que a Sabine não morava mais no prédio da nossa feliz infância. Em Julho daquele ano , [minhas férias escolares], aproveitei e retornei aquele prédio onde, no ano anterior, dei de cara com as janelas do andar que ela morava , fechadas. Pedi ao porteiro que abrisse para mim o portão. Fui prontamente atendido. Lá estando , eu só me lembrava que o bloco onde a Tassiana morava era o primeiro . Mas não lembrava qual era o apartamento, o número, e etc, etc. Então, percebendo eu , certos barulhos , dirigi-me ao playground, onde reconheci um Gabriel maior, brincando , e outros garotos que eu nem fazia idéia de quem era. Devia ser uma nova geração de crianças no prédio. Perguntei a um garoto que estava mais próximo qual era o número do apartamento, e o garoto me informou.

Voltei , e toquei o interfone informando quem era.
Abriram a porta através do interfone. Subi . Era no terceiro andar.
A Tassiana me recebeu. Ela não havia mudado nada . Estava totalmente reconhecível. Se a visse na rua, saberia que era minha antiga amiga de infância, de quando eu tinha 8 anos de idade. As diferenças eram óbvio, apenas hormonais, né, como adolescente ela tinha as características que uma adolescente na idade dela apresentava. Eu lamento , de não ter tentado manter a amizade dela como eu fiz com Sabine, porque acho , que, teria tido uma grande amiga. Mas enfim. Os erros do meu passado não importam agora.
Ela atendeu a porta :

- Ricardo... Há quanto tempo!
- Oi Tassi ... - disse eu, um pouco constrangido.
- Como você cresceu ! - comentou a mãe dela, que arrumava um cobertor na sala.
- Obrigado - respondi eu.
- Ah... Tassi ... o motivo que me traz aqui... você podia me dar o endereço e o telefone da Sabine ?
- Ah sim, claro. Você tem papel e caneta aí ?
- Não - realmente eu pensava que tinha sido esperto, mas tinha sido burro. Não tinha trazido caneta nem papel para anotar o endereço.
- Mas porque você quer o endereço dela ? - questionou-me a mãe de Tassiana.
- Ah ... é só uma amiga minha ... - respondi eu um tanto corado.
A Tassiana foi anotar o endereço da Sabine e o número de telefone, e enquanto anotava me dava a informação que ela estava morando na Vista Alegre. Por aquela altura eu já sabia que era um lugar bem próximo de onde eu morava. Fiquei feliz [eu era retardado e não sabia]. E quando ela se voltou pra mim, nova surpresa , que me deixou contente:

- Em que série você está ?
- Na sétima - menti eu na cara dura, no entanto envergonhado por ter que fazer da mentira o modo de parecer que eu não era burro.
- De tarde ou de manhã ?
- De tarde ...
- Ah, é porque, a Sabine está estudando no Matinus agora... DE MANHÃ!

Nossa, por mais que eu não demonstrasse externamente , eu tinha ficado muito feliz com aquilo. Reencontraria de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde minha amiga de infância com a qual vivi momentos felizes e importantes. Mal sabia eu que estava completamente errado em querer remendar o passado com o presente. Mas eu teria que quebrar a cara pra crescer. Essa é uma das lições valiosas que a vida nos dá. Eu agradeci a Tassiana por tudo, e fui embora, achando que aquele era o dia mais feliz da minha vida . Oh, poor boy.

Continuo de onde parei no próximo post.

 

[P#52] AMOR, AMIGOS, FAMÍLIA, MÚSICA E CULTURA

|

Moska. A primeira influencia de música nacional na minha adolescência

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia?
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia?

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

Corria pr'um shopping center
Ou para uma academia?
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia?

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?

Abria a porta do hospício?
Trancava a da delegacia?
Dinamitava o meu carro?
Parava o tráfego e ria?

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria...

Paulinho Moska/Billy Brandão


Acho que os posts anteriores a esse já deram uma idéia do ambiente escolar em que eu
vivia embora eu não tenha falado dele na sua plenitude nem na sua totalidade , citando apenas alguns amigos que foram marcantes na minha vida nessa época. Mas a minha vida não era só colégio e confusões com gêmeas que eu nem conhecia, nem tão pouco apenas provas, aulas e nem assédios a colega Camille.

Nessa época , passava uma novela na rede Globo chamada "O Fim Do Mundo". Novela essa de autoria de Dias Gomes. Era , antes de tudo para ser uma minissérie para ir ao ar no horário das 22h30, no entanto, acabou sendo convertida para uma micro-telenovela das oito. A novela em si tratava do tema do apocalipse. Joãozinho da Dagmar, profeta polígamo, prevê o fim do mundo para breve . E paralelas a outras histórias de outros personagens como Tião Socó (vivido por José Wilker), a cidade enlouquece a testemunha r estranhos fenômenos que atestam a veracidade do fato. No último capítulo , através de efeitos especiais manipulados por computadores, o mundo acabava sob forte chuva de meteoros.

Essa foi a menor telenovela da Globo, tendo duração de 35 capítulos e substituiu "Explode Coração" que era a novela das oito anteriormente. A introdução também mostrava o uso de efeitos especiais com os recursos tecnológicos da época, onde pessoas fugiam de maremotos , furacões, explosões e meteoros que cortavam o céu e a música título era essa cuja letra postei acima. Hoje em dia procurando no site You Tube, pode se encontrar facilmente a abertura da novela para assistir.

Essa foi a música da qual, eu demorei pra me tocar que havia adorado e por isso torturava meus colegas de classe cantando ela o tempo todo . A ponto de pedirem até para eu parar . Assim como eu gostava da música , muita gente na classe não gostava. Havia na época uma locadora de CD´s e eu pedi pro meu pai locar o cd da trilha da novela. Ele gravou pra mim a música no entanto sem a introdução. Só a partir do momento do canto. E que surpresa a minha descobrir que a letra da música era bem mais rica do que aquele trecho que a introdução da novela mostrava . Que música . Que música. A música me influenciou tanto que eu cheguei a ponto de pesquisar quem era o autor da música e no fim do ano, minha mãe acabou comprando pra mim o cd do Paulinho Moska, cuja capa está postada na ilustração acima .

Eu ouvia até então Dire Straits, e tinha essa banda como maior influência. Como era uma época que havia ainda uma vitrola aqui em casa eu ouvia diversos vinis antigos, menos os da Xuxa , que eu já tinha passado da idade de ficar escutando Xuxa. Mas tinha uns discos antigos da Simone e do Julio Iglesias aqui em casa que eu ouvia em casa sem muito compromisso uma vez que eles não haviam me impressionado tanto quanto o som do Dire Straits e quanto o tom filosófico das questões das músicas do Moska. Que na época, atendia por Paulinho Moska . E foi assim até , em 2001 , quando ele lançou o disco Eu falso da minha vida o que eu quiser .

O primeiro disco que eu comprei foi justamente o da trilha sonora dessa novela. Na verdade eu não estava nem aí pras outras músicas , mas o tema do fim do mundo cantado pelo Moska me encantava. Antes de eu ter o cd, eu tinha uma fita cassete em que eu havia pedido (como citei acima) ao meu pai, para que gravasse a música para mim. Ele gravou ... eu viciei tanto que sempre ouvia a música todo o santo dia antes do almoço, umas quatro, cinco vezes por dia ... fora quando eu ouvia a noite também , em volume alto, e , empolgado cantava junto. A princípio isso pode parecer ridículo, mas ter cantado junto me ajudou a desenvolver uma maneira de cantar , que, foi , por mais que eu me tornasse guitarrista no futuro , a minha experiência pra aprender a cantar afinado . Quem me ouve cantar hoje gosta. Eu nunca fiz aula de canto e só canto o que da pro galho e que fique no tom da música . Mas enfim, voltando , eu ouvi tanto aquela fita (isso antes de eu comprar o cd), mas tanto, que ela acabou gastando e tocava num andamento mais rápido que o normal. Não tão mais rápido que parecesse aquelas gravações com o triplo da velocidade , mas um tanto que eu percebi que não era o andamento normal da música. Fora que o repertório da fita era uma salada mista sem tamanho. Onde já se viu numa fita onde havia o Último Dia, ter tbm Macarena e música da Simone ? Há então como entender a frustração da Fabiane com aquela descrição mentirosa que aquela era uma fita onde estavam gravadas músicas de "rock".

Eu havia ganhado aquele ano, se não me engano, um teclado de Dia das Crianças. Mas era um teclado de brinquedo e não um real. E como eu estava descobrindo umas técnicas amadoras de overdub, tipo duplicar minha voz usando dois tapes ligados no som da sala , eu começei com esse teclado a por em prática minhas idéias de fazer uma gravação de algo que eu chamei de 'Gosma Metálica' , que era minha banda imaginária uma vez que a Gosma Metálica sempre fui eu tocando teclado (de brinquedo no início) e cantando letras retardadas , que não tinham o menor nexo, apesar de , ter me empenhado nessa perda de tempo e até escrito algumas letras , que em 1997 tornaria o "projeto" maior, e eu comporia diversas "canções" se é que tem como chamar de canção umas músicas que não tinham nem base , eram todas tocadas na maior porra-louquice , sem ter uma noção sequer de acordes, partitura, harmonia , a única noção que eu tinha de cabeça era a noção de melodia. Mas eram melodias que eram cantadas sem nenhum apoio harmônico real. Era quase, mal comparando , uma obra "dadaísta". Era uma música totalmente sem sentido, que, para completar sua falta de nexo , apenas uma letra que tivesse menos sentido ainda . E assim era. A princípio no teclado de brinquedo. No futuro seria no teclado Cássio que eu ganharia da minha mãe no Natal.

Depois eu gravava aquelas pseudo-músicas no som da sala . A princípio não mostrei aquelas "canções" pra ninguém . Mas depois no ano seguinte , eu tornaria a Gosma Metálica algo público , ou seja, merda ao acesso de todos . Não digo que ter criado aquelas músicas imbecilizantes tenha sido de todo o mal por que chegou , de certa forma, a me dar alguma experiência musical. Eu desafinava demais. No entando, como não tinha compromisso em estar fazendo algo sério ou profissional eu me realizava com as micro-merdas que gravava. Mas , no entanto, um dia meu pai pegou o filme 'Toy Story' da Disney/Pixar , e tinha uma canção que dizia "amigo eu estou com vc" e eu me inspirei um pouco naquela melodia pra compor a letra de uma das músicas da Gosma Metálica. Senão me engano foi inspiração pra letra Difícil Barra .

Como eu citei em post anterior, havia o meu colega Juliano que usava óculos. Ele tinha também um Super Nintendo pelo que ele contava e a princípio eu me tornei amigo dele porque em comum a gente tinha o gosto pelo jogo Mortal Kombat 3 e rolavam altos papos sobre isso. Depois a conversa se estendeu a outros assuntos . E ele virou meu parceiro até pra falar merda na aula (em algum post futuro narro um desses casos). O desenho do Doug Funny , que no ano anterior passava na TV Cultura , já era bem conhecido ,e , baseado nesse desenho a gente criou uma música, que era baseada em uma música que o personagem Doug cantava em algum episódio ... a letra , que criei e depois mostrei pra ele (e ele aprovou) dizia assim :

Andando pela estrada ...
Eu via um túnel...
E também via uma luz ...
E eu via e ouvia a luz me chamar...
E eu ouvia a luz e me chamar...
assim....... PRFT!(Som de peido com a boca)


Nós riamos muito dessas bobagens inventivas que a falta do que fazer nos propiciava.Ás vezes ligava pra casa dele , e encarnava uns personagens, com sotaque paraguaio, argentino ou uruguaio. Gravava algumas 'atuações' num gravador de bolso e mostrava pra ele no gravador , via telefone. Ele pedia pra eu levar o gravador pra escola. Não lembro se de fato um dia levei.

Isso era o que eu ainda não sabia ,mas se tornaria um dos embriões e características da "Gosma Metálica" . Eu 'compus' e cantei muita música idiota , letras sem sentido que vinham a minha cabeça, eram meus primeiros contatos com a música, antes de eu me tornar um guitarrista. Eu já queria ter alguma atuação na área musical mas ainda achava que era só por farra que eu criava aquelas letras mongolóides.

Uma das primeiras músicas da Gosma Metálica , foi criada só no gogó e narrava a história de um velho rabujento que apesar de tudo , era doente, e fazia do mordomo um escravo , obrigando-o a comprar um remédio que soltasse o seu intestino preso , o trecho principal era assim :

Me dá um remedinho pro meu aparelho digestivo.
Me da um remedinho para o meu terminal.
Me da um remedinho senão eu passo mal.
Senão eu POW OW OW
Senão eu POW OW OW


Gravei a música no gravador portátil que eu tinha .
Depois acho que eu gravei ela com o teclado fazendo aqueles acompanhamentos maravilhosos que não faziam sentido nenhum e nem harmonizava com a melodia.
Era estranho como eu só gravava merda no gravador .
Como era viciado em Mortal Kombat na época, eu ficava gravando coisas no banheiro
de madrugada , do tipo "Round 1, fight!", e depois ouvia 1/2 da velocidade comum
porque ficava mais parecido com a voz do anunciante das lutas no jogo original.

E assim ia, eu tava no banheiro de casa um dia , isso com o gravador sempre ao meu lado, e lia uma revista SHOWBIZZ enquanto defecava no vaso. De repente eu li uma matéria que falava sobre tequila e fortemente "INSPIRADO" [(ins)PIRADO] , com aquela matéria criei um clássico da baboseira universal chamado Tequila e Capim :

TEQUILA E CAPIM

Quando você vem...
No fundo do meu quintal... (se lembra que agradável...)
E eu não tenho nada para oferecer ... e me lembro que as minhas leis
são das mais porcas ... e que tudo pode acontecer...
e foi quando eu me lembrei, que no meu quintal, havia capim
uma velha erva medicinal...
e você tem que aceitar ... a primeira porcaria que eu lhe ofereço,
porque senão aceita ...
Vou ter que te obrigar ...
a comer a comida santa ...
dizendo :
'Capim é comida'
'Bebida é tequila'
'Capim é comida'
'Bebida é tequila'


São músicas assim que mostram como eu era super-ocupado e tinha muita coisa pra fazer da minha vida , daí fazia isso , compunha essas obras de arte da música contemporânea. Era um gênio que ninguém reconhecia. Óbvio que estou sendo irônico aqui, esse meu começo na música foi ridículo, mas , de qualquer forma ele me fez crescer e me aperfeiçoar e aos poucos eu fui me livrando dessas letras que não diziam nada de construtivo .

Continuo no próximo post.

Terça-feira, Outubro 17, 2006

 

[P#51] A TURMA (Parte IV)

|

Novela "O Fim Do Mundo" de Dias Gomes , exibida de 6 de maio de 1996 a 15 de junho de 1996

Eu havia comentado no post anterior que o pessoal da minha turma achava graça em zombar de mim me fazendo acreditar que havia garotas a fim de mim porque provavelmente acreditavam que eu era muito ingênuo e burro ao mesmo tempo. Comentei também sobre alguns amigos que eram legais comigo . Há muito mais coisa há se comentar a respeito desse ano pois eu creio que ele foi o ano real da transição da minha infância para a minha adolescência. Minha voz começou a mudar esse ano. Até o ano anterior (1995) eu tinha voz de menino. A partir desse ano minha voz engrossaria e começariam também a surgir os primeiros indícios de barba no meu rosto. Os hormônios nunca estiveram tão em ebulição como agora. A testosterona estava aflorando cada vez mais , e óbvio, mais e mais eu pensava em sexo , ainda mais tendo amigas como a Camille, que deixam qualquer homem bobo. Só o gesto dela andar , com aquele jeitinho dela, já nos deixava tendo pensamentos pornográficos.

