Terça-feira, Junho 06, 2006

 

[P#36] O ANO DA COPA (PARTE 3)

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Antigo sucesso do horário nobre, de autoria de Carlos Lombardi, a novela quatro por quatro formou uma legião de fãs de seus personagens marcantes e marcou época

Como dizia nos posts anteriores, na transisção de 1993/1994 eu mudei para outro colégio público, dessa vez um que ficava mais próximo da minha casa e que eu ia a pé, sem precisar do auxílio da Kombi escolar ou de ônibus público. Se eu, no ano anterior, tinha achado o Mirazinha Braga um colégio de qualidade inferior ao Martinus, o Bento estava muito aquém de qualquer expectativa boa minha , não só pelo nível dos alunos como também dos professores que em sua maioria eram grossos e tinham uma péssima didática para lidar com os alunos .

1994 foi o ano que eu tive a pior professora da minha vida , chamada Maria da Graça. Que foi apelidada depois , por nós da turma por Maria da Desgraça . A mulher era o cão. Ranzinza, era uma senhora de seus cinquenta e poucos anos que sempre dava aula como se estivesse na TPM. Era ela , quem , pelo conteúdo programático letivo do colégio , nos fazia ler aqueles livros da "Série Vagalume", para que nós aprimorassemos nosso (mau) gosto pela leitura. Cada história horrível de aguentar. Resumir livros de 70-100 páginas e 30 linhas , que tarefa chata. Óbvio que valia nota pois era assim que vc "provava" que tinha lido determinado livro.

Isso em si não era o pior de tudo, tratando-se daquela professora horrível, o pior eram suas aulas, suas broncas sem motivos e sua forma de passar o conteúdo e de abordar algumas matérias relacionadas a língua Portuguesa, e, sobretudo, referentes a pontuação e acentuação gráfica. Que professora horrível. Fazem mais de 10 anos , mas não tem como esquecer o trauma . Todo dia alguém , (quando era dia de aula da Português, óbvio) passava um pensamento no quadro , que ela fazia o pessoal repetir em voz alta.

Óbvio que acabei , numa dessas circunstâncias, sendo vitíma dessa velha coroca, desmiolada , imbecil e autoritária. Quando falou certa vez a respeito do uso de vírgula em textos em geral e pá , ela disse que , ao lermos uma vírgula deveriamos "parar um segundo pra descansar e continuar o texto em seguida" . Óbvio que suas lições eram sempre com a cara emburrada e no pior humor possível. Era a típica velha mal-comida. Não tem outra explicação . Daí , certa vez, ela foi passando um texto de mão em mão, e cada um de nós tinha que continuar a partir do parágrafo que o aluno anterior havia terminado . Quando chegou a minha vez, acabei contando o maldito UM SEGUNDO DE BOSTA, INÚTIL , RETARDADO, MAL EXPLICADO, MAL PLANEJADO E FORA DE CONTEXTO , e a big vacona achou que eu tinha me perdido no texto me passou um sermão na frente de toda a turma e falou que ia me tirar um ponto da média a próxima vez que eu "me perdesse no texto". Tempo bom que os professores do ensino público eram umas latas de lixo ambulantes, but anyway...

Uma vez, sentada na cadeira dos professores, com a lista de chamada em cima da mesa ela disse que aluno não gosta de professor bonzinho, que bom era professor rígido, e ainda nos rogou uma praga (ela iria se aposentar em breve) disse que quando ela se aposentasse a gente ia pegar um professor bem pior , e, que , nós sentiriamos saudades . Ahh com certeza, por pior que o outro professor fosse realmente seria impossível não sentir saudade de toda a truculência e grosseria daquela professora , que tinha um senso de "justiça" bem duvidoso.

Uma vez ela estourou de vez com a nossa turma, pra variar , como os demais professores daquele colégio que RALAVAM MUITO!!!!ela tinha saído pra 'tomar um café' enquando o pessoal fazia uma lição qualquer lá . Quando voltou óbvio que o Fábio (sim o mala que me deu o apelido tosco de "Da Lua") e a sua trupe já tinham zoneado tudo , e a turma entrou na onda de quem bagunça mais e voavam bolinhas de papel com cuspe pro teto, batucada nas carteiras , guerra de papelzinho , o único que ficava tranquilo e sereno nessa hora era o Ricardo que não se deixava influenciar por esse tipo de bagunça. Ele era mais centrado e continuava fazendo o dever, eu não participava muito dessas manifestações , mas , prestava mais atenção na bagunça do que no dever. Quando a velha voltou , parecia que tava possuída pelo capeta, aos berros ela nos ordenou (a aula dela era a última daquele dia) escrever 200 vezes no caderno "Não devo fazer bagunça enquanto o professor estiver ausente". E no mínimo , ela deve ter achado aquilo uma punição exemplar. Ela liberou no entanto dois alunos desse castigo , o Ricardo e a Ananza , Ananza era uma menina loira , aliás que todos nós achavamos "gostosa", desde aquela época. É meus amigos , sabem como é . Quem não sabe é pq é hipócrita. Mas voltando, liberou o Ricardo pq este pediu pra ser liberado do castigo, e como as notas dele sempre eram maiores da nossa turma , ele tinha credibilidade com ela . Já a Ananza não compreendo pq foi liberada. Vai ver a professora tb achava ela "gostosa" e sonhava em dar uns pegas nela. Vai saber ?

