Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

 

[P#24] O TRIÂNGULO -- PARTE FINAL

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"Tem que ir pro BICO DO URUBU ! PORRRAAAAA!!!!!!" - dep. Luiz Carlos Alborghetti em rede nacional

Ainda nas primeiras semanas do ano eu tinha ido acompanhar minha avó até o dentista dela , e, enquanto ela se consultava com ele , ele deixava a tv ligada na exibição do programa "Cadeia", ou algo assim , de repente surge uma figura calva na tela , com cerca de seus 50 e poucos anos pronunciando de forma visceral "Tem que ir pro colo do capeta!!! PORRA ! POOORRRAAAA !!! SENTA NO COLO DO DALBORGA !!!" , aquela figura bizarra batia com um cacetete em cima da mesa entre um gesto desvairado e outro, minha vó perguntou :

"Quem é esse ???"
"Esse é o Alborghetti, o cara é uma figura . Tem dias que da sapatadas na mesa e tudo mais"

Era o primeiro contato que eu tinha com Alborghetti.
Aquela expressão furiosa de sempre , a testa suando e a toalhinha branca nas costas.
Luiz Carlos Alborghetti é radialista, repórter policial e apresentador de programa, parece-me que atualmente após o fracasso nas eleições de 2002 , ele mantém um programa na Rádio Tropical de Curitiba. Alborghetti começou como radialista , depois passou pra tv e ficou famoso pelo seu jeito explosivo e escandalizante de fazer jornalismo e seus programas sempre abordavam temas policais pesados e assuntos relacionados a política... ficou conhecida tbm por frases célebres como :

Vagabundo!
Cadeia nele!
Cemitério nele!
Bico do corvo nele!
Eu fico desgraçado da minha cabeça!
Não tem que construir mais cadeias, tem que construir mais cemitérios.
Tá com pena dele? Leva pra sua casa, põe pra dormir na sua cama. (frase dirigida a defensores dos direitos dos bandidos)
Tá no colo do capeta! (quando um bandido morria)


Fonte : Wikipedia

Sim, sim o fato de ter conhecido Alborghetti, o deputado estadual Luiz Carlos Alborghetti (Dalborga) é de relevância histórica pois o apresentador Ratinho só ganhou fama e destaque na grande imprensa porque foi substitui-lo um dia , imitando o jeito típico do mestre "Dalborga" apresentar programa. E na época foi tido como inovador, depois mostrou-se um show de baixarias e bizarrices sem fim que é a cara do SBT .

Fora esse fato não lembro, pelo menos por enquanto de mais nenhum fato externo no meu relacionamento com amigos, Rafaela, Sabine, que tenha relevância grande . Lembro sim do colégio Martinus (e isso justifica as fotos dos posts anteriores) , e de coisas maravilhosas que vivi lá e nem tão maravilhosas , uma vez, visto que alguns fatos não tiveram assim tanta relevância minha memória falhe.

Lembrei da minha turma de segunda série, tinha o Samuel que era o piadista da turma que contou uma piada (é , é bobinha) mas que acabei nunca esquecendo, o garoto era um celeiro de piadas , e , sempre tinha alguma coisa pra contar que fazia a gente rir .

Uma vez ele chegou pra mim :
"Ricardo , vc sabe qual é o único país que não da Cana ?"
"Não, qual ?"
"Canadá"

Hehehe, ta bom , confesso que isso foi meio 'fuck retardad', mas pra época era bom, não tinha ainda meu senso humorísico bem definido aquela época pra poder dizer e afirmar com certeza o que era bom e o que era ruim.

Acho que um fato de pouca relevância , mas que me lembro bem agora tbm é o fato de ,
que, eu estava completando um album da Elma Chips , com figurinhas de Dinossauros, e acho que a Rafaela me ajudou a completar ele, mas eu já não tenho mais certeza a respeito disso. E na época o álbum era barato e as figurinhas vinham sempre (como era de se esperar) num salgadinho . Eta, Capitalismo Selvagem! Tsc, tsc, tsc.

Outra coisa que nunca esqueci foi o período que tentei usar lapiseiras, e o dinheiro gasto , e como gastava , pra trocar as pontas daquelas malditas lapiseiras, sim, era daquelas lapiseiras de ir colocando a ponta na parte superior e assim que a anterior fosse quebrada a de baixo substituiria ela , acho que é tão antiga que nem a busca de imagens do Google foi capaz de encontrar ... mas enfim... quebrei muitas pontas e não me dei bem com as lapiseiras voltando a usar lápis.

Ah sim , a tradicional festa-junina do colégio-martinus com a parte entediante da dança . Como eu odiava aquilo . Nunca gostei de dançar, e vem de berço, ainda mais dançar acompanhado e a gente ficava dias ensaiando aquelas danças de quadrilha pra sair bem depois nas lentes fotográficas dos nossos pais que vinham prestigiar a nossa apresentação . Bleargh. Depois daquela festa, acho que voltei com meu pai e a gente foi numa banca na frente do shopping Müeller comprar um almanacão de Férias da Turma da Mônica. (Sim eu gostava muito de ler essa época). Mas óbvio que eu era tbm muito fã (e colecionava) da revista Mad ... é bons tempos ...

Voltando agora ao "main subject" desses 10 posts falando sobre o triângulo amoroso ,entre Sabine , eu e Rafaela ... o desfecho da história ...
Certa vez, não lembro qual foi o motivo , Sabine jogou pra mim anotado num papelzinho o número de telefone dela . Como eu sempre fui relaxado, eu pedi pra minha vó guardar pra mim o telefone com o número dela . (Eu nunca mais vi o papelzinho :S). A mãe dela deu uma bronca na filha por essa atitude, provavelmente a dona Dagmar não queria que eu ligasse pra filha dela ou me considerava uma má influência... eu não sei...

Fato ocorrido foi que ouvindo os burburinhos da casa, e prestando atenção eu entendi que não moraria mais lá a partir de Dezembro. Isso deve ter chego aos meus ouvidos em meados de Novembro. No entanto a gente não podia se mudar de lá enquanto meus estudos não terminassem . A situação estava crítica. Eu não queria mudar de lá , mas ao mesmo tempo também não estava abalado com a notícia. Um dia aquilo teria que acontecer, como eu já conversava em hipóteses com ela algumas vezes. Eu só não esperava que acontecesse tão cedo. Mas tudo bem, como diz uma amiga minha (sim a mesma de alguns posts atrás) "É a vida".

Contei pra Sabine e ela ficou arrasada, no dia que eu dei a notícia que dentro de poucos dias eu me mudaria dali ela perdeu o ânimo . Senti que não quis mais brincar, pos-se a sentar e então começou um diálogo nesse naipe :

"Eu não acredito ! Você é meu melhor amigo , Ricardo. E agora, com quem vou brincar ? Eu vou ficar sem amigos!" - ela estava realmente triste nesse dia.
"Calma. Não é assim. Tem a Tassiana o Gabriel, e depende de quem vier a morar aqui , você poderá formar uma outra amizade, ou quem sabe um outro par... não fique assim..."

e completei :

"Passado um tempo , você vai esquecer , que um dia eu passei pela sua vida" - anos depois eu viria a saber que tudo que eu falei nesse dia se concretizou. E olha que eu não sou vidente ...

A situação foi a seguinte : meus tios que moravam na casa dos meus avós desde que eles se mudaram de lá em 1985 , tinham comprado em meados de 1986 um terreno no São Bras , mas , foram pagando as dívidas conforme os anos foram passando, 1986,87,88,89,90 e em 1991 eles conseguiram quitar a dívida. Óbvio que com a casa livre , o ideal para nós seria mudarmos de lá e não pagarmos mais aluguel. Naquela época eu era muito novo pra entender isso. E por mais que eu não estivesse desesperado no fundo eu estava triste porque sentia que ia me separar dos meus amigos que gostava, e principalmente dela... com quem tinha vivido toda aquela história.

Lembro como se fosse hoje o último dia de aula, principalmente o momento que eu saí do Martinus, deixei a sala e a professora estava ali falando em voz alta, quem tinha sido aprovado e quem estava em recuperação. Alunos choramingavam a recuperação, enquanto eu saí com a consciência limpa de que aquele ano eu tinha sido um aluno impecável . Eu nem sabia direito, mas o que aconteceu em seguida foi assim : entrei no carro e good-bye antiga moradia . Good-bye amigos. Isso sem me despedir de ninguém. Bem estilo , "pensou que ia se despedir, quando viu já tinha ido"

Ainda voltei um dia lá antes de voltar mais uma vez e ser a última e não vi ninguém lá apenas a Tassiana, ela estranhou :

"Ué , você não está morando no Pilarzinho ???"
"Sim. Mas no documento eu sou morador desse prédio até o dia 14 de Dez. ainda" - isso embora o prédio ja´estivesse vazio e com as mudanças todas na minha casa nova.

E sim, o contrato de locação terminava no dia 14 de Dezembro, mas a gente foi embora antes, assim qeu minhas aulas terminaram, no começo do mês mais ou menos.

E houve então a última vez que eu fui lá . Eu estava muito viciado em videogame, de Natal havia pedido (graças a estratégia de marketing da Tec Toy na época) Mônica no Casteldo do Dragão (que nada mais tratava do que um jogo feito em cima de um dos Wonder Boy da série do Master System) e Indiana Jones and the Last Cruzade. Começei a me interessar por revistas especializadas no Assunto como a "Supergame" e a "Ação Games".

Quando voltei lá , e meu avô me levou junto com ele , eu trazia comigo uma Supergame embaixo do braço...
Lukas e Gabriel conversavam sentados na escadinha do playground. Eu os cumprimentei e Lukas me perguntou :

"O que é isso ?"
"É a Supergame."
"Posso ver ?"
"Claro!"

Enquanto folheava a revista e admirava as figuras ele comentou comigo ...

"Eu... eu acho que a minha irmã gosta de você" - ele estava falando 'gostar' no sentido que eu queria que ela gostasse mesmo . E eu entendi, pelo menos uma vez na vida não vivi um "momento de jabuti" e compreendi... fiquei meio bobo com aquilo e perguntei pra ele :

"Onde ela está ?"
"Lá nos fundos!" - respondeu ele apontando para onde o Zelador morava. (o Zelador branco)

Quando estava indo "lá nos fundos", encontrei Tassiana no meio do caminho e ela me abordou ... foi engraçado como todos estavam lá aquele dia, parecia que eles tinham pressentido que eu ia aparecer .Ela veio me propor uma coisa muito estranha ... ela me disse :

"Ah! Ricardo !!! A Sabine esta lá atrás, ela quer um bjo seu" - era na boca - "e então você começa a namorar com nós duas ... o que você responde ?"

Hã ? Como assim namoraria com as duas ??? O que era aquilo ? E logo eu que sempre fui educado e acredit(ava)o na monogamia passar por uma situação daquelas ? E por mais que Tassiana fosse bonita eu não gostava e nem tinha atração por ela .
Mas quando eu fui responder ...

"Bom eu..."
"Vamos fazer o seguinte , você me responde uma coisa e eu digo pra ela que vc falou uma resposta oposta da que vc me disser agora...e então ? O que você me responde ???"
"Peraí !!! Eu não sei ! Como vou responder assim ??? Dá um tempo pra mim pensar..."
"Ok... você tem 10 segundos pra responder.... 10 , 9 ... 8 ..."

Quando terminou a contagem e eu não conseguia pensar em nada direito porque tava meio atordoado com aquela situação , ela me perguntou :

"E então ?? Decidiu... o que você responde ???"
"Não !" - minha resposta foi um não... ela tinha me deixado confuso com tudo aquilo. No final das contas nem sei o que ela falou pra Sabine . Mas o beijo não chegou a acontecer . :S

Óbvio que pela nossa inocência da época o beijo seria provavelmente um selinho, mas,
já seria um grande avanço pra quem achava o máximo ficar de mãos dadas com a menina que gostava enquanto a mãe ficava pegando no pé. :P

Eu queria e muito beijar a Sabine, mas eu queria a Sabine , o problema é que Tassiana viria junto no pacote - é com certeza eu nunca vou entender as mulheres , e foi a partir daí que eu começei a não entender mais nada mesmo , (mais nada que esse assunto abrange) - nunca eu vou saber o que DE VERDADE elas trataram aquele dia antes de eu chegar , e eu nem vou perguntar também porque elas nem devem se lembrar mais disso .

O fato foi que após o ocorrido, quando fui buscar chegar onde Sabine estava , meu avô me chamou pra ir embora, porque ele já tinha assinado os papéis e estava tudo já acertado. :S .

Ou seja : só tive certeza absoluta que ela gostava de mim tarde demais. Quando eu já não podia mais fazer nada . Imagina minha frustração. E imagina que eu nunca esqueci desse episódio, e imagina que EU PERDI o telefone dela.

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Pra quem tiver curiosidade sobre o Alborghetti, há uns vídeos dele disponíveis na Internet, contendo alguma das performances que eu citei nesse post.

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Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006

 

[P#23] O TRIÂNGULO -- PARTE 9

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Duas alunas do Martinus. No meu tempo o uniforme não era assim

Hmmm...
Seria essa a parte final sobre esse assunto? (sobre coisas relevantes que aconteceram no ano de 1991.)
Não sei. Acho que prefiro fazer um post complementar depois, nem que seja mínusculo de 3 ou 4 linhas no vigésimo quarto post desse blog do que me comprometer a escrever as últimas linhas sobre esse ano sendo que eu posso estar errado, e acabar escrevendo mais um post depois, tendo que apagar o título desse. Mas o que importa é que estamos no final da saga sobre esse ano.

Sobre a Sabine eu lembro de outras coisas ainda , mas que perto de tudo que eu falei aqui a respeito do lado positivo e negativo da nossa amizade não tem uma importância tão relevante e não acrescentaria nada a esse blog . Como a vez por ex. que ela ia para uma festa com a família dela e tinha medo porque eu estava sujo de areia, que eu sujasse ela, ou da primeira vez que vi ela usando óculos de grau, e coisas assim que não tem realmente AQUELA importância em ser lembrada. Tudo que é relevante sobre esse assunto eu já falei. Falta só a "última cena" , o "gran finale" sobre nós, que contarei mais para frente.

No colégio Martinus eu havia sido aprovado com louvor pois era naquela época um excelente aluno, o que num linguajar mais chulo chamam de CDF. Não havia tido excelentes amigos, mas também não havia tido amigos ruins , com excessão de Rafaela que sempre foi uma ótima pessoa e por mais que a gente não consiga se falar por msn hoje vai estar sempre nas minhas boas memórias e no meu coração . Adoro ela. Uma pessoa realmente dez. E o namorado dela deve ser um cara feliz. E ela merece ser feliz , porque realmente é uma pessoa bacana.

Era isso que estava faltando sobre 1991 que eu não lembrei de falar.
Há alguns momentos interessantes que vivi com Rafaela (não vão pensar merda) , no colégio e fora dele tbm , em excursões do Martinus e numa festa de um amigo. Rafaela era perspicaz, e , não lembro se já contei aqui anteriormente , mas uma vez ela me surpreendeu usando a inteligência dela. Quando eu era pequeno eu corria muito bem e era veloz. Conseguia atingir velocidades absurdas . (E não eu nunca pensei em ser atleta não). Isso irritava meus colegas , principalmente os que iam brincar de pegador comigo e os que iam jogar futebol.