Vou falar rapidamente sobre Marina porque também tenho lembranças dela . Principalmente, no período em que formava dupla com a Larissa. A Marina era mais séria , não ria de tudo e sempre tirava notas altas. Era uma aluna exemplar. Ela era legal também, mas tinha um estilo mais dela, mais introvertido, o que não quer dizer que não falava com ninguém. Ela conversava sim, inclusive chegou a ler lá uma vez , numa tentativa minha de criar uma revista de quadrinhos com seções diversas um episódio de "a vida RETARDADA como ela é" (ou algo assim),que era uma paródia minha em quadrinhos, da série que passava no Fantástico inspiradas nas obras de Nelson Rodrigues. Eu havia ironizado um caso real. O amor de Douglas por Larissa. Óbvio que eu havia alterado todos os nomes dos personagens, Larissa virou Lalesca , e eu o "portador daquele 'segredo' " tinha virado Roberval... aliás a Larissa disse , comentando pra Marina :

- Ta vendo, eu sou essa feiosa aqui (apontando pro meu desenho) e vc é essa aqui - gargalhadas gerais.

Everton tb chegou a ler a obra . O primeiro comentário dele , que nem fazia idéia de que o Douglas gostava da Larissa ,e que aquilo, era realmente inspirado na vida real foi: "Que cuzão esse Roberval!" - porque meu personagem ficava na dúvida se contava ou não o segredo para Lalesca e no final morria pois caía uma bigorna na sua cabeça. Como estava curiosa para saber qual era o terrível segredo que Roberval escondia, ela se mata, mas Roberval mesmo morto não conta. E ela o persegue, e quando finalmente ele resolve contar a ela, acaba reencarnando e ela não descobre o segredo.

Everton sabia, que naquela história eu havia sido influenciado pela piada da peninha verde que ele havia me contado. Mas na verdade era também uma história real envolvendo Doug e Larissa. Daí eles ficaram debatendo sobre o assunto :
"Não... essa história aqui foi inspirada na piada da peninha verde!"
"Não, não foi" - insistiam as amigas - "É de uma história que tu está por fora".

Na verdade era mistura dos dois casos.
Essa piada da peninha verde era o tipo daquelas piadas sem-graça que de tão imbecis acabam se tornando engraçada, dias antes de eu escrever aquilo , o Everton disse que tinha uma piada pra me contar . Aí eu disse "beleza!"
Daí ele falou:

"Vou contar a piada da peninha verde ...
Era assim, um casal havia acabado de trepar , a mulher ficou em casa e o marido foi trabalhar. No entanto quando se vestia ela viu um anúncio na tv que falava de uma peninha verde milagrosa na hora do sexo. Curiosa, esperou o marido voltar, e quando ele voltou do trabalho, cobrou ele :
'Amor, o que é que é a peninha verde ?'
'Espera amor ... que eu vou buscar as crianças no colégio e conto na volta!'

Ao voltar , a mulher insistiu na pergunta
e o marido continuava se esquivando de responder :

'Deixa eu lavar o carro, que na volta eu te conto ...' - se demorou demais pra lavar o automóvel, a mulher estava morrendo de curiosidade
e insistiu :

- O que é essa tal peninha verde, amor ?
- Deixa eu cortar a grama do quintal, que depois eu conto... te juro!

Foi no quintal e demrou umas duas horas pra aparar toda a grama com o cortador. Voltou pra casa todo sujo e cheio de terra, a mulher estava já quase subindo pelas paredes de tanta curiosidade pra saber o que era a tal 'peninha verde' e insistiu na pergunta, histérica, quase gritando, pegando o marido pelo paletó da gravata e o puxando :

- O QUE É ESSA PORRA DE PENINHA VERDE, CARALHOOO ??
- Agora é sério amorzão, deixa só eu tomar um banho caprichado , me livrar dessa terra toda que eu já te conto!

A mulher não agüentava mais, mas não podia contrariar as vontades do esposo.
Ele foi tomar banho, mas deixou o sabonete cair no chão e acabou escorregando em cima do mesmo e morreu. E a mulher nunca ficou sabendo o que era a peninha verde

e FIM. "

Era tão idiota aquela piada que eu acabei rindo.
Acabou contando outras piadas (não tão idiotas), mas se eu for citar as piadas que ele me contou esse blog vai chegar até o post de n° 4000 falando sobre esse ano de 1996, então prosigamos com lembrança mais úteis :

Havia também o Hilmar, que fazia a dupla de carteiras com o Douglas.
No entanto no caso do Hilmar, o Douglas era o melhor amigo dele . Ambos eram garotos de pele clara e cabelo também claro. O Hilmar era loiro. Mas sofria com os valentões e zombadores da nossa turma assim como eu sofria com os zombadores que me queriam fazer crer que as mais belas da sala eram a fim de mim. Ele sofreu muito porque , o pessoal arranjava apelidos pra ele do tipo "Beronha" e outras merdas . O Douglas geralmente escapava de ser alvo do besteirol alheio , talvez por ser mais discreto do que a gente . As vezes o Hilmar se arranjava em confusão a ponto de entrar em agressão física com outras colegas com resultados nem sempre vitoriosos. Foi mais ou menos nessa época que Douglas me revelou o que ninguém podia saber, mas até a Larissa Silva sabia. Que ele era apaixonado por ela. Mas ela não sabia disso porque EU havia contado pra ela. Nada disso. Ele tinha me contado que uma vez quando não tinha ninguém na sala de aula ele foi até a carteira onde ela sentava e escreveu o nome dele ou algo assim no caderno dela . E aquilo meio que confidenciava a paixão a amada. Mas no entanto ele vivia naquela dúvida se ela havia visto a demonstração amorosa no caderno. Um dia a própria Larissa me disse que já tinha visto aquilo mas que dele não era afim. Havia pouca gente na sala, eu conversava esses assuntos com ela ... eu sabia que na verdade, ela era afim do Jessé da Sexta Série da sala ao lado da nossa. E o pior é que eu sabia de tudo isso e não podia dizer pro Douglas "Sai dessa . Parte pra outra..." porque não queria ver meu amigo triste. O Amor, a vida me mostrou é um eterno desencontro. Sempre de quem vc gosta é de quem não gosta de vc. É triste ? Bom eu diria que é realista. Pelo menos na minha experiência de vida. Por sua vez a Larissa também sofria , porque o Jessé, ou não gostava dela ou não fazia idéia que ela daria tudo pra estar sempre com ele . Eu comentei com ela na épcoa, essa minha filosofia a respeito do amor . E disse : "E sempre vai ser assim.", ela desanimada comentava : "Ah não. Tomara que não seja assim o resto da vida não..."
Não lembro se no mesmo dia, mas ainda falando sobre as fantasisas amorosas que ela tinha ela disse que tinha muitos pretendentes. No sentido assim de , que , ela gostava de alguns garotos em potencial, e dizia : "Mas o Jessé , o Jessé é O CARA", daí eu perguntei... "e nessa lista de pretendentes ... o Douglas", ela mudou a expressão dela , como se quisesse dizer "DÂÂÂR...", mas respondeu : "Ih, o Douglas é o último da fila."
Ainda sobre a Larissa, outra lembrança que eu tenho , é que , as vezes ela ficava braba com alguma coisa e dizia algo do tipo "Mas que PORRA!". E não sei. Eu achava engraçado quando ela falava palavrão; as vezes ela dizia "Que feio né ?", mas eu respondia ... "não, não é feio, é que , eu não sei porque , não to acostumado ver mulher falando palavrão , acho engraçado", depois disso sempre que eu ria quando ela falava algum palavrão , ela ria tb. A Larissa era fofa. Mas, no momento que eu voltei a me apaixonar de novo (falarei sobre isso mais detalhadamente só alguns posts a frente), parecia pra mim, que Larissa, Marina, Camille e Fabiane eram só simples mortais perto da minha "deusa intocável", e assim eu só posso chegar a conclusão que homem apaixonado é mesmo burro.

Eu tinha na minha agenda os telefones da Larissa e Marina .
Não sei como, acho que sem querer , eu deixei escapar que eu tinha o telefone dela pro Douglas e Hilmar. Pra quê ?
Eles voltaram na sala de aula num recreio reviraram minha mochila e copiaram o telefone delas . O Douglas com certeza ficava com o coração batendo mais forte no peito por causa do que havia conseguido , mas porra era foda pra mim. Me deixava numa situação delicada, até porque , a Larissa sabia da minha amizade com eles e pediu pra que nunca desse o telefone dela pra eles.

Vou falar um pouco sobre a Nathalie agora.
A Nathalie eu não conhecia direito ainda aquele ano . Mas a gente conversava sim. Porém eu tinha uns pensamentos muito retardados e só vinha discutir porcaria com ela. Pelo menos em 1996, em 1998 eu já era mais maduro e falava a respeito de coisas mais sérias. Mas tem um diálogo da minha parte deveras retardado que nunca vou esquecer :
foi assim ; eu acho que era o horário de Educação Física e a gente fazia alguma atividade com bola do tipo jogar a bola um para o outro para o treino de handball, por ex, daí eu fiz a pergunta pra ela:
- Eu tava pensando numa coisa - disse eu
- Diga - respondeu ela jogando a bola
- Não sei as vezes to no quintal de casa , e, eu sinto uns chreiros estranhos. Eu tenho um cachorro...
- E ??
- Será que cachorro peida ?

Não lembro o que ela respondeu , mas era o tipo da cultura inútil.
No que ia me enriquecer mentalmente saber disso ???
Eram coisas da idade mesmo. Depois os anos passaram e eu mudei, ela me respondeu alguma coisa sobre a indagação a respeito do cachorro, mas não lembro o que foi. Mas lembro que foi um "bom" debate. Só o assunto em si que era um tanto escatológico.

Continuo no próximo post.

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

 

[P#50] A TURMA (Parte III)

|

Síndrome da Vaca Louca - 1996 - através de ingestão de ração contaminada , os animais contraíram a doença. Pessoas que se alimentaram da carne de vaca contaminada também apresentaram , além de outros sintomas, sinais de demência

Continuando a falar do episódio anterior com a Fabiane .
Eu nunca esqueci aquilo. Da mesma forma que me irritou por zombar de mim, me fez pensar no que eu havia conseguido , sem querer, com aquilo ... não havia sido de todo o mal, afinal era uma forma de contato físico feminino, porém não me deixei ficar alegre pelas ilusões que a vida já me trazia naquela época . Mantive a coesão
apesar de eu ser bastante imaturo e mongo naquela época.

Eu não sei qual era a graça que o pessoal da minha turma achava em querer me fazer acreditar que determinadas meninas gostavam de mim.
Quando eu sabia que era tudo uma lorota sem tamanho. Devia ter muita graça mesmo. Menos pra mim , que achava aquele tipo de atitude ridícula. Coisa de criança.
Uma vez armaram também uma história de que a Sâmia estava a fim de mim. Eu tava no banheiro, e veio o José Roberto me dizer que a Sâmia estava gostando de mim. Daí eu pensei "putz, mas o pessoal não tem mesmo o que fazer".
Até a Michelle , que costumava ser minha amiga entrou no esquemão e veio falar comigo que era pra eu "dar uma chance" pra Sâmia. Bando de ridículos. Só me faziam , com aquela história toda, me fazer lembrar ainda mais do episódio das gêmeas, que era alheio a eles. Veio a Sâmia também pegar no meu pé , mas depois ela mesmo fez um comentário com as amigas que já expôs toda a verdade :

"Coitado dele. Só é alugado."

Uma vez , eu estava sentado com a Sâmia porque o colégio tinha adotado as carteiras em duplas como novo modo de estudo. Eu não sei bem qual a função disso, mas creio que era pros alunos faltarem menos ou melhorarem as notas. Enfim, isso agora também é irrelevante, o que conta é que eu voltei do recreio e ia começar a aula da Cantorina. Minha dupla era Sâmia. Agora não lembro , mas devia ser por causa de algum trabalho porque minha dupla costumava ser o Everton, principalmente no fim do ano ...
Ela foi falar algo ... mas eu tinha comido um cachorro quente no recreio e acho que não havia caído bem . Daí enquanto ela dizia algo que eu tava prestando atenção soltei um arroto caprichado. Daqueles que são bem sonoros e longos . Dignos do oscar.

Ela se irritou e se sentiu enojada .
Me chamou de porco.
E disse que , não podia, nunca nem trocar idéia , e nem queria , trocar idéia com alguém que tomava aquela minha postura.
Depois eu parei pra pensar e o arroto do nada tinha mesmo sido sem noção. Envergonhei-me um pouco. Mas depois eu fiquei bem de volta.

Teve também a vez da Camille me zoar.
Putz, numa aula ficava me mandando beijinho .
Como tava de saco cheio daquela gozação eu mostrava o dedo do meio.
Ela, irônica, respondia :

- To mandando o beijo na boca. Não no dedo.

Eu merecia!
Com certeza o conceito de "loucura" devia estar muito próximo do conceito de "burrice" para aquelas meninas e meninos que viam nisso uma graça . Sabiam que eu não caía nessas patetices e insistiam. Devem ter rido bastante. Mas eu nunca achei graça e eles não conseguiram nunca me enganar com essas babaquices infantis.

Dos amigos do sexo masculino assim como eu havia esquecido de mencionar o Everton na lista, acabei esquecendo de mencionar o Bruno. Não lembro o sobrenome dele, mas durante muito tempo ele foi o meu melhor amigo naquela turma. Depois não lembro o que aconteceu que acabei optando , se é mesmo que foi uma opção minha por sentar em dupla com o Everton. Poxa coitado do Bruno , foi vítima das minhas canções pré-Gosma Metálica , teve que ouvir um monte de mantra retardado, coitado, tinha horas que de tanto ouvir acabava influenciando e acabava entrando na minha... de tanto inventar e repetir a exaustão um número sem fim de aborinhas sem nexo , eu mesmo não esqueci a "melodia" do mantra "sentou no pão furado ...", "sentou no pão furado...", uma vez, a gente tava esperando ônibus chegar e ficamos lá repetindo esse "mantra sagrado" até o ônibus chegar.

Ele estava um pouco acima do peso em relação a turma .
E tinha um problema também horrível , que devia ser de origem estomacal que lhe rendia um mal hálito, que era difícil quem estava perto não sentir. Mas não foi por esse motivo que sentei com Everton no fim do ano não. O Bruno era muito legal. Assim com eu ele era moreno, mas a pele dele era mais clara. Naquele eclético ano, que havia sido tão cheio de surpresas, num trabalho de português ele teve que aturar uma afronta cometida pela professora de português. Ela fez uns grupos de meninos e meninas que deveriam fazer um trabalho a respeito de um determinado livro, e nos juntou com duas meninas que nós não suportavamos ... Franciellen acho que era o nome de uma das meninas e Vanessa devia ser o nome da outra ... querer que eu lembre as coisas de 10 anos antes com clareza e lucidez é pedir muito, mas estou quase certo que era esse o nome das lambisgóias mirins. Elas não nos suportavam e a gente mal as agüentava . Passamos o trabalho nos xingando, e diante do número infinito de merdas faladas eu havia dito que ... quando uma delas sangrasse pelo nariz , que tomasse cuidado , podia ser a menstruação escorrendo de outros oríficios. Enfim o trabalho rendeu quase nada , mas no final foi apresentado à turma.

No período que sentei em dupla com o Everton, quem sentava atrás de nós formando a última dupla do canto direito , eram Larissa e Marina . As duas eram bem bacanas. Mas eu gostava em especial da Larissa , que , por sua vez , era a garota por quem Douglas era apaixonado confesso. Ele gostava dela na época . Depois a vida de ambos deve ter mudado bastante e não sei dizer o que fazem, mas reencontrei ambos no orkut em períodos diferentes do ano passado. A Larissa era bonita sim. Tinha o cabelo mais ou menos na altura do pescoço. Ela foi uma das poucas na sala que não participava da manifestação que zoava comigo . Nossa ... agora me vieram um monte de recordações da Larissa, por convesa mesmo ela tinha deixado escapar um monte de coisas , uma delas era que ela não gostava de cachorros. Agora , remontando um pouco período anterior a sentar em duplas , a Larissa me conheceu antes disso, quando eu sentava atrás dela. O pessoal deve estar se perguntando: "Porra meu, mas onde é que tu sentava nessa sala de aula ?". Eu me sentei em vários lugares. O que me fixou num único lugar foi a dupla que eu formava com Everton. Por causa dessa dupla eu sentei e me estabeleci na frente de Marina e Larissa até o final do ano quando a aprovação veio.

