Quarta-feira, Março 29, 2006

 

[P#33] 1993 - Parte Final

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Carteirinha da terceira série do Martinus.

Com o Mega-Drive em casa , o meu vício continuou em alta, e como eu já disse, continuaria em alta até o final de 1996, quando outras prioridades iriam me chamar mais a atenção do que o videogame. No entanto, após babar , e delirar com Sonic, Sonic 2 e outros blockbusters da Sega, veio a hora da decepção , quando, no final do ano, a Sega lançou Sonic Spinball, ao invés do aguardado Sonic 3 . É a vida, fui xingando a Sega pelo lançamento até Janeiro de 1994 , quando finalmente Sonic 3 estava disponível nas prateleiras .

Nessa época , eu era mais extrovertido, guardava menos as coisas pra mim e minha família estava sabendo da Cristine, inclusive que a "Lambe-Ranho" tinha uma tara especial pela minha bunda. Daí quiseram me previnir de todo modo, alertando-me pra não ficar sozinho com ela , pois ela poderia engravidar, mas eu nem sabia ao certo como era a parte física do sexo, apesar de ter tido uma aula explanativa e até certo ponto achei "nojenta" sobre educação sexual na quarta-série e naquele mesmo ano. A aula inclusive veio com um folheto explicativo de como usar a camisinha e esse tipo de coisa, afinal eu era uma criança entrando na pré-adolescência. A Cristine tinha 12 anos e os hormônios estavam a flor da pele. Era mesmo bem provável que ela quisesse alguma "cobaia" para seus experimentos sexuais, ela tentava me instigar sexualmente na época, era a ovelha negra do "rebanho" que minha mãe citou , então... ela tinha me perguntado uma vez :
"Vc já beijou alguém ?"
"não."
"Como que vc com 10 anos não beijou ninguém ainda ? Com a sua idade eu já tinha beijado uns 2 ou 3 guris"
"..."
"E gozar ? Você já gozou ?"
"Hein ? Como assim ?"

Ela não soube me explicar direito e eu tinha até medo de perguntar.
Numa outra vez, ela veio me falar um besteirol sem tamanho a respeito de sexo :

"Você sabe o que é sexo oral ?"
"Aquele que é de hora em hora ?"
"Não... é quando o cara enfia o pau na orelha da mulher..."

????????

Òbvio que esses trechos mais picantes , eu não contava em casa, mas , minha família estava preocupada que a qualquer hora eu perdesse a virgindade com aquela menina, e, ela engravidasse, ou algo do gênero, ou que ela engravidasse de outro e dissesse que eu era o pai, uma vez que, por ter transado com ela, pela minha ingenualidade , levasse a culpa de ter emprenhado ela. Mas isso não ia ocorrer de nenhuma forma. Realmente eu não tinha a maldade com ela e nem sentia atração por ela de nenhuma forma. Definitivamente não era meu tipo.

Minha amizade com Luciano também passava por altos e baixos , certa vez a gente brigou e eu fiquei muito, muito zangado com ele , e acabei sendo sujo, um dia eu falei pra ele :
"Deixa disso , vamos fazer as pazes!"
no que estiquei a mão simulando um cumprimento
esperei que ele estendesse a mão dele e virei-lhe um tapa na cara.
Ele ficou muito enfurecido com aquilo e se afastou. Mas no final do ano a gente retomou a nossa velha amizade.

O que me chamava atenção na época era o gel, eu usava esses "gelfix" da vida , haihaihaiah pra tentar deixar meu cabelo em pé , arrepiado, e conseguia, haihaihiahiahaia, na época , sei lá , queria fazer um cabelo-punk, e tinha bastante cabelo na época, então eu podia. Acho que até numa peça de teatro que fizeram na escola , onde eu fazia o papel de um 'top-model', ahiahiahaiahai, tem a foto de eu desfilando na passarela improvisada pra peça.

Dei um ponto final naquela história com a Cristine também. Eu já não suportava mais ser bolinado todo santo dia, as pessoas até questionavam porque eu continuava andando com ela se eu passava por tudo aquilo, mas o fato , é que, ela exercia sim, um certo imã sobre mim . :S. Daí passava algumas tardes do meu recreio conversando e andando com ela. Um dia ocorreu uma grande confusão generalizada . Na hora do recreio os meus colegas de classe foram mexer numa colméia e ela caiu no chão, saímos todos correndo apavorados com medo de sermos picado, e elas (as abelhas) vinham enfurecidas atrás de nós . Nisso, a gente conseguiu escapar , mas uma nova confusão foi armada, a gurizada da sala se reuniu pra xingar a Cristine , e eu entrei no coro do "Lambe-Ranho" , xingando ela, ela tinha ficado muito triste com aquilo e chorado. Mas não bastasse isso, ainda alguns tiveram a capacidade de agredi-la fisicamente . Ela revoltada começou a espancar alguns garotos que estavam na confusão .

Nisso a professora veio averiguar o que estava ocorrendo, e , mandaria a todos pra direção do colégio. Eu vi que todos os meus amigos iriam se ferrar e explodi, contei pra professora :
"Já não agüento mais, todo santo-dia ela passa a mão na minha bunda!" - no que eu disse "BUNDA" a gargalhada dos meus colegas foi geral, a professora retomando o clima sério de que a confusão tinha tomado perguntou :
"Ah é Cristine ?"
"Nâo, professora ... eu ..." - mas as lágrimas já lhe dominavam as faces e ela não conseguiu concluir o que ia dizer.
A professora mandou todos os envolvidos no caso pra direção , inclusive a mim, mas chegando na direção, eu já temendo levar uma bronca em casa por causa da advertência, ficava pensando, no porque de ter me envolvido naquilo...
Estava na fila, e a diretora tinha perguntado , quem havia agredido fisicamente a colega, meus amigos que haviam a agredido realmente , confessaram seus "crimes". Perguntaram pra mim se eu havia agredido ela , eu fui sincero também:

- Não. Eu só a xinguei de "Lambe-Ranho"

Ao dizer isso fui automaticamente dispensado da fila dos "réus". Cristine levou uma advertência pra casa junto dos demais garotos, por ter passado a mão na minha bunda.

Quanto aos coelhos não permaneceram muito tempo na minha caasa, pq eu não cuidava deles direito, e o trabalho pesado, de dar ração, dar alface, e cuidar e limpar do viveiro tinham ficado ao encargo da minha vó, fora que com 2 cachorros no quintal as coelhinhas não tinham espaço pra correr e ficavam tristes e apáticas, doamos para um amigo que iria cuidar delas na fazenda do tio dele , ou algo assim , já não lembro mais .
Continuo no próximo post.

Segunda-feira, Março 27, 2006

 

[P#32] 1993 - Parte III

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Em 1993 o então presidente em exercício , Itamar Franco , pediu para que a Volkswagen , voltasse a fabricar o Fusca, cuja produção havia cessado originalmente em 1986

Estava Prevista desde a Constituição de 1988 , que em Setembro de 1993 seria realizado um pleibiscito , onde através do voto dos cidadãos , seria escolhida a forma (república ou monarquia) e o sistema (parlamentarismo ou presidencialismo) que iriamos escolher para governar o país. O presidencialismo venceu o parlamentarismo com maioria esmagadora de votos. Houve até campanha na tv para divulgação do plebiscito, semelhante a campanha na tv do Referendo sobre o Desarmamento (realizado em 23 de Outubro de 2005).

Culturalmente , mesmo que de forma não muito consciente , eu vinha escutando na rádio, principalmente rádio do carro, porque eu não era de ouvir rádio em casa, com as músicas de Jorge Ben Jor como Engenho de Dentro e o hit do momento do então recente Gabriel Pensador , com as letras que colocavam a massa cinzenta pra funcionar como LÔRA BURRA , onde falava uma real sobre um esteriótipo feminino esmagador na nossa sociedade. Por isso que ele é o pensador. Fala a verdade do país.

Eu nunca esqueci que foi naquele ano a primeira vez que me machuquei gravemente . E isso ocorreu na Escola que eu estudava . Estava chovendo muito e os alunos brincavam no pátio coberto próximo a cantina, todos de mãos dadas , até o momento que soltavam algum "coitado" da roda. E enquanto rodavamos , o pessoal me soltou, com o impulso eu caí no chão e como o piso tava molhado pela chuva , choquei meu queixo contra a parede.

Aquilo em si não chegou a doer muito , mas eu senti que estava sangrando e fui lavar-me no banheiro pra estancar o sangue, mas o sangue não estancava , e meus amigos , numa visão "super otimista" do meu machucado diziam : "Ui, que nojo" ,"Que feio", acabei indo pra direção onde me deram algodão e o sangue não estancavam , mas alguém lá detectou que eu teria que levar pontos no queixo. Fui parar no hospital Evangélico. Lá deram três pontos no meu queijo após anestesias, era noite quando, na volta na Pampa (antigo carro da Ford) do trabalho do meu pai , eu fui buscado, e , tive que entrar numa farmácia e tomar injeção na bunda. Duas vezes, porque na primeira aplicação eu enrijeci o traseiro , de nervoso, na segunda, ele me pegou de surpresa e conseguiu enfim aplicar a injeção em mim.