Brincavamos de pegador , a famosa brincadeira "mãe-pega". Rafaela era a "mãe" , se alguma das minhas 'filhas'* estiver lendo isso agora vai achar engraçado o termo, o certo é que eu estava fugindo. E ela tinha que me pegar , desciamos próximos a ladeira de cimento do colégio , quando escuto ela cair no chão ... muito preocupado me volto para ver o que aconteceu com ela.

Vou estender minha mão para ajudar a levanta-la do chão
no que tomo essa atitude , pergunto :

"Ow , você está bem!"
"Mãe!"

É , ela me pegou ...
Era sempre assim nós brincavamos juntos, e nem sempre em turma, algumas vezes brincavamos só eu e ela, talvez isso tenha reforçado a maldade dos comentários dos meus 'coleguinhas'. Mas eles eram realmente muito bobos. Infantilidade colocar tanta maldade numa amizade como a nossa , que , antes que pensem , nunca foi 'colorida'.
Mas a gente se gostava sim . Eu gostava dela. Era uma pessoa especial. E me preocupava com ela também, muito embora isso não fosse algo assim tão consciente da minha parte.

Luigi, um amigo dessa época , que não vou colocar o link do orkut pro profile dele aqui; porque a porra do orkut pra variar esta fornecendo aquela maravilhosa e estupenda página de erro que nos emociona a todos, e, ele estava numa sexta-feira (se eu não me engano) distribuindo os convites para a festa de aniversário dele, e acho que era uma festa-rock, ou algo assim , só lembro que dizia pro pessoal se vestir de preto ... e se preparar porque ia se sujar muito, pegar uma calça velha e rasgada. Enfim, o convite dizia algo assim .

A festa ia ser num Sábado a tarde numa região daqui de Curitiba , que não me perguntem onde é que eu não vou saber dizer . Ainda mais 15 anos depois.Mas o que importa é que a festa em si rolou . E eu cheguei lá vestido da maneira que me vestia sempre , o Luigi alertou :

"Mas tava no convite que era pra vir com uma roupa velha!"

É , eu vim arrumadinho. Acho que foi minha vó quem escolheu minha roupa, não sei, mas entendi que o convite dizia para vir com uma roupa velha por que tinha muito morro arenoso por ali , e se o pessoal - como diz a Judy - fosse brincar de Eskibunda, ia se sujar , ou talvez mesmo rasgar a roupa , e eu tava lá todo 'elegante' ,ahauahaua, pronto pra me f....oder.

Depois , quando estavam todos lá ouvindo música , e, curtindo, pensando o que iam fazer na sequência , percebi Rafaela chegando, ela veio com um traje lá , e o pessoal ficava rindo porque achava as pernas dela branquelas demais. Criança e´uma merda mesmo. Não tem jeito. Mas enfim , isso não é tão relevante. O que é relevante é que ela me viu, e ficou feliz, óbvio que feliz eu tbm fiquei, e lembro dela ter me dito :

"Ahhh ! Sabia que você vinha!!!"

Se fosse uma época internética (aquela época eu digo) eu poderia ver até os emoticons de alegria saindo da boca dela . (aff que troço brega, mas deu pra entender o que eu quis dizer). Era incrível nessa época eu tinha um magnetismo com as mulheres, minha personalidade realmente era forte, e chamava atenção. Eu não tinha nada de anormal tbm e as meninas me achavam , como diz a Tami , "bUnitinho". hauaahaua.

A gente foi fazendo uma trilha morro abaixo, porque havia uma ladeira montanhosa coberta por terra , (se minhas meias falassem aquele dia) , e sob a montanha umas árvores e a galera descendo de bunda ali pra curtir de montão . Óbvio que os trajes que estava usando não me permitiam participar de tal aventura da mesma forma. então fui ficando pra trás, andando por sobre aquela terra, afofando meu pé lá , e sentindo a terra entrar na minha meia. Rafaela, companheira como sempre, acompanhou-me enquanto estava naquele momento "jabuti" por causa do traje.

Enfim , quando chegamos na parte inferior havia uma estrada arenosa e cheia de pedrinhas e um outro morro pelo qual descer, só que sem árvores e arenoso. O pessoal ja´estava subindo o morro de volta quando nós chegamos , só que eu na minha concepção de viajar cada vez mais e mais longe fui correndo por aquela estrada numa trilha que fazia uma quina paralela em relação ao lugar que as pessoas estavam subindo (é se virem pra entender isso agora) , eu ouvia a voz da Rafaela pedindo pra eu voltar, e a medida que eu me afastava , podia ouvir que ela tava gritando pra mim voltar, e , como o lugar era alto fazia eco a sua voz, mas eu não queria voltar queria ver onde aquela ladeira arenosa iria me levar . Mas freei e mudei de direção pra voltar , quando escutei ela chorando. Aquilo meio que me sensibilizou... fiquei comovido e voltei tentando acalma-la. Eu percebi que ela realmente estava preocupada comigo. E mais, tinha medo que eu me perdesse. Tentei consolá-la.

Voltei pra casa , (nesse mesmo dia) após a festa quando meus avós vieram me buscar de carro. Fui ler um daqueles grandes almanaques Disney (que hoje em dia a Disney nem publica mais - pelo menos não no Brasil), mas aquele choro dela ficou na minha mente. Eu fiquei com a sensação de que tinha feito uma grande cagada aquele dia. E fiquei com remorso dela . E como sempre eu penso ... "Tadinha da Rafaela". É , eu tenho um lado sentimentalóide bobão mesmo. E eu acho que esse lado está ligado diretamente ao meu signo , pra mim seria melhor se eu conseguisse ser mais prático, e também implácavel e seco algumas horas .

Em 1991 , também foi o ano de fazer muita merda.
Principalmente aquelas merdas pessoais e de carater individual que particularizam a minha pessoa no mérito de fazer coisas retardadas que todos teriam consciência de que não dariam certo, e , por causa disso justamente, não levam suas loucuras à prática, mas que para mim eram coisas viáveis.

A que mais me marcou e vou carregar pro resto da vida , e que mesmo que não carregasse, tem esse blog aqui pra me lembrar foi uma vez que eu estava com muita fome e não satisfeito em pegar a mortadela e por no pão resolvi colocar o sanduíche no microondas. Tudo estaria OK não fosse o fato de eu ter programado o microondas pra 10 minutos. Aff... nem preciso contar o estado que ficou a mortadela né ? Parecia um cadáver. Fiquei com medo de comer aquilo, além de que ficou dura e toda arregaçada pra cima como se tivesse dobras. Nojento e bizarro ao mesmo tempo. Joguei fora no lixo.

Já outra merda memorável foi que , a professora tinha nos dado como lição de casa , a tarefa de colorir a bandeira do Brasil. E não disse nada mais . Em casa , eu muito livremente pintei as cores do Brasil nas cores que eu queria . Pintei a esfera de laranja o retângulo de azul e o triângulo de vermelho . Mostrei depois num horário em que estavamos no pátio do Martinus a obra pra Rafaela. Ela ficou chocada :

"Seu Imbecil! A bandeira do Brasil é verde, amarela, azul e branca"
"Mas a professora não falou nada que tinha que colorir nessas cores..."
"EEEEEEErrrr....."

Um dia eu escrevo um manual de como fazer merdas profissionalmente.
Vai se chamar "Fazendo merdas com Ricardo", o bom é que , dependendo de quantas dessas eu lembrar até a atualização do blog pros dias de hoje , eu posso lançar volumes desse livro até ele formar uma enciclopédia completa e absoluta em tudo que não faz sentido , ou , é retardadamente inviável. O que vai ter de criança botando o fogo na casa (E antes que pensem não , eu nunca pus fogo na minha casa).

1991, foi o ano também em que fiz meu primeiro cadastro na Biblioteca Pública do Paraná. O cartão inclusive deve estar perdido por aí. Lembro que um dos primeiros livros que peguei era um da Disney ensinando noções de ciência para criança ... muito legal , lembro que no período que estive com esse livre , eu fui fazer bolinha de sabão e engoli a bolha. Mas era justamente porque estava tentando aprender um procedimento de como juntar duas bolhas , ou algo semelhante. Peguei também um livro do Bambi no mesmo dia .

1991, foi o ano que eu andei de Ligeirinho pela primeira vez.
Sentir a emoção de andar de ligeirinho (naquela época era uma novidade), o prefeito era o Jayme ou Jaime ou sei lá , mas Jaime Lerner, e, a função principal do ligeirinho era chegar mais rápido no destino do que os demais transportes públicos uma vez que em Curitiba não há metrô como ocorre em megalópoles como Rio de Janeiro ou São Paulo. Então era uma obra de grande reconhecimento perante o público , e a sua gestão como prefeito pode ser sim considerada boa , apesar de ser pefelista nojento ; mas enfim, fez algo que valesse a pena pela cidade.

O Shopping Müeller : Até hoje é o shopping de Curitiba que eu mais gosto, mais me identifico, e com o qual , lembro dos tempos que eu era realmente feliz, conheci o Shopping nesse ano, aliás não, conheci no finalzinho de 1990 quando vi os Papais Noéis verdes andando por lá . Adoro. Vou lá sempre que tenho uma chance.

As ciclovias, e os parques, principalmente o Parque São Lourenço que era a conexão principal daquela ciclovia que eu andava quase sempre com meu pai, os passeios ciclísticos, e a vez clássica que voltando do Parque Barigui (de bike) tomamos uma chuva grossa... é realmente um grande ano.
Agora eu pensei direito. Dificilmente esse seria o último post pra falar sobre 1991. Acho que termino no próximo.

E no próximo capítulo conto como terminou essa história com Sabine. Que desfecho teve...

 

[P#22] O TRIÂNGULO ---- PARTE 8

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Colégio Martinus , hoje em dia...

A Tassiana teve um papel importante na minha amizade com Sabine. Pra falar a verdade eu nunca lembro se o nome dela corretamente escrito é TassianA ou TassianE. Sempre fazia confusão na época, e , olhe que eu fazia confusão na época que eu via ela pessoalmente ,imagina hoje em dia então que nem a vejo e perdi totalmente o contato com ela.

Ela foi a mediadora do meu relacionamento com Sabine , tanto pro bem quanto pro mal, nas fases que eu e Sabine estavamos mal , ela não bastando a situação ainda contava o que eu fazia no colégio como se ela fosse uma espiã das minhas ações, ela só não podia falar nada das minhas notas escolares que eram ótimas, e, se não me falhe a memória muitas vezes , melhores até do que as notas dela, mas ela conseguiu me encrencar tanto com a Rafaela , quanto com a Sabine, houve ainda um período pior em que ela apoiava a bandeira de dizer que eu era namorado da Rafaela, assim como já me importunavam os garotos do colégio, ela tbm , pegava no meu pé com essa história e o pior é que saía divulgando por aí no prédio, aff, passei maus momentos por causa dela.

Ainda não lembro que raio de situação foi aquela que ocorreu , em que , a Tassina estava conversando com ela sentada e recostada numa das paredes do bloco A , quando, eu cheguei e escuto elas conversando e burburando algo sobre a Sabine ... é ... foi um dia bem escroto, que vieram tirar sarro de mim, e eu já não estava no melhor do meu ânimo ... mas lembro muito bem de terem dito algo assim :

"Você já viu que Rafaela e Ricardo combinam, não é Bine ?" - ela chamava a Sabine de Bine .
"Ah, sim, os dois nomes começam com R..."
e ai apontaram o dedo uma pra outra
"R com R, R de amor..."

E ainda me chamavam pra eu debater com ela esses assuntos sem pé nem cabeça. Óbvio que eu tentava fugir ao máximo que conseguia, mas na maioria das vezes acabava me estrepando ... era fogo... ainda uma vez quando eu tentei correr e fugir, subindo as escadarias do bloco b pra chegar no meu apartamento a Tassiana disse :

"Ah, não vai fugir hein ? Amanhã é jogo da verdade."

Sim jogo da verdade... eu teria que passar por aquele confrontamento vexatório. Óbvio que o jogo da verdade era pro lado delas né ? Me colocando numa inquisição e me fazendo perguntas de deixar qualquer um contra a parede... mas entre falar a verdade e passar por humilhações vexatórias eu preferiria responder tudo o que me fosse perguntado como se eu tivesse alguma culpa no cartório , pelas amizades que eu tinha, ou com quem eu me envolvia...

Tudo bem.
No dia seguinte , elas vieram lá me questionar sobre um monte de coisas. Era uma manhã de sol , lá no playground do Natalia Moro.
E então , a Tassiana fez para nós a fatídica pergunta :

"E quanto a essa questão do namoro de vocês ? Vocês se gostam ?" - Sabine se antecipou e respondeu :
"A gente namorou uma vez... mas não era namoro, namoro, era namoro de brincadeirinha... sabe como é né ?"

E mais coisas que eu não lembro.
Foi o dia das pérolas , no mínimmo devo ter saído de lá constrangido e muito puto da cara como eu sempre ficava nos dias em que acontecia esse tipo de coisa.

Outra coisa que foi péssima, e me deixou me sentido um ser mesquinho , o mais desprezível dos seres foi quando eu caí na minha própria armadilha , o meu ego gigante . :(. Cometi um terrível engano e nunca me desculpei por ele e nem, tampouco, contei pra ela sobre o ocorrido , foi no dia em que , a traí e ela não soube. Segue a história (verídica) :

Era um Sábado cinzento , deviam ser umas cinco horas da tarde, e, pra variar eu estava no Playground querendo brincar , mas ninguém aparecia, então me sentindo triste e sozinho , resolvi chamar por ela . Fiquei chamando a Sabine lá do Playground, mesmo vendo que a janela do seu quarto estava fechada. Mas eu não conseguia compreender. O carro do pai dela : um TL branco estava na garagem parado , e eu sabia que quando a família Grzybowski saía , o carro não estava na garagem.

Chamei muito por ela, acho que até incomodei os vizinhos de tanto que gritei por ela e ela não abriu a janela. Devo ter pago o maior mico da minha vida. Gritando por ela e a janela do ap dela estava totalmente fechada. Foda. Gritei, devo ter insistido por uma hora e meia... de repente cansei, e, fiquei sentado no banco com a mão em cima da mesa de xadrez pensando o que fazer da minha pele. Nisso aparece Jairo... eu não queria confusão aquele dia ... fui tentando me esquivar... não lembro o que aconteceu, que ele perguntou o que é que eu tava fazendo , eu respondi :

"To chamando a Sabine pra gente brincar, mas ela ta me ignorando"

Não lembro o que ele falou, se ele me iludiu ou fui eu quem se deixou ser iludido, mas ele me propôs um acordo de paz, com alguns poréns, como se fosse um contrato assinado, o porém era que eu não poderia mais falar ou brincar com a Sabine, algo assim, algo desse gênero. E eu irritado e cego pelo ódio da forma que estava , aceitei os termos que ele impôs . E eu lembro dele ainda ter me alertado :

"Você tem certeza, que é isso mesmo que você quer ??? Você não vai aguentar muito tempo e vai fazer as pazes com ela... ai eu vou ser obrigado a te quebrar na porrada"

Algo sutil e romântico dessa modo como estou descrevendo.
Aceitei , e irritado como estava começei a xingar ela , de tudo quanto era nome , "ahh essa vaca..." e coisas piores... realmente eu tava muito desiludido, frustrado e fudido da minha cara com aquele tipo de situação. Ele ria da situação e me dava forças pra continuar alimentando meu ódio o resto da vida. Dizia que eu tava certo e que não podia me permitir ser feito de palhaço daquela forma.

