Domingo, Julho 16, 2006

 

[P#39] UM ANO COMPLICADO

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Primeira Comunhão - 1995

Passado aquele ano , eu continuaria ainda a estudar no Bento Munhoz da Rocha mais uma vez . Esse ano, seria, muito complicado pra mim na escola . Minhas notas em Matemática não foram boas em nenhum semestre, com excessão de uma prova em que meu colega Ricardo Esteban foi lá em casa e me ajudou a tirar umas dúvidas. Mas isso não impediu que eu reprovasse a sexta série.

Não foi complicado só por esse motivo, mas tbm , por fatores de ordem mundial como a volta do surto do vírus Ebola , em 1995 em Países de origem africana. A posse do primeiro ano de mandato de FHC tbm foi sufocante . Em poucos anos , perceberíamos na cilada que foi o real . Um dos piores governos da História, que óbvio, só podia ter sido "organizado" pelos tucanos do PSDB. Nenhuma saudade dessa época.Schumacher se tornou bicampeão mundial de fórmula 1 naquele ano.

Fábio não estava mais estudando na nossa sala. Mas como falei antes, conseguiu dar um jeitinho pra que meu apelido se espalhasse para além das fronteiras dos muros do colégio. Em compensação, mudou o professor de Matemática, não seia mais a senhora que nos deu aula no último bimestre do ano anterior. Seria sim , um homem de meia idade, negro, obeso, chamado José Pedro. Nunca gostei da metodologia dele de dar aula . Aí está um ponto em que eu e Andrey sempre discordamos. Andrey acredita que José Pedro foi um ótimo professor de matemática. Eu achava horrível, ele não tinha a metodolodia adequada pra dar aula e não tinha didática nenhuma. Era grosso nas suas broncas, que , tinham só como finalidade, assustar o pessoal. Passava muita lição pra casa , eu me sentia sufocado, e confesso que tinha vezes que não fazia o dever de casa a ponto de meu pai ter que verificar no meu caderno se não havia nenhuma anotação a respeito de dever de casa e essas coisas . Mas o José Pedro exagerava nos exercícios. Três , quatro páginas com expressões, equações, e pra quem odiava Matemática como eu aquilo era insuportável.

A turma do colégio em si era praticamente a mesma , inalterada, e diferentemente do que aconteceu no Martinus , quando, haviam me trocado pra uma outra turma que não tinha nada a ver com a minha, sequencialmente dessa vez me deixaram na mesma turma onde eu mantinha a amizade com o Gilberto, Andrey e Ricardo. Poucos alunos novos entraram nesse ano. Tenho horror de lembrar da Celina e que quase apanhei dela, ou apanhei dela mesmo. Não sei... sei que fiquei horrorizado com meu ano escolar, não só pelo fato de reprovar em matemática. Outras coisas pesaram e muito. Principalmente a atitude de alguns "colegas" comigo. Celina era uma gordona bagunçeira, que promovia agitos não muito agradáveis na sala de aula. Ah, em resumo uma porca. Só isso que tenho a dizer.

Nos nossos amigos, (aqueles que valem a pena ser lembrados), havia tbm o Clóvis, um garoto loiro, magro e com algumas sardas no rosto e o Samuel, provavelmente seu amigo que fazia dupla com ele no estilo "meu melhor amigo", que tbm era loiro, mas era o baixote da turma. Tinha uma garota chamada Kelly lá tbm. Ela era estranha porque apesar de não ser uma baderneira, sempre que ela falava alguma coisa ou lia algo em voz alta , parecia que estava chupando uma bala. Até que um dia alguém me alertou que ela não tava chupando bala, que ela falava assim mesmo. Que surpresa.
Mas, pior foi o dia que eu tava com o livro de matemática aberto sobre a mesa e exclamei muito puto da minha cara :

- Não sei fazer porra nenhuma ! - Kelly nessa época sentava na carteira ao lado
- Porra eu tb não sei fazer, Da Lua! - disse isso olhando pra mim

Eu fiquei com cara de bunda , e, nem sei se falei algo na sequência, mas provavelmente fiquei quieto. Acho que fiquei vexado com a situação. E , não querendo avacalhar com o contexto do que está sendo dito aqui , mas , porra eu só aprenderia a fazer dois anos após aquela espontânea expressão ! Então voltei, a tentar resolver os exercícios propostos no livro. Provavelmente não consegui.