Voltando ao assunto cultural, naquele ano o Brasil todo se emocionava com novelas como Renascer , onde Adriana Esteves despontava em bélissimas atuações, Osmar Prado , criou um tipo inesquecível com o seu "Tião Galinha" que havia soltado ou prendido o cramunhão na garrafa, já não lembro mais, pois fazem muitos anos dessa novela, em atuações tocantes, e tbm uma novela gravada em Curitiba , do horário das seis , chamada "Sonho Meu" em que havia uma garotinha que era a protagonista da história , chamada "Laleska", que acabei lembrando ontem com Michelle e Judy na volta do Nico´s bar.

Quanto a filmes, obras que me marcaram foram as seguintes : Jurassic Park, que assisti no cinema , com meu pai e minha mãe, pegando o filme já começado na cena do cocô do dinossauro (inesquecível ,hehehehehe) , e fiquei pentelhando a sessão inteira no filme , ainda incentivado pela minha mãe, que não queria que meu pai assistisse o filme em paz e aplaudia meu besteirol . Em casa assisti a "Meu primeiro amor" com Macaulay Culkin e Anna Chlumsky, cuja história chegou a me emocionar um certo tanto , e "Soldado Universal" com Van Damme que inspirou depois histórias em quadrinhos , assim como Jurassic Park tbm me influenciou a escrever uma história parecida a respeito.

O momento da volta pra casa era tumultuado. As vezes era uma alegria, outras vezes era um tormento tamanho o barulho e desordem, era o tio Rafael, se não me engano quem levava a gente pras nosssas mais diferentes escolas através da Kombi escolar . Iamos num número aproximado de 8 a 10 crianças de colégios diferentes até nosssos destinos. E haviam dois monitores, que eram na verdade pessoas que o motorista da Kombi escolhia , pra manter o pessoal organizado pra não bagunçar muito durante a viagem.

Óbvio que entre os coleguinhas não esqueci de algumas meninas com as quais fiz amizade por lá .Havia a Tassiana , uma moreninha que tinha o cabelo caindo na altura do pescoço e que era sim pelo menos pra mim, bastante atraente. Não lembro o que foi rolando ao longo daquele ano , mas algumas intimidades , eu fui me permitindo , como por ex, colocar minha mão sobre o ombro dela e passar assim a viagem toda juntinhos e conversando ... até que um dos monitores da Kombi , (se não me engano o outro monitor era o Diego, mas depois ele foi dispensado da função) tentava toda hora interferir na nossa intimidade , que fui obrigado a apelar :

"Por favor. Não atrapalhe O CASAL"
"Hmmm..." - insinuou ele - "O casal..."

Conhecia Diego da Kombi que tomavamos para ir para o Mirazinha Braga, fisicamente falando , o Diego era magro, (quase desnutrido) , loiro, olhos azuis - se não me falhe a memória - e pele muito clara , quase pálido. Nossa amizade durou até meados de 1995 até onde me lembro, a gente iniciou ela , não lembro se foi pelo convívio na Kombi ou numa partida de futebol ali entre as turmas vizinhas de colégio.

Decepcionei-me pra valer com minha mãe , quando eu, contei para ela sobre a Cristine, que vivia passando a mão na minha bunda . Minha mãe que sempre se mostrava a "defensora" da moral, ética e bons costumes, mostrou mais uma vez que toda essa pose não passa de uma fachada para mostrar como os Testemunhas de Jeová são dignos de um lugar no céu, e os demais, pecadores infiéis que merecem queimar no fogo do inferno.

Minha mãe me disse que ia ter uma conversa séria com essa menina , porque ela não estava seguindo os preceitos sagrados do Senhor Jeová.Tava tendo uma festa folclórica no colégio, onde havia uma dança típica de dançar correndo em volta de um mastro de madeira com uma fita na mão , seguindo o aluno da frente, sendo que cada fita tinha uma cor diferente , a minha era rosa se não me engano . :S. Enfim, valendo-me dessa festa, usei como pretexto pra que minha mãe me acompahasse ao colégio, lá chegando , eu apontei pra Crisitine e disse :

"Olha mãe. É essa a menina que se aproveita de mim!"

E sabe o que minha mãe fez ?
Primeiro , foi em direção à Cristine, e pelo que observei - eu estava um tanto quanto distante pra conseguir ouvir - mas percebi que começaram a conversar animadamente sobre "sei-la-o-que" . Frustrado, esperando uma cerca de dez minutos até a minha mãe voltar , eu quis saber , o que é que elas tinham afinal conversado, e eis que minha mãe me solta a pérola :

"Deixa ela filho. Ela não fez por mal. Ela é do rebanho de Jeová"

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!
VAI PRA PUTA QUE PARIU COM ESSE REBANHO!

Affe, com certeza , se , a menina fosse católica, protestante, islâmica, arábe, palestina, ou de qualquer outra religião ,origem , crença , etnia, etc, etc,
minha mãe teria lotado os ouvidos da menina de provérbios sagrados, e ainda , sobraria como sinal de sua ira lindos adjetivos como PUTA,VAGABUNDA ,RAMPEIRA, MERETRIZ, ORDINÁRIA, SIRIGAITA, GALINHA, VADIA, VACA, PORCA, TARADA ,ETC,ETC...
Mas por ser Testemunha de Jeová ela era do REBANHO!!!!
QUE SANTINHAA!!!!
DEVIA SER CANONIZADA !!!!
ABAIXO A HIPOCRISIA, CARALHO!!!
É por isso que odeio religiões, todo mundo defende sua crença , dizendo que é a melhor coisa do mundo, que não há pecadores, e vomitam versos da bíblia nos nossos ouvidos como se tivessemos pinicos no lugar de tímpanos, mas quando o pastor, o ancião o Caralhudo da Puta Que Pariu, pede o dízimo, não é para roubar , não é pra levar o dinheiro pra casa e rir da cara de N otários que dizem amém de olhos fechados pra tudo , não , é pra garantir uma vaga no céu, cada rebanho deve e/ou tem um preço diferente . Pra todos vcs uma grande dedada , salve Gabriel Pensador novamente : Gênio , Gênio , GÊNIOOOO!!! : "(...) Vou contar / sobre os filha da puta que só querem te roubar/fundam uma igreja, ora veja, onde já se viu?/Enriquecer com a fé alheia, (puta-que-pariu)/E é inútil tentarmos abrir os olhos do povo/Pois se um abre os olhos mil olhos fecham de novo/E eles dizem que você está com o demônio/Mas o demônio habita no seu patrimônio/E eles farão o "favor" de tomar toda sua grana/Porque a grana pra eles é uma coisa profana/Só que aí o demônio vai parar com quem ?/No bolso do pastor, e do bispo também/ FILHA DA PUTA, FILHA DA PUTA, FILHA DA PUTA/ FILHA DA PUTA , FILHA DA PUTA, FILHA DA PUTA!(...)"*
e é bem por aí mesmo . Acredito em Deus sim. Mas não acredito na Igreja.

Continuo no próximo post.

*extraído da música FDP³ de autoria do Gabriel, O Pensador - do disco ao vivo, comemorativo dos 10 anos de carreira.

Sábado, Março 25, 2006

 

[P#31] 1993 -- PARTE II

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Na foto: com minha mãe, e eu como sempre fazendo cara de mocorongo - não lembro que lugar é esse, acho que a estação Tubo tava em construção

Eu não tinha mudado em 1 ano. Era a mesma pessoa. Mas minha vida tinha mudado. Dado uma guinada , turma nova , ano novo, novas amizades , pessoas de níveis diferentes, pobres, muitos pobres, em escola pública não haveria de encontrar ricos não é ? Todo um ambiente diferente. Realmente eu parecia estar perto da decadência, isso porque , a decadência mesmo , viria apenas 2 anos mais tarde.

No meu aniversário daquele ano , eu lembro ter pedido - e ter ganho , óbvio - uma história de Asterix inédita - (inédita praquela época) - que eu não tinha. E depois no mesmo ano a gente conseguiu na locadora o VHS da mesma história, sim , a gente, porque meu pai também gostava das odisséias de Asterix, e até hoje é um grande fã dessas histórias, como eu.