Subi no prédio com a mente fervilhando de idéias diabólicas, eu estava pensando em me tornar inimigo da minha best friend, mas até minha raiva já tinha data calculada pra acabar, meu pai tentou me acalmar nesse dia ainda, enquanto mudava o canal da televisão na sala do ap .

"Calma. Ela pode ter saído com a família..."
"Que saiu o que ??? Ta pra me fazer de palhaço, lazarenta!"
"Se controle"
"Não. To de mal agora. E vou ficar até o dia xx-xx-1991, vai ver só vacona!"
"Já parou pra pensar que nesse dia ela pode nem estar viva? Pode ser muito tarde" - me alertou meu pai, meio que tentando me sensibilizar com sua filosofia a là Renato Russo ...

Não conseguiu, minha cólera continuava... e eu fui dormir aquele Sábado muito, muito frustrado.
No dia seguinte , meu pai me chamou para a gente ir de bicicleta até o Parque Barigui... e participar do bike-cross que tinha na pista de lá. Óbvio que topei porque bicicleta aquela época era meu esporte favorito e também a minha prática mais vezes repetida. Adorava andar de bicicleta como já falei há alguns posts atrás e , com certeza eu não ia ficar fora dessa. Muitos domingos de manhã apreciei em passeios cíclisticos de Curitiba e etc e tal. Lá no Barigui foi muito legal, a pista era de terra , e tinha uns 'jumps' interessantes, altas manobras ali , altos tombos e altas ralações de braço , mas graças a Deus , nenhum esfolamento de pé ,heheeheheheeheheheeh...

Voltamos pra casa. Devia ser umas 15:00 da tarde ...
Não me agüentava de vontade de ir no banheiro . Eu queria mesmo era defecar ... tava mandando brasa no trono quando escuto a campainha tocar. Meu pai que estava na sala vendo desenho animado "Em Busca do Vale Encantado" se eu não me engano, atendeu a porta , do banheiro eu ouvi o diálogo. Era Lukas que estava ali . Ele tava me chamando pra descer pro Playground. Terminei o serviço , dei a descarga e usei o papel higiênico. Fui na sala e atendi Lukas e descemos para o Playground.

Toda a raiva que eu tava sentindo da Sabine no dia anterior sumiu naquele instante. Esqueci totalmente a história. Desci no playground e vi minha amigona lá, e , diante daquilo tudo ficou zerado, ela me falou :

"A gente tava tocando a sua campainha a mó tempão mas acho que você não estava em casa né ? Apesar de que, o carro do seu avô..." (um Del Rey na época) "... estar na garagem a gente tava desde uma hora da tarde te chamando mas nada de você aparecer"

eu respondi :

"É , e´que eu tava no Parque Barigui com meu pai. Tava muito legal lá. Me diverti que só..."

Nisso me aparece Jairo , e, muito frustrado de ver a gente brincando veio lá me incomodar , e perguntar do nosso trato ... perguntou lá se eu já tinha esquecido de tudo , e não sei mais o que , me cobrou de uma forma explícita , Sabine questionou :

"Que trato ?"

Eu me fiz de desentendido :

"Sei lá . Ele é louco... vai saber... "

Eu vi os olhos raivosos de Jairo qualquer hora ele iria partir pra cima de mim e me bater violentamente... e eu não teria como me defender porque ele tinha o dobro do meu tamanho (apesar de ser um só), aquela situação me deixou deveras incomodado, antes de me bater , Jairo começou a instigar Sabine ... e começou a contar todo o episódio da tarde anterior .

"Sabe do que o Ricardo te chamou ? Sabe ? Sabe ? De vaca, vagabunda, lazarenta, filha da puta ... "
"Você esta inventando isso " - disse ela, porque ela tinha total confinça em mim, (ou quase total confiança, já que desconfiou do episódio da planta urinada)
e ela não quis mais ouvir o que ele tinha pra dizer , colocou as mãos nos ouvidos e começou a correr em círculo emitindo :

"lálálálálálálá..."

Foda a situação.
Eu estava sendo muito falso. Mas eu não queria por tudo a perder, por causa de um babaca como ele . Aquele dia foi como que sem querer eu tivesse me vingado de todas as porradas que ele me deu . Ele saiu de lá frustradíssimo, tão puto que acabou esquecendo de me agredir fisicamente , mas não sem antes me ameaçar :

"Vc me paga por isso..."

E ela nunca soube que na verdade eu tinha traído ela com essa história ai , e, que o Jairo dizia a verdade . Ou está sabendo agora. Caso ela seja leitora desse blog, uma leitora anônima ...

Fico por aqui.
Continuo no próximo post.

Sábado, Fevereiro 18, 2006

 

[P#21] O TRIÂNGULO -- PARTE 7

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"Psycho Fox" : Mais interessante que Sabine

91 também marca a era em que realmente começei a me viciar no mundo dos videogames.
Principalmente pelos videogames da Sega como Master System e Mega Drive. Meu pai alternava ora entre o MSX ligado , no quarto dele, ora entre o Master System... E nesse ano aproveitei uma safra de bons jogos, mesmo com jogos que haviam sido lançados em anos anteriores, como Psycho Fox por ex. que era de 1989.

Eu me sentia seduzido também por títulos e pelo marketing da Tec Toy em comerciais televisos como o de Mickey : Castle Of Illusion, jogos que realmente davam água na boca e vontade de adquiri-los, mesmo eu possuindo milhares de brinquedos e alguns jogos para Master System . Realmente um período feliz e uma atividade paralela aos meus jogos , e , brincadeiras com amigos, entre eles , a Sabine e o Lukas ...

Porém um dia as coisas se misturaram e não foi uma experiência, como irei dizer assim, "legal". Brincavamos no playground numa tarde de sol. Na verdade o horário se encontrava próximo às seis da tarde. De repente vejo meu pai entrando no hall de entrada do nosso bloco (ele tinha chego do serviço), lembro de cumprimenta-lo e quando vi que ele tinha passado na locadora e alugado um jogo de M.S me empolguei , falei pra Sabine esperar que eu queria dar uma passada em casa , e, que , eu não iria demorar.

Chegando lá em cima me empolguei com o jogo , realmente viciante, tava chegando no primeiro chefão , quando de repente, toca o interfone, pedi pra minha vó atender. Minha avó atendeu e disse que eu em breve desceria . Continuei jogando, Psycho Fox era um jogo novo da Sega que eu não conhecia, e , é tão bom que eu recomendo a todos os gamemaníacos que estão lendo isso agora a baixarem , no Romnation deve ter.

Nisso me toca o interfone uma segunda vez. Resolvi pausar o jogo e sair da minha diversão absoluta pra atender . Era a Sabine, eu disse :

"To só testando um joguinho ai, já vou."

Voltei ancioso pelas aventuras da raposinha vermelha... estava serelépe com o controle na mão... me toca o interfone de novo... era ela :

"Vc não vem Ri ?"
"Só um pouquinho que já vou lá ."

Bom enfim. Joguei tanto que cansei.
Resolvi descer como havia prometido. Ela não estava mais lá.
Foi então que percebi que tinha pisado na bola.
E um sentimento de culpa e remorso passou pela minha cabeça : "Tadinha da Sabine"

Mas não se iludam aqui com o que eu to falando...
Nossa amizade sempre passava por cima desses momentos ruins.
Até porque muitos momentos ruins não foram causados por minha culpa como no exemplo citado, mas , tinha vezes que , as primas dela vinham visitar ela e ela ficava (com a personalidade) irreconhecível, mudava mesmo , virava uma chata , bobona e patricinha . E era nessa época que eu mais sofria. Quando as primas dela desciam no playgrounde e eu me encontrava presente.

Uma vez eu lia uma revista Mad , no playground, sentado tranquilo e feliz ... ouço a porta do hall de entrada do meu bloco abrir. Pronto. Acabou a felicidade. Aff, desceu a trupe das malas , sim com Sabine inclusa no meio das malas porque quando ela estava junto com as primas dela , ela virava uma mala, Sabine se vc estiver lendo isso, ou se tu chegar a ler um dia desculpe, mas é verdade... nesse ponto sou que nem o Lulu Santos naquela música que diz : "Vc não pode me odiar, só porque eu , falei a verdade... pior seria te iludir... o tempo todo... não vejo vantagem".

Aff... resolveram pegar no meu pé pra valer aquele dia. Me dando apelidos diversos...
Ninguém merece... ou melhor como era no passado, ninguém merecia ... ou eu merecia pra pagar meus pecados, será ? Não... não merecia não e pra falar a verdade acho essa gíria um lixo... eu cada vez mais vermelho tentando esconder minha irritação quase escondendo minha cara no meio da revista , até exclamei...

"Me deixem em paz !"
"Ahhh ele ta fazendo bico ...ta emburradinho" - disse uma delas .

Depois a Sabine me convidou pra brincar com elas , uma brincadeira lá estranha e me perguntou que modalidade eu preferia , eu respondi muito puto da minha cara :

"Nenhuma!"

Não sei o que houve, que , as primas dela começaram a dizer que ela gostava de mim, mas diziam pra ela, mas numa certa altura pra que eu ouvisse ... por pouco não começaram a chamar a gente de "Namoradinhos"... não o fizeram mas além da irritação agora eu estava ficando vermelho de constrangimento de novo .Dia díficil esse. E pra meu desgosto maior Sabine tentava frear os impulsos de suas primas dizendo
"Que isso, que isso ? Eu gosto dele só como amigo"
Mas as primas dela estavam tentadas. Pareciam estar com o diabo no corpo, não preciso dizer especificamente em que lugar do corpo né ? Até porque as primas dela eram mais velhas que ela (deviam ter entre 12-15 anos), aff, eu me senti encurralado naquela situação . Não queria mais ser zoado, não queria mais ser humilhado e nem sofrer mais com tudo aquilo. Saí correndo desesperado. E no desespero me escondi na guarita do zelador. Pedi pra ele pra ficar escondidinho e sentado lá. Ele deixou. Eu estava contente e feliz ...

Mas eu fui descoberto pela Sabine. Até hoje eu acho que o Zelador (dessa vez foi o zelador negro) me dedurou. Tenho absoluta certeza. Não tinha como me descobrir ali porque nas brincadeiras de pegador o pessoal não se escondia sob nenhuma hipótese lá porque muitas vezes , estava trancada a guarita, ou ocupada por eles. (eles = os zeladores). Não lembro como esse dia acabou... mas lembro que fui descoberto e minha vergonha só aumentou.

Não lembro se aquele ano marcou a minha primeira ida no cinema. Mas lembro que o primeiro filme que eu assisti em Curitiba foi Esqueceram de Mim em um cinema daqui de Curitiba naquele mesmo ano . E depois fui comentar do filme com a Sabine e ela tinha me disse que já tinha visto o filme mesmo e que ele era bom. (o filme era bom).
Ah , lembro em especial porque a gente ficou conversando embaixo de um pilar, só nós dois e já rolava aquele clima que ... que ... bem , que vcs imaginam... apesar de não rolar nada... só o clima...

Outro episódio horrível, que , pra mim ficou como uma mancha na nossa amizade foi o dia que minha camaradagem me deixou numa situação conflitante. Estava Lukas no playground, eu estava junto dele. De repente ele sentiu a necessidade de urinar. E foi urinar lá numa planta do jardim que escondia o seu genital, mas de qualquer forma ele me pediu para ficar próximo a ele , para que pessoas que por ali passavam não viessem reclamar que ele estava infringindo uma regra do prédio e nem que sua família pagasse uma multa pelo fato dele mijar num lugar proibido. Mas no que eu olho para direção oposta, outros garotos que brincavam no pátio de areia vinham se aproximando de mim ... e no mínimo eles haviam entendido que eu havia mijado em cima da planta ...

Eu olho pra trás pra pedir um apoio moral pra Lukas, mas ele havia sumido... nisso os garotos me cercaram e começaram a gritar, alto e em coro :
"MIJÃO ! MIJÃO ! MIJÃO ! MIJÃO ! MIJÃO ! MIJÃO!"

Eu fui explicar a situação que eu não havia mijado ali, e, pediria pra Lukas explicar a eles o mal entendido. Mas Lukas sumiu . Não sei onde foi parar... aquilo estava me irritando, ja´que vi que meus argumentos pouco adiantavam pra eles fui me esconder em algum lugar tbm, já que o próprio Lukas havia adotado essa estratégia. Mas no caminho vejo Sabine descendo , e ela me perguntou o que havia acontecido. Contei rapidamente (já que fugia) a versão verdadeira dos fatos ...

Quando olho pro outro lado estava sendo cercado, e garotos queriam bater em mim por achar que eu havia infringido uma lei do prédio .
Alguns bateram mesmo, Sabine foi me defender, e tentar apartar a briga, mas ,
no que levanto para não levar mais bordoada nem areia no olho , vejo Lukas junto de outros garotos engrossando o coro dos meus agressores. Imaginem como me senti...

Sabine parou de me defender em vista aquilo.
Provavelmente ela ficou em dúvida se eu estava falando a verdade. E por conta disso resolveu ficar do lado do irmão dela. Não tinha dor pior que essa.... foi como se ela colocasse um punhal nas minhas costas e rasgasse toda minha pele ... no caso tava rasgando minha alma ... meu coração... minha moral... tava fazendo a devassa completa com uma simples atitude ou falta-de-atitude, não sei bem ao certo o que define melhor essa situação .

Desesperado, desiludido, angustiado e decepcionado, eu , toquei o interfone , enquanto fugia dos meus agressores... que eram muitos e num número covardemente maior que eu ... meu pai perguntou o porque eu estava assim. Eu contei . Ele desceu comigo no playground e questionou ali a todos, quem tinha provas de que eu havia mijado ali pra vir me acusando assim . Òbvio que todos os meus agressores ficaram com uma cara de cu sem tamanho e voltaram pra casa. Mas meu pai deu-lhes um esporro gigantesco também pelo fato de terem me agredido, ameaçou a contar para o pai de cada um deles o ocorrido caso eles não me deixassem em paz. Lukas ficou com sua cara de micro-bunda sentado com sua irmã num canto. Depois que meu pai subiu de volta , Sabine entendeu que eu tinha falado a verdade pra ela o tempo todo. Foda. Essa é a confiança que ela tinha em mim. Muito bacana. Não vou esquecer. Ou melhor: nunca esqueci.

Depois Lukas , tentou se aproximar de mim, mas eu estava arredio; ele me disse :

- Olha eu sei que vc não é mijão . Eu tava brincando!

Continuo no próximo post.

Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006

 

[P#20] O TRIÂNGULO -- PARTE VI

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Meus avós na sala do Ap. (pelo jeito foram pegos de surpresa nessa foto :P)

Esse ano realmente foi repleto de acontecimentos relacionados a minhas amizades ,e , ao que ocorria comigo num plano mais social . E é por isso que esse tema está se extendendo tanto. Porque ele só cabe nesse ano. Porque foi nesse ano que coisas com essas características tão particulares ocorreram . Foi relmente e definitivamente o melhor ano da minha vida .Eu era feliz e não sabia, como diz o título de outro post abaixo... essa fase da minha vida foi espetacular , eu gostaria mesmo de voltar no tempo...

Em meados de 1991 , viajamos para Piçarras (litoral de SC) engraçado que o que eu lembro com perfeição foi de sair do prédio e ir na lanchonete em frente , e, foi a primeira vez na minha vida que eu comi um Bauru. Hmm gostei muito. Acho que foi a única tbm. Não lembro depois de ter repetido a dose. Talvez porque hoje em dia eu prefira X-Bacon. De lá nós pegamos carona numa Veraneio , perua antíquissima da Chevrolet, com espaço para até 8 pessoas, depois a Chevrolet lançou um modelo mais atualizado, mas a Veraneio do meu tio era essa do link do site. Ficou mais conhecida como camburão policial mesmo. Nessa viagem, na qual nos hospedamos na casa de praia de um outro tio-avô meu, filho da minha falecida bisavó (vide foto do post abaixo), lembro de muitas peripécias com o carro, do tipo , ele morrendo na serra , meu tio - Lauro, cunhado do meu avô fez brincadeiras bélissimas do tipo tirar o câmbio da marcha diversas vezes na viagem , onde podíamos enxergar o asfalto, que coisa bela .

Lá estando acomodado, descemos todos ,
e nos preparamos para em breve dar um mergulho no mar ...
Piçarras fica no litoral Catarinense, é uma praia bélissima, o Estado de Santa Catarina tem praias muito mais bonitas e alegres do que as praias lamaçentas e xoxas do Paraná (vide Guaratuba), realmente um paraíso , coqueiros por quase toda a parte , naquela região onde meu tio-avô tinha casa.

A minha bisavó levou sua empregada,
e a empregada levou a filha ,
e essa filha da empregada , não tinha sinceramente, nada a ver com a mãe ...
Hauahauiahaauahauah... assim era linda, era mais velha ... devia ter uns 13, 14 anos
mas que gata... até hoje lembro , loira com os cabelos caindo nas costas , um rosto
perfeito , corpo lindo , peitos já nascidos... (sim eu lembro) , e eu vi ela de bíquini... meu Deus, visão do paraíso mesmo , tudo certo praia linda, a menina era linda , agora talvez eu entenda porque a Sabine tinha se 'apaixonado' por aquele
rapaz de 17. Meio que entendi a relação inversamente proporcional que isso tem. De fato, fui lá e de todas as formas puxava assunto com a menina. E pra minha sorte ela me dava atenção, mas óbvio que não era pro meu bico... e hoje em dia nem faço idéia do paradeiro dessa menina... se continuar no ramo que estava ja´deve estar casada ou namorando com alguém... mas enfim , voltemos , ficamos vários dias lá ... não lembro qual foi o dia que entrou sal no meu olho e nem qual foi o dia que eu me afastei muito com minha bóia , tava muito longe da margem pensando que ia me perder, e começei a chorar e meu pai me trouxe de volta. E sim eu surfei por lá também e também peguei um jacaré (expressão surfista -- pesquise na NET que eu não estou a fim de explicar aqui o que é isso) , aproveitei bastante, meus primos estavam lá também então aprontamos de montão ...

Na volta , depois de alguns dias , na Veraneio do meu tio, a gente voltou pra uma Curitiba cujo o céu estava despencando de água, e , a cidade estava alagada , a água chegando na altura dos pneus dos carros ... era um Domingo isso... e sim esse foi um dia histórico, muita gente ao ler isso vai dar risada, mas ao enfim subirmos no apartamento, minha avó ligou a tv da cozinha, sintonizou no SBT, e estava o Sílvio Santos falando que iria inaugurar a Tele-Sena a partir dali , e explicou como era o título de capitalização. Eu voltei de lá muito , muito escuro, tomei muito , muito sol ... da pra perceber o meu bronzeado pela foto do post anterior.

Eu falei do Michael , e, acabei não contando de uma situação muito chata que acabou envolvendo ele e me envolvendo junto... um dia , após muita, muita insistência consegui inserir o Michael no grupo dos cinco, e ai quem sabe, seria essa a chance de virar o grupo dos 6 ... ledo engano, como eu falei, Michael não era o meu 'best friend' mas eu tbm procurava não deixa-lo isolado pois ele estava comigo sempre nas horas que os outros não podiam estar, mas ,meus avós já tinham me alertado que eu estava (???) emburrecendo na companhia dele ... é meio dúbio falar isso... não sei se a companhia dele me fez algum mal nesse sentido (intelectual), talvez eu tenha mudado um pouco de comportamento em relação a vida sim , e em algumas atitudes tomadas, mas não lembro da influência dele ter sido assim tão forte, até porque
eu me influencio , e me influenciava pelas características mais fortes das pessoas ao meu redor, e não recebia influências DIRETAS de uma pessoa só. Isso nunca ocorreu.

Mas o fato em si , consiste que , um dia fomos todos pro Carrossel, e a Sabine iniciou conosco uma brincadeira de adivinhação , em que , a medida que não fossemos adivinhando , o carrossel iria acelerando mais e mais, e na medida que nós acertacemos o carrossel voltaria a velocidade normal e a vez da adivinhação passaria para outra pessoa , (pelo que eu lembre) , então chegou a vez de Michael ... e ele fez uma pergunta que ninguém adivinhou, o Carrossel atingiu uma velocidade tal que eu já estava me sentindo enjoado e com vontade de vomitar. No entando, as regras estava falando, no que Sabine falou :

"Ai... parem esse carrossel se não eu vou cair..."

Todos pararam ...
freiaram os pés na areia, menos Michael. Não entendi o porque, talvez ele achasse que a gente tinha 'sabotado' a brincadeira dele com isso , mas ele continuou com toda força , e nisso, infelizmente, Sabine caiu, e o detalhe é que isso foi depois do almoço, ela estava com o uniforme do colégio, se espatifou na areia, mas era um dia frio , a areia tava úmida , sujou toda a calça e a camisa dela :(. Eu , muito puto mandei Michael tomar no cu , no final ele ouviu um sermão de todo mundo, mas não moveu uma palha pra ajudar ela, eu e Lukas , a ajudamos a se levantar e a tirar a sujeira de seu uniforme. Mas ela estava descontrolada

Eu disse :
"Calma, calma... daqui a pouco isso saí"
"Sai o que Ricardo ???" - questionou-me ela em soluços de desespero - "Essa bosta não vai sair nunca !"
a gente acompanhou ela até o hall de entrada , onde ela subiu de novo.

Michael continuou levando bronca, mas ele dizia que a culpa não tinha sido dele ...
Falei pra ele que isso não era coisa pra se fazer. E que eu nunca tinha esperado aquela atitude dele. Ele voltou pra casa chateado. Mas não podia fazer nada ... estava sendo sincero. Fiquei nervoso com a situação e preocupado com minha amiga.
Lukas ficou aguardando comigo na garagem...

E eu tava com a consciência pesada... por ter participado da brincadeira, por ter incentivado ela a brincar com Michael , por indiretamente ser responsável por aquele tipo de situação. Meu coração chegou a bater acelerado... enquanto isso , Lukas , me dizia , enquanto eu me perdia em pensamentos de remorso :

- Sabe o que é isso Ricardo ?
- Não...
- É o diabo no corpo da pessoa ... quando a pessoa está possuída pelo demônio, ele se manifesta assim, acaba com a cordialidade entre as pessoas . (a título de curiosidade Lukas tinha 6 anos nessa época)
- É o diabo é fogo... eu também senti que essa atitude dele foi abominável...

Ficamos lá nesse papo, eu olhando sempre pra cima (ela morava no segundo andar como eu falei) e eu tava preocupado, acho que ela percebeu que eu tava preocupado porque ela abriu a janela ainda com o rosto vermelho e molhado e me disse :

- Ta tudo bem , Ri. Você não teve culpa . A culpa foi do Michael.

Aquilo aliviou minha alma. Acho que depois ela conseguiu trocar a roupa do colégio, mas eu não lembro com 100% de total certeza.

Depois desse episódio , o zelador ficou chateado comigo, achando que eu tinha
ficado do lado 'elitista' da situação. E falou que no rumo que eu tava meu futuro ia ser negro porque aqueles 'polacos' eram causadores de encrenca (Sabine e Lukas eram loiros), quando o Zelador falou isso eu tava na balança , nem dei bola , tava pensando "Eu sou amigo de quem eu quiser, e , não vou ficar ouvindo lição de moral porque seu filho é retardado", mas não cheguei a falar nada, mas o respondi sim... respondi alguma coisa a ele que não lembro ... ele ficou mais puto ainda.

Mas , po, na boa ,
eu não estava errado, nessa situação eu ia ficar a favor da minha amiga sempre,
até porque o filho dele as vezes aprontava umas do balacobaco (puta que pariu termo lá da era do banco Bamerindus) , o garoto não era nenhum santinho não, e fora que minha amizade com Sabine era mais forte. Eu só podia ficar do lado dela. Fora que miha família já tinha quebrado muitos galhos pra família dele que morava na casinha do zelador que ficava no fundo do terreno do prédio. Como na vez do sorvete. Eles não tinham congelador, mas tinham comprado sorvete, para que não estragasse , o sorvete ficou na nossa geladeira os dias que foram possíveis e assim que eles arranjaram uma solução levaram o sorvete de volta pra casa deles.

Fora que uma vez esse Zelador tentou me passar a perna ,
eu queria muito vender um rádio antigo que eu tinha , do tempo que o Axl Rose usava fraldas (hyauaah essa comparação foi boa) , e , ele tava quase me levando na lábia, dizendo pra eu aguardar duas semanas que seria quando ele teria dinheiro, e , não sei o que lá , e, ele ofereceu uma quantia X , que , pelo fato de eu não receber mesada achei que era uma quantia boa . Quando meu pai ficou sabendo da história ficou muito brabo e não deixou eu vender o rádio. E eu não o vendi. Meu pai me disse:

"Vc vai estar dando o rádio de graça. Abre o olho com esse velho."

E não deixou eu vender. (ainda bem)
Uma outra vez eu desci a noite e estava o outro zelador na guarita do prédio , analisando as correspondências, e , eu fui na geladeira e peguei uma maçã pra dar pra ele . Não, não sei qual a razão ou o motivo pelo qual fiz isso. Eu sempre faço coisas que parecem ou que realmente são estranhas . Mas eu senti o impulso de fazer isso e acabei fazendo. Dei a maçã pra ele ... dai minha vó veio com um sermão horrível pra cima de mim do tipo :

"Pro zelador até maçã. No seu pai nem um abraço..."

Uma outra vez que me vi complicado, foi quando pra me livrar de uns valentões que estavam querendo me pegar na porrada , sim isso acontecia com uma certa frequência, eu falei , que quando meu pai descesse ali embaixo eles iam ver o que era bom pra tosse .... mas ai do nada eu vejo um senhor de bigode, terno e gravata , segurando uma pasta descendo o bloco C em saída ao prédio. Nisso peguei e dei um beijo no rosto do homem e disse :

"Bom trabalho pai!"

Nisso sumiram os garotos que queriam me dar lições ...
Mas ao chegar em casa levei aquele esporro da minha vó.
Ela tinha visto a cena da janela e gritou :

"COMO É QUE VC VAI BEIJANDO QUEM VC NEM CONHECE ?"

Realmente era estranho e até certo ponto perigoso eu ter feito aquilo, mas , eu não tinha nenhuma noção mesmo... por isso era diferente... mas era uma época que com certeza eu vivia com mais intensidade do que hoje. Uma época que as coisas tinham mais gosto, mais cheiro, mais alegria .... não sei como definir...

O auge do meu ecletismo social foi no dia , provavelmente era Domingo, em que , eu estava sozinho descendo no escorregador e vi uma moça no prédio ao lado daquele que eu morava. Eu então fui pra balança , e , na balança eu só conseguia ver ela , se eu olhasse pra trás, eu olhei pra trás e , fiquei dando tchauzinho pra mulher . (HAUAHAUAHAUAHAUAHAAUAHAU) Nisso , não lembro o que aconteceu , ela saiu de onde estava e foi pro muro divisório ao meu (o muro que separava os prédios, duhh) ai eu ouvi de repente um chamado do tipo :

"psiu, psiu"

Era ela. Começamos a conversar (não lembro qual era o assunto) e papo vai papo vem ela disse :

"Não quer dar uma passada aqui ?"

eu respondi :
"Não posso. Meu pai não deixa eu sair na rua sozinho"

"Mas não é na rua. É aqui, é só sair e entrar aqui, eu abro o portão pra vc."

Saí sem que meu pai soubesse , porque provavelmente se ele soubesse não ia me deixar ir . Então a gente sentou numa escadaria de mármore que tinha no playground do prédio dela e começamos a conversar e , não lembro com o que ela trabalhava, se era com edificações, se era arquiteta, mas no final ela falou :

"Deixa eu te dar um presentinho..."

E me deu uma massa para vidro. Sei lá tentei moldar alguma coisa lá mas não consegui. Eu gostava do cheirinho da massa . Depois disso me despedi dela e agradeci o "presente", fiquei pirando no meu ap com a massa para vidro. No dia seguinte meu pai falou pra eu jogar aquilo fora porque não ia ter finalidade pra mim. Jogaram a massa para vidro fora. E eu nunca mais falei com essa moça . (Não sei porque, se foi porque não vi mais ela ou porque eu não voltei a ir no prédio vizinho). Mas foi um dia que lembrarei pra sempre ... por algum motivo eu nunca esquecerei. E depois desse registro, só com amnésia pra esquecer.

Eu ganhava ainda nessa época muitos e muitos presentes.
Talvez o mais polêmico fosse o revólver de espoleta. Ahhh mas eu adorava o revólver de espoleta. Era muito legal dar uns "tiros" com ele . Pena que não tenho mais, senão eu brincaria com ele até hoje . :).
Era divertido , colocava a espoleta e depois que atirava saía até fumacinha , eheheh, que divertido.
Daí veio um pentelho de um vizinho (era um homem) dizendo que , se eu brincasse muito com aquilo eu iria ficar surdo e blablablabla ... papo mocorongo vai papo mocorongo vem mandei ele ir se fuder (não verbalmente) mas na atitude, não parei de brincar com meu revólver de espoleta por causa dele ...

O mais engraçado foi a reação da Sabine quando eu apontei ele pra ela e disse :
"Mãos ao alto!"
Hauahaua ela ficou mesmo com medo ...
ai eu disse :
"Calma ! Isso aqui são espoletas ! Não é um revólver de verdade"
ai ela disse meio apática :
"Eu sei , eu sei" - recuou e subiu de volta pro ap. dela

Ela não sabia não . Provavelmente subiu pra cima pra perguntar pra mãe dela o que significava espoleta.