Esqueci de dizer, mas no final do ano anterior, quando foi em Dezembro , mais ou menos , meu pai voltou pra casa com um computador MSX. Ele havia vendido o micro em 1992, sem que eu soubesse pra pagar umas dívidas. Mais ou menos na épcoa que eu queria escrever uma versão da Bíblia em BASIC . E foi aí que descobri que ele havia vendido o computador, estava eu um dia com o álbum de fotos da família em meus braços quando o vi chegando com umas sacolas e uns pacotes. Era o computador. Usado, mas era, e dessa vez sem o data-recorder, e sim com um drive de disquete e alguns disquetes 3/4 - a partir desse ano que começei a me interessar por programação , (a partir de 1995) , e começei a desenvolver e criar meus próprios programas entendendo as rotinas de IF < > GOTO, entre outras da linguagem BASIC, e estava através de livros que vinham com o computador evoluindo no desenvolvimento dos meus próprios programas . Isso sim pode se dizer que foi um dos poucos fatores positivos , de coisas que aconteceram em 1995 , na minha vida pessoal.

Gilberto, não lembro como, aprontou uma que deixou Ricardo muito puto da cara e , fez com que ele, o melhor aluno da classe, assinasse o livro amarelo do Bento. Esse livro funcionava assim ; cada aluno que tivesse sido punido com ele por três vezes , era suspenso , por não lembro quanto tempo, se por uma semana ou três dias. Tinha alunos que chegavam a assinar o livro mais de 30 vezes, aqueles que aprontavam mesmo, como a Celina e o Fábio , por ex. Ricardo se sentia envergonhado porque aquilo estava manchando a sua reputação de exemplo da classe. Gilberto o tornara um de nós. Foi pra ele uma situação muito vexatória. Se não me engano, Gilberto, pra fazer com que Ricardo assinasse o tal livro, disse que o amigo havia esculachado com a galera durante a ausência do "cafezinho" da professora. Nossa professora de História, sim, sim, aquela que parecia uma Miss. Mistura do capeta com o Pedro de Lara, versão de saias, fingia que dava aula de história através dos chatérrimos questionários , que baseavam-se em nada mais do que a decoração de nomes, cidades e lugares, e não despertavam no aluno o interesse cultural-histórico de nenhuma forma. Alguns professores as vezes se tornam responsáveis por certos alunos acharem certas disciplinas horríveis e abomináveis. Gilberto acabou se dando mal. Acabou assinando o livro amarelo tb, por ter sido "dedo duro".

Nem preciso dizer o quão horrível eram os métodos de aula dessa professora feiosa com olhar de peixe-morto. Geralmente os questionários que ela passava pra gente responder, eu respondia junto do quarteto, formavam-se as duplas, Gilberto e Ricardo, Andrey e eu, e assim passavamos a aula em grande parte na ausência da professora, que ficava "tomando café", e o pessoal aprontando mil e umas travessuras. Jogando bolinha de cuspe no teto. Xingando a mãe , a avó, gritando, zoneando de vez com a sala. Educação nota 1000.

Continuo no próximo post.