Aquele ano , minha mãe tentou recuperar minha guarda. Eu nunca tive a permissão (até então) de sair a sós com minha mãe , mas minha avó desconfiou , quando , minha mãe falou que ia até o centro resolver algumas coisas , e disse pra eu ir junto, eu perguntei pra minha vó se eu podia ir mesmo , e ela deu a desculpa de que eu já estava me tornando um "mocinho" , ahiahiahaiahiahaiahi, e , que deveria acompanhar minha mãe e prestar atenção em tudo que ela fizesse e dissesse . Tomei o ônibus com a minha mãe, a gente desceu na frente do cemitério que fica próximo ao col. Martinus, e também é o ponto da Praça do Skate. Atravessamos a praça e minha mãe, provavelmente com a intenção de me distrair, comprou uma revista Supergame pra mim, cuja capa trazia o jogo Jurassic Park , edição do Mega-Drive, e era branca . (a capa). Então a gente desceu a rua e entrou num prédio onde minha mãe conversou com uma advogada / ou alguém que cuida dos direitos da mulher e embora eu estivesse entretido com a revista , e, distraído, consegui ouvir ela reclamando do meu pai e pelo que entedi ela queria minha guarda de volta.[

Quando voltei pra casa , minha vó perguntou onde é que minha mãe tinha ido comigo e o que ela queria no centro, quando eu contei ela perguntou se eu tinha prestado atenção no que minha mãe tinha dito, eu respondi que tinha entendido mais ou menos , e, que , não sabia direito o que ela realmente queria . Minha avó ficou frustrada e falou que desse modo eu podia estar pondo tudo o que eles tinham conseguido a perder e que minha mãe provavelmente tinha comprado a revista pra me distrair , e, pra mim não prestar a atenção em nada do que elas diziam. Dias mais tarde foi marcada uma convocação pra voltar lá e dessa vez eu teria que conversar com a mesma mulher que minha mãe havia conversado.

Avisei na escola a professora Sara do ocorrido, que provavelmente no dia posterior eu teria que chegar mais tarde , por causa daquele motivo, e ela tornou público a sala de aula a minha situação, e, disse que , iria orar por mim , que o destino intervisse no que fosse melhor . Uma menina falou que , se eu queria ficar com meus pais e não com minha mãe era só eu dizer pro juiz(a) que eu queria continuar com eles. Como se fosse fácil assim . A professora , já com raciocínio maduro explicou que a situação era complicada e qeu não era assim não, que isso era coisa de filme.

No dia seguinte, mais ou menos por umas 14:00 horas, eu compareci no local com meus pais. Estava tenso e nervoso, minha mãe entrou primeiro na sala e demorou-se com minha mãe lá dentro. Meu pai falou pra eu ficar calmo, eu tentei ainda ouvir atrás da porta do que elas diziam , ams a secretária que estava ali na sala de espera bronqueou comigo , dizendo que aquilo era proibido e que era pra mim sossegar.

Abriram a porta e eu fui convocado pra conversar a sós no escritório da mulher . Quando lá cheguei ela me fez N perguntas que diziam respeito a minha mãe, entre elas se eu ia preferir morar com meu pai ou com a minha mãe. Eu respondi tudo favoravelmente ao meu pai, pois não queria morar com minha mãe em Cosmópolis , e , perder o contato com minhas famílias , e com meus amigos, com a escola, uma vida que apesar dos altos e baixos , era uma boa vida.

No final tudo deu certo. A mulher convocou nós 3 para entrarmos na sala , e ela deu o veredito, dizendo que , eu nunca diria tudo aquilo que eu tinha dito, a não ser que eu fosse um robô programado pra falar mal dela. Minha mãe, saiu de lá com lágrimas nos olhos e durante um tempo , evitou entrar em contato comigo, não me ligava mais , não fazia nada com respeito a minha pessoa , me isolou.

Passado um tempo, no dia primeiro de Setembro de 1993 , eu lembro que na escola , não havia tido aula , a gente havia ido assistir uma manifestação cívica e militar no centro da cidade , onde inclusive distribuiram folhetos do Estatuto da Criança e do Adolescente. Lá assistimos a uma banda militar tocar alguns temas, e , voltamos pro colégio, de la´voltamos pra casa. Apesar de , eu estudar a tarde aquele ano , lembro dessa manifestação ter ocorrido de manhã . E por cerca de 10 horas da tarde eu estava voltando na Kombi escolar pra casa. Como sempre , desci e fui atravessando o quintal sendo bem recebido com manifestações carinhosas dos meus bichinhos de estimação, o Lord e a Lady. Ao chegar em casa , deparei com minha mãe . O clima entre a gente não estava bom desde aquela última sessão. Pensei que ia ouvir um sermão daqueles da minha mãe. Minha avó preparava o almoço na cozinha.

Ao chegar no meu quarto, o maior sonho de consumo da minha vida daquela época havia sido realizado, ela tinha comprado um Mega-Drive. O melhor de tudo era que o Mega-Drive vinha com Sonic The Hedgehog!!! :D. Eu fiquei muito, muito , muito feliz, até porque naquela época eu dava muito valor aos bens materiais e aquilo pra mim era como um sonho , eu não conseguia acreditar , que , depois de tanto sonhar com aquele maravilhoso videogame aquela caixa grande preta e listrada com linhas brancas estava na cama no meu quarto. Já faz muitos anos que isso ocorreu. Mas, até hoje me emociono só de lembrar. Dei um abraço enorme na minha mãe. Depois a gente se tocou que ela tinha tomado aquela atitude ,porque só fazendo algo assim ela voltaria a poder pisar lá em casa novamente sem bronca da minha família . Mas foi ótimo que tivesse ocorrido , na sequência eu liguei pro meu pai, e pedi para que na hora do almoço ele viesse instalar o videogame no televisor , porque eu não sabia fazer isso sozinho . Minha mãe se despediu e foi embora porque tinha algum outro compromisso naquele mesmo dia que eu não lembro qual. Enquanto meu pai não chegava eu fiquei deitado no sofá lendo empolgadamente o manual do jogo . Quando ele instalou eu não acreditava , parecia coisa do outro mundo, era a primeira vez , que , eu ouvia aquela musiquinah de introdução que dizia : "SE-GA" , e aquilo me impressionou muito, a qualidade infinitamente superior ao Master System , a alegria que tomou conta de mim aquele dia não tinha tamanho.

Continuo no próximo post.

 

[P#30] 1993

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Foto de Natal do Colégio. Nem digo nada sobre minha cara. Imaginem

1993 - Um ano que não teve assim nada de muito espetacular a ser lembrado a não ser o histórico dia 01 de Setembro de 1993 no qual minha mãe por motivos excusos que contarei a seguir me presenteou com um Mega-Drive que era o meu sonho de consumo na época. Esse foi o acontecimento mais feliz desse ano.

Meu avô mudou de emprego , e isso desestruturou as finanças da minha família, do maravilhoso colégio Martinus passei a estudar no xexelento colégio Mirazinha Braga. Ate´o nome do Colégio era uma bosta.

Minha quarta-série num colégio público, foi ai que conheci tbm na turma vizinha o Diego cuja amizade terminaria 2 anos depois por motivos que não posso contar infelizmente e tbm não diz respeito a ninguém só a mim e a ele. Como era de praxe, aquele ano eu ficaria gamadinho tbm por alguma menina da sala . Não só da Sala como tbm da Kombi escolar que me levava e trazia até em casa .

Tinham meninas bonitas na Kombi. Não lembro direito o nome delas ,mas eram interessantes. Conheci outra Cristine esse ano no Colégio, era dois anos mais velha que eu e o apelido dela era "Lambe-Ranho", ela tinha o cabelo comprido antes, já era meio barangona , mas depois que cortou o cabelo na altura da orelha conseguiu ficar pior. O passatempo favorito dela era passar a mão na minha bunda. Já o apelido devia-se ao fato dela estar visivelmente sempre com o nariz escorrendo e sem um lenço por perto.

Pra completar , ela era Testemunha de Jeová , mas não seguia nenhum dos preceitos da religião dela . Já tinha peitos e bunda bem desenhadas, era uma pré-adolescente cujos hormônios começaram a florescer cedo. Sendo mais velha que eu ela devia ter mais responsabilidade e juízo ,mas eu não tenho dúvidas de que ela queria me levar pro mau caminho. Mas eu não fui. Não tão cedo. Além do mais era muito moleque pra já ter essa maldade.

Depois de um certo tempo eu começei a ver aquela menina como um CARRAPATO , embora o pessoal tivesse uma visão romântica de que ela era apaixonada por mim. Só se fosse apaixonada pela minha bunda. Era uma taradinha. Na sala de aula tinham duas gêmeas loiras lindíssimas que eu estava "de olho" digamos assim . Tinha a Josielle e a Michelle , a Josielle usava óculos. A Michelle não. Eu era gamado na Michelle, mas minhas tentativas de aproximação não eram muito bem sucedidas, acho que ela nem chegou a saber qeu tinha interesse nela. Mas nas brincadeiras de 'pegador' eu sempre pegava elas , ao invés de correr atrás de outros(as) e isso começou a levantar suspeita nos meus amigos de que eu fosse a fim de alguma daquelas duas gêmeas.

