Terça-feira, Maio 30, 2006

 

[P#35] O ANO DA COPA (Parte II)

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A Espada Selvagem de Conan : Forte influência literária na minha pré-adolescência

Quando a moeda mudou, eu lembro que fiquei muito contente pq minha mãe tinha dito que eu iria ganhar uma mesada de 10 reais todos os meses, e, que , se ela não estivesse aqui , me mandaria isso pelo banco - como ela estava em Cosmópolis por essa altura, era só assim que eu receberia mesmo ,uma vez que ela só vinha nas visitas pra Curitiba. A mesada eu recebi por cerca de 2 meses , quando ela perdeu a paciência comigo por um motivo que eu não lembro direito o qual foi .

Os meus primeiros reais, ganho em moeda pelos meus avós , eu lembro direitinho onde fui gastar : no fliperama que ficava quase ao lado do Super Mercado , o jogo que me fascinava era o Super Street Fighter 2 , e , lembro até hoje , com uma certa nostalgia do fedor de quentão que a máquina tinha . Havia apenas dois fliperamas no bar , mas ue só jogava no Street Fighter pois era realmente fascinado por games, e , principalmente games de luta , além de ser fã incondicional do Sonic e leitor assíduo de publicações como Supergame, entre outras similares.

Mudei pra um colégio que eu odiei, sinceramente falando, do colégio não tenho saudades nenhuma. Amigos deixaram boas lembranças, mas do colégio em si , foi o pior que estudei na vida . Reprovei nele no ano que se sucederia a esse que estou contando. Veio aí o primeiro apelido da minha vida "Da Lua" , e tudo por culpa minha mesmo que não soube administrar direito na época meus sentimentos com relação a isso e fiz uma interpretação errada do modo que eu devia agir . Meu comportamento nunca foi do mais normal, e eu nunca me senti hábil o suficiente pra me enquadrar no clichê do 'ser comum'. Era descoordenado acima de tudo , as aulas de Educação Física eram vexatórias , ainda uma vez , machuquei feio o meu dedão jogando vôlei. Uma manchete errada que eu fazia e ia tudo por água abaixo, o time perdia , eu era vaiado era uma lástima.

Enquanto , paralelamente a esses fatos, nos fins de semanas e feriados, retomei as ruas da minha "bela vizinhança" e conheci novas pessoas, algumas conheci graças a igreja católica, como a Isabel, no tempo que eu fazia faculdade , e os seus irmãos mais novos, na mesma rua , que levava á um campinho de areia havia tbm a casa de dois irmãos que eu frequentei e pela primeira vez fiquei impressionado de ver um videocassete captando as imagens de um videogame, óbvio que hoje em dia eu faço isso com as mãos nas costas, mas como eu não entendia o procedimento naquela época, aquilo parecia revolucionário . Eles tinham um computador poderoso pra época ,e , não lembro direito se foi nesse ano , ou no posterior , que eu vi pela primeira vez na vida um PC emular um MSX. Fiquei maravilhado vendo aquilo. Provavelmente esse fato ocorreu em 1995. Mas continuemos :eu não lembro qual foi a situação e nem o ano pois , com algumas características apenas diferentes , poderia dizer que 1994 e 1995 foram anos gêmeos, e eu ter que recordar de fatos de 12, 11 anos atrás as vezes é uma tarefa um tanto quanto árdua pois as lembranças se embaralham e a ordem cronológica dos fatos é a maior prejudicada com isso.

Mas , provavelmente foi em 1994 , que por uma confusão de pessoas e desencontros diversos, eu, que não sei onde estava com a cabeça , resolvi, chamar o Wilhan para jogar uma partida de Mega Drive lá em casa , mas não o encontrei e acabei chamando o Diego, e , a partir desse dia todos os Sábados e Domingos ele vinha lá em casa e a gente se divertia junto, ele jogava meu videogame , e , era a cobaia para ler minhas histórias, para eu não escrever pra ninguém , outra cobaia das minhas HQs era o meu pai, pessoa que eu pedia e contava sempre , para que lesse minhas histórias . Eu por essa época já tinha outras influências literárias no que se refere a arte e a concepção dos meus próprios personagens, estava fortemente influenciado pelas crônicas do Cimério Conan e das aventuras da ESC , que , possuía desenhos
que me impressionavam pela arte gráfica , e a histórifa ficcional-violenta que prendia a minha atenção e me fazia viajaer e depois criar , e me influenciar com aqueles roteiros . Foi em 1994 que meus personagens ganharam uma nova expressão e forma.