Mas , num período anterior, quando ela sentava na minha frente ...
ela chegou a exclamar indignada com algo que havia ocorrido :

- Mas que saco !

e eu :

- Mas você não tem ... - eu era bem abusado aquela época

daí ela virou pra trás e respondeu :

- Pois é ... meu pai vive me dizendo isso.

Daí eu fiquei constrangido da bobagem que tinha dito pra ela.
Mas as melhores conversas foram nos períodos que ela sentava em dupla com a Marina , por vezes a turma se dividia entre aqueles que teriam aula na sala de informática e os outros que fariam tarefas na sala. Numa dessas oportunidades ficava sempre ela e eu das nossas respectivas duplas. Daí a gente conversava . Ela era uma garota legal. Só ficava , eu, embora não demonstrasse , meio exaurido quando ela falava dos caras que ela tinha interesse ... um dia falando a respeito do Doug, ela disse que ele era o último da fila . Ihh mas eu também já tava metido num amor platônico que nunca me rendeu nada , então não podia falar nada do Douglas gostar de uma menina cujo coração não batia por ele. Mas ele tinha razão. A Larissa era bélissima e muito simpática de se conversar . Boas lembranças dela.

Po... coitada da Larissa também. Ela as vezes se irritava com o fato de eu perguntar pra ela 50 vezes seguidas no mesmo dia que horas eram. Ela também foi vítima dessa radiola ambulante chamada Ricardo que na época , cantava todas as músicas de novela das quais era viciado. Ela odiava o Último Dia do Moska, tema da novela O FIM DO MUNDO , e coitada tinha que aturar minha versão desafinada da música a exaustão. Eu repetia 500 vezes por dia na classe "Meu amor, o que vc faria se só te restasse um dia ?" - quando eu escrever um post de 1996 falando só a respeito de música, vocês vão entender o porque de tantas citações dessa canção. Ou ainda embalado pela novela "Vira Lata" cantava umas músicas do tipo "é devagar, é devagar , devagarinho", mas essa eu lembro que a Larissa não foi vitima de ouvir minha interpretação. Quem se fudeu ouvindo isso foi a Michelle . Tinha Martinho da Vila selecionado na trilha sonora da novela . A Larissa teve que me aturar cantando coisas do Roberto Carlos do tipo : "Não ligue se outro cabeludo aparecer na sua rua (...) detalhes tão pequenos de nós dois (...) vc vai lembrar de mim". Mas eu confesso que tinha vezes que ficava cantarolando esse repertório aí só por falta do que fazer ou de sacanagem.

Falo mais no próximo post antes que essa nostalgia toda começe a me fazer mal.

 

[P#49] A TURMA (Parte 2)

|

a ovelha Dolly

Como esse post é uma continuação do que eu estava falando antes , continuemos com as lembranças ainda sobre a Camille :
Todo ano o colégio Martinus promovia, mediante a um preço , uma festa Junina, ou Julina, agora não lembro ... provavelmente Julina, eu gastei uns 20 reais que meu pai havia me dado enviando correio elegante pra Camille. Não que eu gostasse dela, mas já que tinha que mandar um correio elegante que fosse pra uma menina bonita, pelo menos.
Eram sempre mensagens elogiando os atributos físicos dela. Mas , óbvio , como eu não sou retardado, mandava os bilhetinhos em inglês pra que ela tivesse que ficar decifrando e no último que mandei ela pediu pra eu traduzir algumas coisas.
E , a menina que levava os recados amorosos falou que ela iria me mandar um, mas como eu estava "difícil de encontrar" pediu que a Camille não enviasse nada porque senão ela perderia muito tempo me encontrando.

Tem mais coisas ... uma vez eu e o Hilmar bolamos um plano de passar a mão na bunda dela na aula de educação física, mas tinha que ser na hora em que a gente tivesse nas ruas caminhando com a turma . A gente chegou a fazer isso , mas fomos flagrados pela professora de Educação Física que deu um sermão na gente e , acabou nos levando pra diretoria do Martinus, onde tomamos anotações na agenda , que teríamos que levar para nossos pais assinarem. O Hilmar chorou. Os pais deles iam bronquear. Eu dei uma desculpa em casa , que a Camille havia me confundido com um garoto parecido e meu pai assinou minha agenda sem eu levar bronca. Porque eu já tinha outras anotações na agenda por outros feitos, aquele ano. Não lembro quais.

As vezes a Camille abraçava uns amigos nossos ...
provavelmente eles ficavam com o coração batendo mais forte nessa hora . Não é todo dia que vc é abraçado por uma gostosa com o consentimento da mesma. Mas tinha alunos que abusavam da boa vontade dela . Uma vez , em plena sala de aula, [isso porque era o nível dos alunos de colégio particular], o José Roberto mostrou pra ela o pênis rígido , ela disse :

- Você não tem vergonha na cara ?

Mas sinceramente ...
Eu não sei se ela ficou tão incomodada assim com isso, ou se, na verdade ficava envaidecida de ter a nós na palma da mão. Usando, mesmo que de forma inconsciente , a sua beleza para conseguir de nós o que queria [e agora não to falando das nossas mãos-bobas]. Faz muito tempo. Mas tudo em relação a ela era meio dúbio e tinha mais de um sentido.

A melhor amiga dela , a Fabiane, foi por quem eu cheguei a ter uma queda. No período que as carteiras do Martinus eram em dupla pra promover uma maior interação produtiva entre os alunos, ela veio na hora do recreio me pedir emprestada uma fita , que dizia "Rock" no rótulo, mas, tinha músicas variadas, como Simone cantando "Você é real", Macarena, O Último Dia do Paulinho Moska , e mais um monte de seleção que mais pareciam uma salada mista. Acho que de rock tinha só a gravação em tape de Money for Nothing, ela me devolveu a fita fazendo o seguinte comentário :

- Que rock esse seu hein ?

A Fabiane era legal, era bom trocar idéia com elas.
Ela era muito bonita também. Tinha um rosto encantador e era bem feita de corpo.
No entanto não sofria o mesmo assédio de mãos-bobas que a sua amiga Camille.
A novela das sete que passava naquele época era de autoria do Carlos Lombardi [o mesmo de Quatro por Quatro], e tinha uma música que não saía da minha cabeça :
"Baby, Baby, eu sei que é assim ... vc... precisa saber da piscina,(...) da Carolina" e uma vez ela se irritou comigo porque eu cantei essa música na sala de aula. Mas não havia da minha parte nenhuma conotação pornográfica , ou com sentido pejorativo. Depois uma amiga minha contou que ela tinha se irritado porque o sobrenome dela era Carolina.

Mas ela protagonizou, me usando , um episódio que me deixou embaraçado.
A turma havia descido para a aula de Educação Física. Eu era a bola da vez.
Depois , talvez no próximo post, eu conto melhor sobre o que eu to falando aqui.
Eu estava sentado na escadinha do pátio que ficava em frente a cancha esportiva.
A Fabiane estava sentada do meu lado. Colocou a cabeça no meu ombro, e eu , fingi que não era comigo. Depois ela colocou a mão no meu ombro (o ombro que tava vago) e ficou me perguntando se eu não queria namorar com ela.

Eu não tinha nascido ontem.
Aquilo tudo era uma simulação pra me zombar.
Pra ver o que eu fazia . Conforme minha reação , ela poderia rir com as amigas dela e me chamar de trouxa, cabaço, etc, etc. Ela não gostava de mim. Até porque havia vários pretendentes, não que eu houvesse visto algum na minha vida, mas sabia que aquilo comigo não era sério. Eu não respondia nada ... começei a rir ... como fiquei embaraçado , tremia nervoso. Eu não sabia como agir. Ela insistiu várias vezes na mesma pergunta , eu acabei respondendo que não, pois sabia que ela estava ali só me pentelhando.
Ela então tirou a cabeça e a mão do meu ombro, e mudou as perguntas .
Ela dizia :
- Quer namorar com a Camille ?
- Não
- E com a Sâmia
- Não
- Ah, quer saber ? Pra mim você é gay!!!

Putz. Gay não.
Eu não podia admitir aquilo. Ela consegui enfim me tirar do sério .
Irritado , eu interrompi ela , quando ela veio perguntar se eu "estava interessado em algum garoto da sala", aí coloquei meu dedo na cara dela :

- Nunca mais repita isso, se não vai ser pior pra vc !

Ela tomou um susto tão grande com meu rompante,
que caiu pra trás. Eu proferi de novo a sentença, com o dedo ainda apontado pra cara dela :

- Está me entendendo ? Nunca mais repita isso!
- Pára ! Eu ainda não te dei essa liberdade - ela , quando caiu , acabou parando as costas no chão e eu fiquei ameaçando ela , que entendeu , ou fingiu que entendeu que eu estava em posição de agarrá-la. Mas eu não estava. Eu estava fora de mim. Com raiva. Disse que eu não podia "estupra-la" e espalhou essa história pras amigas dela que eu havia tentado fazer isso. Óbvio que era uma mentira tão ridícula que ninguém acreditou. Mas eu fiquei desapontado com essa atitude dela. Porque tava evidente que por dentro ela estava gargalhando da minha inocência de menino da cidade . [aháá pensaram que eu ia dizer de menino do campo né ? Mas eu não sou do campo. E também nem era tão "menino" assim nessa época].

Continuo no próximo post

Domingo, Outubro 15, 2006

 

[P#48] A TURMA

|

Mamonas Assassinas ; vítimas de um acidente fatal em 1996. Acidente aéreo quando a carreira começava a decolar (02/03/1996)

O episódio com as gêmeas havia ocorrido entre os dias 06 e 08 de Março de 1996.
Sendo que o episódio do meu tênis perdido ocorreu dois dias depois, no meu aniversário.
Por esse começo de ano , as pessoas podem não entender o que é que eu vejo de bom nessa época, mas eu garanto que esse ano foi um dos melhores da minha vida.
A nível de mundo , foi um ano com acontecimentos pesados, como o assassinato de PC Farias e o trágico acidente com o grupo Mamonas Assassinas.
Tivemos o nascimento da Ovelha Dolly, aliás esse fato repercutiu mundo a fora e os telejornais não paravam de noticiar esse evento, pois Dolly era um clone gerado através das células mamárias de uma ovelha de seis anos . Dolly foi abatida em 2003.
Foi o ano também da divulgação ,por parte dos grandes meios de comunicação, da síndrome da Vaca Louca.

Apesar de todos esses acontecimentos, além de outros que não tenho como lembrar , o ano de 1996 foi excelente na minha vida .
O fato de um ano ser excelente não significa que a vida do dia para noite vai se tornar um mar de rosas , e que, um milagre vai acontecer . Sejamos realistas : a vida nos traz problemas todos os anos , no entanto, alguns fatores fazem com que alguns anos nos sejam mais agradáveis a memória , como 1996 é para mim. Dos anos 90 posso dizer que ele foi quase o que houve de melhor na minha vida, sendo superado apenas pelo ano de 1991.

Como disse no final do post anterior a esse , depois de ter sido dispensado pela Valéria , eu me senti "chutado" e me senti um otário também . As minhas metas não haviam sido bem específicas, na verdade houve uma sensação de estranheza da minha parte porque, acho que na confusão dos sentimentos, eu não sabia direito se eu tava me sentindo amargurado por ter levado um fora ou pelo fato de não acreditarem na mentira que eu havia tentado contar depois de descoberto . Provavelmente o que pesou mais foi o fato de não conseguindo engana-las , elas além de tudo terem me tratado daquela forma . Óbvio que uma história daquelas não tinha como dar certo nunca . Mas eu não entendia que eu estava errado. Meu orgulho de homem havia sido ferido, e cego, eu só pensava nisso. Queria me vingar da humilhação sofrida.

Eu fiquei com aquele sentimento de ódio e pena de mim mesmo por mais algum tempo . Mas depois, eu, que me sentia chutado, acabei mudando de postura e o ódio se tornou em desprezo. Passei a esnobá-las , não as olhando , nem encarando como antes , e muito menos ficando perto delas . No entanto confesso, que com o fato de eu conhecer melhor os meus colegas de classe , fez com que, eu tivesse outras pessoas com quem conversar e outras possibilidades de me "apaixonar" novamente. Minha turma , era excepcional. Melhor turma do Martinus que eu tive. Amigos muito bons, o que não quer dizer que fossem todos verdadeiros e nem tampouco que fossem todos bons. Havia os desafetos e aqueles que me faziam passar um papel ridículo, mas esses , nem merecem ser citados .

É difícil, aqui conseguir citar todos os amigos numa sala que devia ter uma média de 30 alunos, mas eram meus/minhas amigos(as) que merecem ser citados : Nathalie, Michelle, Juliana, Camille, Fabiane, Douglas Dias, Hilmar, Larissa Silva , Marina , Sâmia, José Roberto, Daniel P (esse P eu não lembro se é de Petraglia ou Pedrada, era alguma coisa com Pedra o sobrenome dele , ainda tendo a chance de não ser nenhuma das opções anteriores os respectivos nomes), havia um outro Daniel também, que vivia fazendo folia na sala de aula, e havia um japonês que era um tanto obeso, e cujo nome eu esqueci.

Meu desempenho escolar , por mais irônico que isso possa parecer , foi brilhante, e principalmente em Matemática. Eu tinha uma ótima professora de Matemática até meados de 1996 , mas ela saiu , e entrou um outro professor no lugar, que as meninas que sentavam atrás da minha carteira e da carteira do Everton (outro amigo que esqueci na citação acima mas deveria ter lembrado), consideravam ele "gatinho", deixa elas , acho que só nos dias de hoje eu entendo (como se eu entedesse mesmo ,hahaha) o pq das mulheres preferirem os homens mais velhos.

No entanto na minha essência, eu era o mesmo Ricardo que dois anos antes havia sido apelidado de Da Lua pelo Fábio Mão-Boba. Bom, pela idéia tosca da minha declaração amorosa à Valéria no começo daquele ano, da pra ter uma idéia de como era NORMAL o meu comportamento, tanto na classe , quanto fora dela. Eu era motivo de piada pelas minhas atitudes patéticas , e, por mais que não houvessem me apelidado de nada no Martinus de vez em quando me chamavam de "louco". Eles não estavam tão errados assim do ponto de vista que , até hoje, eu tenho atitudes que eu sei, que só eu teria, no entanto o pessoal gostava de mim por mais que me achasse destrambelhado. Esqueci de citar lá em cima, mas tinha amizade com um garoto de óculos chamado Juliano. A gente vivia falando sobre videogames e um monte de outras coisas. A gente "compunha" letras de músicas baseadas em alguns episódios do Doug Funny. Daí nasceu uma das primeiras letras de uma invenção musical que eu nomearia como Gosma Metálica*.

Da minha sala de aula , a primeira pessoa com quem eu fiz contato foi a Juliana.
Eu sentava , no começo do ano, na fileira que ficava junto a parede.
Ela foi a primeira pessoa que conheci porque eu ficava infernizando a vida dela. Vivia cantando coisas sem sentido a ponto dela pedir para que eu parasse de encher o saco dela com aquilo. Mas eu nunca parava . Era um peste. Na verdade eu acho que eu era feliz. Ainda não tinha percebido que, na adolescência , principalmente a partir de 1997, todo o mundo de sonhos da infância, dariam vazão ao verdadeiro mundo. O mundo da realidade, da decepção amorosa, da tristeza constante e busca por uma felicidade que sempre parece estar escapando do nosso alcance.

Realmente eu não tinha sossego. E era isso que fazia a minha fama naquela época. No entanto, eu nunca , nunca mesmo , fui o aluno mais bagunceiro da classe. Longe de mim. Mas as minha 'loucuras' eram famosas. Menos a do caso das gêmeas qeu procurei abafar , porque me matava de vergonha. A Juliana tinha que me aturar cantando música de abertura do seriado POWER RANGERS , programa que a Globo exibia nos seus programas matinais todos os dias. Falava só besteira. Ela não aguentava mais. E foi assim que eu fui conhecendo ela. Enchendo o saco.