Eu tinha um amigo chamado Luciano (não confundir com meu amigo obeso do Martinus) que era o meu melhor amigo , daquele ano, naquele colégio. Luciano era magro tinha os cabelos espetados e usava óculos. Era meu rival na arte do desenho, e eu a essa época já estava me aprimorando nos enredos das minhas HQs e já fazia posteres com sulfite pra colar nas paredes do meu quarto com minhas obras, quanod a parede enchia demais de desenhos antigos eu ia renovando aquele mural com pôsteres atualizados.

A gente realizou uma competição de âmbito comunitário certa vez na sala de aula para ver quem era o "bam-bam-bam" dos desenhos. Não preciso dizer que com minha habilidade e prática nos hqs acabei humilhando meu adversário e ganhando a competição apesar dele ter tentado me subestimar numa arte na qual eu começava a mostrar um dom incrível, mas que , até hoje mantenho como hobbie por que minha verdadeira paixão é a música .

Minha professora da quarta série era a professora Sara, uma senhora dos seus 40 e poucos anos , de cabelo encaracolado , tendo ela entrado em contato com minhas HQs foi ver junto a direção da escola se não havia forma de eu me profissionalizar naquilo pois achou que eu tinha um dom inaguálavel , ela tinha planos de por algumas de minhas histórias em tiragens de jornal da Gazeta do Povo , por exemplo. Mas a tentativa não rendeu em nada , ouvi da diretora para que eu tentasse de novo quando tivessem passados alguns anos porque minhas histórias eram muito infantis. Minha professora achou aquilo um absurdo , mas não conseguiu mais se mobilizar para me ajudar nessa área.

Mas eu fui recrutado para produzir um cartaz da prevenção dos piolhos cujo desenho eu assinava , dando assim minha contribuição pra escola .

Além da Michelle , eu cheguei a gostar de uma morena naquele mesmo ano, mas do jeito que eu era , eu não lembro se eu gostei dessa menina ao mesmo tempo da Michelle ou se foram fases diferentes, mas , o que eu lembro é que ela era morena e muito ,muito gatinha , parecia até atriz mirim de novela . Um dia estavamos em cima de um desses brinquedos de criança onde vc vai escalando para chegar no topo. Estavamos ambos (ela e eu) no ápice do brinquedo , de repente alguns garotos pentelhos vieram ali encher o saco como era de praxe.
"Tão namorando ,tão namorando"

Mas a Silmara tinha muita atitude e revidou :

"E se a gente tivesse , o que vocês tem com isso ???"

fico com pena de lembrar da cara daqueles meninos, sairam de lá com cara de bocós
pois levaram um fora feio .
Depois foi a minha vez de levar o fora quando , não lembro o que aconteceu , não e atnes que pensem não tentei beijar a menina ou coisa parecida , levei um tapão no meio da cara da mesma menina. Aquilo ferrou meu dia e me despertou. Deixei de gostar dela naquele mesmo momento.

Já passava da metade do ano e Cristine não mudava seus hábitos com relação a minha pessoa, um dia estavamos nós três andando , Cristine, Luciano e eu, quando sinto de novo uma mão boba no meu rabo ... fiquei vermelho e perguntei quase histericamente :

"Porque você não passa a mão no C$ do Luciano hein , pombas ????"
"Porque ele não tem carne . É muito magricelo. Não tem uma bundinha redondinha como essa tua"

Não preciso dizer o quão vermelho fiquei ...
Até porque realmente com aquela idade meus hormônios não estavam florescendo e eu não tinha pensamentos maliciosos com aquela garota feia. Era um simples moleque tentando ser CDF em escola pública.

Conto mais a respeito desse ano no próximo post

Quinta-feira, Março 23, 2006

 

[P#29] BOTANDO A BOCA NO TROMBONE

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Em 1992 eu tive duas fêmeas de coelho , uma era branca e a outra cinza, uma delas se chamava "Cherry" , a outra não lembro

É , esse seria o post temido pelos meus antigos vizinhos, caso eles soubessem da existência desse blog. E já que não sabem mesmo, vai ser hoje , o dia em que, irei colocar as cartas todas na mesa e mostrar o quão podre pode ser um ser humano independente da idade que tenha .

Como citei no post anterior, meus vizinhos eram garotos barra-pesada, o bairro apesar de ter uma característica pouco urbana, reforçada pela construção de casas ao redor e da não existência de prédios pelas redondezas, mostrava que a variedade da classe econômica das pessoas influencia sim no comportamento das mesmas, a maioria dos meus vizinhos eram pobres e moravam em casas simples. Mas não chegava a ser uma favela . E sim um bairro onde as diferenças e desigualdades sociais apareciam como em qualquer outro lugar onde os recursos não chegam da forma como deveriam chegar .

Os ônibus que paravam em casa eram os mais velhos e podres possíveis, daqueles que engasgavam quando tinham que subir uma ladeira, por ex, enquanto que regiões próximas e bairros vizinhos contavam com coisa melhor , estavamos lá com as latas velhas do Jardim Kosmos , indo pra escola pro trabalho, ou pro centro pra fazer qualquer coisa . A rua que eu morava era composta, de um lado da rua , por conjuntos de casas de uma mesma construtora e o lado que eu morava, que era um lado mais antigo, do pessoal que começou a construir suas casas por aquela região em meado dos anos 70, era constítuido de apenas 3 terrenos, o primeiro que era o de esquina, era a minha casa, a segunda casa de terreno quatro vezes maior e que ocupava a maior parte do quarteirão era a casa do seu Alcides. E por último , pra finalizar o quarteirão a casa do Wilhan, que já citei ai em um post anterior.

Foi com o Wilhan que percebi logo cedo , na minha infância, e , mesmo ele sendo uns 2 ou 3 anos mais novo que eu que a pederastia rolava solta no Pilarzinho , em 1992 eu tive apenas uma pequena prévia do que estaria por vir nos anos sucessores, onde em meados de 1997 e 1998 , o descaramento estava tão escancarado pra quem quisesse ver e ouvir , que numa partida de futebol , provavelmente, achando que ninguém estava ouvindo o que diziam , ouvi Lúcio (veremos mais tarde) comentando com Wilhan, "ai que saudades dos seus beijos", mas isso é assunto pra posts que ainda virão.

E podem começar a tremer , mesmo, porque , agora vou falar sem papas na língua e mostrar toda a verdade , da valentia , ou da valentia aparente dos garotos do Pilarzinho, aliás da minha rua , que havia tbm o Anderson, célebre ladrãozinho de fitas de Mega Drive , 171, engana-trouxa e outros rótulos maravilhosos. Minha vizinhança, com raras excessões era a escória do que de pior há na humanidade .

Certa vez , visitando Wilhan, isso sem ainda conhecer direito a figura, levava comigo uma HQ , provavelmente era a primeira que eu tinha escrito e terminada, tanto que Anderson, que foi quem me acompanhou até lá (Anderson se não me engano era um ou 2 anos mais velho que eu) e também havia sido convidado pra "comer sagu" , que sinceramente , foi o primeiro e último contato com sagu que eu quis ter... naquela "obrigação"

"Mas come que ta gostoso"

Aproveitei um momento de distração de Wilhan e joguei o sagu no mato .
Que coisa mais nojenta. Espero não mais na minha vida ter que passar por experiência semelhante. ODEIO SAGU.
No final o que vi foi Wilhan comendo outra coisa terminada em "U"
Eu não lembro ao certo mas o terreno de Wilhan, se eu não estiver enganado, tinha divisa com uma outra casa onde morava um garoto negro. Era um Sábado a tarde e fazia um sol forte, não lembro sobre que circunstância, Anderson dominou o garoto , e na covardia das mãos atadas, Wilhan aproveitou-se do momento para abaixar as calças do negrinho e enrabar-lhe ali mesmo no quintal. Pior do que qualquer conto de Jorge Amado porque isso era um fato real, eu lembro de ver o garoto chorando. Chocado com aquela situação, me vi sem outra opção senão ir embora dali , e , quando contei o ocorrido para meu pai ele me proibiu de visitar Wilhan de novo . E tinha me explicado que o garoto tinha sido "comido". Foi ai a primeira vez que , eu ouvi o termo "comer" no sentido de fornicação.