O que me acabava com o humor era o fato de ter que acordar todo o Domingo de manhã para ir para catequese ficar uma hora ouvindo a professora falar dos princípios cristãos e coisas diversas, não aguentei dois anos nessa vida. Por isso nem crismei . Houve até uma aula lá fatídica , (essa provavelmente ocorreu em 1995) em que a pequena turma assistia a aula em paz, até surgir um boato , que eu , achei, muito óbvio ser uma zoação descarada com a minha pessoa, de , uma menina estar a fim de mim, ela veio até falar que gostava de mim ,mas como eu estava acostumado a ser zoado e achincalhado por garotos mais velhos no colégio , não tinha fé nesse tipo de coisa , daí acabei mandando ela ir pastar , sim , literalmente eu disse : "Vai pastar no mato!" , que era uma forma educada de xingar os outros estando dentro da Igreja. Daí ela respondeu algo do tipo "Vai se foder seu grosso", algo bem romântico, nesse naipe, já não lembro mais a essa altura, mas eu sentia a necessidade de registrar essa lembrança nessas memórias que posto aqui.

Esse ano foi importante pra conhecer o cara que , se não é o meu melhor, pelo menos porsso afirmar com toda certeza, e´um de meus melhores amigos e me da força em todos os momentos, ou pelo menos , em todos os momentos em que possa estar presente . O Andrey. Na verdade a gente formou um quarteto que era formado por Ele , pelo Ricardo Esteban (outra alma brilhante e um gênio escolar , quem o conhece sabe do que eu estou falando , uma inteligência rara - de ascendência Chilena) , e o Gilberto, cujo sobrenome não lembro , haviam mais amigos que de vez em quando se enquadravam nesse elenco, mas a mediada que aquele ano foi passando eu "encontrei a minha turma" , um pessoal que não fumava nem bebia (porra com 11 anos queriam o que tb né ? Era colégio público que eu estava e não na Febém) eram pessoas com quem tive uma afinidade instântanea digamos assim ,e ,acho que em parte, ajudaram a moldar meu caráter e me tornar o "homem" que eu sou hoje . Ou pelo menos ajudaram a formar minha opinião, eu sei que a relevância deles foi grande , mas sobre tudo a do Andrey de quem eu recebi e ainda recebo grande influência nesses mais de 10 anos de amizades que cultivamos.

Eu não lembro exatamente quando é que foi que eu fui apelidado de "Da Lua" , e nem quando foi a primeira vez que me chamaram disso, mas lembro de quem me deu o apelido. Era um garoto mais velho , um tanto quanto obeso, mas no entanto possuía massa muscular de impor medo em garotos mais novos , mas não chegava a ser um valentão da turma , mas não tinha compustura nenhuma na classe, era mal educado , atrevido e até certo ponto asqueroso. Se chamava Fábio , não me perguntem o sobrenome , nem quero lembrar ... ele me deu esse apelido porque provavelmente notou as coisas que eu fazia , o modo peculiar meu, de fazer as coisas, de me comportar , de ser descoordenado entre outras qualidades negativas que não valem a pena eu ficar citando aqui .

O apelido era uma analogia a novela que passou no ano anterior na rede globo, o remake de "Mulheres de Areia" de Ivani Ribeiro, cujo personagem Tonho Da Lua era apaixonado por uma das irmãs gêmeas , interpretadas por Glória Perez. E o personagem da novela tinha um disturbio mental , e ainda vinha minha vó dizer que era um apelido bonito ... ooo lindo!! E o contexto ao qual ele estava associado era mais bonito ainda . Mas enfim , não choremos o leite derramado . O que tinha que ser tinha que ser ... ou não ... mas enfim , prosseguindo , o que veio a seguir foi um comportamento falho da minha parte, a primeira vez que me chamaram de Da Lua , eu tentei ignorar, e consegui fazer isso com sucesso , até o dia seguinte , quando ,chegando na sala de aula , ao ser chamado de "Da Lua", eu , respondi acenando com a cabeça . Eu fiz isso crente que estava saindo por cima da situação, dando uma de esperto . Foi o que bastou ...
A menina (Priscila , se não me engano) olhou pra amiga e disse
"Ah ,e não é que ele atende mesmo por Da Lua ?"
E não foi uma coisa consciente , mas, eu sabia que dali pra frente , mesmo que inconscientemente, eu não teria como escapar disso .