Com o tempo ela viu que não adiantava. Eu era assim mesmo. Não tinha solução.
Só nascendo de novo.
Acabou se acostumando. Era na verdade uma relação equivalente : enquanto ela me achava um débil mental eu achava ela uma chata.
Mas a medida que fomos nos tornando amigos nossas diferenças foram diminuindo.
Já com a Michelle (que era a melhora amiga dela aquela época) o caso foi semelhante :
Ela não agüentava as minhas pentelhações , no entanto, na maioria das vezes acabava rindo das besteiras que eu dizia. Nos tornamos bem amigos . Tanto que , três anos depois, em Março de 1999 eu compareci (como falarei no respectivo ano , com mais detalhes) a festa de debutante dela com o maior prazer. A gente manteve nossa amizade mesmo após os anos de colégio. No entanto, não sei o que aconteceu com ela.
E me preocupa. Porque não deu mais notícias. Desde 2001, eu não faço mais idéia de onde ela possa estar. A última vez que a vi, foi , na sua festa de aniversário em 2001, festa inclusive que as gêmeas também compareceram; mas falarei desse evento mais tarde , quando falar do trágico 2001 que eu vivi. Michelle era quem comigo disputava quem tirava a maior nota da classe.

E eu não tenho como esquecer da Camille. Ela vale a citação. Hoje em dia , dez anos depois de todos os acontecimentos em que ela estava presente , como protagonista ou coadjuvante , usando ou sendo vítima da sua própria beleza.
Meu, o que eu posso dizer ? Na minha biografia original eu digo que ela é "a garota mais oferecida da sala de aula". Eu acho que fui maldoso nesse meu julgamento.
Quem sou eu pra dizer isso ?
Em certa parte, ela "sofreu" comigo. Então eu não posso ser hipócrita e manter uma afirmação dessas.
Nós éramos adolescentes, ou pré-adolescentes naquela época . Hormônios estavam explodindo pelo nosso corpo inteiro, queimavamos e ardíamos de desejo pelo sexo oposto. Eu , nessa época, ainda não me masturbava, mas, sentia os desejos da carne àquela época . Estando nessa condição eu não posso julgar ninguém pela forma como se comporta , ainda mais numa fase tão delicada da vida. Ela era a garota da sala que fazia com que os garotos em sua maioria , incluo a mim nessa lista, ficassem de quatro babando por ela . Ela era linda. Não digo que era perfeita porque as loiras sempre povoaram o meu ideário romântico. Mas ela tinha sim um rosto expressivo, e um corpo... que era uma tentação .
Vou procurar não usar o termo "gostosa", porque ele faz a descrição perder o seu valor. Mas o corpo dela era , realmente, perfeito. Ela tinha 12 anos na época, e eu ficava abismado. Eu nunca havia visto na minha vida , antes, uma garota de 12 anos com seios tão fartos e belos. E atenção que eu disse fartos, não disse exagerados , nem gigantes, mas eu considero que ela devesse ser a menina mais "peituda" da classe. E a bunda dela ... hmmm ... a bunda dela fez a alegria das mãos-bobas dos garotos da minha turma , inclusive, da minha mão. Éramos todos safados (nós garotos) e pervertidos . A gente não agüentava ... acabava passando a mão nela. E eu creio, que, da minha turma posso afirmar sem medo, que noventa por cento dos alunos do sexo masculino, passavam a mão nela. A excessão que eu me lembre agora é Douglas. O "Doug" como era chamado, e comparado com o desenho animado, sempre teve um comportamento exemplar avesso a nossa perversão da puberdade . Então se ela realmente se oferecia, como eu sugeri no original dessa biografia, é porque havia quem procurasse essa oferta que ela fazia. Éramos (nós garotos) todos putos, no sentido mais pornográfico do termo.

Meu... a Camille, digamos assim, não podemos culpa-la , porque, ela tinha apenas aquilo que Deus lhe deu ; um corpo escultural e um rosto esbelto. Isso fazia, com que , mesmo que ela não fosse a garota mais linda da turma, ela fosse àquela que nos chamava mais atenção , pelos seus gestos , pelo seu caminhar e pela fragrância do seu perfume de fêmea que exalava no ar (isso é sentido figurado). Deve ter sido a garota da turma , que mesmo sem saber, causou o maior número de ereções espontâneas nos garotos da minha classe. A verdade é que ela era muito sexy.

"(...) só que tem um porém (...) aquilo que eu disse no começo : ela era muito oferecida , rebolava, excitava os garotos da sala e depois ficava ofendiad com as consequências (...)" - é o que está na minha biografia original . Eu não lembro dela rebolando, mas lembro da bunda dela, o que quero dizer é que não tenho como afirmar isso como uma verdade absoluta. Hoje em dia eu não lembro se ela rebolava , mas os garotos tinham verdadeira tara pela bunda dela. Isso é verdade. Minha biografia original ainda diz mais : "tinha uns caras , que ela chegava a sentar no colo deles, para conversar, e fazia isso como se fosse uma atitude normal (...)". Bom. Faz dez anos que isso aconteceu e faz muito tempo que eu perdi contato com a Camille. No entanto não vou esquecer nunca quando ela sentou no colo do Everton, para conversar com alguém que estava na carteira de trás . Na época eu tava em dupla com o Everton e pude ver de perto ... o cara ficou excitado com aquilo. E ele disse em voz alta, pois ela estava distraída conversando com alguém , e nem ouviu:

- Olha cara - ele me cutucou - Meu pau está quase encostando (na bunda dela) , ah se ela caísse mais um pouquinho ele ia encostar ... - se lamentava

Ela tava sentada em cima de uma das pernas dele... e ele mesmo vestido, percebia que o genital podia encostar na bunda dela, e se ela caísse um pouco, pra esquerda , haveria um contato superficial. Ou mesmo, ela podia se ajeitar na perna dele num momento de desconforto e a bunda dela (vestida) encostar no pênis dele (tbm coberto). Eu não lembro se também fiquei "empaudurado" vendo aquilo, mas com certeza ,eu quis, pelo menos por aquele momento, ser o Everton.

Ela nunca foi agarrada por ninguém , pelo fato de , vamos supor, alguém ficar superexcitado com aquilo, no entanto ela foi vítima de várias mãos bobas. Todo mundo passava a mão nela. Com algumas excessões como eu já disse. Eu me segurava. E por muito tempo eu consegui resistir a tentação ... mas depois eu relaxei geral e começei a me comportar também como um tarado. Passei a mão nela diversas vezes ,e acho que uma única vez apenas ela me puniu me dando um murro nas costas. Nas outras vezes , eu levei punição na agenda, e tive que levar advertência da diretoria pro meu pai assinar. Eu nunca fui santo, mas aquele ano eu estrapolei alguns limites me arriscando demais. Mas , sinceramente , eu não sei se ela não gostava que passassem a mão nela ou se ela fingia que não gostava. Eu não conheço as mulheres tanto assim pra fazer esse tipo de afirmação. Mas a punição que os garotos recebiam eram as mesmas no geral. Ela dava um tapa neles com vontade. Mas eles (incluindo eu) reincidiam no pecado.

Continuo no próximo post.

* eu criei a Gosma Metálica como se fosse uma banda que eu tivesse ,mas na verdade eram letras que eu "compunha" na hora, que não faziam o menor sentido, e eu tocava de forma errada enquanto cantava. Mas pra muita gente eu nunca contei que a Gosma Metálica era uma invenção.

Sábado, Outubro 14, 2006

 

[P#47] AS GÊMEAS DO MARTINUS

|

O colégio martinus atualmente. A foto ta meio desfocada porque ampliei ela de 250 pra 400


Esse post vai ser pra falar de um único episódio.
O episódio em si é ridículo, mas merece ser lembrado, porque teve sua relevância.
Meu pai, me acompanhou, no primeiro dia de aula , no meu regresso ao Martinus. E pra mim, era simplesmente maravilhoso, voltar lá depois de anos, mesmo na condição de repetente e ver a reforma que fizeram, quando colocaram uma cobertura no pátio . A importância desse feito, é que os alunos podiam sair de suas salas de aula mais tranqüilos em dias de pesadas chuvas.

Meu pai me acompanhou também para demonstrar em que ponto eu deveria tocar a campainha do Jardim Kosmos (sim, eu sou do tempo que o ônibus tinha uma cordinha e vc puxava ela). Daí eu aprendi, e dali por diante, eu teria autonomia pra ir no colégio sozinho, sem necessariamente ser acompanhado por pai ou mãe.

Mas o que importa é que logo no primeiro dia de aula , no meio de toda aquela multidão e algazarra, quando eu fui no banheiro, um amigo meu da terceira série , me reconheceu e veio me cumprimentar ; era o Arnaldo (aquele do episódio da bunda) e me chamou de "amigão". Engraçado como a passagem dos anos muda a concepção que as outras pessoas tem da gente. Já percebi isso em outras ocasiões, fora essa citada aqui.

Na verdade o que importa não é o fato descrito acima, mas é que por ter ocorrido no mesmo dia , acabei achando que o fato tinha lá a sua relevância e merecia ser citado, mas o assunto principal está no título desse post. Valéria e Larissa. As gêmeas do Martinus. Pode-ser que houvesse outras , mas as que me chamaram a atenção foram elas. O colégio estava lotado de gente, mas , sem querer, ao virar minha cabeça para conferir o movimento e as mudanças arquitetônicas ali feitas nos anos que estive ausente, acabei vendo uma(s) garota(s) que me deixou(aram) , muito , muito interessado. Eram loiras. Mas eu percebia, mesmo não as conhecendo que eram mais novas que eu.

Na verdade elas eram 3 anos mais novas que eu. Na época cursavam a quarta série, e eu a sexta, mas vale lembrar que em 1996 eu devia estar na sétima. Era(m) um(ns) colírio(s) para meus olhos. Eu começei, naquele princípio de ano, que não conhecia direito minha turma , ainda, gastar os meus recreios indo lanchar próximo a elas , alguns metros. De preferência , num lugar onde não me notassem , mas que eu pudesse ouvir o que elas diziam. Ao invés de eu, burro, ter dado uma forma verdadeira de me aproximar delas e conseguir amizade, antes, fui seguindo uma estratégia totalmente bizarra arquitetada na minha mente de loser sem-noção. Essa foi uma das primeiras vezes que eu agi por impulso e quebrei a cara. Mas eu não aprendo. Durante toda a minha vida foi e , pelo jeito, continuará sendo assim. O desfecho dessa história, mexeu com minha auto-estima e meus brios, me fazendo sentir um merda. Mas prossigamos:

O que eu pude notar, nesses primeiros dias de pesquisa às gêmeas, foi que uma delas tinha uma pinta no rosto. A outra não. Acabei ouvindo numa conversa, que uma delas se chamava Valéria.

Gravei seu nome em minha mente.
Eu nunca havia namorado na minha vida , mas , me sentia seguro para apostar minhas fichas nessa loucura sem sentido que eu estaria prestes a fazer. Óbvio , que , apesar de não ser carola, e ter rompido nesse ano com a catequese, eu sempre acreditei na monogamia, de forma que eu iria investir em UMA delas somente. Se eu não me engano eu apostei tudo naquela que tinha a pinta no rosto. Na verdade eu lembro que apostei tudo naquela que se chamava Valéria. Agora não lembro se era essa que tinha a pinta no rosto.

Pra idade delas, elas eram altas.
Essa história é totalmente ridícula : um cara de 13 anos a fim de uma menina de 10. Putz , que vergonha. Se naquela época, eu me envergonhava - tanto que ninguém da minha classe ficou sabendo do ocorrido, com excessão de Hilmar e Douglas - hoje me envergonho muito mais . Mas essa coisa de gostar de meninas mais novas tem acontecido comigo com uma certa frequência nesses últimos tempos. Eu acho uma vergonha, mesmo. Eu tinha que gostar de mulheres da minha idade . Eu não sei o que ta acontecendo comigo. Sou um ridículo.

Mas voltando ; esse foi o primeiro e único fora que eu levei na vida. Quero dizer depois , em 2001 eu levei um pseudo-fora, quando uma menina de quem eu gostava muito não aceitou namorar comigo, mas aceitou ficar. Ta certo que eu mereci, pela ousadia de meus atos me dar muito mal nesse episódio das gêmeas, mas , acabei ficando profundamente frustrado, envergonhado e magoado com o que aconteceu.

O que aconteceu foi o seguinte:
Primeiro , pra entender os fatos devo deixar claro o seguinte :
Eu não conhecia elas
E isso explique talvez , a razão principal de tudo ter dado errado.
Numa terça-feira à noite, eu escrevi uma frase com o nome da Valéria, num papel.
Tinha uma revista de variedades aberta sobre a mesa da sala.
Eu peguei um anúncio da revista, e recortei uma foto do Globo Terrestre e colei numa folha de papel sulfite. E se não me engano, embaixo, eu tinha escrito
"Valéria , você é a garota mais bonita do mundo"...
É foda ter que contar esse tipo de retardamento mental que eu tive, mas fazer o que ? Aconteceu né ? Isso eu não devo omitir.

No dia seguinte, eu estava sem coragem de entregar a declaração de amor pra ela. Mas , no entanto, uma vez que eu já tinha gastado cola, papel e tinta de caneta para aquela empreitada idiota eu iria até o fim. Quando bateu o sinal, para retornar a sala, eu tava com a impressão de que não iria conseguir entregar ; no entanto ela se dirigiu ao bebedouro - a gêmea que tinha a pinta no rosto. Nisso, eu fiz a aproximação; cutuquei ela , e disse muito ,muito, mas muito rápido mesmo, que havia um garoto que havia me pedido para entregar aquele papel pra ela. Eu disse tão rápido que provavelmente ela não entendeu metade do que eu falei. Depois disso, eu saí correndo , correndo de medo e porque não podia chegar atrasado na sala senão alguns professores não deixavam entrar na sala. Quando sentei na cadeira , minhas pernas estavam bambas , meu coração disparado e minhas mãos trêmulas.Porém , eu estava acima de tudo com a sensação de dever cumprido. A aula que se seguiu foi a de Geografia , com a professora Cantorina.

No dia seguinte , como eu analisaria os resultados que eu obtivera com a odisséia do dia anterior, tratei de me afastar, mas continuei observando a forma das gêmeas se comportarem após o ocorrido do dia anterior. Mas elas apenas brincavam normalmente , como todos os dias e comiam os respectivos lanches. A quinta-feira havia sido perdida. Tinha passado em branco.

Foi então que eu resolvi jogar pesado, dando continuidade ao meu plano. Meu plano não iria ter continuidade, se eu tivesse notado algo diferente naquela tarde de quinta-feira, mas como não notei, resolvi partir pro tudo ou nada. Agora elas me notariam de qualquer jeito, ou eu , não me chamaria Ricardo Brino. Típico pensamento retardado que não me levou a nada a não ser às lágrimas , como sempre.

Naquela noite de quinta feira, eu resolvi então , mostrar do que é capaz um "adolescente apaixonado" - e cheguei a conclusão que só é capaz de fazer um monte de merda, se esse adolescente sou eu. Resolvi escrever uma carta de amor numa folha sulfite, usando caneta vermelha , e sem paramêtros de linhas. Meu, a folha foi preenchida inteira, e se não me engando de lado a lado. Acho que deu uma folha e 1/2 aquela carta. No entanto eu não lembro o que a tal carta dizia. Só lembro que me declavarava apaixonado. Eu tava mesmo empenhado que elas viessem a me conhecer. E pra minha infelicidade, eu consegui. Mas não da forma como eu gostaria que tivesse sido.

Peguei outra folha sulfite, e com essa outra fiz um envelope colando as bordas , depois coloquei a carta dentro do envelope que eu mesmo produzi e fechei ela com a mesma cola . Eu acho que assinei a carta como 'admirador secreto' , mas não tenho certeza. Eu tava lelé da cuca, pensava na menina o dia inteiro. E isso porque eu era novo... imagina se fosse nos dias de hoje ... mal consegui dormir de tanta expectativa aquela noite.