Mas eu ainda veria muito Wilhan na minha frente, além daquela lembrança ter fixado em minha mente de forma inesquecível , presenciaria mais alguns atos, dessa vez pública da sua valentia perante os outros garotos (mesmo ele sendo um tampinha) querendo se tornar o dono da rua. Ou seja um imbecil completo. Ainda naquele ano, não lembro bem a sequência dos fatos, eu cheguei a brigar com ele fisicamente, não lembro quem ganhou, mas lembro do prejuízo que eu tive quando meu Traço Mágico (era um brinquedo na época onde havia uma tela e pelas beiradas ao girar os botões ia se desenhando imagens) foi parar no meio do mato pois devida a raiva do momento tentei jogar meu traço mágico na cabeça de Wilhan, pois meu desejo era machucá-lo gravemente, mas o que ocorreu foi que estraguei meu brinquedo e ainda no banho começei a chorar depois de coisas que meu pai falou, mas acho que chorei de nervoso, imaginando um dia ser julgado por um tribunal pela morte de Wilhan. (Desde pequeno eu já viajava longe em idéias inconcebíveis). O Traço Magico era um bom passatempo que contrastava com o videogame, ao invés de ficar fechado em casa num dia de sol , eu podia levar o traço mágico pra qualquer lugar e me inspirar para criar minhas obras artísticas. Pena que não fabricam mais esse brinquedo. Era muito bacana.

Em Outubro do corrente ano, ocorreu, como sempre uma famosa Exposição de Gado, cujo nome eu esqueci, mas que se não me engano é realizada todo ano no Parque Castelo Brando, algo assim o nome do lugar, e, além de ver estandes, tratores para venda e leilão, e coisas ligadas ao agronegócio , ao campo , etc, etc, entramos num galpão onde havia coelhos, eu enchi o saco dos meus avós para levar filhotinhos de coelho pra casa, que eu cuidaria muito bem dele , e todo aquele blablabla sacal de criança pra convencer os pais a levar um brinquedo ou algo que queiram . Acabei vencendo. E minha avó achou que o coelho poderia se sentir solitário naquele quintal, então, levamos mais um coelhinho pra fazer companhia, na verdade quem nos vendeu olhou o sexo dos coelhos escolhidos eram duas fêmeas uma branca e uma cinza. O problema era que já tinhamos um cachorro no quintal e ele provavelmente "caçaria" os coelhinhos.
Na primeira noite as coelhinhas dormiram numa caixa de sapato no banheiro de casa, depois com o tempo meu avô construiu uma casinha de madeira pra elas ficarem protegidas do cachorro. E no momento que as coelhinhas precisavam correr , e brincar pela grama nós prendiamos o Lord.

A influência cultural da minha leitura era variada, além de Asterix, turma da Mônica e as tradicionais revistas Supergame que passei a colecionar a partir daquele ano, havia tbm a influência da Revista Mad, minha mãe ficava horrorizada, dizia que era um absurdo uma criança da minha idade ter contato com aquelas piadas sujas, ainda mais ela que é cheia de nove horas com essas coisas moralistas e esses pensamentos retrógrados da Igreja dela . Eca. Por isso acho todo carola um pé no saco.

Fiquei doente, quando comprei a Supergame que trazia na capa a matéria do jogo Sonic 2 , óbvio , que , era o original para Mega Drive, aí o meu desejo por um Mega Drive aumentou enormemente, mas era óbvio que não tinha condição de ter um aquela época. Meus pais não tinham como compra-lo pois para os padrões da época era um videogame muito caro, e , aquela época , 16 bits era a última geração que havia no mercado, era a disputa acirrada entre a Nintendo e a Sega. Bons tempos aquele. Como consolo, pra alegrar meu fim de ano, ganhei o Sonic 2 do Master System e dei continuidade ao sustento do meu vício da época. O videogame.

Continuo no próximo post.

Quarta-feira, Março 22, 2006

 

[P#28] ACONTECIMENTOS DIVERSOS ...

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Caras pintadas saem as ruas em passeatas pedindo o impeachment do Presidente Collor em 1992

Depois de um longo processo que se estendeu por cerca de 8 meses de 26 de Março a 29 de Dezembro de 1992, o Senado aplicou o veredito do impeachment (impedimento) contra o então presidente Collor, assumindo, em seu lugar, o vice Itamar Franco após a sua renúncia ao mandato em Dezembro de 1992 .

Foi um escândalo feio, estudantes saíram as ruas , para pedir que Collor fosse suplantado de suas funções , foi um grande movimento, que a imprensa acompanhou com grande alarde na época . E no maior momento da democracia brasileira , fez-se valer o impeachment e sua total funcionalidade e uso.

Paralelo a esse assunto de âmbito nacional, minha vida continuava, entre os estudos no Martinus , onde começei a tirar algumas notas ruins , em Ciências , por exemplo, onde cheguei a tirar 5,0 numa prova cuja média do Colégio era 7,0 e , 3,0 em um exercício de Matemática pois havia me embananado feio com as contas de dividir.

Fora isso, eu fui aprovado no final daquele ano com louvor, e , minha primeira história em quadrinho (que se não estou enganado ao invés de se chamar "Ricardo em Roma" era algo do gênero "Ricardo e o Rapto de Sabine" , ou algo assim) começou a fazer sucesso no colégio . Foi aí que Cristine pediu que eu escrevesse uma hq e desse a ela , e, como não podia deixar de ser , a amiga dela , Juliana, uma menininha obesa na época (mas que era a melhor amiga da Cris) veio me pedir o mesmo... eu só fui entregar a história da Cristine em 1997.

A Juliana acompanhava a Cristine em todos os momentos.
Era até incômoda algumas vezes e até a Cristine se irritava, como por exemplo quando a Cristine pegou o telefone da minha casa , Juliana quis que eu desse pra ela também, Cris se manifestou :
- Credo guria ! Como vc é invejosa!

O melhor amigo de Augusto era Arthur , um garoto moreno que ficava caladão na dele e tinha pose de arrogante, e , sinceramente, nunca teve a menor importância na minha vida . Não tinha luz, não tinha estrela, era uma apagadão qualquer que alguém pôs no mundo.

Tinha tbm na minha turma os dois Rafaéis que já citei : Um o Rafael D, se eu não me engano era meio fresco , mas conhecia Asterix, que me fascinava na época , (me fascinava o ASTERIX, porra) e o outro Rafael A - cujas conversas no recreio rendiam comentários maldosos do tipo "Não sou eu que imito o Clodovil" , quando falavamos sobre "ahh confessa que vc é gay" e outras brincadeiras de crianças . Mas o que ele me fazia era fazer ficar com inveja dos proprietários do Mega Drive que possuiam uma versão muito mais turbinada do jogo do Sonic, enquanto os pobres mortais usuários de Master System tinham que se contentar com um joguinho tosco com menos cores , que era no máximo razoável se comparado com o jogo original do Mega Drive. Foi a partir desse ano que meu desejo em ter um Mega Drive começou a aumentar consideravelmente.

Já o colega Eduardo, era um amigo meu de classse média-alta que morava num belo prédio e me chamou para ir no apartamento dele num fim de semana para assistirmos ao hit do cinema da época : EXTERMINADOR DO FUTURO 2 . Ele foi logo influenciado pelas minhas HQs amadoras, e , se eu não me engando chegamos a escrever uma HQ juntos na infância mas não chegamos a conclui-la. Nesse tipo de serviço eu era melhor sozinho.

Outro colega bacana era Rodrigo, tinha um cabelo estilo tijela muito interessante, era loiro , pele clara , os olhos eram azuis se não me engano ... era um bom amigo , mas agora não lembro o que em si ele tinha de tão relevante. Acho que o fato de aprontar demais na sala de aula e deixar a professora de cabelo em pé.

Minha professora da terceira série era a professora Nara.
Era uma loira , mas , eu não gostei muito do jeito dela a príncipio, me identificava mais com o estilo da professora Kátia de lecionar .
Professora Nara achava que eu falava demais e um dia chegou ao cúmulo de colocar fita crep (sei lá se é assim que se escreve) na minha boca pra eu ficar calado . Isso me fez pagar um mico em frente aos alunos que riam como se tivessem cocégas no cu. De certa forma foi humilhante. Depois alguns meses no meu boletim ela tinha escrito que era minha fã ... vai entender o que se passa na cabeça desses professores de terceira série do Colégio Martinus do Período da tarde.

Meu pai trabalhava nessa época numa loja de tintas . Na loja da Suvinil do bairro do boqueirão senão estou enganado. A gente saia juntos, ainda para participar de passeios cíclisticos e algums vezes para patinar . Numa dessas meu pai acabou caindo no chão e machucando gravemente o seu traseiro . Levou algum tempo para se recuperar.

Minha mãe me visitava com uma certa regularidade de uam vez por mês , ou uma vez a cada dois meses não lembro. Mas lembro que graças a divergências religiosas , ela e minha vó brigaram feio aqui em casa um dia .

Voltando a falar dos meus amigos, lembrei de mais um, cuja festa de aniversário , eu nunca esqueci, e , nunca esqueci principalmente pelos fatores bizarros , como, por exemplo, o número de gatos que havia perambulando pelo quintal da casa, era um quintal um tanto quanto exótico , que tinha um lago , uma calçada e uma ponte , um galpão e as casas . Meu amigo , que estava aniversariando , se chamava Arnaldo, mas como era tampinha o apelido dele era "Arnaldinho" tbm era um polaco , pele rosada, beiço superior enorme e olhos azuis .