Realmente , em termos de produtividade escolar não foi lá um bom ano , por exemplo no último bimestre do ano , a gente trocou a professora de Matemática , que era a disciplina cuja minha dificuldade sempre foi elevada, por uma outra senhora , confesso que , a professora mais jovem , que estava sendo transferida do colégio era uma boa doutrinadora e tinha uma didática boa e paciência com os alunos , principalmente com os mais "lerdos" como eu , era também gatinha. Hiahiahiaha ,eu era novo mas já notava esse tipo de coisa . Acho que se marcar até fui a fim de alguma menina lá , mesmo que sem nenhum tipo de profundidade emocional , etc,etc. E quem substituiu ela foi uma outra professora, tb, não ruim , mas já idosa, eu olhava pra nova professora e lembrava da Fernanda Montenegro. hIHAIHAIAH , é , era foda. Outra coisa que atrapalhava é que apesar das promessas de suspensão , a maioria dos bagunceiros sempre ficavam impunes, e a sala virava aquele tormento para os que queriam acompanhar as aulas de forma mais disciplinada, e o que os professores saim pra "tomar café" tb não tava no gibi. Puta que pariu , acho que eles não tinham em casa. Ou saía mais barato tomar no colégio, ou não estavam nem aí , não estavam a fim de aturar pentelhada por causa do salário que recebiam do Estado. Vai saber...não importa, o que importa é que eram muitas aulas de pouco conteúdo prático/construtivo e muita atividade que não nos desenvolvia nem intelectualmente e nem enquanto cidadãos . As aulas de Geografia, como o Andrey lembrou dia desses, (valeu Andrey agora posso postar isso aqui,antes não lembrava) se baseavam basicamente em pintar mapas nos fins de semana e trazer para o visto na semana seguinte , e, tbm em responder questionários chatérrimos sobre questões cujas respostas era só ler algum paragrafo do livro. As de história , que é uma disciplina interessante conseguiam ser mais xaropes ainda , pq se baseava em sentar em dupla e responder questionários . Ótima professora Irlene , nos incentivava a evoluir e tornar nossa capacidade intelectual através da decoreba, ela praticamente não dava aula. Passava a aula inteira sentada lendo Contigo, Carícia e outras revistas de conteúdo profundo . Fenomenal, ia dar o visto no nosso caderno com uma má vontade e a cara de bunda de sempre. Como o café dela era o mais demorado ela sempre deixava alguém como monitor da turma. Fora que era horrível. Parecia um traveco mal cuidado.

Culturalmente, eu não lembro assim o que houve de muito relevante a ser contado, lembro que foi o ano que tive o dom de queimar a tv do meu pai, quando jogava a versão caseira do Street Fighter no Mega Drive, e como ele ia chegar tarde, eu fingi que tava dormindo pra não levar bronca . :( . É me acovardei não tive coragem de contar pra ele que fui eu o responsável pela tv dele pifar. Daí ele "me acordou",e perguntou se eu sabia o que tinha acontecido com a tv dele e eu neguei tudo. Mais ou menos por essa época minhas HQs além de receberem influências do Cimério Conan, recebiam influências tb do filme Jurassic Park, e eu me entretia escrevendo sobre dinossauros usando os personagens que eu havia criado e que estavam sendo reformulados pela minha nova "concepção de arte" .

"Quatro Por Quatro" era a novela que eu não perdia um capítulo, grande sucesso do autor Carlos Lombardi, tinha vezes , que , quando meus avós iam fazer compras, meu pai colocava a novela pra gravar pra que eles pudessem acompanhar depois . E nessa época tb eu fui me interessando em aprender a usar o videocassete, e não fazia a menor idéia de como era pq, como aquilo não "era coisa pra criança ficar brincando", eu nunca tinha posto um filme da tv pra gravar na vida, mas morria de vontade. Fui aprender isso só no final do ano seguinte . Como dizia, a novela foi um enorme sucesso. Eu adorava, não perdia um dia só e acompanhei tudo , do começo simplório às mais fortes emoções da trama até o seu desfecho em meados de 1995. Tinha um amigo no colégio, o Clóvis, que não fazia parte do quarteto , mas com quem eu conversava razoavelmente bastante, que, ficava disputando comigo de quem era a Babalú , (personagem gostosona interpretada pela Letícia Spiller na época), e a gente brigava feio pq , ficavamos disputando de quem era . Hihaihiahaihaiahahaa. Dois molecotes sem nem sinal de pelo no rosto e em nenhuma parte do corpo , se agredindo verbalmente por causa de um personagem ficctício. Mas não era só a gente não. A homarada em geral babava pela Babalú . Aliás , o par romântico da Letícia Spiller com Marcelo Novaes, foi responsável por grande parte do ibope da audiência, pois eram personagens popularescos com os quais o povão se identificava. Quem não sonhava em ter uma namorada como a "Babalú" ?

Conto mais no próximo post.

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