Depois do almoço, eu me troquei e coloquei o envelope dobrado no bolso da minha calça. E lá ficou apertado porque também tinha o plástico com o dinheiro da passagem. Olha o naipe da merda, ia entregar pra menina um envelope todo amarrotado e dobrado .Eu, no meu "capricho pra impressionar" borrifei a carta com um perfume que eu tinha, para dar um toque romântico - é eu sei , sou retardado.

Naquele dia, na hora do recreio, eu estava mais ansioso e nervoso do que eu estivera na Quarta Feira (dois dias antes). o envelope fazia tanto volume na minha calça que chamava a atenção negativamente. Eu me pergunto, de onde saiu coragem pra fazer tanta merda . Ainda bem que hoje em dia meu nível de retardamento mental diminuiu consideravelmente. Eu tinha ainda A MISSÃO a cumprir. Já que estava na chuva era pra me molhar. Eu observei as duas de longe e elas estavam embaixo de uma árvore, que era a árvore, que elas ficavam sempre próximas conversando e brincando. Eu fiquei tão nervoso, que começei a suar frio pensando que teria que repetir a façanha de dois dias antes.

Como eu via com quem elas brincavam todos os dias , eu conhecia , já alguns amigos dela só de vista também. E foi aí que surgiu a idéia; pedi a um amigo delas , que entregasse pra mim.
- Olha garoto, vc faria esse favor pra mim ?
- Mas é claro! - sou obrigado a admitir que o amigo sardentinho delas foi muito bacana comigo. Ele não tinha obrigação nenhuma de entregar aquilo pra ela.
- Olha - disse eu, arranjando uma desculpa furada - Eu estou pedindo pra você entregar pra mim porque se eu entregar, elas podem pensar que sou eu quem está interessado nelas, quando na verdade, um amigo meu me pediu para entregar a carta a elas; mas eu sinceramente, fico embaraçado.
- O.k - disse ele.

Eu vi que ele ia entregar a elas a carta que eu havia redigido...
Então dei no pé o mais rápido que pude, me escondi no banheiro.
A finalidade era que elas não pudessem me achar. No entanto, como diz aquele ditado: "o diabo faz a panela, mas não faz a tampa", e, me bateu a curiosidade de saber se aquilo de fato havia funcionado. Então fui me esconder num ponto estratégico, onde eu conseguia vê-las de longe. Da distância que eu estava , percebi que estavam a me procurar. Mas eu cometi um equívoco : de tão confiante no meu taco, fui conversar com o garoto sardentinho que havia entregado a carta:

- Ela recebeu a carta ? - perguntei eu, pra me certificar
- Recebeu. Mas deu pra irmã dela - no envelope tava escrito "para Valéria"
- Ah ta bom. Muito obrigado por tudo. - e saí correndo pra me livrar daquela situação . Mas o garoto veio correndo atrás de mim; exclamando :

- Volta aqui! Em que série você está ?
- Sexta, tchau - respondi eu correndo. Ele correu pro lado oposto.

Não tinha caído a ficha.
Ele sabendo em que ano eu estudava , faria com que, obviamente, elas me localizassem com grande facilidade. Caí na minha própria armadilha. Antes tivese eu mentido que estava na sétima. Pra quem não entendeu ainda a moral da história, é que , no recreio e antes de entrar pra primeira aula , tinha a "Hora Cívica" do Martinus onde, algumas vezes as filas dos colégios se formavam pra cantar o Hino. Diga-se de passagem ; pra cantar o Hino todo errado, ou simplesmente para entrar em ordem na sala de aula , fazendo fila indiana. Então óbvio, qualquer babaca poderia perceber, menos eu , que sou uma espécie rara de babaca, que elas iriam nas filas das Sextas Séries do Martinus me procurar. E como o garoto sardento tinha me visto, ele podia apontar pra mim e dizer : "Foi ele."

Ainda assim , vamos celebrar a minha lerdeza de pensamento, pois , quando ele correu pro lado oposto, quis me levar junto, pois tinha a intenção de me levar até elas. Mas , eu acabei optando por me esconder no banheiro novamente. No banheiro eu entrei num dos reservados e sentei , de calça , na privada esperando o sinal bater. Fiquei lá até o sinal tocar. Pensei que estava safo. Ao abrir a porta do banheiro , dou de cara com ele, me perguntando :

- Tava com dor de barriga ?
- Não... só tava dando uma mijadinha - respondi eu , cagando de medo do que viria a acontecer na sequência.

Eu tava sem graça.
E o garotinho tava com idéia fixa:

- Então , me siga!

Eu tinha me fudido , mas ainda não tinha me dado conta.
De qualquer forma, ele ia me levar até elas. Segui-o, mas o que eu não esperava, era que elas estivessem me esperando em frente ao W.C. A Valéria ainda tava com a carta na mão.
A Valéria me cobrou :

- Quem é que mandou isto ??

Óbvio , que como sempre , eu iria mentir :

- Foi um amigo meu ... - respondi eu totalmente sem graça
- Nos leve até ele , então! - pediu ela.

Ai , ai ,ai. Como é que eu ia sair daquela situação ???
Eu podia continuar a mentira e tentar simular uma cena, onde um amigo meu seria vitimado por acusações minhas do tipo : "olha a situação que você me deixou"; mas não dava. Ia ser o cúmulo da sacanagem. Eu tava frito mesmo. Sem saída. F-U-D-I-D-O.
E também, isso nem passou pela minha cabeça na hora , tamanho era meu nervosismo.
Eu começei a tremer e ficar cada vez mais nervoso. Meu coração parecia estar batendo na minha garganta.
Então eu disse a primeira coisa que deu na telha :

- Ih, mas agora ele já deve ter se espalhado no meio da galera.

Porém não eram só as gêmeas e o guri sardento que estavam me cercando.
Eu vi que , um outro amigo delas, que percebeu minha expressão de desespero enquanto eu me explicava, começou a me dedurar, embora fosse óbvio :

- Foi você ! Pára de mentir !!! - putz, eu não via saída ,tava me sentindo sufocado por aquela situação . Tava passando por mentiroso, e além de tudo passando por uma situação vexatória demais, eu tava constrangido , nervoso e acuado. A Valéria, cochichou no ouvido do garoto sardento alguma coisa que não dava pra ouvir. Tamanha era a minha vergonha, que voltei a me esconder no banheiro e me trancar no mesmo reservado. Me sentia ridículo. Mas a sentença final estaria ainda a ser anunciada.
O garoto sardento me procurou pra contar o que ela havia lhe dito, era o seguinte:

"Diz pra ele , que eu não gosto de ninguém do colégio. O único de quem eu gosto , é o Saint Seya, dos Cavaleiros do Zodíaco".

Meu , eu tava fora de mim.
O guri foi embora e eu fiquei no banheiro um tempo , pirando errado
parado no mesmo lugar , pensando no vazio. Tava aturdido.
Ainda não tinha entendido. Tava paralisado. Meu coração continuava a bater em ritmo descompassado. Era como se, emocionalmente , aquilo tivesse me traumatizado.

Voltei cabisbaixo pra hora cívica, pra tentar digerir tudo aquilo que tinha acontecido. Procurava não olhar para a fila da quarta série para não morrer de vergonha dos dedos apontando pra mim. Subi ... nas duas últimas aulas eu não conseguia raciocinar direito nem prestar a atenção no que os professores diziam.

Voltei pra casa perplexo .
Só pensava no que havia ocorrido.
Na minha máscara que havia caído,
na mentira que havia sido em vão,
e que, acima de tudo, eu tinha queimado minha cara com aquele episódio.
Me senti um fracassado. Um fracassado não, porque se fosse um fracassado, tem tantos nesse país que eu não estaria só. Eu me senti o fracassado. De repente, eu me toquei, dentro do ônibus que era dia 08 de Março. E aquilo foi me dando uma raiva, mas uma raiva ... é que , 08 de Março é dia internacional da mulher. Na minha frustração de fracasso como Dom Juan juvenil , eu associei o dia da mulher com o fora que eu havia levado . Fora histórico em 08/03/1996. Meu , aquilo começou a pesar de tal forma que eu começei a chorar de raiva. Queria que todas as mulheres do mundo morressem.

Já não era mais a sensação de frustração e derrota que eu sentia, mas era o ódio me corroendo o coração e me comendo as veias; me encharcando os olhos. Emoções explosivas, eu precisava desabafar, eu precisava, eu precisava.... :(, que alguém me amasse. Eu precisava que aquilo tivesse dado certo. Eu precisava...
ter auto-estima, pra dar a volta por cima e esquecer aquele episódio imbecil, no qual eu havia me enfiado como protagonista da minha própria patetice. Eu me sentia um bocó total. Porra, não saía da minha cabeça aquilo. Uma mulher havia me esnobado, pra me trocar por uma ficção televisiva. Não dava pra acreditar, pelo menos naqule momento. Eu fiquei mal. Levei aquela situação mais a sério do que ela merecia ser levada. E aquilo começou a se tornar gritante na minha mente . 08 de Março.
Dia Internacional
08 de Março
Fora
08 de Março
se fudeu
08 de Março
ninguém te quer
Dia da Mulher
fora
mais ou menos num mantra doentio. Eu queria chutar alguma coisa, arrebentar aquela merda de ônibus. Arrebentar aquelas pessoa que estavam me olhando torto , enquanto eu, no auge da minha dor , me sentia um zé mané.

Cheguei em casa.
Todo fudido.
Chorando que nem retardado.
Ao contar o episódio pros meus parentes ainda tive que ouvir que era bem feito pra mim, porque colégio não era lugar pra namorar e acima de tudo eu tava errado na minha postura.
Dia lindo . Não vou esquecer nunca.
Eu jantando , ligo a tv, tão falando da porra do Dia Internacional da Mulher.
Vontade que eu tenho é de jogar um vaso de flores para espatifar aquela tv maldita que parece tripudiar em cima da minha dor, naquele dia corrosivo. Não faço nada. Olho pros lados, não tem vaso de flor pra jogar. Vai-se embora minha ficção, minha fantasia de me vingar .

Continuo no próximo post.

Quinta-feira, Outubro 12, 2006

 

[P#46] A NOVA ERA

|

Eu , no meu quarto, usando a escova como microfone

Eu não sei quantos posts serão necessários para falar sobre os acontecimentos relevantes de 1996, mas eu só posso dizer que esse ano, apesar de ter tido alguns momentos críticos, foi muito, muito bom na minha vida . Aconteceram coisas , que me deixam feliz só de lembrar . No entanto, cometi diversos equívocos que me valeriam o troféu mico-dourado. Coisas que mexeram com a minha auto-estima, mas como já disse, no entanto o saldo final foi bastante positivo.

Como eu citei no post anterior, acabei reprovando a sexta série no Bento Munhoz da Rocha, e aquilo me deixou um tanto quanto traumatizado. Porém diversos acontecimentos do ano anterior, poderiam ter me causado o mesmo efeito. Ainda, comentando sobre o fim do ano anterior, para poder explicar, coisas que ocorreram no início de 96 e , no decorrer daquele ano, eu lembro de ter ganhado no final do ano , talvez não como presente de Natal, mas pela insistência o jogo Mortal Kombat 3, no entanto minha avó, havia me advertido pra eu não tomar o que ocorria no jogo como algo válido pra levar pra vida real ; ela disse isso se referindo a minha atitude com Diego, fazendo menção que eu estava muito violento naqueles últimos tempos.

Em janeiro, estava eu de férias , quando a minha família resolveu comprar um freezer a relevância disso , é que , foi o primeiro acontecimento importante do ano. Agora minha família tinha um freezer. Eu lembro de ter pedido pra ficar com a caixa do freezer, e ter usado ela para brincar no quintal. Era interessante, eu dei um jeito de me enfiar dentro da caixa de papelão. Nâo tenho certeza , mas se não me engano cheguei até a urinar lá dentro.

Meu avô havia mudado de emprego , e estava sendo melhor remunerado na função que exercia na época. Isso possibilitou a minha volta ao colégio Martinus. Na verdade, não só isso como um fator isolado, mas também o fato de eu ter reprovado no Bento no ano anterior, possibilitou meu ingresso no Martinus, novamente. No entanto se eu tivesse reprovado no Bento, e meu avô estivesse na mesma condição social dos três anos anteriores, não seria possível também eu voltar a estudar em colégio particular. O que aconteceu, foi que, por pior que tivesse sido o meu desempenho no ano anterior na disciplina de Matemática, meus familiares perceberam que , era muito estranho eu ser aprovado com louvor em todas as outras disciplinas e em matemática ter tido aquele desenvolvimento pífio. Isso provava que não somente eu estava errado, mas aquele professor não tinha metodologia adequada para o ensino de uma matéria daquela dimensão. Aliás conversando com o Dinarte , anos depois, fiquei sabendo que muitos alunos ficaram traumatizados com a forma que José Pedro utilizava para lecionar a disciplina para os demais alunos.

Numa manhã daquelas do começo de ano, fui gratificado com a notícia de que voltaria a estudar no Martinus. No entanto o Martinus exigia que o aluno tivesse um mínimo de instrução básica, e de conhecimentos , para que pudesse ali ser aceito . Era um certo rigor. Então, antes de tudo, meu avô me levou até o Martinus , onde, mesmo eu tendo dito que já havia estudado ali anos antes, eu fui submetido a uma prova , que continha questões de matemática. Não lembro se continha questões de português e outros conhecimentos, porque o que volta a minha mente , é o momento em que resolvia problemas de matemática na prova de ingresso no Martinus. Enfim, a prova foi corrigida instantaneamente , e depois , uma meia hora , eu recebi a boa notícia que havia sido aceito. Então meu avô pode efetivar minha matrícula.

Essa era a primeira grande conquista daquele ano. Voltar ao colégio onde havia tido uma infância feliz , e recordava alguns momentos, tanto com a Rafaela, como depois com a Cristine, e outros amigos memoráveis do Martinus, que no entanto não chegaram a ter o mesmo peso que amigos como o Andrey por ex, que continua aí até hoje , firme nessa batalha que é a vida , e de uma forma ou outra, quando a gente pode mantém um contato, tem uma conversa e relembra os velhos tempos . Óbvio que como consequência direta desse fato de eu não estudar mais no Bento Munhoz da Rocha Neto, veio o fato de as pessoas, que estudavam e compuseram a minha turma em 1996 , não me chamarem por aquele apelido pois não me conheciam . Vale lembrar que eu havia reprovado um ano . Então meus amigos antigo de Martinus , estavam agora um ano a minha frente. De forma que quando eu voltei pro Martinus em 96 ,na minha turma só havia pessoas que eu nunca havia visto antes na minha vida.

Acho que outro acontecimento relevante ocorreu num Domingo.
No domingo do meu aniversário , (10/03/1996), houve uma festa lá em casa, onde compareceram meus tios. Meu tio,[por parte de pai] me deu de presente, uma calculadora verde, que , eu usei até meados de 2001 -quando tive o dom de estragar ela. Minha mãe também estava presente na minha festa de aniversário.

Minha tia [por parte de mãe], havia se mudado , temporariamente , para o centro da cidade . Após, ter sido celebrada a festa, tinha ouvido a papagaiada da minha mãe, de que meu cabelo tava feio daquele jeito [minha mãe fez curso de cabelereiro por uns tempos] e dizia que não ficava bem pra mim aquele cabelo - bom vocês podem tirar suas próprias conclusões pela foto acima - quando anoiteceu, não aguentando mais aquela encheção de saco, aceitei enfim ir cortar o cabelo. Afinal, como seria minha mãe quem cortaria, sairia de graça. Havia uma parte que não tinha como ir de ônibus. Então fomos caminhando até chegar a casa da minha tia .