Quinta-feira, Julho 13, 2006

 

[P#38] O ANO DA COPA (Parte Final)

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Nessa foto, 1994, no Inverno rigoroso de Curitiba - meu avô na esquerda , e eu usando uma blusa de lã que na verdade era da minha avó :P

Bom, acho , que , de forma ou de outra acabei citando o que foi realmente relevante esse ano. E coisas que eu lembro , mas que não são de interesse geral, e tornariam essa biografia um tanto chata, então , é melhor não comentar pq não acrescenta nada . Mas por outro lado,lembranças gastrônomicas , são sempre bem vindas . 1994 foi o primeiro ano que eu comi bacalhau na minha vida . E foi na páscoa ao molho de strogonoff. Prato ótimo esse. Nunca esqueci. No feríado prolongado, em que no auge do vício de locar jogos para o Mega Drive, tbm teve o inesquecível jogo de pinball de montar a sua própria "mesa" e etc, etc. Inclusive devo ter o jogo no emulador. Mas hoje ele parece ter perdido a graça que tinha na época.

Como eu falei no post anterior , eu tava percebendo que com a nova professora de matemática meu desempenho tinha caído muito e eu não compreendia mais tão bem a disciplina como estava compreendendo nos 3 bimestres anteriores. Eu vi meu boletim e fiquei preocupado com aquele 5,0 (embora fosse essa a média do colégio), sendo que nos bimestres anteriores eu havia tirado 7,0 , ou seja meu desempenho estava muito abaixo do que eu tinha apresentado meses anteriores. Eu tinha certeza , de que, se não fosse por algum professor muito bom ou por um milagre gigantesco, com certeza o ano seguinte eu iria reprovar em Matemática. E eu que nunca fui profeta e nem vidente , nunca pude estar tão certo, muito embora minha intuição tbm me guie e aponte o futuro que eu tanto tenho medo de enfrentar.

1994, foi um ano de mudanças, e que , como característica maior, eu diria que , foi um ano tbm que influiu de certa forma para uma certa mudança comportamental, mesmo eu sendo a mesma pessoa, eu estava encarando outra realidade social, que era diferente daquela encarada nos tempos de Martinus , as pessoas eram outras , os professores, a escola e principalmente a qualidade do ensino , eram muito diferentes. Era outro mundo que acabou me influenciando e talvez me tornando um pouco mais relapso e relaxado, talvez eu tenha perdido algumas frescuras, nada assim de tão notável, mas que , denotavam uma nova influência que eu tava recebendo das pessoas de camadas mais humildes da população. Me tornei menos fresco, voltei a frequentar as ruas , e encarar a antiga vizinhança, e agora tinha a Izabel (ou Isabel) e os irmãos dela que moravam na rua de trás , e cuja mãe tocava na Igreja . Pessoal da rua era o mesmo pessoal do futebol no campo de areia e na Chácara do Olacir que ficava em frente de casa. Mas não lembro , em que ano eu começei a participar dos eventos na Chácara. Mas enfim, tinham as bagunças nas salas de aula , o jeito mais escrachado de usar gírias, e tudo aquilo de certa forma foi me influenciando, e acabei absorvendo algumas coisas, algumas talvez tenham me influenciado de forma positiva, outras não , e outras podem ter ficado neutras perdidas em algum lugar da minha consciência. Enfim cada ano teve sua importância na minha vida. Esse ano foi o que formei uma das amizades mais duradouras, e que continua até hoje de forma influente e participativa na minha vida que é a amizade com o Andrey que dura já mais de 12 anos. É a amizade mais antiga que tenho . \o/ . Era pra ser a da Sabine,mas hoje em dia ela nem responde mais meus scraps. Perdemos o contato de certa forma. Por outro lado, além do evento da Copa do Mundo , e do Tetra do Brasil, fora tb, o ano eleitoral, o que me deixou meio frustrado com esse ano era o colégio mesmo em que estudava . Nunca gostei nenhum pouco do ambiente do Bento Munhoz da Rocha Neto. O nível do pessoal , não generalizando, me desagradava bastante tb. E o nível dos professores me desagradava mais ainda . u.u

Mas o ano seguinte seria bem pior.
Continuo no próximo post.