O momento mais cômico da Sabine em presença minha e do Lukas foi no entanto num dia que tinham fixado um cartaz lá que dizia algo do tipo :

"Proibido o uso de apito" - o uso de apito era proibido pra não incomodar os vizinhos com barulho , assim como no caso da espoleta , que o vizinho veio me dizer que eu iria ficar surdo e que depois meu pai confirmou mesmo que era só o vizinho enchendo o saco.

Ela falou : "Ricardo lê isso"

eu li e disse : "Proibido o uso de apito, o que é que tem ?"

ela : "Ah eu tinha lido ... Proibido o uso de pinto"

Continuo no próximo post.

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006

 

[P#19] O TRIÂNGULO -- PARTE V

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Em Piçarras - SC - na casa de praia -- de costas minha falecida bisavó

Minha mãe subiu as escadarias do meu prédio chorando,
e , quando foi perguntada pela minha vó (que preparava o almoço), qual o
motivo do choro minha mãe falou que eu havia sido mal criado e contou
a história numa versão dela onde eu era uma criança cruel querendo o mal
da minha própria mãe. E óbvio que minha avó acreditou nessa versão ufanista, utópica e impláusivel. Fiquei ouvindo depois sermão do meu pai e da minha vó , que aquilo não se faz com ninguém enquanto minha mãe chorava suas lagrimas de crocodilo.

Apesar de tudo isso, meu relacionamento com a "Bine" como era chamada pela Tassiana,
era muito bom. Os momentos bons ficaram e ficarão pra sempre gravados na minha memória e agora também registrado nesse blog em forma de biografia .

Eu sempre descia com meu caderno , aquele que escrevia minhas histórias, quando não descia com algum brinquedo ou com uma colher (sim eu gostava de cavar na areia pra pegar a argila), ou mesmo com um chinelo que eu, a Sabine e outras crianças usavamos para fazer estradinhas para os carrinhos passarem. Uma vez voou areia no meu olho... como doeu... pensei que ia ficar cego ... uma outra vez , eu fui no playground a noite , subi no escorregador, e ao invés de descer fiquei me segurando pela ponta dele , cai no chão , o susto foi tamanho que pensei que ia morrer, mas para minha decepção quando falei isso para Sabine ela me disse :

"Que exagero Ricardo!" - não era tanto exagero porque meu rosto ficou bem machucado, mas enfim, cada um tem a sua forma de enxergar a vida...

Num dos dias que desci para o Playground com meu caderno , a Sabine estava lá , me pediu o caderno emprestado pra fazer uns desenhos e não deixou que eu visse o desenho até que ela tivesse terminado.
Ela desenhou dois bonecos , um homem , na representação gráfica do desenho dela, e uma mulher do outro lado, os dois se beijando . um coração entre eles e embaixo dos respectivos bonecos ela tinha escrito "Ricardo e Sabine"
Óbvio que como representante da classe masculina eu não poderia ter o insight mais óbvio de insinuar alguma coisa e continuei ali vendo o desenho , sem falar nada , nem me insinuar e de nenhuma forma eu exteriorizei a minha alegria com aquilo, talvez porque eu estivese em dúvida se ela realmente gostava de mim ou não . É Marina , nós "somos lerdos" sim. Essa é a maior prova. Óbvio que eu gostava e muito dela , mas era burro mesmo... por que ai já excede todos os "jabutismos" da vida e entra na ignorância mesmo e nem tem tanto a questão masculina ai nesse caso e sim uma questão pessoal mesmo de não se ligar , de ser distraído , até demais ... podia ter me dado bem aquele dia ... mas não , não foi isso que aconteceu.

Numa outra vez ela me avisou que iria ficar fora por um longo, longo tempo e que talvez eu acreditasse até que ela tivesse mudado. (Mudado o lugar onde morava , eu digo). Se eu não me engano foi nesse período de ausência que eu conheci a Tassiana, embora minha mente não me deixe mais lembrar se eu conheci Tassiana antes de Sabine ou se eu já conhecia Sabine antes, enfim, lembro que nessa jornada dela longe , eu estive com Tassiana.

Brincava com Tassiana e Gabriel , os outros integrantes do grupo dos cinco, descia no playground com ela , ou mesmo a noite a gente ia brincar de pega-pega ,e uma vez, houve uma situação muito chata , em que ela me avisou que o primo dela tava hospedado. O primo dela tinha nossa idade se eu não me engano, ou , tinha pouco mais que nossa idade, Tassiana me avisou durante uma brincadeira que fazíamos de "mãe cola"

- Meu primo é muito ,muito ciumento

E realmente eu não podia "tocar" nela sequer que o primo dela já vinha pra cima de mim querendo confusão. Sorte que ela apartava as brigas ... aff realmente eu não agradava os outros garotos da minha época... era díficil...

Descer naquele Inverno ao playground não me parecia uma idéia muito bacana, mas , quando eu não tinha nada melhor pra fazer em casa era uma opção viável, e assim foi , muitos e muitos dias conversando e brincando com Tassiana e o irmãozinho dela , enquanto Sabine prolongava o período de ausência e eu nem fazia idéia de quando ela voltaria . Na escola tudo ocorria bem , notas sempre altas, nenhuma abaixo de 8,0 eu era um bom aluno.

Porém num desses dias houve um problema, estava um frio de congelar a alma , bem característico do clima Curitibano, eu desci e fui em frente ao bloco A e chamei por ela ... mas ela não estava a fim de descer ela falou que tava muito frio e que não queria brincar comigo aquele dia . Aquilo foi pra mim , um chute na alma... me senti solitário . Não havia ninguém lá para brincar a areia estava úmida e havia poças nojentas de água parada em volta do Carrossel... me sentei no banco da mesinha de jogar xadrez, olhei pro nada e fiquei comtemplativo...

Nada pra se fazer naquela manhã fria . Que desânimo , que dia vazio...
Levantei-me e então sem outra opção melhor apertei no interfone do hall de entrada pra minha vó abrir a porta com o toque automático do internfone. Entrei e ia cabisbaixo , tristonho , pensando :
"Que droga... bem que podia voltar logo a ..." - nessa hora eu olhei pra escadaria para não tropeçar e ao olhar pra frente, concluo meu pensamento verbalmente :

- SABINE !!!!

Fiquei tomado de alegria, realmente , uma alegria que não tem como descrever, meu ânimo mudou completamente , e voltei a me sentir feliz , tanto que o nome saiu quase que "berrado" , quase que de improviso e de uma forma não muito racional, pois eu estava tomado pela emoção... meu coração sentiu boas vibrações nesse momento. Foi como se numa expressão mais realista, o sol saísse de trás das nuvens nubladas daquele dia cinzento e me iluminasse realizando um grande desejo da minha vida . Senti vontade de abraça-la . (Não lembro se cheguei a fazê-lo). Parecia um milagre sendo realizado, realmente não há dinheiro no mundo que pague essa sensação...me senti bem olhando pra ela , ela era bonita... parecia que eu ficava iluminado de alegria e extasê olhando seu rosto e seus belos olhos azuis. Ela vestia uma blusa de lã vermelha.

Após isso fomos matar as saudades (não maliciem , porra!) colocando os nossos assuntos em dia, vencemos as poças nojentas e no carrossel ela me contou como tinha sido a viagem dela , o que ela tinha feito , e eu fui contando como havia passado meus dias sem ela ...

Num outro dia ... (dos milhares que eu lembro , mesmo o ano tendo só 365) , numa outra época, mas naquele mesmo distante 1991 , lembro de uma outra conversa com ela falando sobre a hipótese de dentre uns quatro ou cinco anos à frente daquela época que víviamos , eu poderia vir a me mudar , cheguei a perguntar :

"E se isso acontecesse o que você faria ?"
"Ah , com certeza eu iria ficar com uma foto sua, e , eu não ia te deixar partir assim...Eu ia pelo menos ter essa recordação..."

Mesmo assim eu nunca tive certeza absoluta que ela gostasse de mim , com um querer a mais que não fosse o de "quero ser sua amiga".
Eu acho que eu nunca cheguei a falar diretamente pra ela que eu gostava dela .
Embora todas as evidências apontassem isso , eu nunca cheguei a tomar uma postura nesse sentido, eu lembro só de uma vez , que por um acontecimento muito nada a ver , a gente resolveu que ia se tornar "namorados de mentirinha", com certeza deveria ser mais um plano pra gente se proteger do Jairo... aff me dêem um desconto... 15 anos atrás , eu não consigo lembrar desse tipo de coisa detalhadamente...

Mas o que me deixava com a pulga atrás da orelha , foi que ,
um dia a gente estava no carrossel girando, e, por uma rara , raríssima ocasião,
era noite e Sabine estava lá ... embora eu lembre que ela tenha ficado lá muito pouco tempo até porque depois a mãe dela chamou ela pra subir de volta... mas o que aconteceu foi que tinham 2 rapazes conversando próximos a um muro onde tinha o gramado do prédio ... não dava pra ouvir o que eles conversavam mas a Sabine tinha me dito que era gamada num deles ... óbvio que nós dois sabíamos que aquilo era impossível (aquilo = um rapaz de 17 anos ter interesse numa menina de 8) , mas, só o fato dela ter me dito aquilo me deixou com um certo ciuminho. Não sei como expressar. Sei que não gostei ... naquele mesmo dia não lembro o que aconteceu ,mas,
meu pai tinha me dado um relógio , e o relógio espatifou o visor. Era um relógio de pulso, mas não era digital, com a pulseira prateada ...

Afora esses acontecimentos , e meu relacionamento com Sabine, lembro de pequenos desastres ai como esses que já citei deu chutando a bola e ela quebrando a vidraça da porta do hall de entrada do meu bloco , teve esse episódio do relógio, teve um episódio trash tbm em que eu tava fazendo uma estradinha de areia com meu Raider e ele rachou , eu fiquei muito puto, chorei, e inclusive, Sabine tava do meu lado nesse dia e falou pra eu não ficar daquele jeito que a mãe dela tinha uma cola "super boa" e podia concertar aquele estrago , mas num ataque de histeria eu abri o berreiro , perdi totalmente as estribeiras e disse
"Agora não adianta, eu quero que se foda essa merda" - e joguei o par de chinelo no lixo. (Tinha uma lixeira coletiva ali de puxar por um tipo de maçaneta)

Houve também dois episódios onde eu fiquei traumatizado pensando que ia ter que dar ponto no meu pé ... o primeiro , foi um dia que empolgado numa corrida de bicicleta com meu pai pela ciclovia do bosque do Papa eu fui freiar usando o meu dedão, e , quando olho pro meu dedão ele estava todo coberto de sangue , eu não enxergava mais nada , não via meu dedão fiquei muito impressionado ... começei a chorar por que eu sempre odiei sangue, e , mais que isso , eu tinha medo de sangue, de ver sangue, de sentir o cheiro, enfim , pavor total. Meu pai tentou me acalmar pagando-me um caldo de cana no caminho que ele dizia que iria ajudar a fortalecer o dedo do meu pé (hauaahahaauahauaha) , e , voltamos pra casa, eu fui levando a bicicleta de volta a medida que conseguia ... mas eu estava apavorado de medo da hora que eu fosse tomar banho... como é que eu faria ??? Nossa estava apavorado mesmo, meu primeiro banho , eu fui tomar com muito medo, porém foi bom por que a medida que a água caía eu via meu dedo, o machucado tinha sido feio e eu tinha ficado sem unha... teria que esperar crescer de novo, no meu medo , eu achei que teria que dar pontos no dedão, mas isso não foi preciso, ele se regenerou muito bem . Daí eu não podia abusar só ,foi feito um curativo com todo cuidado no meu pé e eu ia pro Martinus de Havianas . E cada vez que ia tomar banho tomava de um jeito diferente pra não respingar no curativo. Enfim me curei ... fiquei feliz e pude a voltar a exercer minhas atividades de sempre, como correr muito, andar de bicicleta, jogar futebol, ir ao playground, etc,etc... mas , passado muito tempo dissso, naquele mesmo ano eu consegui esfolar o dedo do meu pé de novo, e o pior, esfolei no playground do Natalia Moro . eu tava de chinelo (dessa vez era o Raider) e fui brincar de arrastar o dedão no cimentado... quando vi meu dedão coberto de sangue de novo... fiquei horrorizado com aquilo pensando : "Essa não... de novo ???" - e nessa segunda vez foi pior porque passado dois dias , pleno domingão de sol todo mundo brincando no Playground , inclusive Sabine e Lukas e meu pai não deixou eu descer porque eu podia reabrir o machucado .Então o melhor foi eu ficar de molho... mas broxei com aquilo... queria estar brincando com meus colegas...

O Zelador , - o branco - tinha um filho chamado Michell, mas se eu não me engano apesar da pronúncia do nome dele ser "Michel" se escrevia 'Michael' , provavelmente porque a pronúncia estava abrasileirada , Michael era negro, e mais novo que eu , provavelmente tinha seus 6 anos de idade, era meu amigo "underground" , hauahaau que termo engraçado pra descrever isso, mas é isso mesmo é o melhor termo pra descrever, o Michael brincava comigo a noite, geralmente eu via ele a noite quando não tinha outras crianças pra brincar ... aliás ele era rechaçado pelas outras crianças, ninguém brincava com o Michael, eu não sabia porque , mas hoje em dia imagino que talvez fosse um preconceito duplo por ele ser negro em primeiro lugar e em segundo porque ele era filho do zelador . Ou seja filho do zelador = pobre . Embora ninguém ali passasse de classe média , classe média-baixo, mas acredito eu que rolava esse preconceito sim e inconscientemente esse preconceito estava já enraizado nos meus amigos pelo tipo de educação que eles recebiam . Tassiana ,Gabriel , Sabine e Lukas por ex. nunca foram muito com a cara do Michael . Talvez , eu brincasse com ele e bastante, não por não ter preconceito, porque acredito que todo mundo tenha um pouco, mas sim , pelo fato de eu ser solitário , eu sempre fui, então, precisava de alguém que preenchesse a ausência dos meus outros colegas, precisava de alguém pra não ficar sozinho na noite escura, precisava de alguma companhia pra não ser um isolado, um "ermitão-social". Michael não era aquele amigo que "ohhhhh ,cara conte comigo pra tudo que vc precisar nessa vida", era um amigo, não chegava a ser bom - no sentido de carisma eu digo - mas também não chegava a ser ruim , nem calhorda que nem o Jairo.

Sim , sim várias vezes brincamos juntos, e o pessoal , quando percebia nossa amizade me olhava com outros olhos , olhos de quem diz : "Eu não esperava isso de você", e , não sei se ele me influenciou de certa forma, mas, uma vez meu avô falou que eu tinha que parar de brincar com o filho do Zelador porque depois que eu tinha começado essa amizade com Michael eu havia "ficado mais bobo". Será que era verdade ?
Faz muito tempo pra eu recordar esse tipo de coisa , e , na época eu era pequeno demais pra entender se ele me influenciava de algum modo. Mas enfim, eu lembro que uma das brigas que tive com o grupo dos cinco, foi justamente por eu ser amigo do filho do zelador, e eu ficava naquela situação horrível de não conseguir agradar a todos ao mesmo tempo, se eu fosse amigo de Michael por ex, não poderia andar com minha turma, sim, reconheço que com esse tipo de comportamento excludente , rolou um panelismo da parte deles por mais que fossem ótimos amigos meus , teve sim essa situação e infelizmente eu nunca esqueci .