Quando estavamos perto de chegar no salão , eu cometi um erro patético. O tênis que eu usava , tava frouxo no meu pé, fui balançar o pé mais alto porque estava eu mesmo entretido nas brincadeiras que , naquela época, eu fazia comigo mesmo , quando joguei meu pé pra cima num impulso com mais vontade, o tênis saiu voando e girando pra cima , e , acabou indo numa direção que, acabou indo parar no teto da H.M* (*H.M era uma loja daqui de Curitiba), e não havia como alcança-lo.

Como minha mãe caminhava um pouco a minha frente, demorou a perceber o que havia acontecido comigo. No desespero, resolvi pular num pé só, pra não sujar minha meia.
Eu disse pra minha mãe :

- Socorro, meu tênis voou!

Minha mãe riu. Não acreditou naquilo que tava vendo. Daí depois , ela ficou me perguntando :

- E agora , Ricardo ?

A gente ficou um tempo olhando o sapato que tava no teto da Hermes Macedo, só pra chegar a conclusão óbvia que não tinha como recuperar meu calçado.

Então, depois de cortar o meu cabelo, a solução que minha mãe encontrou foi me emprestar um dos sapatos dela . O detalhe é que ela só tinha sapato de salto alto pra me oferecer. Como era melhor do que ter que ficar pulando num pé só até chegar em casa, eu resolvi aceitar. E fui com um pé calçando meu sapato original do par que sobrou e no outro usando sapato de mulher. Pra minha sorte, pelo menos o sapato da minha mãe era preto, de forma que não destoava. O meu sapato que havia sobrado também era preto. Como era a noite , isso fazia com que chamasse menos atenção, apesar de sapato de salto ter um som característico quando toca o chão.

No ônibus foi pior .
Eu fiquei com vergonha daquela situação e tentava esconder colocando um pé em cima do outro, que eu tava de salto alto. Alguns passageiros haviam visto a cena quando entrei no ônibus.

E isso porque o ano só tava começando.
Depois , quando eu cheguei em casa naquele dia, ainda tinha que explicar pros meus avôs e meu pai o que havia ocorrido comigo, sob pena de levar bronca .

Acho que a solução encontrada , foi comprar outro par de sapatos pra mim.

Continuo no próximo post.

Quarta-feira, Outubro 11, 2006

 

[P#45] UM ANO COMPLICADO (Parte Final)

|

Hugo - videojogo da CNT/Gazeta ; mais tarde ganhou versões para videogames como Gameboy Advance

Apesar desse ser o último post que escreverei a respeito desse ano, ele deve ser longo, pois cada vez mais eu lembro de mais coisas relevantes .

Foi o ano que eu aprendi a usar o videocassete, que até antes eu não conhecia, e parecia uma grande conquista aprender a usar o triângulo, o quadrado e o círculo, (play, stop, rec), a primeira tentativa foi com uma fita do meu avô no final daquele ano, acabei gravando coisas em cima de um filme que ele gostava muito. É que aquela fita não havia sido tirado a proteção contra gravação :P

Tinha uma menina que estudava no Bento, agora não lembro se em 1994 ou 1995 isso, que era totalmente vileira, não estudava, não vinha com o uniforme do colégio, tinha um monte de anotação na agenda, e desafiava os professores, tanto que entrou num bate boca com uma professora lá dizendo que a tal, não era mãe dela pra vir querer mandar nela. A menina era barra pesada, ela se dava bem com os alunos mais encrenqueiros da turma. No entanto ela tinha algo de sexy. Ela era ruiva.

Querer que eu lembre de algo que ocorreu a 11 ou 12 anos atrás com perfeição é meio difícil, mas eu creio que o cabelo dela era tingido. Geralmente ela vinha de regata. Eu era pré-adolescente, não tinha ainda aquele apetite sexual que viria ter no ano seguinte quando realmente meus hormônios começaram a brotar descontroladamente em forma de espinhas , e minha voz começou a engrossar, no entanto, tinha uma coisa que me excitava nela. Era uma tara. Eu não podia olhar pras axilas dela que , que , como vou dizer ? Que não podia ficar em pé depois , tinha que esperar o dragão adormecer de volta. Vários foram os dias que olhando ela escrever ela deixava o suvaco à mostra e eu achava lindo.

Um dia porém ,
ocorreu um fato inusitado, eu tava indo pro recreio quando , um dos amigos dela me parou pra me fazer uma pergunta :
- Ei piá ! - e era um daqueles que batia em todo mundo, a ruiva tava do lado dele - Você bate punheta ?

Eu fiquei com uma cara de quem não sabe o que responder e perguntei :

- O que é isso ???

eles começaram a rir, mas o amigo dela veio me explicar

- Punheta é quando você brinca com o seu piu-piu.

Bela explicação. Eu não me masturbava naquela época. Nem sabia o que era aquilo. Só viria a descabelar o palhaço dois anos mais tarde, mas no meio em que eu vivia, eu acho que as pessoas foram bem mais precoces do que eu . E eu ainda iria demorar mais ainda pra perder a virgindade. Coisas da vida ...

A casa que ficava em frente a nossa , na David Hume, vivia vazia , ou quando não estava vazia , não havia família que morasse lá por muito tempo .
No entanto quando novos vizinhos mudaram eu fiz amizade com eles, não lembro do nome do pai e da mãe, mas lembro dos irmãos, tinha o irmão de 8 anos , e o irmão de 12, ou seja , o irmão que tinha minha idade. No entanto eu brincava com os dois. Tinha a irmã deles tb, que se não me engano era mais velha que a gente . Então como era menina e era mais velha , não cheguei a conhece-la muito bem e nem a ver muito ela.

No entando, o Fábio (12) e o Flávio (8) substituiram , o Diego, que já não vinha mais em casa , e eu brincava com eles na maioria das vezes. O problema é que dessa amizade , nasceu uma desconfiança e um rancor do Diego muito grande, e um dia a gente resolveu pegar o Diego na rua para enchê-lo de porrada. Enfim , o dia chegou, ele tava na rua, e percebi que apesar de tudo , ele não esperava aquela atitude de mim. Ele desceu a rua (a gente pegou ele na esquina da David Hume) correndo e chorando pra casa. E nós, rimos vitoriosos, nos sentindo forte, meio que iguais àqueles garotos mais velhos que nos ameaçavam e nos oprimiam, no nosso direito de ir e vir. Depois da surra, voltamos pra casa de Fábio.

Nisso, da janela da casa dele, eu vi a mãe do Diego bater palmas na frente do portão de casa, meu avô apareceu, eu tentei me esconder na casa de Fábio, mas não deu, meu avô me descobriu, e a mãe do Diego, entre outras coisas que contou pro meu avô , disse não entender essa minha reação, já que antes nós (eu e Diego) éramos "tão amigos", meu avô ficou desconcertado e me passou um sermão e falou pra eu ir direto pro banho. Mas o bicho pegou mesmo quando meu avô contou o ocorrido a minha avó, que veio bronquear comigo, gritando , vociferando, e , me deu umas chineladas, dizendo que eu tava fazendo ela passar vergonha perante a vizinhança e que aquilo era pra eu aprender a não ser tão "valentão" com os outros. Na verdade, a minha avó comprava perfumes da AVON com a mãe do Diego, e isso que eu fiz de certa forma estremecia indiretamente, a relação dela com a mãe dele.

Vale lembrar que tudo isso (menos a parte da menina ruiva que me deixava excitado por exibir suas axilas) ocorreu no final de 1995. Aquele ano foi turbulento, mas foi importante também , foi o ano que como já citei, me desenvolvi, de forma amadora como escritor, começei a mostrar interesse pela música, reprovei de ano , ganhei um certo destaque como programador criando programas pra msx , entre outras coisas. Dos jogos do MSX , além daquele antigo jogo dos anos 80, DOKI,DOKI - PENGUIN LAND, eu começei a me interessar por DUSTIN, um interessante jogo da DINAMIC , que te botava na pele de um presidiário que tinha que achar a saída da cadeia e fugir da polícia. O jogo era um tanto complicado, só consegui terminar ele em 2004, quando eu não tinha mais msx, mas no entanto, terminei o jogo usando um emulador. Ahh boas lembranças desse jogo ; mas continuando , ainda no final daquele ano :

Teve o movimento da ovada, porque era fim de ano, e era assim que os amigos 'comemoravam' a aprovação ; porém naquele ano, mesmo quem estava em recuperação acabou levando ovada, como eu , e se não me engano quem me acertou a ovada foi o Marcelo, o engraçado é que quando isso aconteceu comigo eu fiquei triste e começei a chorar ; talvez lembrando que aquela ovada era injusta porque eu tinha quase certeza absoluta que não seria aprovado aquele ano.

Um dia, Gilberto, Ricardo, Andrey, Marcelo e eu , resolvemos fazer um ataque em massa a um só alvo; o Clóvis. Bom, o Clóvis estava esperando o ônibus ATRÁS do ponto (porque no ponto havia muita gente, então o máximo que ele podia fazer era ficar próximo), e, não lembro quem começou o ataque, se foi o Ricardo, ou o Gilberto, estourou um ovo cheio de farinha na cabeça dele ; depois , o Andrey, e depois , o Marcelo, o cra já estava todo amarelo de tanto tomar ovo , e tava ainda todo ferrado porque tava todo de branco, parecia que tinha saído daquele filme ESQUECERAM DE MIM, óbvio que não no papel do protagonista, mas como um dos trapalhões que invadem a casa do filme.

Faltava eu, que pra variar, fiquei por último, na primeira tentativa eu não mirei direito , o ovo bateu no pilar do ponto e espatifou-se. A gema e a clara esparramaram um pouco no pé de uma velhinha que estava no por perto, tb esperando o ônibus. Então me escondi atrás de um muro na frente da farmácia do bairro. Estava também , eu, de costas para a Cruz do Pilarzinho. Fiquei por lá um tempo. Eu ainda tinha mais um ovo. O primeiro já havia sido mal gasto e praticamente disperdiçado.

Corri na direção de Clóvis e bati o ovo 3 vezes na cabeça dele , enquanto ele tentava se proteger dos meus ataques. Eu devia estar nervoso demais porque só na quarta vez que o ovo explodiu na cabeça dele com sucesso. Ele começou a chorar e explodiu de raiva . E quando eu dei por mim o pessoal tava na esquina me esperando :

- Vem Da Lua, vem Da Lua!

Clóvis estava colérico, e corria atrás de mim :

- Eu vou te matar, Da Lua !!! - dizia isso, estava louco pra me quebrar no cacete, eu corri até a direção onde estavam os meus amigos. Ele tava todo emporcalhado e fedido , e segurou meus braços, eu pra minha defesa, começei a segurar os dele também. Fui encarar ele e ele tentou me emporcalhar também pra se vingar. Ficou frustrado por que não conseguiu.

Marcelo apartou a nossa "briga", o Clóvis me largou. No final o movimento da ovada havia sido bem sucedido e cumprido os seus objetivos .

Passaram-se os dias. Fiquei em recuperação em Matemática. No desespero, eu aceitei a proposta da minha avó, e a irmã do Daniel, que era mais velha que eu e que o Daniel, que era uns 2 ou 3 anos mais velho que eu também, me recebeu na casa deles pra me ensinar Matemática, acho que aprendi alguma coisa do que ela ensinou , porque no final mesmo reprovando, eu quase pontuei o necessário pra ser aprovado. Não passei por menos de um ponto

No entanto, já de férias, e pra variar eu tava jogando (eu era viciado), SUPER STREET FIGHTER 2 e derrotando o Guile, quando por telefone, meu pai deu a notícia a minha avó de que eu havia reprovado por 07 décimos, no entanto, eu havia passado nas outras disciplinas no terceiro bimestre. Que contradição. Eu iria viver meus dias, até hoje, numa eterna contradição e dualidade, que é uma das características das pessoas do meu signo. É como diz a astrologia "Enquanto um peixe esta no alto da crista o outro está no lodo" , e por isso mesmo o nome de signos de dualidade são no plural : por ex: GemêoS, PeixeS. Aquela realidade tinha me atingido em cheio, no momento que minha vó disse :

- É Ricardo, não teve jeito , você reprovou em Matemática.

Aquilo me deixou com tanto ódio, mas com tanto ódio, que se eu pudesse e tivesse meios, teria pego um revólver e dado um tiro na testa daquele professor. Foi feia a situação, eu chorei convulsivamente durante grande parte daquele dia. Daí veio minha mãe em casa também e ficou sabendo que eu havia reprovado. Foi um dos piores dias da minha vida. Eu fiquei tão angustiado e deprimido mesmo antes de saber que tinha reprovado (porque eu já tinha quase a totalidade da certeza de que isso ia acabar acontecendo), que eu tinha tentado me matar em segredo duas vezes ; óbvio , que como eu era imbecil , não consegui nenhuma das duas. Uma das formas que eu tentei, foi tentando me auto-enforcar (que imbecil), e a outra foi tentando me auto-sufocar com um travesseiro. O máximo que eu consegui, nas duas vezes foi ficar sem o ar, embora eu houvesse tentado repetidas vezes os mesmos procedimentos , e sempre sem sucesso. Eu tinha medo de tomar veneno e parar num hospital. Eu não sabia onde meu avô guardava o revólver, de forma que , eu queria me matar mesmo. Não queria tentar algo que tivesse possibilidade de falhar. Tinha que ser pra valer. Mais tarde eu veria que ter reprovado no Bento , no fundo , no fundo, acabou valendo a pena. Mas na época eu não tinha essa visão.

Ruim mesmo , foi que depois de ter reprovado, um dia , o Gilberto passou na frente de casa e deu um cumprimento, me perguntando :

- Passou , Da Lua ?
- Passei - menti eu constrangido de contar que a Matemática tinha me derrubado no chão e pisado na minha auto estima.

Entre outras coisas que eu lembro desse ano, é que eu vivia jogando, sempre , em todos os finais de semana, com raras excessões, eu jogava de quatro a seis horas por dia . Talvez, também levando isso em consideração , se deva o fato de eu ter reprovado. Se tivesse estudado mais , eu teria sido aprovado no Bento. Meu avô achava uma vergonha aquele meu boletim com notas tão horríveis em Matemática, ele tentava aletar meu pai , que se eu continuasse daquele jeito, sem fazer as tarefas, ou as deixando pela metade, dali a 3 anos eu estaria nas drogas. Bom, vale dizer que a profecia nunca se concretizou. Aos 15 anos eu nem bebia e nem fumava (nem fodia), e até hoje não fumo , nem cigarro, nem drogas ilícitas.

Teve um dia fatídico que meu pai foi me esclarecer a respeito de um líquido vaginal que a mulher libera do corpo para facilitar a penetração do homem, eu achei aquele assunto pesado e acabei desmaiando no banheiro .

Vale lembrar também, que esse ano, meu pai comprou duas bicicletas novas. Uma para uso dele e outra para mim. Pois a Monark que eu tinha já estava pequena para mim. Então ele comprou-me uma bicicleta de 21 marchas, azul clara, e outra igualmente com marchas para ele , numa tonalidade azul escura. É que , naquela época, era comum , meu pai e eu sairmos para andar de bicicleta pelas ciclovias e parques de Curitiba. Depois essa prática foi se tornando cada vez mais rara , hoje em dia , não saímos mais assim, até porque ano passado fui tentar dar uma volta com ela, e ela acabou estragando no começo do passeio, e eu voltei pra casa frustrado* conto melhor isso quando falar dos acontecimentos de 2005.

Ainda nesse ano, o último acontecimento que vale a pena ser lembrado é que minha mãe, achava que eu estava andando estranho , (não no comportamento, mas andando, mesmo no sentido literal, parecia que eu não andava como as outras pessoas), fizemos um exame num médico e foi diagnosticado um pequeno desvio na minha coluna, e com isso , eu tive que corrigir a postura com a qual eu sentava e fazer alguns exercícios pra corrigir a coluna.

Acabado esse ano, findava-se uma era na minha vida. E começaria outra, no ano seguinte, cheia de expectativa e esperança.

Continuo no próximo post.