Em certo momento com a garotada reunida no galpão , o garoto subiu na mesa e atendendo aos pedidos dos amiguinhos dele mostrou a genitália. O pessoal saiu correndo e na sequência ele mostrou a bunda . Saí de lá , e me vi obrigado a contar aquilo para a mãe dele. A mãe dele ficou furiosa , e ele apanhou feio , não vi porque acabei indo embora depois daquilo .

No colégio após esse incidente , ele começou a me chantagear , dizendo que , eu iria apanhar se eu contasse aquilo pra mais alguém e que ele iria contar quem foi que pediu que ele mostrasse a bunda. No colégio ele tinha sido motivo de chacota após o episódio, ele temia que aquilo caíssse no ouvido da professora Nara.

No começo do ano as pessoas não gostavam muito de mim na sala de aula, até porque eu não era como eles , eu era diferente , parecia retardado, tinha atitudes que até se confundiam com atitudes debilóides, mas , mesmo não sabendo o que eu buscava, eu estava fugindo do clichê desde pequeno de ter o risco de ter uma vida comum e enfadonha.

Mas, em meados de 1992, não lembro bem quando , eu começei a ganhar certa popularidade graças a minha primeira HQ que tinha sido inspirada numa história de Asterix. O pessoal se reunia em volta de mim, e queria saber como eu fazia os desenhos, o enredo, achavam aquilo incrível , a ponto de a mãe de uma aluna com a qual eu nem falava muito vir me elogiar .

Quando eu terminei a "obra" , meus amigos lotavam as salas do almoxarifado querendo cópias da história, óbvio que eu não entendia nada de direitos autorais e nem de copyright naquela época ,mas foi um BOOOOMMM , aquela história, teve um caso inclusive de uma mãe (acho que era a mãe do Luciano) que chegou a pedir emprestada a história porque ela iria xerocar no centro para o filho . Realmente esse foi o meu maior "sucesso editorial" , hohohohoho.

O cara que estava xerocando chegou ao ponto de se irritar com o fato de todos aqueles moleques estarem ali tirando cópias incessantemente da história, lembro dele ter dito algo mais ou menos assim :

"Porra! Eu tenho mais o que copiar hoje ! Porque é que todo mundo vem aqui tirar a mesma coisa ? "
eu respondi meio as pressas :
"Deve ser um trabalho de Artes Coletivo."
Ele :
"Pombas ! Mas que coletividade é esa ? Dez, quinze vezes seguidas , já xeroquei esse material hoje!"
Òbvio que sempre tem um BOCÃO ROYAL pra cagar com tudo e dizer :
"Ah não. É a história que ele escreve !"

Ai acabei passando por mentiroso nesse episódio ...

Certo dia a professora Kátia me encontrou perto da cantina e acabou pedindo pra ler a história. Hoje em dia eu não consigo acreditar que aquilo tenha feito tão sucesso. Coisa de 14 anos atrás ... mas eu me lembro bem ... é estranho a vida da voltas muito malucas . É tudo muito efêmero. Mas sim eu já fiz sucesso, mesmo que pra determinada comunidade e tbm já tive prestígio. Quem diria.

Ah , e me enganei : a professora se chamava Naiara e não Nara, como eu havia postado anteriormente .

Apesar de estar na turma diferente e não ter conseguido retornar a minha turma original quando havia tentado no começo do ano, um dia eu vi a Rafaela de forma bem singela sentada sozinha e sem amigos próxima a uma árvore do colégio , fui falar com ele a e acabei por perguntar pelo paradeiro da Tassiana. Ela então em contou que Tassiana havia mudado de colégio no meio do ano e não estava mais no Martinus. Óbvio que o quê da minha pergunta tinha um lado intencional muito claro de tentar descobrir algo da Sabine, e como não encontrei Tassiana, fui falar com Rafaela, pois se encontrasse Tassiana eu saberia como estava a essa altura a Sabine.

Na minha biografia original escrita em 1999 acabei de ler o seguinte:
"(...)e fora esses acontecimentos, eu começei a conhecer o pessoal da minha rua , tudo pessoal meio barra-pesada, como Wilhan, Anderson, Thiago e outros que se eu considerar mais tarde coloco em minha autobiografia, pois há coisas que não devem ser lembradas e imagens qeu devem ser preservadas."

Eu mudei. Com 23 anos , não sou o mesmo que eu era quando tinha 16. Hoje francamente , eu não acho que deva preservar o nome de ninguém de nada . Nem das pessoas que me fizeram sofrer e nem das pessoas que me fizeram feliz . Afinal estou aqui pra contar a vida como ela é , ou como ela foi. E não pra ficar de meias-verdades.

Então aguardem pelo próximo post onde eu NÃO vou preservar a IMAGEM de ninguém . Que seja feita a devassa.

Continuo no próximo post.

Sábado, Março 18, 2006

 

[P#27] INFLUÊNCIAS ...

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Sonic, um dos responsáveis por eu ter me tornado um viciado em videogames por um período de mais ou menos 4 anos

Minha mãe continuava morando em Cosmópolis e trabalhava numa empresa chamada Teka.
No campo da minha sociabilização com meus novos vizinhos , fui conhecendo , meus 'futuros' amigos , que depois se tornariam inimigos, até não se tornarem mais nada com excessão de Diego, cujo fim da nossa amizade , aconteceu de um modo muito repentino , por culpa de nós mesmos . Não sei se é bem culpa o nome do que rolou entre a gente , mas enfim , há um quê de sentimento de ter sido pego no flagra.

Em 1992 , eu conheci Wilhan , nessa minha vida paralela ao do colégio Martinuns, eram dois padrões, o bairro onde a gente vivia não era de gente abastada , tinha até um ambiente meio interiorano por causa da chácara que ficava em frente a nossa casa , e onde eu fui anos mais tarde jogar partidas de futebol , com meus "amigos". A mãe de Wilhan levava uma vida não muito regular, pelo que me consta , os pais dele eram separados e a mãe dele sempre trazia um homem novo pra dentro de casa. A vó dele era louca , e ele , mesmo sendo mais novo que eu, uns 3 anos já era meio dementezinho ... um grão podre na sociedade . Mais tarde irei falar melhor sobre o que ocorreu nesse mesmo ano , em que a decepção só não podia ser maior porque a minha vida nunca girou em torno somente dos meus amigos.

Conheci tbm naquele mesmo ano , o Anderson, que eu acreditava ser um grande amigo , mas que me sacaneou grandemente , provavelmente em meados de 1993 ou 1994 , roubando-me o meu cartucho de Sonic 2. E anos depois passou o mesmo cartucho pra frente.Um dia um amigo , que foi na minha casa, dizendo me que ele era maravilhoso, e, que havia ganhado uma fita do Sonic 2 , dele. Eu cheguei a ver a fita, era a mesma que o Anderson havia afanado de mim . Eu contei pro meu amigo que aquela fita era roubada, mas ele não acreditou. Por aí, [por essa história do roubo] podemos ver o naipe das amizades que fiz no Pilarzinho.

A gente , além de, no mesmo ano, já ter , comprado um pastor alemão para guardar a casa, em meados daquele ano , ganhamos de uns vizinhos , amigos de meu avô uma cadela da raça Setter e cuja antiga nome havia colocado um nome retardado na mesma tipo "Bola" , "Drica" algo nesse gênero, e rebatizamos, aliás acho que foi meu avô que rebatizou pensando na analogia da situação, já que tinhamos um Lorde, nada melhor do que tbm termos uma Lady. E assim, ficou o novo nome da cachorrinha foi batizada como Lady. No começo eu fiquei com medo da Lady porque no fundo sempre tive medo de cachorros, e , principalmente de cachorro de rua, que latia e saia correndo atrás das pessoas . Aquilo me assustou um pouco. Mas a medida que ela foi me conhecendo melhor nos tornamos amigos.

Meu tio , por essa época me emprestou a coleção dele de 35 hqs do Asterix, publicadas no Brasil, que com certeza ele havia comprado na década de 80. E apesar da morte do Albert Goscinny, ainda são publicadas e editadas novas histórias do gaulês ainda nos dias de hoje . Por aquele ano, ainda consegui uns VHS do Asterix pois era minha leitura de HQ favorita. Muito inteligente as histórias e sempre enfocando o humor na medida certa, com certeza indiretamente essas histórias ajudaram a moldar meu caráter, minha criatividade e até mesmo me incentivaram a iniciar-me no mundo do HQ , mesmo que não profissionalmente ,de forma amadora e como hobbie. Minha primeira história foi inspirada em Asterix , acho que era Asterix vs. César a história que li pela primeira vez e que me inspirou a escrever "Ricardo em Roma" ou algo do tipo . Minhas histórias sempre tinham um personagem com o meu nome , e com o meu pai , isso no ínicio quando eles tinham um tipo de design, diferente. Meu personagem era sempre o protagonista, na maioria das vezes mocinho. Mas chegou a muitas vezes ser vilão como na série ainda inacabada até hoje, chamada Luta-Suja. Mais tarde foram surgindo novos personagens como Marcondes , Samantha e até o Diego, que eu simbolicamente tive que matar em Luta-Suja pois a história estava inacabada quando ele deixou de ser meu amigo. Nos próximos scans colocarei aqui algumas imagens de alguns quadrinhos ...