Continuo no próximo post, que esse aqui to percebendo que já ficou gigante.

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006

 

[P#18] O TRIÂNGULO - PARTE IV

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Com meu avô no Parque São Lourenço (Provavelmente é o São Lourenço, não tenho certeza)

Continuando a odisséia da minha vida :
Eu desci lá no playground sabendo que as coisas pro meu lado haviam complicado muito
e seria muita sorte ela me perdoar por todas as grosserias que ela não esperava de mim... eu juro que tentei evitar falar com ela... mas era pior , ia aumentar o climão, e ainda por cima eu ia sair como 'hipócrita' da história ...

Mas pra quem tinha tido a coragem de ir até a porta do apartamento da casa dela no dia anterior para pegar o caderno de volta isso seria apenas mais um desafio. Porém um desafio díficil, árduo e penoso, por que o clima entre a gente não tinha ficado nada legal. Afastamos nossos corações , e quando isso acontece , a gente perde o jeito de se aproximar de novo das pessoas ...

Acho que minha primeira atitude foi tentar brincar com outras crianças próximas como a Nicole , por ex, que estava acompanhada pela avó dela, e , o que me vem a cabeça foi o ironismo da Sabine, já não bastasse o meu constrangimento ... ela foi dizer pra avó da Nicole o seguinte
"O Ricardo virou escritor ..."
"Ah é , que bacana !" - disse a avó da nossa amiga, acreditando no que Sabine dizia
"Ele escreveu um livro muito BONITO "
"Poxa que legal !" - a avó dela sempre acreditando e ainda emendou um : "Sobre o que falava ???"
Putz, eu já tava ficando mal com toda aquela situação , mas como eu tinha pego muito pesado , nada mais natural que as consequências dos meus atos agora caíssem como uma bomba sobre minha cabeça ...
Pra minha sorte , na hora que Sabine ia dizer sobre o que se tratava , a avó de Nicole mudou de opinião e subiu novamente as escadarias do apartamento , provavelmente era a hora do almoço, a Nicole tinha que tomar banho e ir ao pre-zinho.
Ficamos a sós ...
E ai começou o bombardeio... nunca escutei tanto como aquele dia...
e ela nem precisou me xingar pra eu me sentir mal... foi ás coisas que disseram
que me fizeram ter um puta sentimento de remorso
"Olha só o seu tipo! Vc escreveu que eu namorava com meu irmão ! Vc tem noção de como... como... como eu fiquei magoada com isso ???"
Eu imaginava. Mas a noção com certeza não tive. Até porque por mim ela nunca teria sabido que eu tinha pego pesado com ela.
O pior ainda estava por vir.
Ela foi contar pra Tassiana do ocorrido, e, aquilo tomou uma proporção gigantesca!

A partir do momento que a Tassiana ficou sabendo do ocorrido ,
o grupo dos 4 se fechou num cerco ...e eu me isolei num outro canto, e a partir daí
como eu já não tinha nada a perder mesmo ... declarei guerra a eles, assim como eles declararam a mim, não mais palavras amigas, não mais brincar no mesmo lugar... realmente estava tendo a concepção mais viril de "ficar de mal".

O cúmulo foi o dia que eu monopolizei as balanças do prédio e não deixei ela usar.
Foda... a situação tinha chego num ponto em que , a mãe dela teve que intervir pra eu liberar a balança dizendo que eu já tinha ficado lá o suficiente... só assim pra mim sair.

E a ironia começou a rolar solta, chamar de "amiga(o)" só pra irritar um ao outro, sabe como é , passar por perto e dizer , com toda acidez do mundo :
"Como vai minha amiga ?"
E naquela época tinha uma novela da Globo no ar chamada "Meu bem , meu mal" algo assim, e , eu começava a imaginar que ela estava adquiridno as características da vilã da história (da história = da novela) , [hauaahau, criança é foda mesmo] , e tal começei a ter realmente uma visão negativa dela... eu não sei dizer ... acho qeu fiquei cerca de uma semana e meia sem falar com eles quatro...

A situação tava vexatória...
por essa época a Tassiana já estudava no Martinus . Sabe o que é vc ir e voltar com uma pessoa pra casa sem nem olhar na cara e nem trocar nenhuma palavra ? Fora as intrigas que começaram a rolar no colégio tbm por conta disso, as raivas que passei, a situação a ponto de Rafaela vir me estrangular , de trocar chutes com a Tassiana, (heavy-metal - ImI) brigas no colégio, só não caíram minhas notas, mas a própria professora Kátia veio a me alertar que eu não era o mesmo e que ia conversar com a minha vó. Aquilo tinha me deixado totalmente deprê. - a professora falar aquilo. Ela então percebeu que eu tinha ficado mesmo magoado e falou que não era bem assim ,mas que eu tinha que maneirar.

Um dia porém no playground do prédio escurecia lentamente, eu vi a Tassiana sentada, e , num momento em que acreditei que ela estivesse mais 'aproximável' tentei explicar a situação (a situação do caderno) mas ela estava áspera no começo e não quis conversa comigo... eu confessei pra ela que estava sentindo saudades de brincar com eles e principalmente do meu relacionamento de amizade com Sabine que havia se deteriorado até aquele ponto ... ao ponto de Sabine me chamar de negro (por causa da cor da minha pele quando menor) e eu me sentir ofendido, a ponto de a gente se ofender por nada e chegar bem próximo da mesquinhez humana. Um dia meu avô, percebendo as lágrimas nos olhos , me levou até o espelho e falou pra mim me olhar na frente dele e pra eu repetir pra mim mesmo que eu não era negro, que eu era moreno, eu soluçava ... realmente aqueles dias não estavam sendo dos melhores ...e repetia e tentava me convencer ...

Nessa conversa , que foi a príncipio ríspida , Tassiana se mostrou mais amistosa , conforme expunha meus argumentos e falou que ia me ajudar a conversar com a Sabine pra gente recuperar a nossa amizade e pra mim ser reensirido no grupo dos cinco.
E esse foi nosso trato daquela noite , que no dia seguinte , eu me desculparia com Sabine, caso ela aceitasse minhas desculpas, e , a partir daí retomariamos a vida normal ... eu não lembro como, mas ela me perdoou e eu voltei a fazer parte do grupo.

Mas esse não foi nosso único desgaste... tiveram outros, posteriores a esse ou anteriores a esse ... mas nada tão grave quanto isso... essa realmente foi pesada demais , eu admito, não sei o que se passava na minha mente mas fui um traidor mesmo, confesso... o meu lado calhorda saltou todo pra fora nesse episódio ... liberei o capeta legal... mas uma amizade como a nossa não podia acabar assim... até pq não era uma amizade qualquer.

Eu escrevia cartas pra minha mãe, que por essa época morava em Cosmópolis, e , já havia se tornado uma Testemunha de Jeová, não me perguntem bem quando ocorreu essa conversão porque eu não sei dizer. Mas já era testemunha de jeová. E eu lembro que numa das cartas que escrevi pra ela eu não contei nada de Sabine, porque eu não queria que ela soubesse e viesse me visitar e fizesse o mesmo que ela fez com Juliana lá no RJ... que me fez ficar de mal com ela (Juliana) e eu sentia que minha mãe tinha o dom de envenenar minhas amizades com garotas ... não sei porque ... mas , então, um dia ela disse que viria pra Curitiba me visitar .

Foi tudo tranqüilo , até os momentos das compras onde eu ganhei aquele brinquedo lá que eu não quis emprestar pra Tassiana e que ela pediu pra que introduzisse então no meu ânus. Mas na loja foi engraçado porque meu pai tinha combinado um sinal comigo que sempre que o brinquedo que minha mãe quisesse me dar fosse muito vagabundo , ele iria coçar o queixo , era tipo uma msg subliminar nossa, haauahauah, mas eu era do tipo tão inteligente que acho que quase perguntei uma hora "Que ? Esse aqui não, pai ?" minha mãe desconfiou. Acabei optando pela tela magnética de desenhar e apagar.

Então um dia veio pro almoço. (Minha mãe)
E eu percebi tudo. Até alertei a Sabine, quando eu desci um pouco antes, que minha mãe tinha o dom de estragar minhas amizades femininas. Daí ela ficou atenta .
Então minha mãe resolveu descer no Playground ... (pra quê ???)
E ai apresentei (não tive como escapar disso) a Sabine pra minha mãe.
Nuns primeiros momentos a Sabine não percebeu nada e até comentou comigo ...
"Poxa Ri, mas sua mãe parece legal!"
nesse meio-tempo a gente ja´brincava com aquelas dobraduras de papel de abrir uma aba do número escolhido a pessoa mexer na dobradura e sair algum adjetivo do tipo "bonito", "feio", etc.
Minha mãe sentou no chão e resolveu brincar junto... (pra quê ???)
Com a sorte que estava , pra ela saiu "burro(a)", meu ninguém agüentou, todo mundo desabou de tanto rir, minha mãe começou a ficar frustrada com o tipo da situação que se seguiu...

Passado dez minutos de tudo aquilo, Sabine voltou a falar comigo em um momento mais privativo :
"Sua mãe não é tão legal não . Acho que você tem razão!"
Minha mãe não escutou isso, mas o que se seguiu depois foi muito chato ...

Como eu disse, da minha parte rolava um sentimento a mais com Sabine e tal ...
E justo nesse dia (MURPHY FILHO DA PUUUUUUUUUUUUUUUUUUTA!!!!) ela inventou uma brincadeira lá que não lembro qual era , de pegar na minha mão, o irmão dela tava presente , e cada um ficou de um lado , ela ficou no meio e a gente num clima meio 'in love' ... de repente minha mãe começa a seguir a gente... fazendo rolar um constrangimento muito grande ... tudo o que eu precisava naquele momento era privacidade e minha mãe feito uma sombra atrás da gente , agourando, literalmente empatando a foda... eu me sentindo o 'bambambam' e minha mãe lá atrás fazendo
"Uhuuuu" e me chamando pra fazer 50 merdas diferentes ...só pra atrapalhar o esquema mesmo ... hoje em dia ela nega, que só queria o meu melhor... eu sei o que ela queria ... queria me deixar puto porque eu tava vivendo um momento feliz... diante de tamanho constrangimento eu broxei de vez... falei pra Sabine que eu queria falar com minha mãe em particular .

Quando falei com a minha mãe no canto do BLOCO A do prédio, sem que ninguém visse, pedi pra minha mãe dar um tempo ... pra me deixar um pouco a sós com a Sabine ,e ela falou que não podia que tinha o dever de cuidar de mim (cuidar de mim = empatar a foda) e eu saí da conversa mais frustrado do que entrei ...fui procurar Lukas e Sabine de volta ... perguntei a ela se ela havia se escondido em algum lugar porque foi díficil acha-los de novo , mas ela respondeu que não. Não preciso nem dizer que a demora conversando com minha mãe e tipo a saída da brincadeira cortou total o nosso clima né ? Então ... depois eu fiquei com tamanha raiva do acontecido, que enquanto minha mãe começava a "cuidar" da gente , eu inventei pra Sabine que minha mãe tinha uma doença rara (hauahauaahauahaau) que fazia ela ficar assim com paranóias comigo e tal , ela acreditou por uns tempos , mas no mesmo dia contei que não era nada daquilo , e minha mãe só observando com a cara feia .

Então começou a chorar ... e foi aí que , falei que a doença fazia ela ficar deprimida e outras histórias que vinham na minha mente que viajava mais que o incrível mundo de Bob. Sabine teve que subir antes pra ir almoçar ...

E eu voltei com minha mãe chorando pelas escadarias ...

Terça-feira, Fevereiro 14, 2006

 

[P#17] O TRIÂNGULO --------- PARTE 3

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Essa é a garagem do prédio em que moravamos [Natália Moro] (no detalhe o carro da família nessa época)

A gente morava num lugar maravilhoso. Apesar de o apartamento em si não ser muito gtrande era um lugar tranqüilo e bacana de morar e onde vivi várias experiências muito legais. Era um lugar central com shopping próximo, banca de revista e outros lugares ligados ao entretenimento Curitibano, como a Ciclovia que por ali passava e que eu ia passear com meu pai nos Domingos ou em outros dias , quando ele tinha folga. Fui muito feliz ali!

O Colégio que eu estudava (Martinus - particular e de Ordem Luterana) também ficava próximo , e todos os dias após o almoço minha avó me levava até lá e depois me trazia. Era uma época que eu não acordava muito tarde. Era uma época que eu acordava 10:30 da manhã e isso era considerado, e até, algumas vezes alguns amigos me chamavam pra descer lá embaixo, apertavam a campainha do meu apartamento mas estava lá eu babando feliz de sono :).

Eu ia bem na escola . Tinha uma boa vida, não tinha do que reclamar.
Uma família que me amava.
Um colégio bom , bons amigos , (nem todos) , meninas que gostavam de mim , enfim , era mesmo uma vida boa .Poucos foram os momentos frustrantes. Era um corpo sáudavel, cheio de energia para exercícios e atividades diversas, pronto para brincar e me jogar na vida, era extrovertido e sociável... quem diria que com o passar dos anos eu iria mudar tanto ?

As situações no prédio começaram a ficar muito constrangedoras ... :(
Se a gente conversava (Sabine e eu) em algum canto, e , por mais que o irmão dela estivesse sempre presente nas brincadeiras, sempre havia algum chato pra estragar o nosso momento de lazer , sempre aparecia uma abobalhado, de uma janela, de uma esquina da garagem , pra gritar "ahh namoradinhos!" , aff, óbvio que revidavamos como podíamos e díziamos que isso era coisa de quem não tinha o que fazer , de imbecis, etc, etc... mas aí entravamos em maior clima de guerra com os garotos mais velhos que davam apoio a essa onda de encheção continua do nosso saco . :(

Não raro eu apanhava de garotos mais velhos naquele tempo ... mas não tinha momento mais trágico do que ser atacado pelo covarde do Jairo, tem gente que vai rir do que eu vou falar aqui, mesmo isso não tendo nada de engraçado... não lembro bem a situação , só lembro que estava embaixo da janela do terceiro andar que eu morava , eu vestia uma camisa e um calção, e não lembro qual foi o problema arranjado ,
Jairo puxou minhas tetas, e , acreditei que , iria ficar sem os mamilos doeu muito...
e ficou me zoando e humilhando depois
"Olha só , o Ricardo é tetudo!"
é rolem de rir da minha desgraça .

Tive muitos, e , muitos,muitos problemas com esse Jairo.
Certa vez , estava brincando com Tassiana e Sabine , e com certeza também com seus respectivos irmãos (o grupo dos 5) , quando ele partiu com uma ofensiva de agressão física e partiu pra cima de mim com socos e pontapés ... Sabine e Tassiana sairam correndo dali... eu acreditei que elas tivessem se acovardado com a situação, mas na verdade foram avisar a minha vó que eu estava apanhando feio . :(. Nisso minha vó chegou e a situação foi resolvida, e ele teve que se acertar com meus pais ... não lembro direito, mas sei que ele foi punido severamente como merecia.