*meu pai havia comprado nossas bicicletas em 1995. Em 2005 as bicicletas estavam já comemorando 10 anos de idade e mofando no bicicletário imundo e mal organizado, no meio de teias de aranhas bicicletas atravessadas no caminho e extremamente mal guardadas, fiquei todo sujo de pó . Fui sair com a bicicleta o pedal não tava funcionando a direção tava torta e não consegui andar 2 quadras com ela.

Terça-feira, Outubro 10, 2006

 

[P#44] UM ANO COMPLICADO (Parte 6)

|

Capa do Lp Money For Nothing, como o Vinil que meu pai tinha em casa , ainda nos anos 90

Foi em 1995 que eu começei a gostar do Dire Straits, desde pequeno eu conhecia as músicas do grupo , no entanto, como só gostava das músicas da Xuxa na infância, não achava muita graça em outro tipo de música, mas lembro-me que num Domingo, não sei por qual razão, foi meio que do nada mesmo, eu pedi pro meu pai pra ouvir o disco que tinha 'Money For Nothing', eu sabia que, era o disco que tinha um cara tocando guitarra sem cabeça - pois a capa do cd na verdade remete a cenas do clipe da música. Daí sozinho fui mexer na agulha do disco e acabei encontrando Walk Of Life que eue lembreava que era um dos sucessos do grupo, e vim perguntar ao meu pai se aquela era Money For Nothing, meu pai disse que não, depois colocou pra mim na música certa. Eu tava na pré adolescência, tinha 12 anos, mas aquele disco soou pra mim diferente do modo que soava na minha infância, eu começei a gostar de verdade do grupo e acompanhar as letras no encarte, como eu sempre gostei de inglês, foi fácil pegar a letra de Money For Nothing, no entanto eu notava uma estrofe que não tinha na versão de 4 minutos daquele LP. Até aquela época eu não sabia que a música original tinha em torno de 8 min. e pouco. Aí eu não conseguia encaixar aquele 'See little faggot (...)", só depois, em 1997 quando eu comprei o cd Brothers In Arms que vim a entender de onde veio aquela estrofe. Era da música original.

Começei a gostar e a viciar no Dire Straits a partir daí. Fazem já 11 anos que sou fã da banda, mais tarde o próprio Dire Straits e o Andrey viriam a me influenciar a aprender a tocar guitarra. Então, eu tentava , depois de um tempo já ouvindo Money For Nothing cantar junto com o disco, isso ajudou bastante a mim conhecer novas palavras do idioma estrangeiro e também, a me adaptar com o som de algumas palavras e saber pronunciar corretamente outras. A identificação , com o Dire Straits aos meus 12 anos de idade foi total. E eu não sei bem porque . Mas aconteceu.

Meu pai tinha contado umas lorotas pra mim sobre o Dire Straits, óbvio que não por maldade, mas só pra tirar um sarro por ex quando disse que o primeiro vocalista do Dire Straits fôra um negão. Sendo que na verdade, o vocalista e guitarrista da banda sempre fôra o Mark Knopfler. Mas antes de o ver , eu jurava que o cara que cantava era moreno. Viagens da infância de associar a voz a uma determinada imagem pré-concebida.

Eu citei já o Anderson , em posts anteriores a esse numa breve citação dos vizinhos que me cercavam no Pilarzinho , no entanto acho que não contei com maiores detalhes, porque ainda não havia chegado a hora, que em 1993, ele havia ido em casa para jogar uma partida de videogame, e acabou afanando o cartucho que eu tinha . Meu pai chegou a ir depois na casa dele , perguntar onde estava , e a família dele se mostrou ofendida (veja só), com o fato do meu pai ter desconfiado que Anderson tinha (e ele realmente tinha) roubado uma fita minha , quando veio a minha casa. A fita era o SONIC THE HEDGEHOG 2 , tanto, que lembro que fiquei tão deprimido com o sumiço do jogo que parei de jogar videogame por um meses, só voltei a jogar quando meu pai comprou de volta o mesmo jogo.

Enfim , citando esse episódio, posso falar de um mais grave que eu protagonizei em 1995. Após uma tensa partida de futebol no campinho , que havia atrás das casas , em que literalmente Thiago , era um garoto mais novo, mas representava uma ameaça pra mim que era mais alto , porém covarde pra brigar, e que arranjava confusão com todo mundo também, estava literalmente me colocando contra a grade do campinho perante uma platéia, eu não lembro se chorei, mas os jogadores ali presentes eram os espectadores, tudo gente da nossa idade ou pouco mais novos. Aquela turma era barra-pesada. Porém vivia pacificamente com alguns colegas, com outros não havia como, eles ameaçavam e batiam em quem aparecesse na frente. E ali sendo eu encurralado e um grande números de espectadores sedentos por sangue, loucos pra gritar "PORRADA!PORRADA!PORRADA!POR(etc...)", Anderson estava ali e pediu pra ele , (Thiago) aliviar a minha barra.

Lembro de ter escapado da situação, mas não ter gostado da humilhação sofrida (como se aquela tivesse sido a única vez), e Anderson veio me acompanhando, e não lembro qual o teor da conversa, Anderson disse que era capaz de bater em mim e no Wilhan juntos ao mesmo tempo, que nós ainda perderíamos feio dele num combate. Não lembro a razão, mas eu me sentia extremamente provocado com aquilo. Talvez o fato de eu saber que ele havia dois anos antes roubado minha fita , de meu pai ter me proibido, mas como eu saía na rua quase sempre, seria meio que impossível não falar mais com Anderson após o fatídico episódio. Enfim , não sei , aquela prepotência dele me revoltou profundamente.

Nós fomos até a casa de Wilhan perguntar a ele, o que ele achava de tais declarações, para minha surpresa Wilhan amarelou feio:

- Ricardo , nós apanharíamos, eu sou menor que vocês, e você é covarde e não sabe lutar.

Era tudo que eu queria pra alegrar de vez meu estado de espírito.
Então começei a arquitetar um plano maluco , óbvio que pensei tudo na hora e agi por impulso , e são nessas horas que eu faço as coisas das quais fico me arrependendo muito depois. E tem vezes que a situação se torna caótica, e não tem mais volta :/ . No entanto nesse caso que estou narrando eu acreditava que merecia uma revanche por tudo que eu estava passando...e por tudo que o Anderson tinha me feito (de mau). Na volta a gente foi até a casa dele, onde havia proposto jogarmos uma partida de futebol de botão.

- Que time você quer ser ?
- Cruzeiro - disse eu , meio aéreo, com uma idéia fixa na cabeça
- Tá bom . Eu vou ser o Atlético Mineiro , então.

De repente ouço e vejo meu pai no portão de casa me chamar:
- Ricardo!
- Só um momento pai!

Tinha que ser naquela hora , ou eu ia acabar desistindo de executar meu plano. Dei um soco no Anderson, que pegou na bochecha, ele tava agachado colocando as peças na terra, ele me olhou com um cara de vítima , e tão surpreso que parecia dizer por telepatia : "Por que fez isso ?" - como se ele no fundo, no fundo, não soubesse. Eu mesmo não tendo dito nada antes, esclareci :

- É pra você aprender a não me provocar - disse isso com o dedo em riste e em tom de ameaça. Depois voltei-me pra direção da minha casa , repetindo - Já to indo pai!

Meu pai havia presenciado a cena e não havia entendido nada.
Ainda saiu ao lado de fora, e foi conversar com a família do garoto atingido pelo meu soco. Eu levei uma bronca do meu pai , que além de tudo disse que minha atitude foi covarde, porque eu esperei ele aparecer pra me sentir 'protegido' pra fazer o que me desse na telha. A noite eu pressenti ,que no dia seguinte quando eu fosse ao Bento Munhoz da Rocha, ele estaria me esperando com mais alguns garotos pra me acertar.

Precavido, liguei para Gilberto, que era dos meus amigos, quem morava mais próximo a mim. No telefonema eu esclareci pra ele a situação e pedi que me esperasse numa ladeira em frente a minha casa.

No dia seguinte, eu pude ver , antes mesmo de almoçar que Anderson e mais alguns garotos, entre eles Lúcio-com quem tive problema depois, mas como não lembro em que ano ocorreu a treta com Lúcio, essa história vou deixar pra lá, porque não é tão relevante pra constar nessa biografia - estava entre eles. Eram em 3 ou 4 se não me engano.

Minha avó falou que iria ficar olhando do quintal eu ir embora - quando isso não era preciso, uma vez que , eu sempre ia pro colégio , já aquele ano , sozinho e sem medo do que podia me ocorrer - no máximo fugindo de um cachorro que quisesse me morder. Eu cheguei na esquina e vi Anderson me ameaçando :

- E agora cuzão ? Vem , vem pra briga, agora somos você e eu - não era , era ele e mais uma torcida sedenta por me ver no chão sangrando até ficar muito mal .

Joguei minha mochilha no chão , e as palavras do meu pai pareciam ecoar na minha mente : "Ele pode ser melhor de briga, mas você é mais forte!", o nervosismo estava me dominando. Me saí mal na luta. E ainda podia ouvir os amigos dele :

- Acerta o saco dele!

No entando a briga durou pouco , nem ele e nem eu, chegamos a sangrar. Mas lembro de ter acertado um chute no queixo dele.E ele acertou um soco no meu estômago.
Minha avó apareceu na rua para apartar a briga, e a atenção toda se voltou pra ela; eu aproveitei então esse momento pra sair de fininho e fui correndo , subindo a ladeira,e fiquei cansado porque era muito íngreme, soava até porque era uma ladeira grande também , mas Gilberto estava no local combinado (no topo).

Minha mãe ficou sabendo dessa história e reconheceu o valor de Gilberto, embora ele ter me esperado na ladeira, na verdade não me ajudou em nada, não me ajudou na luta , só me ajudou no sentido de eu não ir sozinho parte do trajeto até o colégio, mas minha mãe exclamou quando soube da história

- Isso que é amigo!

Sim Gilberto tinha sido valoroso nesse dia , e a imagem dele perante mim deu uma melhorada , eu já não o via mais como uma pessoa má do quarteto, acho que nunca tive muito essa visão dele como uma pessoa má, mas creio que no fundo ele tinha inveja do Ricardo Esteban se destacar tanto no grupo pelas suas notas - como diz a Tami - "estrondosas" , e porque ele era no fundo admirado pelo exemplo que passava ; exemplo de sucesso perante os alunos que estudavam na rede pública de ensino.

Apesar de brigar muito com Gilberto, ele também tinha o seu lado bom, afinal havia sido ele na verdade quem havia me enturmado com o trio, no ano anterior. Algumas vezes Ricardo Esteban e Gilberto me acompanhavam até em casa ; Andrey não acompanhava porque tinha que pegar um ônibus pra chegar em casa. As vezes eles vinham de manhã aqui em casa pra me ajudar a estudar Matemática, disciplina da qual eu sempre apanhava feio. Uma vez surtiu efeito a vinda de Ricardo em casa e eu tirei 7,3 numa prova de Matemática. Mas foi a única vez também. Na maioria das vezes eu ia fazer as provas e não entendia nada do que ele tinha me explicado.

Quando eu reprovei , eu fiquei muito irritado porque eu havia reprovado só em Matemática e por sete décimos que o professor de Matemática não quis me dar. Fora que eu desconfiava que ele não ia com minha cara . Uma vez ele apreendeu com ele um iô-iô que eu estava usando na sala quando havia começado já a aula dele.Nas outras disciplinas eu tinha notas todas superiores a sete , mas em Matemática eu era um horror, teve um bimestre que o professor me deu um ponto de média, na verdade eu havia zerado nas duas provas daquela disciplina, mas tinha ganhado um por que minha presença era de cem por cento no colégio. O meu caso não foi parar nem no conselho de classe. Não foi nem analisado por eles. Na recuperação eu precisava tirar nota 7,0 para ser aprovado. Tirei 6,3.

Em 1995, havia mudado a professora de Português, haviamos conseguido nos livrar da Maria da Graça, e sim uma outra cinqüentona mais agradável do que a bruxa do ano anterior. No entanto, ela conseguiu aposentadoria no meio do ano e largou-nos. Entrou uma outra professora no lugar, que todos consideravam chata, menos eu por que ela conversava comigo e como ela ia com minha cara eu era o único que não levava sermão quando não fazia a lição porque eu sempre dava uma desculpa que havia saído e por isso havia feito a lição só até a metade , enquanto ela ia fiscalizando carteira por carteira quem havia ou não feito o dever de casa. A gente conversava, principalmente eu conversava sobre minhas experiências de programar em Basic no msx, e ela me contava que não gostaria de morar em apartamento pois não era pássaro pra viver presa. São diálogos assim que a gente não esquece nunca mais e onze anos depois acaba relatando ele num blog auto-biográfico. ;)

Como eu já havia passado em Português e nas demais disciplinas nos segundos e terceiros bimestres, eu não sei como o Bento é hoje, mas na época a média era 5,0, eu resolvi relaxar na matéria e paguei um dos maiores micos da minha vida: numa prova de português, a qual, eu não havia me preparado direito, um dos temas da prova era sobre o coletivo; mais ou menos nesse esquema :

(...)
e) de chave : molho
f) de pessoa: multidão
g) de lobo: alcatéia

No entanto ; ao me deparar com :

h)rebanho de cabras:_________________________

era a respeito do outro nome dado a um rebanho de cabras.
Aquela me pegou de jeito ... fiquei pensando que nem um retardado
pra responder algo mais retardado ainda :

Eu podia deixar a questão em branco, mas eu nunca deixava nada em branco numa prova, mesmo sabendo que tava errado. Achava que deixar em branco era uma atitude covarde. Nem nas provas de matemática que eu errava quase tudo deixava , nunca , sobre nenhuma hipótese nada em branco. Na hora que eu fui responder a palavra CABRAS parecia piscar insistentemente em minha mente (aaah que oração linda) , acabei associando ao navegador português que tinha Cabra no nome. Como não fazia menor idéia
coloquei na prova :

h)rebanho de cabras: REBANHO CABRAL

Mas a dúvida continuava a me perseguir.
Vim perguntar a Ricardo , como seria a forma correta de se responder aquela questão
e ele me revelou que o correto seria :
REBANHO CAPRINO
O Andrey se desesperou :

- Porra, eu colei toda essa prova de você !

No final eu acho que tirei 1,5 na prova , e o Andrey se não me engano zerou. :P
Mas a professora achou o cúmulo do ridículo aquele tipo de resposta, e me fez pagar um mico gigantesco. Ela abismada com aquilo disse :

- Rebanho CABRAL ??? Quem é que teve uma idéia de jerico, dessas ? - disse isso já procurando o nome do autor na prova
- Fui eu! - levantei o braço envergonhado.

Ela ficou decepcionada com meu "rebanho CABRAL" balançou a cabeça numa negativa, corrigindo o resto da prova.

Esses eram os últimos dias do ano .
Minha reprovação estava próxima.
E , ao invés de pelo menos eu redimir meu comportamento, fui agindo de forma oposta. Me tornei bagunceiro, desordeiro e irônico com aquela professora, afinal , eu não reprovaria em Português. Além do mais meu tédio tinha que se expulsar de mim de alguma forma.

o Andrey formou comigo uma dupla dinâmica no dia que resolvemos avacalhar com a aula de português:

- Ueba* - dizia eu
- Não tem chororô*- continuava Andrey. (*a verdade era uma analogia ao programa do Hugo apresentado na rede CNT de televisão. Era um videogame virtual, que tempos depois ainda voltou ao ar, mas não teve fôlego pra sobreviver a muito mais tempo, a pessoa usava as teclas do telefone para comandar os controles do jogo, cada número era uma direção diferente)

a professora sempre passando o ponto no quadro, reclamava :

- A turma da conversa aí atrás, vamos parar ?
- Sim General! - respondia eu , irônico.
- Ueba ! - recomeçava o Andrey, novamente.

Continuo no próximo post, tenho que lembrar de contar dos novos vizinhos Fábio e Flávio e da 'ruiva sexy' ,haiahiahiahai , a qual eu tinha uma tara pelas suas axilas.

até a próxima.

*Ueba era o jargão usado pelo Hugo no programa da CNT.