Nós do quarteto de amigos da 5a série (e não venham me perguntar se era 5a A ou B que eu não lembro) formavamos um grupo coesos de amigo . Ricardo Rojas (Esteban) , era chamado de Ricardinho , não lembro se era pela baixa estatura , ou pelo que, mas era o aluno mais inteligente da nossa sala de aula , e, eu não teria medo de arriscar a dizer que ele poderia ser considerado mesmo o melhor aluno do colégio , de qualquer período, ele era o tipo do cara que podia , caso o sistema nacional de ensino nos proporcionasse essa benesse, ter avançado vários anos escolares num só , pois tem um Q.I elevádissimo ,esse sim , é um amigo que tenho toda certeza, vai ser muito bem sucedido profissionalmente no que fizer, pq, convivendo aqueles anos com ele e em alguns encontros , anos depois , já me faziam perceber que sua genialidade não tem limites , realmente ele é o "The best of", ele é , aquele , por ex, que vc tem a chance de encontrar entre 1 bilhão eu diria. Sim, um bilhão , sem exageros nenhum , há alguns anos analisando as dinâmicas dos relacionamentos vc aprende que tem pessoas que são únicas, e outras que são apenas "another one in the crowd" (apenas mais uma na multidão), é talentoso, tem garra, inteligência e muita coisa pela frente . Não sei se hoje em dia ele já concluiu o ensino superior , mas a última vez que encontrei com ele, já estava terminando a faculdade . Mas voltando, senão eu começo a viajar no pensamento e acabo esquecendo de falar de coisas relevantes desse ano: ele era o mais inteligente , e, nós três éramos (e provavelmente não sabiamos disso) privilegiados de ter ele no nosso grupo . O Andrey era o amigo de todas as horas, com quem eu mais conversava dos 3 , e, óbvio , toda amizade tem os seus momentos mais conflitantes, tivemos brigas, mas pombas, há de se levar em consideração o fato de sermos criança, mas com o tempo nossa amizade só melhorou assim como o vinho que quanto mais velha a safra , melhor o sabor , é assim que vejo o grande salto qualitativo da nossa amizade nesses últimos anos, lenta e gradual mas sempre trazendo novas evoluções , assim como os períodos das eras geológicas onde ocorreram grandes mutações , modificações e explosões.

Eu to lendo a biografia original ,pra poder me guiar no que escrevo aqui , e pra ser sincero, hoje , 7 anos deopis de ter escrito essas linhas eu já não concordo com o que escrevi aqui sobre o Gilberto : "... era falso ( Sempre há uma maçã podre numa árvore que da bons frutos...)" , hoje em dia eu posso analisar com uma maior isenção o colega Gilberto, com quem , infelizmente, perdi todo o contato, Gilberto era , de nós 3 o único que não era moreno, mas não arrisco a dizer tb que era loiro pq eu não lembro se ele era ou não era . Mas moreno não era , isso que importa . Gilberto era mais tímido , só isso que o diferenciava . Morava na Vila Nori senão me engano, próximo até a casa que , vim descobrir dois anos mais tarde, Sabine viria a morar em 1995. Creio que tivemos, ou que eu tive isoladamente, agora já não lembro , algumas brigas com Gilberto, mas isso faz parte de qq relacionamento com pessoas. Pessoas são difíceis de se lidar ... elas são diferentes , voluntariosas , não posso culpar o Gilberto por ter um gênio um pouco menos "domável" do que os nossos, cada um é do jeito que é .

Porra, agora complicou pois estou lendo aqui coisas das quais não me lembro mais ,e outras das quais me lembro, quando eu entrei no Bento Munhoz da Rocha Neto, passei a ir pro colégio sozinho, sem o auxílio dos meus avós, já que no ano anterior eu já ia pra escola na Kombi do tio cujo nome esqueci qual era . Mas isso não importa, o que importa é que Gilberto era quem voltava comigo pra casa até certo ponto antes da gente se separar , Andrey tomava o Bracatinga para regressar a casa , e, acho que nessa hora de voltar pra casa que rolavam as divergências maiores entre eu e o Gilberto, divergências essas que agora eu já nem faço idéia de quais eram.