Volte e meia esse tipo de situação ocorria. Era horrível. Era isso que estragava a paz no prédio.
As vezes , certos acontecimentos , geravam atritos no meu relacionamento com Sabine, como falei, apesar desse ter sido um ano maravilhoso , teve também um lado pesado, um breu, uma escuridão...
Naquela época existia uma expressão , e creio que ela ainda exista hoje em dia ,
chamada "ficou de mal" , que refere ao fato de duas pessoas não mais se bicarem, não concordarem e não se falarem , no geral. E isso ocorreu algumas vezes esse ano. Fiquei de "mal" com a Sabine bastante vezes ... ora por um comportamento dela fora do meu nível de compreensão , dada a complexidade , e ora por pisada na bola minha e ainda ora, por vinganças de certas circunstâncias que me faziam querer dar o troco nela. Nem que fosse o "troco moral", pela minha 'perda', com a situação , ou coisa semelhante...

O nosso relacionamento tinha esfriado dada certa época do ano ... a gente não tinha mais a cumplicidade, se falava pouco e trocava palavras geladas... contudo, creio que meu rancor , maior muitas vezes até que meu ego, me fazia 'botar pra fora' a expressão do meu ódio , nem que fosse momentaneo, para ter uma válvula de descarga, algo que funcionasse melhor do que chorar ... do que revidar, ou do que falar na cara . Aliás quando estava de mal , ou ríspido, não tinha mesmo jeito como chegar nela e então me isolava em meus pensamentos soturnos para despejar minha raiva com a situação de alguma forma que me satisfizesse. Óbvio que quando fazíamos as pazes tudo era esquecido, mas tinha coisas que eu não gostaria que chegasse ao conhecimento dela ... e uma vez rolou uma situação muito canalha da minha parte... que me arrependi até a última consequência...

Eu tinha ganho um caderno de matemática ... mas pra uso próprio do que eu quisesse fazer com ele. Na quarta capa do Caderno tinha até letra do Hino Nacional se não me engano, e se não me falhe a memória a capa dele era amarela com algum desenho ou ilustração ... numa das barbaridades que escrevi / desenhei, nesse caderno , falava coisas sobre a Sabine, óbvio que de forma negativa e traiçoeira, e tinha lá escrito que , ou desenhado ela nua , e um monte de blasfemias das grandes , tipo insinuações minhas de que ela namorava com o próprio irmão e mais um monte de barbaridades que minha alma endiabrada se encarregou de despejar ...

Assim minha raiva estava lá toda registrada num caderno ...
Todo o meu ódio , minha desesperança e meu retardadismo estavam lá ...
Adivinha o que aconteceu ???
Isso mesmo que vcs devem estar imaginando...
Um dia , eu desci com esse caderno , no playground e sentei num banco que havia por lá , fazia muito sol, eu fui fazer algumas anotações usando o mesmo caderno . Mas como o caderno não se tratava apenas disso, eu devia ter escrito alguma história. Sim, quando pequeno eu inventava histórias escritas mesmo, de uma página só, porque teve uma época na minha vida que o meu sonho foi ser escritor ... e durante alguns anos eu alimentei esse sonho até a música entrar na minha vida e tomar conta dos meus sonhos da minha adolescência até os meus dias de hoje... mas voltando ; anotei
alguma coisa a mais nesse caderno que não calculo o que seja, mas não era nada de sórdido sobre a Sabine. Poucas pessoas brincavam no playground esse dia devido ao sol forte...

Nisso, vejo meu pai abrindo as portas do meu bloco, e , convidando-me para sair com ele de bicicleta pela Ciclovia que atravessava o Bosque do Papa e seguia até o Parque São Lourenço, eu adorava sair de bicicleta com meu pai. E óbvio que não ia recusar num domingão de Sol como aquele ... fui todo feliz pegar minha bicicleta no bicicletário do prédio . Radiava de alegria , peguei minha bike , e então,
fui com ele passear na ciclovia. No meio do passeio é que me toquei da mancada que eu havia cometido ... provavelmente eu tinha deixado o caderno em cima do banco e esqueci de levar ele de volta pro prédio :(.

Aquilo estragou meu passeio , mas eu não falei nada para meu pai que continuava feliz , ali, com o passeio , e óbvio como ele não tinha aprontado nada com ninguém estava feliz e de consciência limpa... eu não... fui voltando pra lá todo preocupado e antes de tomar meu banho , desci novamente ao Playground e a tarde já estava escurecendo... de repente no banco onde esqueci o caderno eu vi um garoto -- agora não lembro se era um amigo meu ou não -- e fui conversar com ele , no que perguntei:

"Vc viu um caderno amarelo por acaso nesse banco , hoje a tarde ?"
"Ah vi sim. Como não tinha nome , eu fui ler e vi que falava da Sabine, e então achei que o caderno era dela, e entreguei pra ela."
"NÃO, PORRA !" - Disse eu muito puto da minha cara, primeiro comigo pela mancada, depois com o garoto pela situação que ele tinha me colocado - "O caderno era MEU!"
"Me desculpe, mas , não tinha identificação e eu achei que ela tinha que tomar conhecimento que o caderno falava sobre ela ..."
Eu fiquei com muito cagaço...
Acho que cheguei até a tremer de desespero com a situação...
se a gente já estava abalado antes por causa de um outro motivo menor, isso com certeza , ia por a nossa amizade por um fio, isso SE ela quisesse continuar a ser amiga de um PERVERTIDO daqueles [como eu]. Foi o que eu pensei...
Aff minha testa chegava a suar fria ..

Eu não sabia o que fazer ...
A situação tinha se tornado muito crítica ...
Minha vó veio me perguntar pelo caderno se eu não me engano...
E não sei porque eu não falei que havia perdido... mas também não contei desse ocorrido.
Agora sim, estava constrangido, com medo, com medo de perder a amizade dela, com medo que a mãe dela tivesse lido aquilo , com medo de levar uma bronca grande ... enfim tava FUDIDO , não tem outra expressão que melhor defina meu grande medo...

Sabia que eu tinha feito uma CAGADA das grandes...
E tava com medo das consequências, pensamentos sombrios atormentavam minha mente,
como eu indo pra cadeia por danos morais, a mãe dela querendo processar minha família,
a mãe dela vindo na porta da minha avó contando do ocorrido.
E nunca, nunca minha família poderia saber do ocorrido . - Não lembro se no final das contas ela ficou sabendo ou não...

Eu tinha medo porque tava na hora de eu tomar uma atitude
antes que alguma coisa pior acontecesse ... eu resolvi então fazer o que achei
mais arriscado , porém mais seguro pra mim.
Fui no mesmo dia , tocar a campainha do prédio dela ...
e mesmo não havendo identificação do meu nome no caderno ,
Sabine me atendeu com um olhar de desprezo que me congelou até a alma ...
e disse apenas isso :
- TOMA O TEU CADERNO !

Eu peguei o caderno fazendo uma cara de bunda sem tamanho ...
Aquele dia foi foda ... nunca esqueci...
se não me engano ela vestia uma blusa vermelha quando me devolveu o caderno...
trash demais...
bateu a porta na minha cara, e eu fui subindo pensando:
"O que é que eu fiz ? O que é que eu fiz ???"
Era a certeza absoluta que a minha amizade com ela não voltaria mais ser a mesma,
depois dessa decepção que ela tinha sofrido comigo... me bateu uma vontade de chorar ... foi triste...

O dia seguinte foi pior , porque era segunda feira.
Eu sempre descia no playground , e fazia um solzãoo perfeito dia pra descer e brincar, suar muito ... mas eu olhei pela janela do quarto , meio escondidinho ... e ao ver a Sabine com o irmão dela brincando no playground junto com demais coleguinhas meu coração começou a bater mais rápido (de nervoso) nisso chega minha vó e diz :

"Vai Ricardo, vai brincar que o dia ta lindo ..."
"Não quero não..."
"Ah seu bobo, vai perder um dia de sol lindo desses ? A Sabine está lá, todos os seus amiguinhos ..."
"É ... não estou muito disposto hoje"
"Ricardo, vc aprontou alguma ? Porque não quer descer ?"
"Não to com vontade"
"Ah desce... quero limpar o apartamento..."

putz, eu desci...
com as pernas tremendo mais do que vara de bambu...

Continuo no próximo post

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006

 

[P#16] O TRIÂNGULO --- PARTE 2

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"Eu tenho aquilo roxo" - declaração de Collor em 1991

Nessa época o país encontrava-se numa situação econômica lastimável,
32 milhões de miseráveis, mas Collor parecia avesso a esse desastre , e ,
tentava sempre exibir uma imagem combativa, arrojada , moderna , enfim ,
e num pronunciamento, como se não bastasse as imagens do presidente no
avião a jato, de jet ski, fazendo cooper -- coisa de Mauricinho mesmo, o Lobão
é que está certo...

A relação com isso é que eu era pequeno. Tinha 8 anos nessa época e nunca esqueci
a célebre frase. Entrou pros ANAIS da história com certeza. Minha vó achava rídiculo um presidente da república se prestar a isso e no meu prédio ele foi a gozação do dia, a frase do saco roxo símbolo de virilidade do presidente , era motivo de pilhéria mesmo. Fora o cabelo sempre cheio de gel. "Mauricisse" . Penteados horríveis. E pior que o filho da puta nasceu no mesmo ano que o Mark Knopfler :S

No prédio o saco do Collor foi muito comentado.
Essa questão dos adolescentes, e principalmente garotos mais velhos no prédio ,
sempre nos ameaçando , principalmente ameaças de agressão físicas, das quais eu fui vítima várias vezes, mesmo morando lá menos de um ano . Muitas confusões rolaram nesse ano. Mesmo ele sendo com certeza o melhor já vivido por mim até hoje. Um dia eu estava jogando bola acabei acertando o vidro da porta. Meus avós tiveram que pagar. Esse foi um momento mau . Meu pai quebrou o braço aquele ano também tentando subir no ônibus. Mas o ano teve muito mais coisas positivas a serem lembradas do que coisas negativas.

No meu aniversário daquele ano eu ganhei um Pense Bem,que era um computador de brinquedo, com jogos , brincadeiras, melodias, programinhas, era da Tec Toy. Pela educação que eu recebi , eu não emprestava minhas coisas , Tassiana ficou braba uma vez por que não emprestei pra ela meu traço-mágico ,e falou
"Então enfia no cu!"
Era a educação do pessoal :D.
Mas o importante é que não obedeci a ordem dela. Ela ficou tão irritada com aquilo que subiu de volta pro apartamento dela que ficava no bloco A. Mas era isso mesmo, eu não tinha o costume de emprestar minhas coisas. Eu havia sido educado assim.

Pra nos proteger dos garotos mais velhos que vinham atrapalhar nosso entretenimento infantil, brincavamos em partes diferentes do playground, ou até mesmo na falta de espaço, nas garagens , ou perto do muro, onde tinham as plantas do canteiro. O mais temido de todos era o Jairo! Ele devia ter uns 13 anos de idade , era meio balofo, tinha uma cara de bunda que era foda. Mas era forte, nos ameaçava, queria ser o dono do pedaço.

Nossa amizade (a minha com Sabine) ia muito bem, algumas vezes criavamos pretextos pra irmos um no apartamento do outro criar planos contra os nossos 'inimigos', óbvios que eram planos impláusiveis, impossíveis e totalmente non-sense , fora da realidade e etc, etc, mas a gente acreditava que daria certo, escreviamos o projeto do plano e fazíamos rascunho do mesmo em cadernos.

Certa vez Sabine foi no meu apartamento e pediu pra fecharmos a porta do quarto, eu ainda perguntei :

"Não deixa aberta!" - e tornei a abrir ela
Mas ela insistiu ... "Não Ri... porta fechada a gente fica mais tranquilo..."
E viu todos os meus brinquedos meu armário ela viu que realmente minha mini-disneylândia era interessante ... ainda comentou um dia que a gente brigou
e essas coisas que a gente diz quando joga as coisas na cara da pessoa ofendida
ou da pessoa que ofende e vice-versa :
"Bah... eu não sou rica que nem você!"
Eu não era rico, mas é típica coisa de criança, ela ficou lembrando toda vida que no meu quarto tinha muitos brinquedos, a gente chegou a ter vários desentendimentos por vários motivos , mas , nossa amizade fluía bem apesar dos pesares...

No dia seguinte àquele eu fui no apartamento dela assistir um pouco de tv e conhecer a casa dela . Eu lembro que no dia que eu fui tava uma bagunça tremenda ... não sei se a diarista iria passar por lá ainda aquele dia , mas, tava feia a situação do quarto dela , cama desarrumada , lençol fora de alinhamento ... e um adesivo escrito "POLICE" na porta do quarto que eu nunca vou esquecer . Estava lá tbm o irmão dela , e a mãe dela , preparando o almoço ... e foi até a hora do almoço que eu fiquei lá , antes que , voltasse pra minha casa almoçar e percebesse ter esquecido meu casaco no apartamento dela . Ela foi me devolver , pouco depois deu deixar o local...

Cheguei a voltar outras vezes no apartamento dela .Uma vez lá com o pretexto de me esconder do Jairo que estava me procurando e com certeza era pra arranjar briga comigo , e/ou me quebrar os dentes. Algo do gênero. Aí la voltei, voltei também uma outra vez pra ver o Box novo do banheiro do ap. dela (hauahaauahauahaau) - os motivos pra aparecer eram sempre os melhores.

Pra contar tudo o que eu lembro desse período e principalmente dos momentos com Sabine com certeza vou levar alguns posts, não queria tornar esse post longo com esse assunto , mas vamos ver até onde eu agüento relatar hoje . :P.
Estavamos um dia sentados numa sombra próxima de um dos pilares do estacionamento e lá conversavamos sobre minha antiga vida no Rio de Janeiro ...e eu dizia que o pessoal daqui (de Curitiba) era mais legal... - óbvio que eu era criança e não tinha consciência do que dizia.

Ela me disse
"Ainda bem que vc veio morar aqui."
Eu começei a gostar dela aos poucos , sem a ingenuidade de uma simples amizade, querendo algo mais ... mas em várias oportunidades falei abobrinhas , e como diz a Marina "homem é tudo lerdo , pai" e eu tive um momento lerdo, aliás eu tive vários momentos lerdos ... e não me tocava nunca . Eu meti o pé na jaca num dia histórico da minha cagada colossal em que estavamos no playground próximos ao carrossel, e mais crianças (todas mais novas do que nós) brincando no "play" e curiosamente naquele dia o número de meninas e meninos brincando era o mesmo , ela me jogou uma indireta que , pra variar , eu não pesquei ... não entendi a insinuação... até hoje quando ocorre esse tipo de situação eu não sei como agir, mas esse dia com certeza foi o pior de todos.

Ela me disse :
"Ô Ri, percebeu que hoje TODOS estão com o seu par né ?" - óbvio que isso era uma indireta... mas eu não sou do tipo que entende,ahauahaua e nessa época eu era pior ,a parte trash do diálogo ainda não veio... no meu curso Intensivo de Homer Simpson , acho que fui aprovado com louvor em primeiro lugar , porque eu respondi o seguinte :
"Lá no Martinus , também rola essa coisa de pares , tem uma amiga minha , a Rafaela que ..." - ela me interrompeu bruscamente nessa hora e disse :
"Ai piá [piá = garoto] ! Vc só fala nessa Rafaela . Vive falando nela ! Que saco!!!"