Minha leitura não se resumia a Asterix , tbm lia muitos quadrinhos da Mônica , Cebolinha e como não podia deixar de ser as Super Games e Ação Games da vida . Quando lançaram Sonic 2 então, eu acho que babei com as fotos. Isso porque eu tinha Master System e as fotos era do lançamento para Mega Drive, mas a vontade de jogar era tanta que cheguei até a ter pesadelos sonhando com Sonic, além dos postêres que eu mesmo desenhava e depois colava na parede do quarto . Sim , eu gostava muito de arte desde pequeno, de quadrinhos, e esse tipo de coisa . Por coincidência no mesmo ano , lançaram pra Master System um jogo do Asterix, com certeza um dos melhores jogos de estratégia que eu já joguei na vida . E as férias passaram na base do videogame e no Almanacão de Férias da Turma da Mônica.

Quando Luís Augusto rompeu com Cristina, embora eu acho que a temática inversa seja mais coerente e verdadeira , ele veio me cobrar , dizendo que agora eu poderia estar feliz, e que o caminho estava livre pra mim tentar conquistar a Cris. Como eu sou ardiloso óbvio que neguei tudo , mas continuava ligando pra Cristine e falando com ela , e tal e até prometi escrever uma história pra ela , que ela, teve que ficar no aguardo de 5 anos pra ficar pronta. Porque eu tinha esquecido. Hauauaahaua, que beleza!
Luís Augusto, não acreditava em mim.

Em 1992 , muitas coisas bizarras aconteceram , no sentido de um comportamento estranho da minha parte, eu tinha um amigo que era obeso, mas que , era , realmente um amigo bacana , e inclusive , passado uns 2 anos veio até a minha casa e tal. Um dia eu tinha tomado iogurte e fiquei com a boca suja. Provavelmente tava com preguiça de ir no banheiro lavar a boca , daí peguei a manga da camisa dele emprestada e limpei minha boca lá. Ele ficou possesso de raiva, quando viu aquilo. Ainda se tivesse ficado só possesso de raiva eu não teria me sentido tão mal, mas o que me deu embaraço e mal estar foi o que ele disse depois ,e começou a chorar :

"Ahhh ! Que porcaria é essa ??? Limpa isso aqui!!! Limpa seu #@%¨#@¨$#$¨@ , porra ,tu pensa que minha mãe é sua empregada , pra ter que ficar limpando isso aqui ?????" - e começou a chorar . :S

Nunca esqueci esse momento.
Tanto não esqueci que to postando ele aqui.
Foram coisas lindas que foram acontecendo em 1992 .Hauahauahaua.

Meu comportamento, nunca foi, nunca será, e ainda hoje , não é , nada do que as pessoas possam esperar , acho que como eu li no blog de uma amiga há um tempo atrás eu sou o tipo da pessoa que tem a personalidade inversa , eu sou o tipo de pessoa que vc "deve esperar tudo" , tudo que vc nunca imaginou ,e que nem eu imaginei, mas que no insight do momento, acontece de forma espontânea e inesperada .

A minha prática favorita, era , quando minha mãe vinha me visitar em casa , pra tirar fotos da minha pessoa, tirar fotos , eu dizia assim :

"Mãe, posso tirar uma foto sua !"

ai ela me dava a câmera pra eu tirar a foto.
Eu pedia pra ela fazer uma pose ...
Ai ela fazia .
Na hora de bater a foto, ao invés de , tirar foto da pessoa, eu fazia um "momento surpresa" e virava a câmera e tirava foto de coisas randômicas, como cachorro, grama , poço do quintal. Hauiahauahauahaua ,era muito diverido, rio só de lembrar. Minha mãe ficava desgraçada da cara com isso, mas , devia saber que crianças (ainda mais como eu era) faziam esse tipo de traquinagem.

Outra vez que ela ficou irritadíssima , foi quando veio me visitar em casa com uma roupa nova que ela havia comprado, a roupa era toda branca, o Lorde ficava preso , pois era um cachorro brabo e podia morder as visitas, já a Lady não, não era uma cadela de guarda, então, quando chegava visita a gente deixava ela solta .Havia chovido no dia anterior e o meu quintal havia se tornado um verdadeiro lamaçal, a Lady pulou na roupa branca dela e sujou toda ela de barro . Eu não conseguia parar de rir . Achei muito cômica aquela situação. E minha mãe se irritava e ficava xingando a cadelinha.

Continuo no próximo post.

Quarta-feira, Março 15, 2006

 

[P#26] A CRISE EXISTENCIAL

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Páscoa de 1992 . Cabelo estilo "Mamãe quero ser brega" e pra variar fazendo cara de cu , como era minha característica de tirar fotos na época

Eu tava pensando quantos posts vou levar pra falar desse ano ,que em si , não teve nada de muito relevante, e nenhuma questão emocional , a ser aprofundada (sim estou me referindo ao relacionamento com Sabine em 1991), mas tem outros fatores culturais e espirituais que tem lá a sua relevância.

Eu continuei a estudar no Martinus , o colégio que havia sido matriculado no ano anterior, acordava tarde , na época , acordar tarde era , acordar dez e meia , quando muito, 11 horas . Fui acostumado a acordar tarde, vai ver por isso hoje em dia essa vida de acordar cedo todo dia pra procurar emprego esteja "me matando" - como diz a Tami.

Mas enfim, acordava tarde, e, acho que naquela época eu tomava café, anos depois , que eu fui abolir essa prática. Naquela época tomar café era uma atividade do cotidiano. Depois foi totalmente excluída e se tornando algo totalmente dispensável e desnecessário e mesmo hoje em dia acordando as 7 da manhã eu já não tenho mais o hábito de tomar café da manhã.

Óbvio que se citei Exterminador do Futuro e Michael Jackson como elementos do entretenimento televisivo e musical que estava em moda aquela época não posso esquecer do BOOOM que foi o lançamento do programa televisivo "FAMÍLIA DINOSSAURO" e da popularização dos jargões "Querida Cheguei", "Não é a mamãe", bonecos do Baby eram encontrados para venda nas Lojas Americanas e diversas lojas de brinquedo da cidade, inclusive eu queria , um "Baby"* pra mim .

Eu começei a ser influenciado por outro tipo de leitura além das revistas de Videogame, e do videogame em si , (um Master System na época) que era meu verdadeiro motivo de diversão, e meu lado social, começou a ser explorado nessa época em que começei a morar em casa e tinha vizinhos , não podia ser recluso, hehehe, e fui conheçendo a vizinhança e tendo experiências (principalmente experiências ruins) com ela . Mas a leitura que me influenciou , foi os quadrinhos do Asterix. Histórias com enfoques na comédia na medida certa, mas ensinando a nós crianças não sermos bitoladas e nem influenciadas pela mídia imbecilizante. Sempre satirizando grandes períodos da história Asterix influenciou-me a começar naquele ano a escrever meus próprios quadrinhos .

Luís Augusto que eu citei no post anterior, (o namorado da cobiçada e linda Cristine) estava ganhando uma má reputação de desordeiro no Martinus graças a um episódio de uma peripércia que ele aprontou... era recuperação - isso me contaram pq na época eu era CDF e não ficava em recuperação , ainda mais em colégio particular onde o ensino é mil vezes superior - enfim quando a professora saiu da sala e deixou os alunos fazendo a prova de recuperação , ele subiu em cima do armário da sala, e abaixou as calças e exibiu o genital pras meninas que estavam lá de recuperação tbm. Quem me contou essa história a primeira vez foram as amigas da Cristine, e pediram pra eu não espalhar, mas em breve muita gente já estava manjando esse episódio. Quem confirmou foi a minha professora depois - professora Nara - não sei como não foi expulso . Se safou. Mas , quem diria que 6 anos depois eu presenciaria algo pior naquele mesmo Martinus.

Mas da metade do ano pra frente , eles (Luís Augusto e Cristine) , me viram com outros olhos , e perceberam que eu não era tão retardado como eles achavam, podia ser louco, mas retardado não. Acho que foi após meu pai meter o bedelho num trabalho que eu fui sorteado pra fazer em trio com eles dois , onde o tema era a Baleia Azul,e não lembro a treta que rolou, e , que fez, eles ficarem furiosos comigo, me separei e fiz a apresentação sozinho falando sobre a Baleia Negra. A professora , apesar dos pesares, aceitou aquilo.