Quinta-feira, Julho 06, 2006

 

[P#37] O Ano da Copa (Parte IV)

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A seleção do Tetra - Copa dos E.U.A - 1994

Sim, em 1994 o Futebol parecia estar em moda, principalmente com a chegada eminente da Copa do Mundo. E foi a primeira Copa do Mundo que eu sofri, digo, que eu assisti, a de 1990 , eu era muito pequeno ainda pra poder entender alguma coisa . Mas em 1994 , assisti com minha família todos os jogos da seleção convocada por Parreira, que entre outros era formada pelos atacantes Bebeto e Romário , pelo capitão Dunga , e outros. Que copa mais sofrida . E que vitória mais sem graça nos pênaltis, contra Itália . Falando sério . Graças à Roberto Baggio que chutou pra fora o Brasil conseguiu o Tetra "na raça". E salve o goleiro Taffarell tbm que realizava milagres com a seleção. Aquela seleção, ganhou 6 jogos e empatou um. A única vitória nos pênaltis foi na final , enfrentou antes a Rússia , e os E.U.A tb.

E como era nos E.U.A a copa, em razão do fuso horário , éramos dispensados mais cedo da sala de aula , já não bastasse tbm , aquele mesmo ano , ter sido o da morte de Ayrton Senna no primeiro de maio, em que uma professora se pronunciou dizendo que deveria ser decretado feriado nacional em homenagem ao ídolo , na copa do mundo eramos liberados a tarde , e voltavamos só no dia seguinte. O mesmo ocorria com meu pai e meu avô que eram dispensados do serviço pra assistir aos jogos da Seleção. Pelo menos aquela época o esforço não foi em vão. O Brasil conseguiu atingir seus REAIS objetivos (sim , os mais curiosos podem ler a data desse post pra fazerem a analogia a respeito do que eu estou falando aqui). Comprei uma bola no supermercado dessas de 1 real. Meus avós pediam pra que eu não jogasse ela em casa. Mas eu jogava.
Hiahsdihfaishdi quase quebrei um monte de coisa , pela desobediência. Depois eu ganhei uma bola maior , e, como tava começando a gostar de futebol aquela época, pedi pro meu avô construir um gol de bambu (sim tinha bambu sobrando no quintal), e assim ele o fez, sempre que o Diego vinha aqui em casa, brincavamos de bater uns pênaltis , e o cachorro brincava junto tbm, sempre tentando pegar as bolas ... as vezes vinha com tanta força que ele sangrava, coitado.

Tbm foi ano de uma tragédia pessoal, Lady comeu algo envenenado que jogaram embaixo do nosso portão e ficou sofrendo vários dias até morrer. E quando morreu a tristeza foi muito grande. Na hora do jantar ninguém conseguia se conformar :'(. Eu parei de jogar Mortal Kombat por um longo tempo depois que isso aconteceu pq eu associei uma coisa a outra . Não tinha nada a ver. Mas eu não tinha mais espírito praquele tipo de jogo, depois que aquilo havia ocorrido. Parei com esse jogo, no dia seguinte minha avó perguntou se eu queria ir pra aula ou ficar no colégio , eu acabei optando por ir pro colégio, pq sabia que minha mente iria me martirizar o tempo todo se eu ficasse em casa , e ia passar o dia pensando naquilo. Fui pra aula . Contei o ocorrido pra alguns colegas, a professora de Matemática reclamou na minha lerdeza pra resolver uma conta no quadro negro.

Fora isso, antes da Lady morrer , aquele foi um dos invernos mais frios que já passei na minha vida . Ventos fortes , umidade , água congelante. Tudo que eu mais odeio . Ah sim ,eu sou fã de um calorzão. Prefiro um calor de rachar a cabeça e passar mal do que ficar me martirizando no frio, e sofrendo pra escovar os dentes e pra lavar o rosto. E sofrendo pra ir tomar banho . Outra coisa que eu nunca gostei, mas pelo menos aquela época minha avó me permitia tomar banho um dia sim , um dia não. Não sei quando que me foi castrada essa liberdade . Mas se morasse sozinho com certeza tomaria banho somente nos dias que me desse vontade.