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

 

[P#43] UM ANO COMPLICADO (Parte V)

|

Trecho de "Não Outra Vez", primeira história que escrevi na vida com pretensões literárias - 1995

É to analisando esse título, muitas coisas aconteceram em 1995, entre elas aconteceram coisas boas , apesar de eu não ter terminado esse ano muito bom. E se esse ano foi complicado eu não sei o que dizer de 2006, faço um desabafo aqui ... ta difícil de suportar esse ano desde meados de Julho , mas não quero falar dessa crise agora ; é bom reviver um pouco o passado , pois quem sabe assim eu me contenha e não desabe em lágrimas .

Como disse no post anterior , eu não ia fazer um resumo de Não Outra Vez porque o enredo dessa história é cheio de furos , e falta sentido em um monte de trecho, mas, quando eu vi que na contracapa tinha um resumo da história, resolvi transcreve-lo pra cá com as devidas correções :

NÃO OUTRA VEZ - Ricardo Brino - 1995

"Tudo começa qdo Ricardo se nega a comprar droga ilícita de Heitor. Ferido, chega ao hospital, onde, sabotaram o seu soro, e com isso acaba se tornando um monstro terrível , muita gente começa a morrer, principalmente por "explosões telefônicas". Diego pensa que o culpado é Ricardo, então rapta Elizabeth, com medo que ela conte a polícia , quem matou o seu primo (Heitor). Ricardo então, começa a investigar, a vida da Elizabeth, viaja 10 anos , dentro do Japão , e quando volta ao Brasil, percebe que o assassino misterioso quer matá-lo, mas no final Ricardo o bota atrás das grades. Conheçe a Dra. Sabine e sua vida vai bem , até o momento que o assassino foge da cadeia. E no final vê que sua amizade não está tão fracassada com Diego.

fim do resmumo "bem resumido" como está na contracapa

NÃO OUTRA VEZ ,foi uma das coisas que produzi em 1995, outras histórias , em forma de HQ tbm haviam me ocupado aquele ano, como , O RAPTO DE SABINE , e a já citada LUTA-SUJA, que mais além se tornaria uma série , ainda hoje inacabada.

1995, foi o ano que minha mãe, se não me engano, comprou um terreno em Almirante Tamandaré, e construiu a sua casa, que veio a morar até meados de 2004, de onde saiu alguns meses após o falecimento do meu avô (por parte de mãe), e veio a morar com o atual marido , Jobes.

Isso é importante de saber , para se situar mais a frente , a respeito de coisas que contarei. Foi também o ano que morreu a minha bisavó, que havia deixado como herança dois apartamentos pra nós, e graças a eles , tivemos onde morar quando uma árvore caiu em cima da casa , em 1998.

Esse ano , foi o ano que eu fiz a primeira comunhão, e diferentemente do que eu disse antes, eu creio ter feito 3 anos de catequese e não dois. Eu só não fiz o último ano, que seria em 1997, onde eu crismaria, e foi bem lembrado pela Patrícia Pacheco , que, não crismando, eu não posso casar no religioso. Mas minha vida anda tão estranha, que, eu nem sei se um dia vou querer casar.

Diego vinha em casa aos fins de semana e ficava até as seis da tarde, tanto no Sábado quanto no Domingo pra jogar videogame. Depois, parou de vir em casa e eu me vi obrigado a "matar" no Luta-Suja o personagem que levava o nome dele ,e, ele sumiu também como personagem de outras HQ´s que eu escrevia na época como a série BILLY RICARDO - essa última cujos números eu perdi e não sei onde foram parar; assim como a maioria das minhas histórias eu não sei onde foram parar.

Agora , vou tentar seguir o que ta na biografia original :
Como já falei, aquele ano , Matemática era o meu tormento, eu tinha certeza que iria acabar reprovado no final do ano. Eu não entendia nada e chegava em casa, quanod fazia os exercícios fazia eles todos errados. A didática do J.Pedro não me agradava, e é foda ir em comunidades do orkut sobre o Bento ver neguinho puxando o saco desse professor. Mas tudo bem a gosto pra tudo. Tem gente que gosta até de picolé de Chuchu. Mas deixemos quietas essas considerações e sigamos no que eu dizia :

Eu tremia de medo da hora de ir no quadro resolver os exercícios, como eram muitos exercícios era certo que uma hora eu teria de ir no quadro e mostrar os meus conhecimentos matemáticos, me dava muito medo porque eu sabia que ia mostrar a minha FALTA de conhecimentos matemáticos. Isso sim . E o J. Pedro não era tolerante, quando neguinho ia no quadro e não sabia responder a questão, ele dizia que já tinha explicado aquilo e que o aluno tinha a obrigação de saber. Eu morria de medo de passar aquele vexame na frente da turma (Embora não tivesse medo de passar vexames de situações vexatórias que eu mesmo provocava) e tipo não queria levar bronca do professor então eu desenvolvi uma inteligente estratégia covarde. Muitas vezes eu era salvo pelo gongo porque o sinal batia, mas quando o sinal não batia, eu tinha que recorrer a um golpezinho ... ao que muitos chamam de jeitinho brasileiro.

Tive a oportunidade de aplicar duas vezes o golpe, que apelidei carinhosamente de GOLPE DO PAPEL HIGIÊNICO . Eu não usava relógio em 1995. Então tinha que recorrer ao Gilberto que era quem usava relógio. Eu perguntava :

- Quanto falta pra bater o sinal ?
- 25 minutos ...
- Tudo isso ??

Um dia, vendo que em relação ao tempo que as pessoas demoravam pra responder as questões, considerado mais o tempo que faltava pra acabar a aula , sim essa era a úncia coisa que eu sabia calcular pra me safar do perigo que me rondava, eu peguei na minha mochila o papel higiênico que eu trazia nela. Porque o Bento não tinha papel higiênico para os alunos que tivessem caganeira. Nesse dia , o Gilberto me falou que faltavam uns 15 minutos, pra terminar a aula , cheguei até J.Pedro e perguntei :

- Posso ir no banheiro , professor ?
- Mas tem que ser agora ? - provavelmente ele percebia meus planos com décimas oitavas intenções. E eu fazia que não com a cabeça , mas sempre deixando a impressão de que ficava triste , e sempre deixava ele perceber que tava com o papel higiênico na mão, ai ele me dizia, quando eu já estava voltando pra carteira:

- Ta bom vai, pode ir ! - e as duas vezes , que apliquei o golpe o resultado foi semelhantemente o mesmo, creio eu, que ele tenha ficado com pena, pois sabia que eu era um fracassado em Matemática que tirava 1,0 , 3,0 , 5,0 nas provas, e me poupou de passar vexames históricos no Bento.
Tendo isso ocorrido, eu ia ao banheiro e ficava matando a aula lá , fechado num dos reservados , até bater o sinal. Quando batia o sinal, eu tomava o cuidado de prestar a atenção, se, o professor já tinha saído da sala e voltava ... é , eu sempre usei de diversos xunxos , pra me livrar das coisas que me atormentavam. Vezes como essa, deu certo, mas outras eu me dei mal.

Numa das vezes que voltei pra sala, o Marcelo, que era um dos que me deixava assustado virando o olho ao avesso ; sim , eu me assustava com esse tipo de coisa, não queria ver. Colocava a mão na frente dos olhos. Viu que o papel tava bem a mostra na minha mão e soltou a pérola :

- Aeee Da Lua, cagou até a alma hein ?

Foi com o Marcelo, se não me engano que eu aprendi a peidar pela mão (que coisa linda pra se contar numa biografia), eu ficava encantado porque eu só sabia , com o suvaco e com o cu. Nossa eu lembro que treinei muito pra aprender, e quando aprendi fiquei craque, tentava ensinar minha mãe e meu pai, mas eles não tiveram um bom desempenho assim como o meu, eu virei profissional no peido fake , e, até apavorava a galera com a mão escondida embaixo da carteira e elas achando que eu tinha , na verdade , poluído o ar . Quase que esqueço desse detalhe, mas foi ver o nome do Marcelo, "Celo" como o Andrey citou num comentário que lembrei de todas essas alegrias que a vida nos traz de repente.

Eu nem ia citar isso nessa versão atualizada da biografia, apesar disso, voltar na minha mente , mas , como ta na biografia original, não vou deixar essa biografia mais pobre sem a narração de um saudoso personagem real da nossa escola real. Mesmo não sendo de nem um rei, mas no sentido de ter a ver com a realidade que vivíamos. Havia um aluno que tava em uma outra sala , chamado André. Ele tinha umas tendências que ... bem ... vou citar abaixo :

Um dia , ele, chegou no pátio escolar, e, eu estava sentado com meus amigos próximo a quadra de esportes, ele chegou colocando a mão no meu ombro , e do nada!
Eu disse :

- Ou vc tira sua mãozinha de viado do meu ombro , ou vou ser obrigado a quebrar ela, como vai ser ?

Ele se tocou , e foi atrás de outros (de outros meninos), ano anterior eu já havia tido problemas com a pederastia do Fábio , que já citei o episódio da mão boba, o André, era conhecido como "Andrézinho 24", no fundo acho que ele duvidava da minha 'seriedade hetero' .

Um dia eu cheguei no colégio, e os rapazes do segundo grau, todos já com barba no rosto, estavam fazendo uma espécie de festa com ele, jogando ele pra cima , carregando-o, como fazem com um campeão consagrado no futebol , para citar um exemplo.

Novamente o André, foi procurar outro alguém que 'o fizesse feliz' . Baixou em cima do Ricardo Esteban, que estava do meu lado. Colocou a mão no ombro do Ricardo, o provocando :
- Vc é tão viado, quanto eu : só os viados aceitam a mãozinha no ombro!

Ricardo Esteban socou a mão do importuno garoto que vinha a lhe incomodar àquela hora do dia, como se liberasse de si todos os demônios escondidos, dizendo :

- Eu que sou viado, seu merda ? Eu nunca fui carregado pela RAPAZIADA. Não é porque você é viado, que todos devemos ser, não é mesmo ?

André, saiu arrasado, e foi perturbar em outra freguesia.
Antes de prosseguir com essa biografia e alguém proteste com os termos aqui usados , essa é uma obra realista, e não romanceada, por mais que eu tenha tentado amenizar o caso do Fábio usando termos de linguagem culta, como "pederasta" , as narrativas citadas retratam o linguajar das ruas, em pleno século XX , que é a época retratada aqui em grande parte dessa biografia, ninguém mais, ou quase ninguém usa o termo "pederasta", assim como ninguém mais usa quase "carola" pra se referir àqueles muito religiosos e conservadores na sua fé. Fora que o conceito de preconceito , não era bem conhecido por mim naquela época, pois era uma época de formação de caráter. Mas quero afirmar sobretudo que não tenho nenhum preconceito com gays, mas na época, eu tinha , e bastante, e não tinha noção de que isso era errado. Mas o tempo passou e eu cresci e vi que a vida é tão complexa, que , se nós mesmos não damos conta de cuidar das nossas vidas medíocres, que dizer de querer saber o que é melhor pros outros ???

Continuando, e seguindo o que está sendo narrado na biografia original :
Teve um dia , que o André se borrou nas calças, em plena sala de aula, e foi humilhado pelos 'colegas' e por toda a sua turma. Porque, a notícia se espalhou e todos ficaram sabendo do fato ocorrido. Todos desceram, e ele ficou deprimido chorando o recreio inteiro porque tinha se cagado e todos estavam lhe tirando sarro.

Ainda um último episódio envolvendo o André , não ia cita-lo , mas ficou marcado como uma ferradura na minha mente a vez que fui no banheiro para urinar no mictório e ele estava do meu lado , excitado e mijando e ficava se gabando do seu genital :

- Meu pau é sempre grandão ...

¬¬

Ahh confesso que , eu tinha que ter muito saco com o Diego, teve um dia que eu não aguentei : a gente estava na varanda da minha casa, e ele começou a me difamar usando o gravador antigo que eu tinha , que era um desses gravadores grandes que usam fita k7 normal, e eu não aguentei a diversas provocações e ao fato dele passar a me chamar de Da Lua ao invés de me chamar pelo nome como antes, um dia eu explodi e dei lhe um soco nas costas que ele ficou sem ar ... eu fiquei preocupado. Porque ele começou a chorar muito. Meu pai saiu da sala de onde estava assistindo um filme e veio perguntar o que houve. Diego saiu de casa falando que ia contar tudo pro pai dele. Não era a primeira vez que isso acontecia. Eu já havia me emputecido com ele outras vezes, por outras razões. Era crítica a situação.

Uma vez , Diego ficou de babaquice comigo, só porque , o Andrey tinha vindo (acho que pela primeira vez) lá em casa, jogar SSF2 (Super Street Fighter 2 de Mega Drive) que eu havia locado aquele fim de semana. O Diego veio ME CONVIDAR (olha que lindo) pra ELE VIR NA MINHA CASA jogar videogame. E eu sabia também que meus pais não gostavam de muitas pessoas em casas porque senão virava confusão. Eu disse pro Andrey :

- Vai jogando aí, que eu tenho que resolver uma coisa aqui.
- Tá.

Saí e fui do lado de fora , do quintal pra rua, onde ele estava, ele pegou e me disse

- Você está me traindo.
- Não estou te traindo porque não sou teu marido - respondi eu com minha educação fenomenal.
- Está me traindo sim , porque me trocou por outro - retrucou ele, sem imaginação.
- Pra começar, ele não é "outro", é um amigo meu, que pelo menos não fica me enchendo o saco, e me irritando. Se for pra continuar com a infantilidade desse assunto ,eu vou embora e você vai ficar do lado de fora , chupando o dedo. Tchau.
- TO DE MAL!!! - disse ele - Se você vier me chamar na minha casa um dia , vai quebrar a cara!

Mas não tinha sido daquela vez que a gente tinha parado de se falar ainda.
Mas o Diego era abusado chegou a chamar até o meu pai de mentiroso na minha frente-(e na ausência do meu pai)
Logo, logo, ele quis ficar de bem porque seus interesses estavam em jogo. Na semana seguinte ele voltou a minha casa.

Não foram poucas as vezes que meu pai me fez pedir desculpas ao Diego, depois de eu o ter golpeado fisicamente. Ele sempre (o Diego) , me golpeava verbalmente, mas tinha horas que minha paciência estourava e naquela época eu ainda não era adepto da filosofia do "quem resolve seus problemas com violência é porque não tem cérebro pra resolver a situação", então ficava mais puto ainda com tudo aquilo. Depois o tempo passou e eu mudei.

Voltando um pouco, a outras áreas, eu continuava aprendendo muito sobre programação em basic no MSX graças aos livros que vieram junto com ele , quando meu pai o comprou de novo no ano anterior usado, e estava até criando meus próprios programas de astrologia, mas eu só iria chegar no auge da programação aprendendo a usar e desenhar sprites em 1996 , quando troquei o computador pela guitarra do Andrey, como veremos mais adiante em alguns posts. Como minha mãe estava vindo com frequência pra ca por causa da casa que estava comprando em Almirante Tamandaré, ela me chamava as vezes para ir até lá (Almirante Tamandaré) para ir passar a tarde com ela e as minhas primas. Numa dessas vezes se deu um acontecimento inusitado ; ela sempre vinha me buscar porque meus pais não permitiam ainda que eu fosse pra longe sozinho .

Estando lá , minha mãe começou a fazer uma receita.
Ela me pediu :

- Filho , me traz meio limão, lá do quintal.

No quintal da casa da minha tia (por parte de mãe), havia um limoeiro
eu fui lá com uma faca , e cortei meio limão e dei pra minha mãe.
O resto do limão , a outra metade , deixei no pé , eu sei
muita gente quer me perguntar , como uma vez a Lolo Cuer,
perguntou brincando : "e o que aconteceu com a outra metade ?"
hiahaihaiahiahiaha, sei lá, eu não fiquei lá pra saber, mas
creio que apodreceu.

Continuo no próximo post , se não isso aqui vai virar uma bíblia!

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Assinar Postagens [Atom]