Aquele ano, não foi dos melhores, mas também não foi dos piores, pode não ter sido um ano muito rico em eventos marcantes, mas , o que me marcou foi que pela primeira vez na vida me defrontei com uma filosofia questionadora, sobre a minha existência, algo mais ou menos na linha do "o que é que eu estou fazendo aqui". Minha família é católica e minha avó é muito religiosa, todas as noções de religião a qual fui educado partiram dos príncipios da minha avó , e então algumas dúvidas começaram a surgir e essas dúvidas começaram a me torturar .

Até hoje eu tenho certa dificuldade pra encarar essa idéia do infinito. Eu não consigo aceitar que algo nunca tenha tido um começo. Tem que ter uma origem, e sempre que eu me deparava com as linhas da Bíblia essa contradição só aumentava... aquela frase horrível : "No Início..." pra mim 'No ínicio' a great bull shit inventada pelos homens . Uma grande hipocrisia. E hoje em dia detesto qualquer tipo de religião. Não sou ateu, mas não consigo engulir as mentiras das igrejas e nem as contradições bíblicas.

Desde essa época eu achava muito estranho que ciência e fé se confrontassem sempre . Se tudo é tão correto, e tão verdadeiro, porque dessa contradição ? Eu não cons(eguia)igo entender ainda hoje . Por isso opto por me manter distante de qualquer manifestação ou crença de ordem carola . Como diz o Orkut : "Spiritual But Not Religious", e´bem por aí , minha espiritualidade e meu misticismo falam mais sobre mim e tem mais haver comigo do que qualquer tipo de religiosidade querendo pregar em mim qualquer dogma fake.

Mas o que me torturou , e me levou as lágrimas, e me deixou com duas noites de insônia foi um pensamento confrontante de não saber de onde REALMENTE eu vim. Essa idéia de infinito sinceramente me apavo(rava)ra ,e, eu fiquei pensando, o que acontece DE VERDADE com a alma quando a pessoa morre. Pra onde vamos ? Ninguém tem a resposta, tudo o que temos são grandes interrogações, mas o meu medo maior era ser punido, pela pessoa que eu estava sendo, pela minha tendência a trilhar pelos caminhos do mau, eu sempre acreditava em punições, sendo que isso já é uma alegoria da igreja, em diabo eu nunca acreditei, mas tinha medo da punição. Mas o meu medo era morrer e minha existência acabar .

Explicar isso é complicado.
Se vc morre e a alma continua , tudo bem ,sua essência continua , vc existe de uma forma desencarnada, pode não estar ali em carne e osso, mas continua existindo, mas imagine se , um dia como tudo acaba, não adianta, eu não acredito no infinito, então o meu maior medo , era de me tornar nada , de não existir alma, pra transcrever perfeitamente seria o mesmo que dormir pra sempre , dormir e não acordar mais , mas não dormir e não acordar no sentido de que minha alma estivesse vagando por algum lugar , mas sim, pelo fato de NÃO EXISTIR alma nenhuma. E eu acreditava que esse era o castigo aplicado por DEUS as pessoas más . O fim completo de sua existência a verdadeira morte. Como se depois , vc não enxergasse, não mais pensasse, não falasse , não sentisse, não estivesse lá , não sei se estou me fazendo entender, como se vc realmente NÃO EXISTISSE. Nem nesse plano , e , nem em nenhum outro .

Eu tinha que compartilhar aquilo com alguém aquela época senão minha cabeça de criança iria explodir . E sempre que eu penso nisso , eu fico triste, exatamente por não ter uma resposta que me satisfaça e nem ter realmente uma resposta, ser aquela grande incógnitar pairando na minha cabeça. Falei com a minha vó e ela me tranquilizou com 'mentiras boas' para criança acreditar , meu pai tbm um dia foi acordado pelos meus choros (na casa que a gente morava aquela época eu dormia no mesmo quarto do meu pai) e me falou tbm uma 'mentira boa' que me ajudou a dormimr mais tranquilo.

Continuo no próximo post.

* Baby : personagem do seriado Família Dinossauro cujo jargão clássico era : "não é a mamãe!". O sucesso do seriado era tanto na época que havia bonecos em tamanho real (do personagem) que eram vendidos nas Americanas e nas lojas de brinquedos em geral.

Segunda-feira, Março 13, 2006

 

[P#25] TUDO NOVO DE NOVO...

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Clique no vídeo para curtir um momento clássico do Dalborgha

1992.

Aleluia. Inaugurar um post falando sobre 1992 , depois de levar 10 pra contar como era a vida em 1991, principalmente a vida amorosa.O ano que acabei com o coração partido pela minha ingenuidade e pelo mistério dela.

O ano começou com residência nova, nova pra mim que nunca tinha morado ali, mas era a casa de origem na qual meus avós criaram meu pai e meu tio e que agora havia sido desocupada pelos meus tios e estava livre para morarmos nela de novo.

92 , começou de um jeito já diferente, as férias todas foram dedicadas a envernizar a casa, e, a gente queria muito ter um cachorro , inclusive no "Alô Negócios" estavam doando uma cadela. Não lembro a raça, só lembro que a cor era bege. Mas a tentativa de ficar com a cadela não deu muito certo , e uma semana depois estavamos devolvendo ela pra família de volta por que um dos filhos da família volte e meia ia la na frente do portão de casa pra brincar com o ex-bichinho de estimação de forma que a cadela nunca conseguiu se adaptar a nossa família e ficava uivando a noite.

A gente tirou os cupins da casa e passamos , todos, inclusive, eu com roupa velha e eu era pequeno, ajudei na reforma da casa envernizando ela e passando mãos de tinta na mesma.

Quando voltei das aulas, não sei o que ocorreu de tão errado que eu fui trocado de turma , da terceira série b que era onde eu devia ficar fui transferido pra terceira série a . Todos os rostos diferentes, reclamei em casa e tentei transferir de turma mas não deu certo. Não lembro o que ocorreu a diretora disse que era melhor eu ficar naquela turma que eu estava. Isso pq o colégio era pago... beleza hein ?

Naquele ano ainda , como havia dado errado a nossa primeira tentativa de ter um cão de guarda para o nosso quintal, saímos sábado de manhã e fomos até São José dos Pinhais próximo do Autódromo onde era gravado um famoso programa de televisão sobre venda de carros usados "Mercadão do Automóvel", e, conseguimos comprar um filhote de pastor alemão , que, era mestiço com Fila e o qual eu batizei de Lord, que por coincidência era o nome de um cachorro anterior que minha avó teve antes de se mudar para Curitiba.

Tassiana continou na turma antiga que era a turma com a qual eu havia estudado no ano anterior , porém no meio do ano mudou de colégio e tampouco eu tive como falar com ela, devido a distância que tomei dos meus antigos colegas. Muito embora não fosse uma distância consciente.

Meus antigos colegas de classe continuavam me enchendo o saco , me dizendo que a minha "namorada" havia se separado de mim e que eu havia me "dado mal" .

92 , foi importante no quesito games, tbm, foi esse ano que conheci o Sonic, no antigo Master System que eu tinha, além de jogar diversos games , como Alex Kidd, o que havia começado no ano anterior, nessa questão de vícios de videogame tinha continuado em 92 numa escala crescente, até 1996 eu seria muito viciado em games, era uma nova era na minha vida nesse sentido.

Aqui vão alguns nomes que lembro da minha turma de terceira série de 1992 do Martinus :
Cristine,
Luís Augusto,
Eduardo,
Rodrigo,
Rafael A,
Rafael D,
Luciano...

Depois de um tempo achando que não ia conseguir me adaptar com essa nova turma , eu consegui fazer algumas amizades até, com alguns colegas, onde o conteúdo era sempre o mesmo , sentar no chão abrir a lancheira e falar bobagem.
Nessa época o Clodovil tinha um programa pela rede CNT , e, com certa notoriedade, foi nesse ano que descobri que existia tal personalidade ... ele tinha um programa de talk-show na época chamado "Clodovil Abre O Jogo" no qual convidava o convidado a olhar para a lente da verdade e falar alguma coisa escabrosa.

Era comum imitar Clodovil no recreio, e Michael Jackson tbm por que , Michael Jackson estava muito em alta aquele ano principalmente pela exibição (pelo menos no Brasil) do clipe Black or White , que abusava dos efeitos especiais de computação gráfica, assim como estava na moda comentar o filme EXTERMINADOR DO FUTURO 2.

Cristine e Luís Augusto , não foram com a minha cara , me achavam retardado, e eu particularmente, no começo não gostei deles tbm.
Eles eram 'namoradinhos' na época, assim como eu e Sabine queriamos ser no ano anterior e não conseguimos.
Mas , não lembro o que ocorreu ao longo do ano e Crisitine brigou com Luís Augusto, nem lembro o que ele aprontou, mas a partir dai ela começou a ser mais amistosa comigo, e ligações para a casa dela eram quase diárias ...

E eu conto mais no próximo post...

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