As intrigas no colégio continuavam , e algumas , continuavam na minha rua tbm, pois quando voltei a sair de casa e me encontrar de volta com aquele pessoal do tipo Wilhan e Cia que frequentava a minha rua , como a maioria da vizinhança, o final não podia ser bom . Me meti em algumas confusões mais com eles, aqui , mas nenhuma que eu ache que valha a pena ser citada.

A professora de Matemática pediu transferência no meio do ano, e eu achei uma lástima ,era a única professora que tinha me dado 10 e 1/2 numa prova. Hiahsidhiashd , e ninguém acreditava. Nem eu . Mas eu tinha conseguido essa façanha sei lá como . Ela tinha adicionado pra mim alguns pontos de alguma tarefa extra que eu tinha feito . Com ela a Matemática era boa e eu conseguia ir bem na disciplina. Quem assumiu no lugar dela foi uma senhora de 60 e poucos anos , parecia clone da Fernanda Montenegro, mas confesso que começei a boiar quando essa professora começou a lecionar, e de 8,0 e 9,0 que eu havia tirado em Matemática nos meses anteriores, minha média (que era a média do colégio) havia despencado pra 5,0 no último bimestre, que foi quando ela assumiu. Aquilo me preocupou, pq eu havia passado aquele ano pq tinha ido muito bem nos bimestres anteriores, mas sabia que se continuasse daquele jeito , no ano seguinte minha reprovação seria certa.

O mesmo cara que me deu apelido de "Da Lua", certa vez passou a mão em mim , enquanto formavamos a fila . Fiquei muito irritado com aquilo. Nunca dei esse tipo de liberdade pra ninguém fora a falta de respeito que aquilo representava . Tinha um inspetor que passava por todas as filas. Ele podia ser maior que eu , e tbm mais forte, me ameaçar de me dar uma surra, mas eu não ia deixar aquilo passar em branco. Contei pro inspetor sem pensar nas consequências futuras. Perguntou o nome , meu e do pederasta. Nos levou até a sala da direção, tive que explicar de novo o caso pra diretora . Ela me liberou e ele ainda ficou um bom tempo lá. Voltei pra sala de aula.

Depois , pouco antes do sinal bater ele veio me chamar a atenção , dizendo que aquilo era só uma brincadeira, que eu tinha entendido errado, eu disse que pra mim aquilo era , acima de tudo, coisa de viado, e disse que não era obrigado a tolerar as brincadeiras de mau-gosto da parte dele, e disse que ele podia fazer as brincadeiras dessas com a mãe dele , pra ver se ela apreciaria tal "brincadeira". Ele me chamou de Dedo-Duro. Me chamou de bicha tbm. Eu retruquei a ele que pra mim bicha era quem passava batom, sem no entanto, ser do sexo feminino. Disse que lugar de viado era longe de mim. Ele ainda tentou me intimidar , dizendo que se me pegasse sozinho na rua quando eu menos esperasse ele viria me cobrir de porrada , falou que eu podia chamar meu pai (pq meu pai as vezes me levava e buscava no colégio, quando não era meu avô ou minha avó quem o fazia)que meu pai ia apanhar junto . Óbvio , que , não ia admitir ser tratado daquela forma e me vi obrigado a contar toda a história pro meu pai, do momento que ele me molestou ate´as ameaças na saída da escola.