Mas as conversas mais produtivas do grupo , acho que eu sempre tive com o Andrey , desde aquela época em que éramos pequenos nossos papos rendiam bons frutos . O problema é que nossa amizade já começou de um modo meio atípico, se eu não me engano , ele tinha um Dynavision ou algum videogame que se equivalesse, era um daqueles clones que rodavam fitas do NES se eu não me engano, e, como videogame era minha grande paixão aquela época eu me empolguei, e , na empolgação falei um monte de lorota , disse que eu tb tinha um que tinha um jogo que era "assim assado" que o cara fazia "mil e uma coisas" (que agora eu não lembro o que era) e mais um blábláblábláblá enrolatório , onde minhas mentiras iam ficando cada vez maiores num rolo monstruoso que parecia uma bola de neve gigante . Ainda no começo do ano , minha vó me levava e trazia pro colégio, acho que era pra eu aprender a ir me virando aos poucos ... daí eu fiquei de trazer um jogo do "meu Dynavision" pra ele , e ele me emprestaria um outro (acho que era esse o trato , nem lembro mais) , e tal ,nisso ele me deu tchau lá e pá voltou pra casa . E eu fiquei esperando a minha avó chegar. Minha vó chegou perguntando como tinha sido o meu dia, o que eu havia aprendido e todo aquele blablabla familiar e fomos subindo a ladeira , subindo a ladeira , passamos na frente do ponto do Bracatinga, onde , Andrey me viu , e me lembrou do nosso trato, na frente da minha avó :
"Não vai esquecer de trazer hein ?"
e eu com aquele sorriso amarelo
"Ah ,claro que não esquecerei ." :P
Óbvio que minha avó pegou no ar e veio me perguntar o que era, mas eu não consegui inventar uma mentira boa pra ela e acabei confessando, minha avó ficou muito braba e me disse que aquilo não se fazia, óbvio que a história acabou indo parar nos ouvidos do meu pai, que, me passou mais um sermão e recomendou que eu contasse a verdade pro Andrey , que aquilo não era certo e nem justo.
Olha , eu não lembro se no dia seguinte contei a verdade, mas lembro que sei lá como ele descobriu que era lorota... daí começou a ficar ruim, pq já começou um relacionamento na base da mentira ... :( ... daí sempre que eu dizia algo depois ele desconfiava se não era alguma armação/invenção...

Realmente eu mentia demais . Foi outro traço da personalidade que acabei desenvolvendo de forma muito desiquilibrada , tinha uma época que eu mentia pra tudo,
pra não ter que atender visita, pra não ter que falar com fulano de tal , e tinha vezes que era só pra me divertir ou passar trote tb. Eu não era uma pessoa muito fácil, ahihiahaihaihai ,além de viver cercado pelos meus probleminhas mundanos , e , de carregar só pra mim que eu odiava aquele apelido de "Da Lua", aliás foi graças a influência do Andrey que as outras pessoas pararam aos poucos de me chamar pelo apelido, mas eu exagerava na dose , eu confesso, eu falava e fazia muita merda, pirava errado direto, ainda piro, mas sou mais contido, mas naquela época eu extrapolava legal, embora na sala de aula eu até fosse quieto e sereno, mas com amigos, em casa e no social eu era expansivo demais, e as vezes até cansava os outros com excesso de abobrinhas sem limites e coisas sem noção, que de certa forma tb ajudaram a desenvolver meu caráter e minha criatividade ,não sei , se , de forma muito positiva, mas sinto que isso me influencia até hoje de alguma forma e está muito presente na minha forma de agir e pensar , embora, com o passar dos anos eu tenha ganhado um lado introspectivo mais interessante , que , da um certo charme a minha personalidade e tbm é um ponto de equílibrio pra eu encontrar o meu centro.

Quanto ao cara que me deu o apelido da de "Da Lua" basta dizer que , indiretamente , eu tive problemas com ele durante o resto do ano pois ele literalmente não tinha sossego no rabo ,era encrenqueiro , mais forte e eu não me ousava a enfrenta-lo. Uma vez, ele engoliu um pouco do próprio veneno, num dia que um professor super-ultra-mega-fenomenal saiu e foi tomar cafézinho por uma meia hora e deixou a sala livre ali com aquele bando de crianças (eu inclusive né , cabeção ??) puta que pariu, que dia mais merdoso aquele ... começaram a bardenar com as carteiras a tacar aviãozinho , bolinha de papel , e tudo o mais e numa dessas ele pegou um batom emprestado na bolsa de uma menina e passou na boca. Mas o que ele não sabia era que o batom era permanente por pelo menos 24 horas. Ele fez de tudo , esfregou a boca em folhas de cadernos pra tentar se "limpar" , e nada deu resultado , acabou mais piorando do que outra coisa ficou com marcas de batom perto do nariz , próximo aos lábios , uma figura patética, resumindo.O cara era uma peste , realmente , o retrato perfeito do que produzimos na nossa educação básica , não só nos dias de hoje, mas há muitos anos .Já havia sido expulso da sala diversas vezes, ele era o terror dos professores . Eu rezava para que ele fosse expulso do colégio. Mas nunca foi.

Continuo no próximo post.

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