Nem me perguntem por que eu falei isso.
Eu gostava da Sabine. Não tinha intenções com Rafaela, apesar da minha ligação com Rafaela também ser bem forte , e eu sempre acreditei na monogamia, mas, como sempre eu tinha que falar algo que estragasse... se não , não ia ser . Mas acho que isso não se deve ao fato de ser eu. É pelo fato de ser homem. Homem tem essas cagadas de não entender as coisas de primeira, de só falar merda e de como diz a Marina "SER LERDO!"

Continuo no próximo post.

 

[P#15] O TRIÂNGULO ...

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A gente se completava . (Sabine e eu)
Devida a nossa grande afinidade e ao fato de ficarmos muito tempo juntos,[
conversando , brincando , rindo , e tendo outras atividades de 'crianças saudáveis'
a cada dia que passava a nossa confiança aumentava , era uma amizade recíproca, que
foi se construindo pouco a pouco, e ao longo dos meses éramos mais amigos do que nos períodos iniciais , assim como as eras da evolução ; que contribuiram para o desenvolvimento do mundo , dos seres e dos humanos , a nossa amizade evoluiu da era Cenozóica , passando por vários períodos de altos e baixos até chegar no ápice da evolução e nosso sentimento se tornar outra coisa ... isso quando alcançamos o nível Pré-Cambriano da era Arqueozóica.

Assim foi.
Como eu disse fiz muitas amizades lá , porém poucas realmente de conteúdo memorável
e marcante. Além da Sabine e Lukas , havia tbm a Tassiana e o Gabriel que citei no antepenúltimo post, que eu conheci , bem na verdade , antes de conhecer Sabine e seu irmão. E pelas conversas que tinha com Tassiana , eu já havia citado a Sabine e tinha entendido que elas eram 'inimigas' , pelas descrições que ela (Tassiana) havia me dado. Depois eu fui descobrir que elas já eram bem amigas antes de eu conhece-las , elas já se conheciam desde os idos de 1988 por aí... época que eu nem sonhava em sair do Rio de Janeiro.

Era basicamente essa minha turma.
Com o passar dos anos e a mudança no comportamento da sociedade, pra me adequar aos padrões atuais , poderia dizer que aquela era minha panela, mas acho esse termo um tanto quanto vulgar e fora da realidade e deslocado no tempo. Não era uma panela. Nós não excluíamos ninguém da nossa turma. Mas realmente, como citei antes , os meninos mais velhos, muitas vezes arranjavam encrencas que estragavam a nossa brincadeira , daí o grupo ficava mais recluso em virtude de segurança pra não sofrer novos ataques e nem ter a sua base rachada . (Credo parece assunto de política). Até porque se não me falhe a memória, o melhor ano de minha vida não foi só alegrias , nem um mar de rosas . Teve momentos de brigas, de me separar , de ir pro escuro, pro breu da mesquinhez do ser humano. É desde pequeno já fui me deparando com esses sentimentos pra descobrir que o mundo é cruel , e o ser humano, -com o perdão da expressão -é uma bosta.

Minha vida se dividia entre brincar com meus amigos de manhã, muitas vezes Sabine e Lukas, ou se esses não desciam em virtude de alguma razão com a Tassiana e o Gabriel, ou só com a Tassiana, mas enfim , sempre brincava com alguém. A Tassiana foi a primeira garota com quem conversei sobre assuntos mais adultos, como sexo , reprodução, nomes dados a genitais das mulheres , etc, etc. Até então eu pensava que os filhos nasciam de uma forma absurda caindo do céu no colo das pessoas. Mas pra ser sincero, eu só começei a ficar com a pulga atrás da orelha com o assunto DIRETAMENTE ligado a prática sexual, quando, sentados na grama , em frente ao estacionamento , Sabine foi contar uma piada "suja" pra Tassiana (e eu estava junto ouvindo), e falou assim : "Então o homem foi transar com a mulher ; com pinto na vagina e tudo..." (e eu nunca esqueci que ela falou isso) e eu começei a ficar ainda
mais 'cabreiro', porque pra mim sexo era um homem pelado deitado numa cama com uma mulher... e nada mais ... é eu era inocente ...

Daí fui perguntar para o meu pai o que era o sexo.
Recebi uma resposta do naipe daquela pergunta do Papai Noel que eu havia feito pra ele no ano anterior.
Ele me perguntou :
"Pra vc o que é sexo ?"
"É um homem e uma mulher embaixo do lençol pelados ..."
"É isso ai..."

Como diria uma amiga minha "enrolation"...
Mas tudo bem ,eu entendo o lado dele. Acho que foi melhor assim ... (ou não)
Nesse ano também caiu a máscara do Papai Noel e , no Natal daquele ano
eu já ganhava os presentes mais consciente de que ele nunca existiu.
Mas de certa forma foi um choque ... mas a vida é feita desses momentos também... fazer o que ? Seria pior ficar iludido o resto da minha vida. Acho que foi minha vó que contou que ele não existia. Não lembro direito quem foi...

A Sabine estudava no Colégio Divina Providência ; por coincidência tbm um colégio particular . Não sei se o Divina Providência tem alguma ordem religiosa, nunca pesquisei a respeito, mas o que eu invejava nos alunos do Divina Providência eram os uniformes vermelho-e-cinza, que eu achava muito mais bonito que o uniforme do Martinus marrom-e-branco, me identificava mais com as cores do colégio dela . Tinhamos as manhãs livres pra brincar .Pra falar a verdade eu tinha as manhãs e as noites livres , e a tarde eu estudava. Mas a noite a Sabine não descia, a mãe dela não deixava, já a Tassiana eu encontrei várias vezes brincando no playground a noite. Mas quando eram 10 horas da noite eu subia , ou subia mais cedo se não tivesse ninguém pra brincar ou o Zelador pra conversar comigo durante as noites ... (sim eu conversava com o Zelador), o Zelador exercia a função de porteiro também , e eram dois e se dividiam em turnos . O do turno da noite era um negro , o do turno da manhã e tarde era um branco , ambos com idade entre 45-55 anos , por aí . O uniforme deles era um guarda-pó azul-marinho. Usavam também uma espécie de boné , ou algo que os identificasse.

Minhas tardes eram preenchidas pelos estudos no Martinus, eu dei sorte de entrar numa boa turma . Cursava a segunda série. Até hoje eu lembro o nome da professora. Professora Kátia, um amor, todos gostavam dela . Era loira tbm ... (acho que esse ano me passou alguma mensagem subliminar ,ahauhau) mas eu não era apaixonado pela professora, até porque eu não sentia nenhum tipo de atração, ela era a tia mesmo pra nós. A Tia Kátia. Heheheh... bons tempos aquele ... mesmo no Martinus , eu tentando manter minha sociabilidade no mais alto nível (pra mim aquela época isso era uma coisa natural, eu não tinha que fazer esforço), conversando com amigos e colegas diversos, a medida que o tempo passava o pessoal pegava no meu pé e pegava feio ! Por que homem que é homem não brinca com menina e pior, no meu caso, além de muitas vezes não brincar com os meninos eu saía pra lanchar com minha merenda com a Rafaela ... (da foto) ; mas é que a Rafaela por outro lado era tbm a pessoa que melhor me entendia ... eu gostava muito dela. Uma pessoa realmente ... não sei , não sei que terminologia usar pra defini-la , eu ria muito com ela . Ela era engraçada , muito amiga, sempre que precisava estava lá . Ela tirava boas notas. E nessa época como eu era CDF , minhas notas também estavam entre as melhores da turma, na escola eu tinha um ótimo desempenho, não bagunçava , era o tipo do 'aluno ideal'. A Rafaela ,era além de tudo LOIRA (!) e bem mais loira do que na foto dela do orkut. Era um amarelo mais claro do que a gema de ovo, a pele branquinha dava pra ver as veias nos braços. Eu tinha um carinho enorme por ela (mesmo que talvez ele fosse inconsciente) , gostava muito dela e creio que , ela gostava de mim tbm , me achava um amigo bacana, porque nós sempre estavamos juntos em quase todos os momentos ...

Mas começei a ficar muito irritado quando os garotos do colégio - criança é ser perverso mesmo - começaram a nos afrontar e incomodar nos chamando de "Namoradinhos", meu constrangimento era gigante ... uma porque não era nada daquilo, a gente não tinha essa maldade, bom eu não sei, não da pra falar pelos outros , sendo que estou falando da experiência que EU vivi estando lá e naquela época e contexto... não sei como ela vê isso hoje em dia, ou como ela via isso na época, sei la´... mas creio que era pura encheção de saco da molecada. Eu sempre achei isso uma enorme falta do que fazer , e tbm , uma grande inveja dessas pessoas que não tem amigos verdadeiros em quem confiar e prescisam utilizar-se desses artíficios pra preencher o vazio de suas vidinhas medíocres.

Um dia eu cheguei ao extremo do meu limite, a gente comia , sentados no chão (eu e Rafaela) próximos a uma escada do colégio que acessava a quadra de futebol do Martinus . E pra variar, como sempre, na minha garrafa térmica voava uma abelha ... era incrível como aquele lugar atraía abelha quando vc estava tomando Coca, comendo um doce ou exercendo qualquer atividade semelhante a essas citadas. Tá mas esse detalhe da abelha foi só uma lembrança que não tinha nada ver com o fato em si, não tinha um peso de relevância histórica, como o que vou contar : chega um garoto lá e começa a além de tudo xingar a minha amiga de magrela , e dizer que a gente tava namorando e vir com aquele papo CLICHÊ , que a gente era o casal perfeito , "um é escuro que nem o retrato 3x4 do Renato Aragão e a outra é mais branca do que uma folha A4" . Aquilo foi me deixando irritado de tal forma que eu resolvi dar umas lições nele quando ele começou com aquela zoação, a gente começou a se espancar ... se marcar acho que eu apanhei mais do que bati, mas ele levou uma surra boa também. Mas o inspetor do colégio viu aquela cena ... e nisso fomos levados até a presença do diretor. Eu fiquei muito nervoso com aquela situação por que eu era um aluno exemplar e agora estava envolvido naquela 'sujeira'. A Rafaela ficou deveras decepcionada com minha atitude. Não me perguntem porque , pois depois disso eu nunca mias falei com ela sobre esse assunto. Nossa amizade continuou bacana como era antes, mas , nessa hora senti um desapontamento dela em relação a minha atitude ... não lembro se chegou a chorar , mas não ficou nem um pouco feliz com aquela situação.

Quanto a ser o retrato 3x4 do Renato Aragão , o que ocorre é que quando eu era pequeno eu era muito mais moreno do que eu sou hoje, eu era quase um mulato, a pigmentação de cor da minha pele era bem mais escura, com o passar do tempo é que fui clareando , e minhas amigas, que eram mais loiras quando pequenas, sofreram o processo inverso e seus cabelos foram escurecendo mais a medida que o tempo passou.
Mesmo assim , desde pequeno eu nunca tive sangue de barata pra aturar gracinha
de quem quer que fosse . Brincar amistosamente tudo bem, agora a partir do momento
que as pessoas confundem as coisas e acham que vc está num picadeiro , e , que ,
vc tem que cair da bola e tropeçar na casca de banana pra fazer os outros rirem, as coisas complicam .

A Rafaela era minha melhor amiga no Martinus , assim como a Sabine era minha melhor amiga no apartamento, e engraçado , que , em ambos os casos , as pessoas não conseguiam entender essa relação que existia entre a gente , embora no caso do colégio tenha sido pior, por causa da dimensão que as coisas tomaram no prédio muitas vezes eu fiquei ruborizado enquanto diziam que eu e a Sabine eram namorados, até porque eu não sabia se a Sabine gostava de mim , então, caso ela não gostasse ,eu ficava com fama de bobão , sei la´, de , de "carinha que é a fim" , e
eu sempre tive uma vergonha gigante dessas coisas ,por que quando eu realmente sinto isso e as pessoas se tocam, parece que scanearam um raio-x de mim, eu me sinto moralmente nu, é horrível , constrangedor, e eu cresci e nesse sentido minha mentalidade não mudou. E as pessoas ainda hoje pegam no meu pé com uns lances que não tem nada a ver , mas enfim ... continuemos ...

O que me completava na Rafaela era o fato de que assim como eu , ela não "batia muito bem" (hauahauaahauahaua) no bom sentido, eu era meio louquinho sim, (e ainda sou) e já fazia coisas que não são habituais de pessoas ditas 'normais' fazerem. Ela era meu impulso, ela que me dava corda e também me ajudava e sei lá, não tem como expressar... era minha amiga mesmo... mas com um Q a mais. Meus colegas de classe logo no começo do ano queriam excluir ela das brincadeiras , das ênfases em grupo , eu achava aquilo tão, tão , tão nada ver, e percebi que havia uma certa xenofobia do pessoal em relação a ela sim, a partir do momento que , eu estando junto com ela , lanchando com ela , começaram a me excluir também . Por isso que eu digo 'people=shit', as pessoas tem medo do novo. Elas querem que tudo venha pronto numa forma, e quando não vem ,elas se assustam e fogem , e tentam se isolar e tentam SER NORMAIS. É a tendência de muitos , fazer o que ? Só lastimar que a humanidade tenha chegado nesse ponto , onde a aparência vale mais do que o conteúdo.

Eu não achava ela estranha .
Agora eu entendo.
O que rolava é que eu encontrava nela uma grande IDENTIFICAÇÃO. Uma pessoa em quem confiar, em quem contar , em quem eu podia esperar coisas novas , todos os dias, pq ela gostava de surpreender, e eu era o tipo da pessoa , que desde aquela época , fantasiava, criava uma realidade paralela, construía o meu mundo, e acho que ,no Martinus, só ela tinha a chave pra entrar lá . As outras pessoas eram normais demais para por ex. numa metáfora bem viajada 'construírem seus próprios foguetes e embarcarem na minha órbita' ...Rafaela era diferente. Isso me chamou a atenção, e despertou a inveja das outras pessoas, o preconceito, e a cólera nelas. Se eu era meio "tan-tan" , ela era o dobro , hehehe, e é isso que fazia a coisa toda ter graça , e nossa amizade ser legal, a gente participou de inúmeras atividades juntas até o final daquele ano .

No meio do ano as coisas começaram a complicar ;
Tassiana , mudou para o colégio em que eu morava e a partir daí ela começou a criar certas intrigas na minha amizade com a Rafaela .
Rafaela dizia pra mim que ela era uma traidora , e, que, eu não devia confiar nela , mas o complicado da minha situação era que , antes minha avó me levava e trazia do colégio, depois que Tassiana passou a estudar lá , eu ia e voltava com ela .
Quando chegava no prédio Tassiana fofocava pra Sabine tudo o que acontecia no colégio, o que gerou um mal estar em nós e acabei brigando com a Sabine e me isolei feio do grupo dos cinco (Tassiana , Gabriel , Lukas e Sabine) esse período e fiquei na minha comoo um exilado , sentando longe, não participando mais das brincadeiras com eles e tal.
No colégio a situação chegou a um extremo de um dia a Rafaela tentar me enforcar, e lágrimas , dores, sentimentos de remorso e culpa , do qual eu falarei mais no próximo post.

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