No dia seguinte, meu pai me levou ao colégio, e , diferentemente das outras vezes, adentrou no local, e me pediu para que mostrasse quem é que havia me desrespeitado e ameaçado no dia anterior. Eu apontei pra Fábio, que estava distante no pátio e conversando com alguns amigos , pensei que meu pai fosse acertar as contas com ele pessoalmente, o que meu pai queria é que eu apontasse pra ele, e que, ele percebesse, pois consequentemente veria que eu estava com meu pai no colégio, e que a brincadeira dele , juntamente das ameaças, haviam passado qq limite tolerável. Ainda mais que eu era apenas uma criança e ele um aluno repetente , uns 2 ou 3 anos mais velho que eu. Enfim , ele nos encarou, de longe, e percebeu que eu estava acompanhado do meu pai. Não sei se ele ficou com medo do meu pai , ou não, não me lembro o que ocorreu depois disso, mas, depois disso não tive mais problemas com o Fábio. A única sequela seria o apelido que eu carregaria por alguns anos da minha vida.

Como o futebol estava na moda , não podia , deixar , de , com toda aquela febre, comprar um jogo de futebol de botão, eu tinha comprado o time do Corinthians, e o do Vasco da Gama. Aliás vale salientar, que, graças a Copa do Mundo, e, a Rede Bandeirantes de Televisão que tinha na época contratado locutores esportivos do naipe de Sílvio Luís , que eu me tornei Corinthiano, com muito orgulho. E sou Corinthiano até hoje. Depois eu começei a torcer para o Paisandu tbm. Mas , como percebi que era um time muito fraco, e não era uma grande equipe, depois eu parei de torcer e continuei só com o Corinthians.O videogame ainda continuava sendo minha forma favorita de entretenimento. A maioria dos meus cartuchos para Mega Drive era pirata. Nessa época um jogo pirata pra Mega Drive, custava em torno de 40-50 reais, dependendo óbvio da procura e da qualidade do jogo . Eu procurava reunir na coleção de fitas os clássicos da pancadaria como Street Fighter e Mortal Kombat, assim como a série clássica do Sonic. E geralmente, nos Sábados e Domingos tinha a companhia no velho companheiro de Kombi , o Diego, pra jogar esses clássicos da minha infância/adolescência. Toda Sexta Feira , meu pai locava alguma fita, ou eu ia até o centro locar algum jogo. Peguei cada porcaria de jogo, mas tinha vezes que era recompensado com jogos muito bons e alguns , até mesmo, clássicos.

O Diego não me convidava nunca pra ir na casa dele.
Mesmo morando eu na mesma quadra que ele. Raras foram as vezes que eu fui lá.
Pra ser sincero eu acredito que foram só duas vezes.
E numa delas , jogando futebol na garagem ainda acertei a mãe dele com uma bolada .
Horrível isso.
Mas o Diego , era meu amigo apenas por interesse, e isso começou a ficar muito claro, quando , ele chegava em casa e era sempre pra jogar . Tanto que as vezes meu videogame estava desligado e ele já 'se sentia em casa' mesmo, a ponto de ligar o videogame antes mesmo de eu chegar no quarto, principalmente quando ele vinha na minha frente . E me xingava sem motivo nenhum , e me provocava, umas duas ou três vezes fiquei com consciência pesada por agredi-lo fisicamente, pq ele era muito magro, e, parecia que ia quebrar a qq pancada mais forte que recebesse . Mas quando a raiva subia a minha cabeça , eu não pensava duas vezes. Na verdade não pensava nem uma vez . Já ia descendo o braço. Felizmente poucas foram as vezes que isso ocorreu.
Nessa época ele ainda me chamava de "Ricardo" ,pq, meu apelido ainda não tinha se tornado conhecido na região que eu morava. E pra variar, quem o espalhou por lá no ano seguinte foi o Fábio, numa partida de futebol no campinho de areia, partida essa que tinha o Wilhan, o pederasta-júnior e o pederasta mestre juntos , confabulando. Eu devia desconfiar. Meu apelido , no ano seguinte se disseminou e ninguém mais me chamava pelo meu nome. Ta certo que , como eu morava um tanto perto do colégio que estudava , seria uma questão de tempo para que meu apelido se espalhasse, mas o Fábio se encarregou de ir adiante do tempo e me fez esse "caridoso favor".

Continuo no próximo post.

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